Recém Casados

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Cá estou eu os presenteando com um novo capítulo dessa bagunça que é Recém Casados. Me desculpem a demora, mas como havia explicado nas notas do capítulo anterior digitar quase tudo com o teclado virtual é ferro e demora muito mais e essa pessoa desempregada que vos fala não tem nem 10 centavos pra dar um jeito nisso. Mas pelo menos a semana passada foi boa porque teve comeback lindo do Blackpink e sim a Lisa dessa fic tem esse nome pois a Lisa do BP é minha bias, é amor né gente? Espero que gostem desse capítulo escrito à mão ao som da sofrência de Ailee - Goodbye My Love e digitado ao som de Orange Caramel pq musica tosca é bom pra animar a gente e ajuda a esquecer que to digitando na droga de um teclado virtual.

Na manhã de gravação do comercial acordei mais animada que qualquer outro dia. Eu mal havia dormido durante a noite devido à toda ansiedade que sentia, rolando de um lado para o outro na cama o deixava Min Jun completamente irritado, o fazendo resmungar palavras que soavam como palavrões em coreano ainda dormindo.

Sentado na cama o observei dormir, até que seus pequenos olhos se abriram preguiçosamente e me notaram, fazendo o canto de seus lábios se curvarem formando um sorriso preguiçoso e incrivelmente sexy.

— Bom dia – Disse animada com um sorriso de orelha a orelha.

— Bom dia – Sentou-se na cama ainda sonolento – Está tão feliz assim em me ver?

— Haha... Hoje é o dia em que gravaremos o comercial, é um pequeno passo para mim, mas um grande passo para minha carreira!

— Estou realmente empolgada. E falando em voltar aos holofotes eu li uma matéria sobre nós num site de fofocas, isso é tão excitante, a manchete dizia “O casal mais quente desse verão”...

— Estar num site de fofocas é algo bom?

— Você tem mesmo muito o que aprender. Mas é claro que isso é bom, significa que ascendi ao status de subcelebridade e as pessoas estão falando sobre mim, pode imaginar que falta apenas mais um pouco para eu me tornar uma celebridade completa?

O que para outros famosos poderia ser o início de um pesadelo, para mim significava que eu já não mais repousava no impiedoso mar do esquecimento.

— Dá pra acreditar nisso? O casal mais quente... No começo não suportávamos sequer olhar para a cara um do outro e agora somos mais que amigos.

— É! – Concordou abrindo seu melhor sorriso – Mais que amigos!

— Melhores amigos! – Afirmei animada.

— Como é? – Parou de sorrir e me olhou com um ar confuso.

— Melhores amigos, no começo éramos inimigos, depois de muita insistência de minha parte, diga-se de passagem, viramos amigos e agora evoluímos para melhores amigos, não é incrível?

— Melhores amigos...

— Sim, mas claro que você ainda vem depois da Brie...

— Certo – Abaixou a cabeça e saltou da cama – A que horas Brie vem nos buscar? – Indagou seco e estranhei sua súbita mudança de humor.

— Às onze, comeremos algo no caminho – Min Jun acenou com a cabeça.

— Quer comer algo? Estou indo preparar o café...

— Não, estou bem.

— Tem certeza? Eu posso fazer algo realmente gostoso.

— Estou numa dieta para meu próximo papel.

— Vai fazer um filme novo?

— Aham...

— É sobre o que? – Inquiri realmente interessada.

— É um romance – Começou vacilante – Sobre, sobre um homem apaixonado por uma mulher, mas ela não o corresponde e prefere que sejam apenas amigos.

— Ah, parece legal, me avise quando lançarem.

— Claro.

***

Brie não chegou às onze como o combinado, chegando duas horas atrasada, com o curto cabelo desgrenhado e roupas malvestidas que pareciam do avesso.

— Olá Lisa minha melhor amiga da vida. Como estão as coisas, espero que muito bem...

— Está atrasada. Duas horas atrasada. Duas horas Brie – Disse mais irritada que o normal devido à fome.

