Recém Casados
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Acenamos para meus pais dentro do carro da produção que os conduziria até o aeroporto.
Genna se aproximou de nós com um cigarro entre os dedos e o olhar fixo no carro que se distanciava cada vez mais.
— Acabou sendo divertido, hein?
— Um pouco – Respondi sem olhar para ela.
— Eu andei pensando – Coçou a testa ainda segurando o cigarro – E desde que o show começou a minha equipe não teve muito tempo de descanso, diferente de vocês dois. Então decidi dar o resto do dia de folga para todos, inclusive a equipe que fica na emissora cuidando das câmeras da casa, e em consequência vocês também terão uma “folga”. Façam o que quiser pelo resto do dia, só por favor não arrumem confusão, nem ateiem fogo em nada. Eu realmente preciso desse descanso pra dormir um pouco.
— Você está mesmo falando sério? – Indaguei incrédula – Está mesmo não sendo uma pessoa horrível?
— É estou, agora vou indo...
— Não é mesmo uma pegadinha?
— Não Lisa, não é. As câmeras estarão desligadas até amanhã pela manhã. Então se divirtam e aproveitem, mas não façam nada ilegal. Nada de drogas, por favor. Se for preciso me liguem. Mas pelo amor de Deus, não me liguem. O programa está acabando mesmo, meio dia a mens não fará tanta diferença e eu preciso descansar.
— Nada será gravado? Não mesmo?
— Não, não gravaremos nada, certo – Ela soava sincera e exausta, quase senti pena – Aproveitem bem, estou indo agora – Se afastou e entrou no carro da emissora.
— Eu não sei se acredito nela.
— Nem eu – Concordei desconfiada.
— Mas temos o resto do dia livre, devemos aproveitá-lo – Assenti e segurei a mão de Min Jun.
— Deveríamos agir como um casal normal? – Coçou a cabeça intrigado.
— Nós sabemos agir como um?
— Acho que não. Parece tão difícil.
— Por que não sentamos no sofá e pensamos em algo?
Me deitei no sofá, com a cabeça em seu colo e suas mãs afagando meus cabelos.
— Uma coisa me deixou curioso desde que cheguei – Olhei para cima interessada em seu assunto – Você odiava seus pais e quando volto, está tudo bem entre vocês...
— Ah, eu finalmente dei ouvidos à eles e os escutei de verdade.
— Você, Lisa Scott ouviu alguém além de você mesma?
— Há, há, há – Disse irritada e ele gargalhou.
— Me desculpe, é só muito difícil de acreditar que deu ouvidos a alguém.
— Eu posso mudar sabia?
— Não duvido – Abriu um sorriso divertido.
— Posso continuar? – Cruzei os braços sobre o peito.
— Sim senhorita. Prossiga.
— Continuando, meus pais não sabiam que eu ainda estava magoada com eles. Por muito tempo eles tentaram entrar em contato comigo e me enviaram cartas, afinal eu não atendia suas ligações, mas eu nunca li nenhumas delas. Então eu finalmente tomei coragem para saber o que estava escrito ali e descobri como eu estava sendo uma mulher estupida. Eles estavam arrependidos e preocupados, coisas foram ditas no calor do momento, mas não eram seus verdadeiros sentimentos. No fim de tudo, eu percebi que meus pais não eram tão ruins quanto pensei.
— Fico feliz por isso. Que agora esteja tudo bem com sua família.
— Eu também fico. É um alivio. Não há mais muitas coisas ruins sobre minhas costas. Eu já descontei toda minha raiva no bastardo do Bernard. Por que ele tinha que ter o mesmo nome que meu pai? Resolvi as coisas com minha família. Escrevi minhas próprias músicas e bom, eu tenho você – Sorri e me sentei no sofá – Eu te amo Hyun Min Jun – Dei um beijo estalado em sua bochecha – Ele parecia tão tenso – Lembra do dia em que o beijei aqui?
— Que dia, claro que não.
— Aquele dia em que você surtou, foi um beijinho inocente de nada, eu estava apenas te provocando. Foi seu primeiro beijo fora de um papel, não?
— Foi – Ele corou e abaixou o olhar embaraçado, formando um bico com os lábios.
— Eu sou a única mulher da sua vida – Me sentei em seu colo e levantei seu rosto com as pontas dos dedos – E isso é tão fofo.
— Não acha isso frustrante? Como você mesma disse, sou inexperiente.
