Red Angel
17 Capítulo 17- O caderno secreto.
Notas iniciais
Pov Malina
É um novo
dia, e como sempre, após as aulas, dirigimo-nos todos até ao campo junto ao rio para treinarmos, já que na escola é impossível.
Eu limitava a treinar o remates, e os treinos treinavam nas suas áreas, mas alguns dos rapazes, criavam novas técnicas... Ou pelo menos tentavam, já que nenhuma das coisas que eles estavam a fazer não servia para nada.
No final do treino, não conseguimos nada. Nem se quer algo que se parecesse com uma técnica, a qual pudéssemos melhorar. E ao terminar o treino, eu, Mamoru, o Goenji e o Kazemaru, caminhamos um pouco juntos para conversar, enquanto íamos em direção às nossas casas
.
–O torneio Football Frontier vai começar e nós ainda não descobrimos uma nova técnica.- o Kazemaru tinha razão. Precisamos rapidamente de algo.
–Não te
rendas, Kazemaru.- pediu o Mamoru, enquanto eu e o Goenji nos aproximávamos dos dois, já que íamos a caminhar mais atrás e a conversar.
–Não se trata de render-me. Estou só a pensar no pior dos casos e não soa bem.
–E mesmo que consigamos realizar
uma nova técnica, precisaríamos de tempo
para nos habituarmos a ela.
–Isso é verdade, mas...- mas o jogo está muito perto!
–Improvisaríamos com forme as coisas.- o Mamoru... Sempre positivo.
Quando todos estávamos em silêncio, algo que eu não estava mesmo nada à espera, fez-me corar até às orelhas... Nem podia acreditar que a minha barriga tinha feito tanto barulho, por ter fome, mesmo em frente ao Goenji!
Os três ficaram a olhar para mim, enquanto eu mantinha a cabeça baixa para ocultar o vermelhão das minhas bochechas. Pelo menos, até ao momento em que o Mamoru, me agarrou na mão e me puxou.
–Muito bem! Falaremos sobre isso no restaurante!
Olhei para trás para ver os rapazes, se bem que apenas prestei atenção ao facto do Goenji estar a evitar
rir...
“Que vergonha!”, era a única coisa que gritava por dentro.
Fomos levados pelo meu primo até um restaurante de massas, chamado “Rai Rai”, e ao entrarmos, o meu estômago voltou a fazer barulho e eu só desejava arranca-lo para não passar mais vergonhas, se bem que a porta boa, foi poder sentar-me ao pé do Goenji!
Felizmente, os únicos clientes éramos nós um homem que só estava ali a ler o jornal, o que, felizmente, fez com que fossemos rapidamente servidos.
–Já sabes o que devemos fazer se não conseguirmos nenhuma técnica nova?- o meu primo estava tão ocupado a comer, que só pouco depois é que levantou a cara para responder ao Kazemaru.
–Confiando em voz, óbvio.
–Fico feliz que confies em nós, Mamoru, mas isso não chega.- não sabia se havia de continuar
a rir ou se chorava.
–Não te
preocupes! Conseguiremos fazer algo mesmo que não tenhamos uma nova técnica. Não se lembram? Nós dissemos que chegaríamos a ser a nova Inazuma Eleven, não é?- perguntou-me, e só tive tempo de assentir rapidamente. Não esperava que me perguntasse isso.
–Kazemaru, a tua massa vai ficar fria.
–Oh não!- e começou a comer.
Talvez uma mudança de tema não fosse má ideia, se bem que tenho a certeza que nenhum de nós consegue pensar noutra coisa qualquer.
–Com que então a Inazuma Eleven.- questionou o Goenji.
–Como gostaria de saber como jogava a equipe do avô.- perguntei- Que técnica usavam e assim.
–Podiam ver o caderno secreto.- ao parecer
o dono do restaurante estava interessado na nossa conversa.
–Claro. Se houvesse um caderno secreto.- respondeu o azulado.
–Vá-se lá saber o que poderíamos encontrar.- continuou o Mamoru.
–Talvez uma técnica para ganharmos.- conclui.
Mas esperem lá! Caderno secreto?!
–O quê?!- perguntamos os três em uníssono, levantando-nos, percebendo finalmente que o homem acabara de afirmar
que havia uma caderno secreto- Há um caderno secreto?
–Pensávamos que só existia o caderno que orienta no treino especial.- ou pelo menos eu achava que sim... Até agora.
–Esse vosso caderno é só uma parte do caderno secreto.- responder, apesar de estar de costas para nós, porém, logo se virou, fitando-me a mim e ao meu primo- Vocês são netos do Endou Daisuke?
–Sim.- fui a única a responder.
–A sério?- ele parecia admirado, apesar da sua voz soar como se ele se risse- Com que então os netos do Daisuke!- e riu-se- Os mesmíssimos netos do Daisuke!