— Me desculpe, eu estava meio ocupada – Tentou se explicar com um sorriso amarelo nos lábios.

— Com quem? – Cruzei os braços e a encarei séria.

— Por que está sugerindo que eu estava com alguém?

— Porque não nasci ontem!

— Oi Brie – Ouvi a voz de Min Jun atrás de mim – Está atrasada!

— É, eu sei – Riu sem graça.

— Conheceu um cara novo? – Perguntei já sabendo da resposta.

— Não – Como assim? – É o mesmo cara do dia em que apareceu desesperada na porta da minha casa porque ele – Apontou para meu marido – Te beijou.

— Aigoo...Foi à casa dela dizer que te beijei?

— Eu estava desesperada e não sabia o que pensar – Justifiquei embaraçada.

— Foi só um beijo, não te pedi em casamento! – Olha quem fala.

— Eu tentei explicar isso à ela – Assinalou Brie com um olhar de “Eu te avisei”.

— Espere, agora isso é sobre mim? Deveria ser sobre Brie e seu atraso de duas horas. Sem contar que ficamos sem almoço por sua causa!

— Eu realmente sinto muito, mas pense pelo lado positivo, teremos muito leite grátis à nossa disposição.

***

— Então, vocês estão juntos? – Perguntou Brie enquanto dirigia descompromissadamente.

— Juntos? – Indaguei engasgando com o café gelado.

— É sabe, se pegando – O rosto de Min Jun se corou no mesmo instante – Ou ficaram só naquele beijo sem graça na banheira e fingem que nada aconteceu?

— Lisa disse que somos melhores amigos – Afirmou Min Jun olhando para fora pela janela.

— Não é incrível Brie? Somos melhores amigos agora!

— Ah, entendi, amizade colorida...

— O que seria amizade colorida? – Indagou Min Jun se inclinando para frente segurando os bancos dianteiros.

— Amizade com benefícios, vocês se pegam, mas não são exatamente namorados, nem nada que faça a linha romântica.

— Ah, isso – Disse sem graça e recostou-se em seu assento – Eu não sei.

— Não somos amigos coloridos Brie, somos melhores amigos, eu sinto que posso dizer qualquer coisa para Min Jun.

— Poderia chama-lo de melhor amigo gay, daria na mesma.

— Não sou gay! – Assinalou ele em alerta.

— É apenas uma expressão, mas eu sinceramente sinto muito por você cara – Assinalou Brie o observando pelo espelho retrovisor interno.

— Por que sentiria pena dele? Ele está bem, não é? – Olhei para o homem ao meu lado que se mantinha em silêncio olhando a estrada pela janela, mas fui ignorada como se ele nunca tivesse me ouvido – De qualquer forma, por que ainda não chegamos, por acaso está nos levando pro México?

— Não me culpe por aqueles filhos da mãe terem escolhido um rancho onde Judas perdeu as botas. E para constar estamos quase lá.

A paisagem ao nosso redor limitava-se a plantações e árvores velhas até pararmos a frente de um imponente portão de madeira com as palavras “Rancho Resee’s” entalhadas na madeira da placa pendurada por correntes de ferro.

O portão se abriu e avistamos dezenas de pessoas circulando de um lado para o outro, carros, vans e Genna.

— O que ela faz aqui? – Murmurei incomodada com a presença do diabo em pessoa – Alguém a avisou sobre isso?

— Ela sempre sabe de tudo, é como um superpoder – Pontuou Min Jun, num tom seco e saiu do carro batendo a porta.

— Parece que alguém está irritado.

— Ele é apenas assim, é o jeito dele – Sorri para Brie que parecia um tanto incrédula com minha constatação.

— Você é mesmo uma vaca egoísta Lisa.

— O que quer dizer com isso?

— Descubra por si mesma – Saiu do carro batendo a porta com força.