— Como se eu me importasse. Eu gosto do Min Jun inexperiente e que espera a garota certa para beijar. De certa forma, me faz sentir especial – Acariciei seu rosto e seus cabelos – Você sabe como adoro me sentir especial, principalmente quando todos me tratam como uma zero à esquerda.
— Não está mais com raiva, nem triste? – Perguntou receoso e segurei seu rosto entre as mãos e balancei minha cabeça de um lado para o outro – Parece que sua irmã vai mesmo se casar – Comentou mudando de assunto.
— É. No fundo eu sempre soube que Elaine se casaria antes de mim. Estou tecnicamente casada – Levantei a mão exibindo nossa aliança – Mas nada disso é real – Min Jun entrelaçou seus dedos em minhamão.
— Mesmo que esse casamento não seja real, o que nós temos é real e maior que tudo isso – Me deu um rápido beijo e olhou em direção à cozinha – Está com fome? – Brincou com as minhas mãos e as beijou.
— Eu sempre estou – Ri e alisei minha barriga.
— Pensei em cozinhar algo pra você.
— Está fazendo isso porque minha mãe comentou sobre cozinhar pra mim quando nos casássemos.
— Não, eu gosto de te ver feliz e sei que é feliz comendo.
— Você é tão fofo, mas não estou afim de comer macarrão instantâneo de novo – Ele riu.
— Pretendo fazer comida de verdade dessa vez. Se você me ajudar é claro – Saltei de seu colo e fiquei de pé, de prontidão.
— Então vamos lá. O que vamos cozinhar hoje chefe Min Jun Ramsay?
Ele se levantou e segurou minha mão, me conduzindo à cozinha.
— Tteokbokki.
— Teu o que? — Ele gargalhou.
— Tteokbokki. É um tipo de bolinho de arroz com molho do meu país. Eu trouxe alguns na bagagem, para que pudesse experimentar, só precisamos prepara-los.
— Certo.
— A caixa está na geladeira, pode pegar para mim? – Pediu amarrando um avental florido na cintura.
Abri a geladeira e perdida procurei por algo que jamais havia ouvido falar.
— É isso? – Levantei uma caixa estampada com rolinhos brancos.
— Isso – Ele acrescentava os ingredientes em uma panela e eu apenas o observava atenta.
— Um pouco de molho de soja... Açúcar – Min Jun falava sozinho, fazendo tudo confiante, como se realmente tivesse muita experiência e um vasto conhecimento culinário.
— Min Jun? – O chamei, porém ele manteve seus olhos firmes na comida.
— Hum – Resmungou e provou o caldo vermelho com uma colher de madeira e me olhou de relance.
— Como é a Coréia? – Ele enfim me fitou do lado oposto da bancada.
— A Coréia? – Assenti e um sorriso se formou em seus lábios – É um país lindo – Suspirou – No verão é quente demais e seco, quase como aqui e no inverno faz muito, mas muito frio. Na primavera as cerejeiras florescem e tudo se transforma em árvores cor de roda. Você iria adorar ver o chão forrado de flores como um tapete...
Comecei a nos imaginar caminhando pelas ruas coreanas de mãos dadas, apreciando a beleza das flores de cerejeira e todos nos olhando, desejando serem nós.
— Nós também temos uma comida deliciosa.
— Kimchi.
— Sim, comemos muito kimchi, muito mesmo – Sorriu e apagou o fogo, diante da panela borbulhante – Temos uma boa música e milhares de séries de TV, nas quais comecei minha carreira de ator...
— Eu ainda não me conformo com o fim daquele drama, vocês deveriam ter ficado juntos – Fiz uma careta inconformada e Min Jun me serviu um prato com seu tal tteokbokki e então se serviu.
— Ainda se lembra daquilo?
— Claro, nunca mais fui a mesma depois daquele drama. Mas voltando ao que me dizia, não acha que poderíamos visitar seu país um dia? Só nós dois, numa viagem romântica. Poderíamos ir na primavera se preferir, seria divertido ver as flores. Por que não fazemos isso hum?
— É... – Ele mordeu os lábios e suspirou sério – É uma boa ideia – Encheu a boca de bolinhos de arroz – Hum, isso está delicioso, vamos lá, experimente – Colocou um bolinho em minha boca e um novo mundo se abriu em minha vida.
— Min Jun, me desculpe, mas acho que estou apaixonada – Ele riu de boca cheia.
— Eu disse, a nossa comida é incrível.
— Acho que mamãe estava certa, devo me casar com você, apenas para que cozinhe pra mim.
— Não é pra tanto...
— Isso é incrível Min Jun – Devorei o tteokbokki com voracidade – Me fez até me esquecer de pizza por alguns segundos e você sabe o quanto pizza significa na minha vida.