Olhamos um para o outro, sem perceber o que se estava a passar ali, e quando olhamos novamente para a frente, o homem aponta-nos com uma concha de soca, que me fez desequilibrar, com o susto, agarrando o meu primo pelo braço que também acabou por cair
.
–Mas o que pensa...- antes dele poder terminar a frase
, o homem voltou a apontar-nos com as conchas, fazendo-nos ver o nosso próprio reflexo.
–O caderno pode trazer-vos desgraças sem fim. Ainda o querem ler?
A resposta não podia ser outra...
–Sim.- acabando por ser unânime.
***
Após o que soubemos na noite anterior, o Mamoru convocou uma reunião secreta. Bom, na verdade só fez com que andássemos a tapar uma parte do clube onde todos – menos o Goenji e o Domon, porque um estava sentado e outro de pé — nos posemos um roda para “conversar”.
–Um caderno secreto?!- gritaram os rapazes, fazendo-me pedi-los para se calarem.
–Sim. Mas falem baixo.- pedi
–Tem que estar escondido em algum lugar desta escola!
–E como é que o dono do restaurante sabia uma coisa dessas?- o Kabeyama tinha razão. Nem lhe chegamos a perguntar sobre isso.
Silêncio foi o que houve durante uns segundos.
–Não sabemos.- respondemos, fazendo os nossos amigos suspirar.
–Vá lá! Não se preocupem com os detalhes!- do que serviria agora?
–Exatamente! O que importa é que o caderno existe!
Assim que pusemos tudo no sitio certo, arrumando novamente o clube, todos – infelizmente, menos o Goenji que negou mesmo após eu ter insistido tanto – fomos até ao gabinete do diretor, onde saibamos que estava um cofre que guardava o caderno, o qual, nós queríamos mais do que tudo.
–De certeza que está aí dentro?- murmurou o Kabeyama, enquanto o nosso capitão espreitava pela porta entreaberta para ver se não estava ninguém.
–Sim. Foi o que disse o homem do restaurante.- respondeu o Kazemaru- Que está dentro do cofre do diretor da Raimon.
–Vamos.- ordenou o Mamoru- Temos que o ir buscar
sem chamar a atenção.
–Sim.
No momento em que ia avançar com os rapazes, fui puxada para trás, enquanto todos eles entraram aos trambolhões. Ao olhar para trás, vi o Domon que me sorria, sendo ele o responsável de me salvar
de ser esmagada pelos rapazes.
–Obrigada.- e ele soltou-me o pulso.
–O Goenji pediu-se que olhasse por ti.
–O quê?!- murmurei, sentindo o sangue subir-me à cara.
–Ele disse-me que algo assim podia acontecer e para ver se ficavas bem.
Não pude deixar de me derreter após as palavras do Domon, e com derreter quero dizer, cair
de joelhos nos chão enquanto pensava no facto dele se ter preocupado comigo.
–Meu herói.- murmurei, imaginando-me nos braços do homem que amo.
–Malina?- assim que ouvi a voz do Domon, a imagem desfez-se na minha cabeça... O que me deu vontade de chorar- Estás bem?- foi aí que percebi a figura que estava a fazer e levantei-me logo
.
–Sim. Estou bem!- e lembrei-me logo dos rapazes, correndo até eles- Estão todos bem?- o pobre do meu primo, tinha ficado completamente subterrado pela pilha de corpos- Mamoru?
–Tira-os de cima de mim! Estão a esmagar-me!- gritou, fazendo com que todos lhe pedíssemos para se calar.
Quando todos se levantaram, fomos até ao cobre que, obviamente, estava fechado.
–Deixem isto comigo!- o Mamoru começou a rodar o manipulo do cofre, tendo o ouvido encostado à porta do mesmo.
Ele estava a fazer uma coisa que normalmente se vê em filmes.
–Ei... Mamoru... Tu achas que isso vai resultar?- ele nem me respondeu, limitando-se a sorrir assim que se ouviu um “click”.
Ele puxou a maçaneta, tentando abrir
a porta, mas nada. Não se mexia por nada deste mundo, mesmo que ele puxasse com toda a força que tinha.
–Mas tu não tens nenhuma ideia!- reclamou o Kazemaru.
–A este ritmo vão-nos descobrir aqui dentro.- o Someoka tinha razão, e isso era o que eu mais temia.
–Já vos descobri há um bom bocado.- assim que ouvimos uma familiar voz feminina, todos nos voltamos para trás, em direção à porta onde vimos a Natsumi, parado de baixo da ombreira da porta.
–Natsumi...- esta surpreendida por a ver ali. Era tudo o que eu menos queria.
–Isto não é o que parece
.- o que raio ia inventar o meu primo desta vez?
–Estamos a treinar!- mas afinal no estava eu a pensar para dizer uma coisa destas?!
–É isso mesmo! Estamos a treinar a camuflagem contra o time rival!- não havia pior desculpa do que a que foi dada agora.