Era como se ambos tivessem combinado de agir repentinamente comigo de forma estranha. Cogitei a possibilidade de apenas estarem planejando algo maior como uma festa surpresa e não queriam que eu suspeitasse de nada. De qualquer forma eu já estava preparada e até ensaiei minha cara de surpresa no espelho retrovisor.

Genna nos aguardava junto a sua equipe e a van da emissora ao lado do celeiro. A medida que eu me aproximava seu sorriso maligno aumentava em seu rosto redondo e perverso.

— Sejam bem-vindos – Abriu os braços de forma convidativa, mas ainda se parecia com uma vilã de filmes – Estão atrasados! – Cruzou os braços e fechou a cara.

— Ah, bem... – Brie coçou a cabeça inquieta – A culpa foi minha, eu me atrasei e atrapalhei os dois. Me desculpe.

— Genna? – A chamei e seu olhar maligno se voltou em minha direção – Por que está aqui?

— Porque eu permiti que estejam aqui – Respondeu como se fosse a coisa mais lógica do mundo – Acharam mesmo que vieram gravar um comercial sem que eu tivesse consciência disso? Enquanto estão nesse show vocês são meus e fazem o que eu permitir que façam. Resumindo, a empresa que os contratou entrou em contato comigo primeiramente e só então com sua empresária. Agradeçam a mim! – Concluiu com o ego inflado.

— É... Valeu – Agradeci sem vontade e Min Jun fez o mesmo.

— Meu querido Hyun Min Jun – Começou Genna segurando os braços dele – Você está bem? Precisa de algo? Está com fome? – Passou as mãos nos cabelos recentemente acobreados e lisos de Min Jun.

— Estou bem Genna – A respondeu sério e mais quieto que o normal.

Um homem saltitou até nós, trajando um colete de couro preto e chapéu de cowboy.

— Vocês devem ser as estrelas do meu comercial – Ele parecia a pessoa mais irritantemente animada em todo o planeta – É um prazer conhece-los, mesmo que eu não saiba direito quem são. Sou Adam Starlight o renomado diretor de comerciais vencedor de cinco dos seis maiores prêmios publicitários do mundo. Meus comerciais são vistos milhões de vezes na internet.

— O prazer é meu em conhece-lo Adam – O cumprimentei entusiasmada.

— Ei, não vai me cumprimentar? – O homem chamo a atenção de Min Jun que parecia imerso em seus próprios pensamentos.

— Ah, sim, me desculpe... Eu estava pensando em algumas coisas – Sorriu amarelo – É um prazer te conhecer Arnaldo...

— Adam! – O corrigiu de imediato.

— É isso – Ele parecia perdido.

— Você é tão bonitinho – Comentou o diretor – Parece até com aqueles cantores daqueles grupos com milhares de garotos que minha sobrinha adora.

— Obrigado? – Agradeceu constrangido.

— Está na hora de começarmos – Bateu palmas chamando a atenção de todos ao redor e uma de suas assistentes cochichou algo em seu ouvido – Ah, não, isso é sério? Que infelicidade.

— Tem algo de errado? – Indaguei preocupada com um possível fracasso do meu comercial.

— De acordo com o roteiro que, eu orgulhosamente havia preparado, vocês dois se vestiriam de fazendeiros e teriam uma bela vaca para contracenar, mas infelizmente devido à alguns problemas a vaca não chegará a tempo e seria muito caro adiar o comercial ara outra data. Felizmente como sou um diretor experiente e prevenido darei um jeito – Jennie? Traga a roupa – Pediu a sua assistente que parecia mais preocupada em lixar as unhas.

A jovem trouxe um tecido branco com manchas pretas e o entregou a Adam que me olhou de cima a baixo e algo dentro de mim temia pelo pior. Ele estendeu o tecido exibindo a fantasia de vaca e meu coração disparou. Eu já sabia que o pior estava por vir.

***

As expressões nos rostos de todos mudaram quando apareci vestida com o que consistia num pijama de vaca com capuz, que exibia apenas meu rosto e minhas mãos. Eu não sabia se estava fofa ou simplesmente ridícula. Alguns apertavam os lábios contendo o riso enquanto outros viravam o rosto e riam descontroladamente.