— Isso é realmente algo.
— Eu preciso de mais disso – Apontei para a panela diante de nós – Na minha vida. Vocês coreanos vivem tão bem – Comentei mastigando sem parar. Imersa naquela nova experiência gastronômica – Te amo só pelo fatode de ter feito isso pensando em mim.
— E se eu não fizesse? – Curvou os lábios num sorriso torto.
— Ah você tem que parar com isso.
— Parar com o que?
— De sorrir assim, eu não consigo pensar direito – Soltou uma risada e segurou minha mão.
— Ainda não me respondeu.
— Eu ainda te amaria. Talvez um pouco menos – Brinquei e senti um rápido beijo em minha bochecha.
— O que quer fazer depois?
— Hum, vejamos – Batia o dedo indicador no queixo e fiz um bico fingindo estar pensativa – Eu quero me deitar na cama e não fazer nada por algum tempo.
— Me parece irresistível, eu preciso mesmo descansar um pouco desde que cheguei.
***
Me deitei sobre nossa cama. Eu estava cheia e completamente satisfeita, desabotoando um dos botões do shorts jeans e alisando minha barriga estufada.
O telefone de Min Jun repousava no criado mudo ao meu lado e preguiçosamente estiquei o braço para alcança-lo. Não seria tão ruim assim mexer em suas coisas seria?
— Droga tem senha com números – Mordi o lábio me deparando com os números da tela – É claro que tem, ele é famoso e precisa de privacidade. Pense, o que poderia ser? – Olhei para a porta e avistei Min Jun ainda na cozinha – Pense, pense Lisa. Data de aniversário, é claro – Pensei e digitei os números que correspondiam a seu nascimento, mas nada – Não é o aniversário. Meu aniversário? Será? – Digitei, mas o telefone continuou negando – Não é meu aniversário, nem o dele.
Um pensamento bobo me veio à mente, porém não descartei a ideia por completo, não poderia ser isso. Claro que não.
— Ele não colocaria... – Afirmei incrédula digitandos os numeros e então a tela desbloqueou-se diante de meus olhos – Isso – Suspirei ainda sem acreditar.
— Lisa eu... – Min Jun apareceu como uma assombração e dei um grito assustado tentando esconder o aparelho debaixo de mim – Está mexendo em meu telefone?
— Não?!
Ele se aproximou e parou ao lado da cama, se ajoelhando ao meu lado e me fitando sério.
— Meu celular está debaixo da sua bunda!
— Não tá não – O maldito apitou com um sinal de SMS.
— Sua bunda está apitando Lisa!
Contrariada tirei o aparelho de seu esconderijo nem tão secreto e o entreguei resmungando.
— O que fazia com ele? – Franziu o cenho e se sentou ao meu lado.
— Eu estava meio que entediada – Fiz uma careta – E resolvi mexer nele.
— Você nem sabe a senha – Deu de ombros.
— Eu sei que vai achar engraçado, mas eu meio que descobri.
— Você... Você descobriu? – Gaguejou.
— Fui chutando até acertar. Eu achei bem fofinho na verdade.
— Fofinho?
— Claro, é o dia em que te beijei no sofá, me disse que nem se lembrava seu mentiroso. Mas é fofinho.
— Fofinho.
— Sim, fofinho. No fundo você é bem romântico.
— Preciso alterar isso agora – Começou a mexer nas configurações de privacidade do aparelho, mas segurei seu braço.
— Ah, por favor, não faz isso – Pedi fazendo um beiço – Não mude, eu realmente gostei disso.
— Me faz sentir um idiota, Lisa.
— Não, não faz – Sorri – Você é fofo e não há problema algum nisso, eu até gosto.
— Mas me sinto um idiota, não queria que soubesse disso – Me sentei e o fitei.
— Min Jun, não se sinta um idiota, isso só me faz há quanto tempo na verdade gosta de mim?
— Desde o primeiro momento em que te vi – Respondeu sério e me calei no mesmo instante.
— Eu disse de verdade.
— Sempre gostei de você lisa. Apenas nunca disse.
— Não brinca assim.
— Não é brincadeira – Reafirmou firme e pigarreei em choque.
— Só não mude a senha, tudo bem? – Ele assentiu calado e me deitei outra vez.
Min Jun se deitou de frente para mim, apoiando a cabeça em seu braço.
