Notas iniciais
Queria começar dizendo muito obrigada as meninas que comentaram nos capítulos anteriores, Princess Juliet e Anny. Você são a razão para eu estar postando essa capítulo, então eu o dedico a vocês my sunshine *-*
Eu acho que vocês vão gostar deste em especial, pq Justin está muuuiittooooo ousado ashuashuashua Adorei escrevê-lo. Foi como se os personagens criassem vida bem na minha frente! Falando nisso, toda vez que escuto uma música eu lembro de Justin, por isso vou colocar pra a banda dele tocar num capítulo ai. Poxaaa, eu falo demais. Era pra isso ser uma surpresa, mas enfim né.
Agora, eu não sei quando vou postar o próximo capítulo pq eu tenho que criar o primeiro capítulo da minha outra história que eu já deixei o link, mas só relembrando, o nome dela é Fredo, meu querido Fredo e o link deixarei, novamente, nas notas finais pq essa tá ficando ginorme.
Bjs ♥

Meia noite em ponto, Luce acordou assustada. Tivera um pesadelo com raios, trovões e correntes elétricas. Seu pescoço estava molhado de suor e sua garganta, seca. Olhou para os quatro cantos de seu quarto e não ficou surpresa ao descobrir a escuridão e o silêncio tão profundo que poderia incomodar até mesmo os mortos. Decidiu ir até a cozinha beber um pouco d’água e tentar acalmar seus batimentos cardíacos acelerados. Saiu do quarto e olhou para o corredor. Como imaginava, ninguém estava lá.

Pelo que se lembrava, ela foi dormir cedo depois de estudar. Estava cansada. O seu dia tinha sido cansativo, cheio de brigas com seu irmão. Parecia que aquelas foram as piores desde que chegou na casa, pois a tinha desgastado demais, mais do que o natural. “Falando nele, será que já voltou?”, perguntou mentalmente.

Justin tinha saído de noite junto com uns colegas da escola. Seus pais não estavam em casa, para variar, então ninguém pôde impedi-lo. Luce nem tentou, sabia que iria apenas se estressar.

Ela sentia pena dele mesmo quando olhava em seus olhos e um arrepio percorreria seu corpo. O medo que pensava sentir por ele já havia sumido há algumas semanas, pois descobriu que Justin era inofensivo mesmo tendo uma expressão de doente maníaco na maioria das vezes. Seu maior ponto fraco era a dor que carregava. Ela estava implícita em seus gestos, e Luce resolveu que iria entender o que tinha por trás daquele escudo de grosserias do seu irmão.

Foi até a cozinha para beber um pouco d’água. Ao passar pela sala, ouviu o barulho da porta se abrindo. Ela se aproximou para ver quem era.

– Justin?

– O que foi? – perguntou o dito cujo com uma voz de embriagado.

– Vo... você bebeu?

– Só um pouquinho assim – ele fez um gesto com os dedos das mãos expressando uma pequena quantidade. A outra estava ocupada, segurando uma garrafa de vodca.

– Você está bêbado – disse ríspida.

– Sim, eu estou bêbado, mas você está linda – ele soluçou – E amanhã de manhã, eu vou estar sóbrio e você continuará linda.

Luce revirou os olhos. Existe um menino mais pirracento que ele?

– Me dê essa garrafa. – ela estendeu a mão.

– Mas não tem mais nada. – Justin cambaleou em direção à porta – Eu posso ir comprar mais se você quiser.

– Não, eu não quero. Feche a porta e vá para seu quarto.

– Virou minha mãe agora?

Ela suspirou com raiva.

– Falando na chata, cadê ela? – ele foi até as escadas com dificuldade para andar – Quer saber? Eu estou pouco me fodendo. Aquela cadela nem liga para mim mesmo...

– Não fale assim dela – Luce foi tenta-lo ajudar a subir as escadas, mas ele a impediu.

– Mas você é muito lerda mesmo! – resmungou – Aqueles dois vivem para o trabalho, não ligam para os filhos. Se tivessem um mínimo de consideração, perceberiam que seu filho é alcoólatra.

– Você é?! – ela perguntou assustada.

– Tá parecendo o que? Por acaso um cara decente chegaria em casa meia noite bêbado?

Luce ficou calada.

– Foi o que achei. Agora, me deixa em paz! Quero dormir! – Justin a empurrou.

– Deixa eu te ajudar!

– Calma ai! Eu estou bêbado, mas não surdo. Eu ouvi direito? Você quer me ajudar?