— Não é tão ruim assim – Repetia as palavras mentalmente tentando me convencer do que eu sabia que era mentira.

Caminhei até o diretor e Min Jun que conversavam como velhos amigos. Min Jun virou-se, me olhou de cima a baixo antes de fazer um bico para segurar sua risada.

— Ah isso é tão adorável, minha vaquinha está pronta. Você pode dar um mugido?

— Um mugido? – Indaguei quase engasgada.

— Sim, preciso saber como é o seu mugido.

“ Eu não sou a droga de uma vaca de verdade” – Pensei cogitando a ideia de fugir do planeta.

— Mu, eu sou uma vaca.

— Não, não, isso está péssimo, tente com mais convicção, traga à tona a vaca que existe em você – Ouvi Min Jun rindo com o corpo curvado – Vamos lá!

— Muuu – Tentei outra vez.

— Está quase lá, sinta a vaca, seja a vaca Lisa, eu sei que você consegue! – Me motivou.

— Muuu, muuu – Mugi outra vez enquanto Adam me incentivava.

— Bem melhor, preciso que faça isso na gravação, eu adaptei o texto para que possa lê-lo como uma vaca.

— Nossa que ótimo – Comentei desanimada sentindo uma súbita vontade de enfiar a cabeça num buraco.

Me aproximei de Min Jun e analisei suas roupas tão ridículas quanto as minhas, mas que de qualquer forma ainda era humano. Reparei em seu jeans justo, em sua camisa xadrez vermelha, nas botas de couro, o cinto com uma grande fivela com o desenho em relevo de um boi e seu chapéu de cowboy.

— Você se parece com um texano falsificado – Debochei, mas ele manteve sua expressão séria intacta – Entendeu? Você é asiático e está vestido como um fazendeiro texano... Sacou? China, falsificação... Ahn? – Cutuquei seu braço com o cotovelo.

— Sou coreano – Disse frio feito gelo.

— Você não entendeu, é que... Esquece... – O observei durante alguns segundos – Está tudo bem? Parece meio distante hoje.

— Não sei, estou? – Persistiu em sua frieza.

— Você é meu amigo, mas isso me faz realmente querer socar sua cara.

— Faça isso, somos apenas amigos, não é?

— É claro que não, somos melhores amigos – Me inclinei para beijar sua bochecha, porém Min Jun se esquivou afastando-se de mim.

— Está na hora, vamos gravar esta obra de arte – Anunciou Adam e toda a equipe voltou sua atenção para o homem que batia palmas a cada nova frase que dizia.

Em frente ao celeiro repousava uma mesa com uma toalha xadrez e com 2 copos de leite. Eu e Min Jun ficávamos de pé em lados opostos da mesa e aquilo tudo parecia terrivelmente ruim.

— Você deve beber o leite e dizer seu texto. Logo após a vaca irá fazer o mesmo e dizer o slogan da marca... – Explicava ele – Ação! – Gritou e bateu a claquete.

Min Jun pegou o copo de leite sobre a mesa, o bebeu até a metade e começou a dizer seu texto ruim com um sotaque caipira genérico que não fazia sentido algum vindo de um coreano.

— Ara sô, mas que leite gostoso, nunca bebi um leite tão gostoso em toda minha vida. De onde poderia ser?

— Muuu, muuu, um leite tão gostoso assim só poderia ser da “Vaca Sorridente”, o melhor leite da América! – Tentei não soar tão ridícula, mas era quase impossível.

— Que incrível amiga vaca, me sinto até mais saudável agora sô! – Ele sorriu e gesticulou empolgado escondendo seu desânimo por trás de sua boa atuação.

— É porque o leite “Vaca sorridente” é rico em cálcio e é fonte de vitaminas importantes para sua saúde e força. E você aí em casa, já bebeu seu leite “Vaca sorridente” hoje? “Vaca sorridente”, porque de leite a gente entende! Muuu! – Bebi um gole do leite mesmo que em minha cabeça aquilo não fizesse muito sentido.

