Red
22 Procurando por Luce
Notas iniciais
– Por que você não contou antes?! – Justin indagou.
– O garoto tem razão. Por que? – Megan perguntou, com os olhos levemente marejados.
– Megan...
– Luce sabe disso? — Justin se aproximou dos dois.
O casal de namorados mantinha uma conexão de olhar tão intensa que seria capaz de fornecer energia suficiente para a cidade de Los Angeles.
– Eu ia te contar mais cedo ou mais tarde... – começou Ian – Eu apenas precisava achar o melhor momento para te contar.
– Como você descobriu? – ela perguntou, usando toda sua força para não chorar.
– Na verdade, foi Paul quem descobriu. Ele me contou e... Nós não queríamos... Você não queria saber.
– Se ela é minha filha... Meu Deus!! O que foi que eu fiz?!! Eu-eu... – Megan lançou um olhar apavorado para Ian.
– Quem é Paul? – Justin perguntou.
– Eu sinto muito.
Ao ouvir essas palavras, a agente saiu correndo e ninguém tentou impedi-la ou foi atrás dela. Justin até fez menção de Ian ir para ajudá-la, mas ele respondeu assim:
– Só o tempo poderá aliviar essa dor.
– Por que dor? Eu pensei que ela tinha abandonado Luce. – ele argumentou.
Ian se virou para ficar cara a cara com Justin. Olhou dentro daqueles olhos verdes rebeldes e confusos.
– Nem pense em comentar uma palavra com sua irmã em relação a isso.
– Mas isso é injusto!
– Você acabou de presenciar a reação da mãe. Não vai querer ver a da filha.
Justin refletiu um pouco o que ele disse, o que acabou despertando nele algo novo e estranho. Enfim, assentiu.
– Ótimo. Vá dormir agora. Amanhã teremos um dia inteiro pela frente.
[...]
– Ian! Ian! Acorda! Nós temos que ir embora!
Ele acordou no mesmo instante, mantendo a calma que conseguiu durante anos de treinamento.
– O que foi? O que aconteceu?
Megan estava arrumando as bagagens, andando de um lado para o outro freneticamente. Nem parecia que há algumas horas tinha acabado de descobrir quem era sua filha: a filha do seu patrão a qual torturou, na tentativa de encontrar pistas sobre a gangue de Ed.
– Tem um grupo de homens... – ela começou, confusa por estar fazendo várias coisas ao mesmo tempo. – Eu conheço eles, eu estudei a fisionomia deles quando fui atrás de... Você sabe.
– Eles estão aqui? – Ian perguntou enquanto também fazia suas malas.
– Eu os vi, Ian. Eles... – ela olhou dentro dos olhos dele. – Eles estão atrás de Luce.
[...]
Justin tinha acabado de entrar no quarto onde ele e sua irmã iriam dormir. A última estava deitada, sonhando profundamente. Ele não quis acender a luz, pois a iluminação do corredor proporcionava uma bela visão do rosto adormecido de Luce. Ele se aproximou da cama silenciosamente, impressionado com a resplandecência de sua pele de oliva. Agachou-se do lado dela e ficou a contempla-la. Justin não sabia o porquê daquilo nem quando surgiu, mas agora sabia que o sentimento estava lá e sentia-se como se nada fosse capaz de tirá-lo de lá.
De repente, alguém acendeu a luz.
– Arrume sua mala. Nós estamos partindo. – Ian falou, indo em direção ao guarda-roupa e pegando as coisas dos irmãos.
Justin se levantou na mesma da hora. Por causa da movimentação repentina, Luce acordou.
– O que está aconte... Ai minha cabeça!
– Devia ter previsto. Ressaca. – murmurou Ian
– Beba isso. – Megan apareceu no quarto e jogou uma garrafa de plástico com um líquido verde em direção a Luce.
– O que é isso? – ela perguntou ao mesmo tempo em que agarrou a garrafa.
– Para onde nós vamos? – Justin perguntou.
– Por que eu estou de ressaca?
– Vocês querem calar a boca e fazer o que nós estamos mandando?! – Megan ordenou, estressada e agoniada.
– Eu acho que nós temos o direito de saber... – Luce revidou, mas foi logo interrompida.
– Nos acharam. Eles já estão no hotel. Precisamos ir embora! – Ian falou enquanto fechava a mala.
– Quem nos achou? – Justin perguntou, já arrumado.
Megan olhou para Ian e a primeira respondeu:
– A quadrilha de Edward.
Todos ficaram em silêncio nos cinco segundos que se passou.
– Então, não temos muito tempo – Luce concluiu, depois de engolir mais um pouco daquele líquido verde.
[...]
– Tem certeza de que é aqui, Gracy?
A ex-namorada de Phill olhou ao redor daquele simples hotel localizado no centro da cidade de Nova Deli.
A parte mais fácil foi entrar em contado com o fornecedor das informações. No começo, ele não queria contar mais depois de uma simples ameaça, o homem deixou escapulir algumas coisas. Sentindo a maior culpa que alguém podia sentir, Eric Stark não aguentou tamanho sofrimento e explodiu sua casa com ele dentro.
– Sim. Eu posso sentir que Lucinda está aqui em algum lugar.
– Ótimo – disse Logan – Amanhã, continuamos nossa busca. Estou exausto!
– O que?! – Gracy parecia ter sido insultada – Nada disso! Vamos procurá-la até o sol nascer! Não podemos desistir agora que estamos mais perto do que nunca!
– Então vá você sozinha. Eu vou dormir.
Gracy soltou um murmúrio de raiva.
– Ótimo! Eu vou!
Começou a subir as escadas com passos fortes e longos. Quando chegou no primeiro andar, notou que todas as portas estavam fechadas e sem barulho nenhum. Já no segundo havia uma camareira e duas portas abertas.
– Boa noite – Gracy se aproximou dela, tentando puxar assunto. – Eu acho que me deram o número do quarto errado, porque era pra supostamente ser um desses.
– Oh, não, senhora. Deve ter ocorrido um engano. As últimas pessoas que usaram esses quartos acabaram de partir...
A expressão do rosto de Gracy mudou drasticamente. Ela não esperou a mulher completar a frase, pois saiu disparada em direção às escadas, mesmo tendo um pequeno pressentimento de que já era tarde demais.
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