– Querer, eu não quero, entretanto eu sei que você não vai conseguir chegar em seu quarto nem aqui nem na China.

– Mas eu não quero sua ajuda! – Justin protestou.

– E eu não pedi para você aceitar. – revidou – Quer falar um pouco mais baixo?

– Não! – soltou um grito.

Luce tapou a boca dele com as mãos, porém foi tarde demais. O grito de Justin ecoou pelos corredores. Eles esperaram alguns segundos calados, com a respiração presa, para ver o que aconteceria.

Ninguém acordou.

Ele lançou seu olhar para ela. A aproximação deles era tanta que não pôde deixar de reparar nos detalhes que passavam despercebidos no rosto de sua irmã: seus lábios no intermediário perfeito entre o grosso e o fino, tão sedosos ao ponto de resplandecer a mais fraca luz, seus olhos cor de mel que estavam mais escuros por causa da noite e o cheiro delicioso de seu cabelo castanho claro ondulado.

– Você está coladinha em mim – Justin comentou com um sorriso malicioso e torto no rosto.

– Você parece uma criança – disse com desprezo na voz.

– Pelo menos meu pinto é bem maior. Quer ver?

– Você é tão nojento quanto seus amigos. – fez cara de nojo — Quer saber? – se estressou – Você não merece minha ajuda. Boa noite.

Ela começou a subir as escadas.

– Não! – gritou de novo. Luce desceu correndo para que ele se calasse.

– Cala a boca! – exclamou com a voz baixa.

– Vem aqui calar – ele fez biquinho.

Ela pegou a orelha dele e começou a puxa-lo escada acima.

– Ai!Ai! – ela apenas o ignorava.

Quando chegaram no quarto dele, ela fechou a porta.

– Eu adoro o que acontece agora – Justin deitou cama – Como você prefere?

– Levanta – Luce ordenou sem paciência.

– Tudo bem.

Ela o pegou pelo punho e levou-o para o banheiro. Estava decidida que colocaria aquele inconsequente no banho com água gelada para ver se a bebedeira cessava.

– Então você gosta de sexo no banho... Danadinha. – riu.

Ele recebeu uma bofetada na cara pelo o que disse. Sua cabeça virou noventa graus para o lado com o impacto do tapa. Ele conseguia sentir sua bochecha ficando cada vez mais ardida e o formigamento crescendo. Pelo visto, Luce tinha uma mão pesada e forte, mais do que ele imaginava.

– Se você não calar a boca agora, eu juro que hoje você não vê o sol nascer!

Justin ficou calado, refletindo o que tinha acabado de ouvir e o que iria falar. Com certeza, não ia deixar aquela ameaça passar sem uma resposta bem dada. Depois de um certo tempo, deu um sorriso expressando o quanto era convencido e egocêntrico. Aquilo deixou Luce perturbada.

– Você se acha, não é? Pensa que é a certinha da casa, a santinha – ele se aproximou dela – Pois eu vou te falar uma coisa: de santinha, você só tem a cara.

Luce teve que tampar a respiração por causa do bafo muito forte de álcool.

– Você está bêbado, e bêbado não pensa corretamente. Então, se você acha que tentar procurar meus pontos fracos e joga-los na minha cara vai me fazer parar, pode ir em frente. Temos a madrugada toda para você descobrir se funciona.

Justin só faltava explodir de raiva. Podia-se jurar que estava roxo deste sentimento acumulado. Ele trincou seu maxilar com força, numa tentativa inútil de diminuir o ódio. Seus olhos cerrados encaravam Luce numa fúria arrepiante, mas esta não se importava com isso.

– Agora, entra no banho. Já!

– Gostaria muito, mas minha irmãzinha está dentro do banheiro. – cuspiu as palavras.

Luce revirou os olhos e saiu. Ele bateu a porta logo atrás dela.

Procurou por algum relógio no quarto e acabou achando um sobre o criado-mudo perto da cama. Já havia passado meia hora desde que acordou. Percebeu também que nunca tinha entrado lá antes e que aquele lugar estava uma bagunça! Roupas pelo avesso, restos de comida espalhado pelo chão, tinha até...

– Eca! – Havia até uma embalagem de camisinha!

Começou a explorar o quarto. Queria achar alguma informação ou pista, mas tudo o que encontrava eram coisas nojentas. Ela abriu seu guarda-roupa e observou que na porta havia riscos bem fortes. Eles simbolizavam uma data, 16/01.

– O que está vendo ai?