— É difícil acreditar nisso, não é? – Não o respondi – Que me apaixonei no momento em que a vi pela primeira vez naquele café. Nem eu acreditei. Pensei que o calor estava me deixando louco. Mas aqui estamos. Nós dois – Virou-se encarando o teto e permaneci o observando. Sem palavras. Todas elas haviam fugido de mim e ido para longe – Nunca te odiei... – Respirou fundo – Nenhum momento sequer. Mesmo quando me deixava completamente transtornado. Nunca consegui odiá-la e olha que eu tentei. Pensei que era porque te achava bonita. Mas era mais que isso.
— Quer me fazer chorar ou o que?
— Me desculpe – Deu um riso suspirado e me aconcheguei contra seu corpo, sentindo seu cheiro de tempero.
— É Min Jun, você é inevitavelmente fofo – Conclui divertida e seu braço me envolveu.
— Por que queria mexer em meu telefone?
— Curiosidade, tédio, queria ver fotos suas, descobrir o que esconde em seu cartão de memória – Levantei as sobrancelhas maliciosa — As músicas que ouve.
— Ah, sim, preciso excluir aqueles vídeos com urgência. Ah e tem aquelas fotos de modelos de biquíni – Brincou e fechei a cara.
— Não é sério, é?
— É claro que não. Pegue, veja por si mesma. Mas não me odeie – Semicerrei os olhos desconfiada e peguei o aparelho de sua mão.
Fotos minhas. Uma galeria de imagens repleta de fotos minhas, imagens que eu sequer sabia da existência e fotos que eu sequer sabia que foram tiradas. Algumas fotos em sets de filmagens com a equipe dos filmes que participou, uma selfie do nosso primeiro dia de gravação, onde eu aparecia ao fundo com Brie reclamando do calor castigante e ri sozinha me recordando da cena. A imagem de uma criança com grande bochechas no colo de um homem que parecia uma versão mais nova de seu pai.
— Ei, esse é você não é? – Mostrei a foto antiga para ele – No colo do seu pai.
— Hum – Assentiu quieto.
— Olhe para essas bochechinhas – Falei com voz de bebê e apertei sua bochecha, recebendo uma careta de desgosto – Você era tão bonitinho.
— Eu não sou mais? – Arqueou as sobrancelhas.
— Você era bonito de um jeito fofinho, que dá vontade de apertar. Agora é bonito de um jeito que faz as garotas suspirarem.
— Te faço suspirar?
— Não – Neguei com desdém.
— Tem certeza? – Beijou meu pescoço.
— Tenho – Ri me encolhendo e continuei minha saga de ver sua galeria de imagens. Era divertido afinal.
E então lá estava ele de pé ao lado de seu pai. Ambos trajavam elegantes roupas casuais. Estavam no que assemelhava a um jardim de uma grande casa ao fundo. Ao lado do mais velho, uma jovem de cabelos castanho acobreados na altura dos ombros, um rosto delicado destacado pela franja, jóias finas e um vestido rosado. Os três sorriam, mas o pai de Min Jun em especial me parecia radiante.
— É ela não é? – Sussurrei entregando o telefone ao meu “marido”.
Sua boca se abriu e ele imediatamente se sentou na cama, embaraçado.
— Park, Park, ah, você sabe quem.
— Eu nem me lembrava mais disso – Soou nervoso – Foi tirada há tanto tempo, antes do início do programa.
— Ela é linda, realmente linda.
— É bonitinha – Deu de ombros – Nada demais.
— E é bem elegante – Senti um nó na garganta.
— Ela é? – Assenti balançando a cabeça.
— Hae Jim é muito próxima de meu pai, e sempre está na casa dele. Eu deveria ter excluído isso.
— Não precisa, tá tudo bem. É que é meio estranho finalmente vê-la. Eu a imagina diferente.
— Diferente?
— Feia. Pra me consolar.
— Você é muito mais bonita que ela.
— Não mente Min Jun. Ela tem cara de princesa da Disney.
— E quem disse que estou mentido? – Ele aproximou nossos rostos e nossos narizes se colaram – Pra mim você é a mulher mais linda em todo o mundo Lisa. Eu não consigo ter olhos pra outra pessoa que não seja você – Me beijou calmamente e sorriu se afastando, colocando os pés para fora da cama – Venha – Apontou para suas costas – Suba.
— O que pensa estar fazendo?
— Coisas de namorados, vamos, suba nas minhas costas.
— O que deu em você hein? – Envolvi meus braços em seu pescoço e minhas pernas em seu quadril.
— Eu sempre via os caras fazerem isso nos dramas, mas as mocinhas geralmente estão bêbadas. De qualquer forma sempre tive vontade de fazer com minha namorada e nesse caso minha namorada é você Lisa.