— Corta! – Berrou Adam e meu marido fechou o rosto outra vez dando fim a sua atuação — Isso ficou muito bom – Aplaudiu o diretor – Mas pode ficar ainda melhor, o que acham de filmarmos em frente a plantação? Seria incrível, não? É, eu sei, vamos lá, animação pessoal, animação!

Gravamos o comercial repetidas vezes por quase todo o rancho, afinal para Adam nenhum lugar parecia bom o bastante. Após a última gravação entre quase trinta, Adam anunciou que a primeira seria utilizada e contive meu desejo de avançar contra ele e arrancar seus cabelos da cabeça. Eu estava a quatro horas derretendo num pijama idiota sob um calor de quase quarenta graus.

— Finalmente poderei tirar essa droga. Eu realmente odeio minha vida – Suspirei tentando alcançar Min Jun caminhando à minha frente em direção ao trailer camarim.

— Deveria reclamar menos – Comentou frio.

— Estou vestida de vaca, tenho meus motivos.

— Estou vestido como um membro do “Village People”, nem por isso estou reclamando.

— É diferente – Murmurei e segurei sua mão o arrastando para longe dali – Já percebeu como sempre temos que fugir para ficarmos sozinhos?

Paramos sob uma árvore em um campo afastado de toda a equipe e ainda segurando sua mão, aproximei meu rosto do seu, mas suas mãos me afastaram, seus olhos me fitaram e seus lábios finos se comprimiram numa linha fina.

— O que pensa que está fazendo? – Franziu o cenho.

— Tentando te beijar – Fiz um bico.

— Por que faria isso?

— Porque é algo que nós fazemos?

— Melhores amigos não fazem isso Lisa.

— O que quer dizer?

— Estou dizendo que se somos melhores amigos, isso simplesmente não vai acontecer.

— Mas você disse que, gosta de mim...

— Eu não disse que estava apaixonado por você, para ser seu melhor amigo ou essa coisa de amigos arco-íris...

— Amizade colorida – O corrigi.

— Isso aí. Está tudo bem pra mim se não quiser mais que amizade, seremos amigos e nada mais, mas apenas pare de brincar com meus sentimentos Lisa. Não é justo.

— Não estou brincando com seus sentimentos, eu só não sei exatamente o que sinto por você Min Jun.

— E é isso que faz? Me faz de bobo. Eu não quero ser o cara idiota aqui Lisa, apenas quero que pare com isso. Não sou seu brinquedinho, eu sou um cara perdidamente apaixonado, sem razões que façam sentido em minha mente, por uma mulher incrível, mas ela acha que tudo não passa de uma brincadeira estupida.

— Sinto muito pelos meus sentimentos confusos, por “brincar” – Fiz aspas no ar – Com seus sentimentos, eu sempre fui uma bagunça, agora sabe disso – Fechei os olhos e apertei os lábios enfurecida, dando as costas para ele prestes a fugir dali.

Sua mão segurou meu braço, me virando e me trazendo para si, perto o bastante para sentir sua respiração ofegante e reparar em seus olhos marejados.

— O que sente com isso? – Indagou quase arfante segurando minhas costas e meu coração disparou – O que sente? – Sua mão livre acariciou meu rosto e perdi a firmeza nas pernas – Me responda! – Alterou a voz e notei seus lábios trêmulos – Não sente nada?

— Eu... sinto...

O braço que me segurava se soltou, seus olhos se viraram, sua cabeça caiu sobre meu ombro e num reflexo o segurei.

— Min Jun? – O afastei segurando seu corpo. Suas pernas estavam moles e seus olhos fechados — Min Jun? Acorde – Dei leves tapas em seu rosto, contendo o desespero dentro de mim – Por favor, acorde – O chamei em vão, sentindo as lágrimas escaparem sem permissão – Por favor, alguém me ajude – Gritei desesperada – Alguém me ajude – Abracei o corpo desfalecido de meu marido sobre o meu, mas era como se ninguém pudesse me ouvir.