A ruiva, limitou-se a suspirar.
–Na verdade é que vocês estavam à procura de uma coisa.- ditas essas palavras, levantou um caderno antigo e sujo- É isto, certo?
–O caderno secreto do avô!- só tive tempo de ver o Mamoru correr em direção à Natsumi e agarrar no caderno, sendo logo seguido por mim que também comecei a dar-lhe uma vista
de olhos.
–Mas acho que não vos servirá de nada.- apesar de estar a ouvi-la, a minha atenção estava completamente virada para o caderno.
–E porquê?- perguntou o Kazemaru.
–É ilegível.
Saímos do gabinete do diretor, já com o caderno mas... Os rapazes tinham deixado os ânimos todos para trás, resmungando enquanto íamos para o clube, onde os rapazes se reunirão num circulo de desespero puro.
A Natsumi estava enganada! O caderno não é ilegível! É apenas difícil de perceber o que está escrito, mas entende-se com algum esforço!
–Ei! Vocês os dois!- o Kazemaru e o Someoka realmente não têm paciência nenhuma.
–Isto é genial!- começou o Mamoru, após terminarmos de ler.
–É verdade! Tem a explicação da GOD HAND e da GOD SHOT!- continuei.
–Vocês podem lê-lo?!- perguntaram todos em uníssono, admirados pelo nosso feito.
–Bem, ao principio não tínhamos a mínima ideia do que estava escrito nem como se podia ler, mas pouco a pouco fomos entendendo mais!- até não tinha sido muito difícil.
–Sim! E agora já conseguimos compreender!- após a nossa explicação, ambos rimos.
Rapidamente, eu, o Mamoru e o Kazemaru, sentamo-nos numa mesa junto à cadeira onde o Goenji continuava sentado, deixando-me no meio dele e do meu primo, enquanto eu tentava manter
as pernas para o lado do Mamoru, já que eu estava mesmo na ponta da mesa. Os rapazes, sentaram-se todos no chão à nossa volta, prontos para ouvir o que estava escrito no caderno, que o Mamoru ia ler.
–Técnica para ganhar
um jogo aéreo, o INAZUMA OTOSHI.
–INAZUMA OTOSHI?- perguntou o Shourinji.
–Que nome tão legal!- estava de acordo com o Kabeyama!
–Vou ler.- todos nos posemos extremamente atentos para ouvir o nosso capitão- Primeiro um salta fazendo bing, e depois outros dois fazem bang por cima e quando se juntam sai um reboing. Este é o segredo do INAZUMA OTOSHI.
Estava parva. Que raio de explicação era aquela?! E eu não era a única a achar aquilo uma grande maluquice, só pelas reações, dava para ver que os rapazes também achavam isso.
–O que é isso?- fazia-me a mesma pergunta que o Someoka.
–Bing, bang, reboing? Isso não tem o menor sentido.- acrescentou o Kabeyama e com muito razão.
–Olhem lá. Vocês têm a certeza que o vosso avô sabia o que queria dizer?- sinceramente, acho que tinha as mesma dúvidas que o Kazemaru.
–Bem, interessava-lhe o futebol, mas não escrevia com muito clareza.- expliquei, entre risos.
–E só pôs isso de bing, bang, reboing?- perguntou o Someoka- Devia ter posto mais alguma coisa.
–Mas o avô já mais mentiu na vida.- o meu primo parecia extremamente determinado- Se aqui diz que este é o segredo do INAZUMA OTOSHI então é! Só temos que descobrir o que quer dizer!
–Quanta confiança tens...- murmurou o Kazemaru.
Por trás de mim, ouvi o Goenji murmurar as mesma palavras esquisitas do caderno do avô e pensei que ele talvez tivesse uma ideia, por isso, era melhor também fazer algo. Saltei da mesa e pus-me de pé em frente ao nosso numero dez, virada para todos.
–Mesmo assim, temos que tentar
fazer algo!- todos ficaram a olhar para mim- Vá lá rapazes! Vamos treinar! Aqui não descobrimos nada e talvez o treino ajuda a descobrir o que é bing, bang, reboing!
Todos se riram, não consegui perceber bem se era com o entusiasmo ou porque me tinha atrapalhado muito a falar, mas todos se levantaram e começaram a sair com um novo sorriso nos lábios, e eu não pude evitar sorrir ao vê-los com uma nova vontade de lutar.
De repente, senti uma mão forte e quente pousar-me na nuca, afagando os meus cabelos encarnados e quando o dono daquelas mãos passou por mim, vi o sorriso mais amava!
–Vamos treinar?
Sentia-me corar, mas desta vez, nem me dei ao trabalho de o esconder.
–Sim!- e comecei a andar, caminhando ao seu lado, como comecei a gostar de fazer.
Não pude deixar de sorrir! Era impossível não o fazer... Eu amo-o!
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