Ele se levantou, disparando a correr pela casa, enquanto ríamos feito crianças.
Corremos passando pela porta dos fundos e Min Jun contornava a piscina em meio a risadas e ameaças de me jogar na água.
Era divertido.
Min Jun era a pessoa mais agradável do mundo. Quando queria ser.
Não era perfeito. Nem um pouco. Eu mesma não sou. Éramos imperfeitamente perfeitos um para o outro.
Escondi meu rosto em seu pescoço, fechei os olhos e suas mãos apertaram minhas coxas co mais força, saltando para dentro d’água, me levando consigo.
Emergimos tomando folego.
— Você é maluco – Joguei água contra ele.
Min Jun se encolheu, gargalhando alto e revidou jogando mais água em mim, dando início a uma inocente guerra, onde não haviam vencedores nem perdedores.
Ele me perseguia e eu fugia. Ambos tentando correr, lutando contra o peso da água nas pernas, na corrida mais lenta e molhada de todos os tempos.
Então o deixei me alcançar e senti seu abraço me acolhendo de costas. Me virei, ficando de frente para ele e acariciei seu rosto. Suas mãos seguravam minha cintura e admirei seu corpo definido sob a roupa encharcada e transparente. Me aproximei mais, até nossos corpos se colarem. Eu sorri e o beijei.
Meu coração acelerado contra seu peito. E tudo que eu queria era aprofundar nosso beijo. Como se tudo o que eu precisasse para viver fosse seu toque.
— Lisa... – Gemeu entre nossos lábios e segurei sua mão o conduzindo para fora da água.
O trouxe comigo para dentro da casa deixando um rastro molhado por todo o caminho até nosso quarto.
Ele me observava parado diante de mim.
Encharcados e gélidos. Seu peito subia e descia ofegante e suas mãos seguravam a barra de minha regata colada ao corpo, a subindo com cuidado e a jogando no chão sem se importar com seu paradeiro.
Senti o gelado toque de seus lábios em meu pescoço e suas mãos agora quentes e firmes em contraste com minha pele fria. Sua respiração descompassada e seu hálito quente em meus ombros.
Minhas mãos agarravam seus cabelos o trazendo para mim. Precisava de seus lábios nos meus. De seu toque em meu corpo. Eu apenas o queria mais que qualquer coisa. Mais que o chão que nos sustentava. Mais que o ar que respirávamos.
Min Jun deitou-me sobre a cama. Seu corpo sobre o meu, seus beijos em meu corpo molhado.
Não havia tempo, nem horas. Nada disso importava, pois ele estava comigo e eu estava com ele.
***
Acordei faminta no meio da noite. O visor do celular denunciava o horário. 2 da madrugada. Eu havia adormecido abraçada a Min Jun, mas ele não estava ali. Passei a mão ao seu lado da cama, apenas para me certificar de que não passava de um delírio sonolento.
“Será que ele foi a banheiro? ” – Pensei e me pus de pé, bocejando e coçando os olhos.
Meu cabelo úmido e bagunçado não cheirava bem e pensei que um banho não seria ruim.
Vesti um roupão pendurado num cabideiro. Nossas roupas estavam amontadas no chão, formando um bolo de tecidos molhados, que eu deveria jogar na máquina de lavar pela manhã.
Meu “marido” não estava no banheiro. Não estava na cozinha, na sala, nem na pequena academia.
Ele estava ali. Sentado em uma espreguiçadeira ao lado da piscina. Curvado. Soluçando e meu peito se apertou.
— Min Jun! – Gritei seu nome correndo até ele.
Me agachei em sua frente e recebi seu olhar aflito sobre mim. Ele chorava como uma criança desgarrada da mãe. Desesperado. Inconsolável.
— Ei, o que aconteceu? É seu pai? Aconteceu algo com seu pai? Sente alguma dor? Está doente? – O bombardeei com perguntas. Eu precisava saber.
— Eu não quero que me odeie.
— Por que te odiaria? Mesmo que me irrite eu não seria capaz de te odiar. Nem se quisesse – Sorri o confortando e enxuguei suas lágrimas – Vamos, me diga o que há de errado hum?
— Eu vou me casar Lisa – Murmurou e abri a boca surpresa. Era tudo emoção.
— Espere, isso é um pedido de casamento? Eu não esperava por algo assim, me surpreen...
— Eu vou me casar, mas não com você Lisa – Olhou em meus olhos e caí sentada no chão.
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