Envolvi seu braço em meu ombro reunindo minhas forças e vagarosamente o carreguei entre tropeços para o mais próximo possível da equipe que recolhia os equipamentos.

— Por favor – Murmurei cansada ao avistar a equipe – Por favor – Minha voz soava assustada e trêmula – Podem ajudá-lo?

Os olhares de todos se voltaram em nossa direção, e então tudo se tornou turbulento. Dezenas de pessoas correndo contra nós e minhas pernas cedendo, batendo meus joelhos contra o chão.

— O que aconteceu com ele? – Indagou Genna desesperada, como nunca antes.

— Ele apenas desmoronou, por favor, chamem uma ambulância, façam alguma coisa – Solucei e dois homens o deitaram sobre uma mesa.

***

Genna, Brie e eu aguardávamos notícias de Min Jun na sala de espera do Hospital. O corredor daquele lugar parecia mais assustador e as horas pareciam nunca passar, segundos que duravam dias e minutos que duravam eras. Brie segurava minhas mãos trépidas e a produtora resmungava ao telefone com o empresário dele.

— É minha culpa, é tudo minha culpa – Lamentei chorosa.

— Por que seria sua culpa? – Perguntou Brie colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Como você disse, sou uma vaca egoísta.

— Sabe que eu não disse por mal...

— Mas é verdade, infelizmente é – Murmurei amargurada – Literalmente – Olhei para minha fantasia estupida – Se algo acontecer sinto que será minha culpa.

— O que houve entre vocês dois?

— Nós discutimos o fato de eu fazer ele de idiota, quando sei o que sente por mim.

— Você deveria começar a notar as pessoas ao seu redor além de você Lisa, elas também têm sentimentos – Me fitou com um olhar complacente – Mas você ainda é minha amiga e não gosto de te ver desse jeito – Deu um singelo sorriso reconfortante.

— Como a culpa poderia ser minha? – Esbravejava Genna ao telefone andando de um lado para o outro com a mão na cintura e olhar raivoso – Eu por acaso forcei ele a desmaiar? É você quem deveria me escutar... Calar a boca? Eu? Você não disse isso... Sair do meu programa? – Segurei a respiração – Quem deveria decidir isso é ele, não acha? – Uma enfermeira chamou sua atenção e Genna abaixou a voz – Estou cagando se é o empresário dele meu querido, ei não ouse me xingar em coreano! Não desligue na minha cara! – Bufou enfurecida e tirou o telefone da orelha – Ele desligou, babaca covarde...

— O empresário de Min Jun disse algo sobre deixar o programa?

— É, cogitou uma baboseira dessas, mas não vai dar em nada – Disse com desdém – E mesmo que ele escolha sair, temos uma fila de subcelebridades dispostas a entrar no lugar dele.

— Não quero que ele saia – Resmunguei sem pensar.

— Pensei que não ligasse para ele, só pra sua cara na TV.

— Não é isso, quero dizer, eu adoro o fato de estar na televisão, mas eu não iria querer começar toda uma relação do zero com outro cara desconhecido – Menti.

— Se reclamar demais eu mesma corto você dona vaquinha – Me olhou de cima a baixo com desgosto.

— Por que é tão rude?

Genna sorriu sarcástica e notei o médico no corredor caminhando em nossa direção.

— Sou o Doutor Williams, alguém aqui é da família do senhor Hyun Min Jun? – Inquiriu.

— Eu sou a chefe dele – Genna tomou a frente.

— Mas não é da família...

— Eu sou a mulher dele – Anunciei tomando a frente de Genna e o médico olhou para Brie.

— E você?

— Eu nem sei direito o que tô fazendo aqui – Responde Brie se esquivando.

— Doutor Willians, essa mulher não é esposa dele de verdade – Começou Genna.