Luce se virou num susto para falar com Justin, ou melhor, dar uma desculpa esfarrapada, porém não foi isso o que aconteceu. Na sua frente, se materializou um verdadeiro estereótipo de um anjo. O cabelo dele ainda estava molhado e bagunçado, fazendo as pontas pingarem gotinhas d’água e deslizarem pelo seu abdome definido e morrer na sua bermuda. Sua boca estava levemente molhada, deixando-a ainda mais provocante. O par de esmeraldas dentro de seus olhos fixos em Luce emitia a mais confusa e bela sensação.

Ela se viu sem ar por um instante. Estava concentrada admirando cada detalhe do corpo de Justin. E não gostou daquilo. Balançou a cabeça para tentar espantar qualquer imagem dele ou de alguma parte do seu corpo de sua mente.

– Não sabe que é feio mexer nas coisas dos outros? – ele foi até ela e fechou a porta do guarda-roupa.

– Desculpe – disse.

– Não te desculpo.

Luce pensou em revidar. Aquele menino tirava a paciência até de um monge. Por outro lado, estava interessada em investigar sua vida.

– O que te magoa tanto? – sua pergunta foi direta e curta.

Ele riu com sua pergunta, mas, no fundo, se sentiu incomodado com aquilo.

– Eu estou bêbado, esqueceu?

– Isso não faz você esquecer sua dor.

– Mas eu posso mentir para você. Sabe disso – Justin se sentou na cama.

– Mentindo ou não, eu irei descobrir a verdade – ela assegurou.

– Me responda uma pergunta, senhorita “sabe tudo”. Você já sentiu culpa? – ele bufou – Claro que não. Por um momento esqueci que você era uma santa.

– Para sua informação, eu já fiz coisas erradas, sim. Todo mundo já fez.

– Então por que fica se achando? Você não é mais perfeita que ninguém. – alfinetou.

– Você tem razão. Eu não sou perfeita. Mas eu posso ser melhor do que eu fui um dia. Não sou tão orgulhosa ao ponto de não me desculpar e nem sou estúpida para ficar me lamentando por algo que já passou.

– Nossa, que lindo. – zombou – Acho que me emocionei.

Luce ignorou o comentário.

– Você ainda não respondeu minha pergunta.

– Por que quer tanto saber?

– Por que você insiste em mudar de assunto?

Justin levantou da cama e caminhou alguns passos até ela, deixando seus corpos com alguns centímetros de distância. Sua expressão era séria e determinada, mas, acima de tudo, impenetrante. Ela engoliu em seco, nervosa.

– Você até pode ver o que eu sinto, mas nunca sentirá o que vejo.

Aquelas palavras tiveram um choque tão intenso que Luce as sentiu pesarem em seu peito. Justin, por outro lado, se sentia mais leve por ter desabafado. Ele queria fazer sua irmã entender que ela nunca compreenderia o porquê dele ser assim, nem o próprio conseguia, mas é claro que tinha que ser do jeito dele.

Eles estavam tão próximos que Luce pôde sentir o cheiro de hortelã da sua boca tentando tirar o lugar do bafo de álcool.

– Estou surpresa – falou sem ironia — Você disse a primeira frase com algum sentido, mas, pelo visto, não vou conseguir tirar nada de você.

– Nunca – resmungou com a maior certeza do mundo.

– Vou dormir. Ganho mais – e ela saiu do quarto.

Ambos foram deitar, estressados e cansados. Uma conversa de dez minutos como aquela tirava a paciência dos dois.

Justin odiava o modo como ela o tratava. Jogava na cara dele coisas que mais ninguém tinha coragem de dizer, e ele abominava isso. Ela era insistente e curiosa. Luce não gostava do jeito que ele mexia com ela, deixando-a agoniada. Ele era teimoso, respondão e orgulhoso. Era como se ela conseguisse sentir a dor que ele carregava no peito, e estava decidida que iria decifra-la, custe o que custasse.

Notas finais
Então meus docinhos, o que acharam?? Comentem please. Deu um trabalhinho para escrever o capítulo pq eu queria pesquisar frases bonitinhas para colocar nele, mas acabei só achando duas, as duas de Justin :p
"Yes, i'm drunk, but tomorrow i'll be sober, but you still beautiful"
E uma de DC Monroe: "Você até pode ver o que eu sinto, mas nunca sentirá o que vejo"
Tipo, ela faz sentido, mas só um bêbado mesmo pra querer ficar filosofando. Enfim, é só isso mesmo, eu acho...
Até algum dia, beijos e queijos ♥
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