— Sou sim senhor médico, inclusive estou usando nossa aliança de casados – Levantei a mão exibindo a aliança que Genna nos obrigara a usar desde o início das gravações.

— O casamento deles foi lindo senhor médico, quer ver uns vídeos meus dançando bêbada fazendo o pilar de sustentação de pole dance? Eu tenho no celular – Inventou Brie.

— Ah, não, obrigado, acredito em você. Pode me acompanhar senhora Hyun.

— Me chame de Lisa – Olhei para as duas mulheres atrás de nós e notei Brie desfazendo seu sorriso debochado quando Genna a lançou um olhar raivoso – Pode me dizer o que ele tem doutor? Ele está bem? Está respirando? Precisa de doação de órgãos? Eu seria compatível? Ele vai morrer? – Aflita despejei as milhares de perguntas.

— Posso lhe perguntar uma coisa antes, com todo respeito?

— Sim, claro.

— Por que está vestida de vaca senhora?

— É uma longa história envolvendo um comercial de leite e vacas que não apareceram na hora certa – O homem de cabelos grisalhos me encaro confuso.

— O senhor Hyun está estável e não, ele não morrerá, mas precisa de repouso. O caso dele trata-se de algo simples, ele pode ter entrado em colapso devido a níveis elevados de estresse e trabalho excessivo, seu organismo pode não ter suportado. Soube que ele é uma celebridade, ele tem trabalhado muito ou apresentado problemas devido o estresse?

— Sim, ele tem trabalhado sem parar, nós fazemos parte de um reality show e filmamos todos os dias o dia todo, eu também sou uma celebridade.

— Aham, claro – Comentou com desdém – Pode me dizer se ele faz uso de substâncias químicas ou toma remédios regularmente?

— Min Jun é bem saudável, chega a ser irritante.

— Certo, eu aconselho que ele descanse por um tempo, pare de gravar temporariamente e coloque sua cabeça no lugar, repouso é fundamental. Seu marido deve evitar qualquer estresse, pode ajudá-lo com isso?

— Sim...

— Também receitei alguns remédios para ele dormir.

— Ele ainda ficará muito tempo internado?

— Não, eu darei alta para ele amanhã pela manhã, mas antes pedirei alguns exames rotineiros, apenas para me certificar que tudo está certo.

— Eu posso vê-lo?

— O senhor Hyun está dormindo no momento, mas pode receber curtas visitas. Fique à vontade, voltarei em vinte minutos – Acenou e saiu, me deixando na porta de seu quarto.

Seu quarto era provavelmente o quarto de hospital mais bonito que eu já havia entrado. Havia vasos de plantas com folhagens, poltronas e um grande televisor de dezenas de polegadas anexado a parede frente a cama.

Caminhei vagarosamente e receosa até a cama onde Min Jun repousava de costas para a porta. Diferente de outrora, sua respiração era calma. Permaneci de pé ao lado da cama sentindo o peso da culpa sobre meus ombros.

— Sinto muito Min Jun – Comecei chorosa – A culpa foi minha, ou pelo menos parte dela, talvez nem tanto, mas ainda me sinto culpada — Me sentei na poltrona ao lado da cama – Eu sei que não está me ouvindo, mas realmente sinto muito. Eu pensei que você fosse morrer – Solucei sentindo minha angustia vindo à tona – Eu estava tão assustada – Olhei para minhas mãos tremendo sobre meu colo – Porque eu não suportava a ideia de te perder, por alguma razão misteriosa, eu verdadeiramente gosto de você.

— Talvez seja meu charme irresistível, mas aprecio sua preocupação – Ouvi a voz fraca de Min Jun.

Notas finais
Obrigado pelas recomendações seus lindos, amo vocês de verdade mesmo, escrevo pra vocês, senão ja tinha largado devido as raivas passadas com o teclado. Mas vcs me motivam a continuar. E aceito doações de teclado em todo caso, se alguém se sentir comovido com minha saga com o notebook digna de ganhar um espaço no programa do Gugu. Um beijo e até mais seus lindos!