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– O que sente por mim? – perguntou ele, o “lobo”.

– A mesma coisa que sente por mim e por todas as crianças que foram jogadas na floresta para serem comidas por lobos por pura superstição idiota, pena. – respondeu.

Um breve minuto de silêncio por parte dele. – E pela vila, o que sente? –

– Ódio. – seu rosto se enegreceu. – Prometa vingar todos os que sofrem nessa vila, pela nossa amizade.

Seu rosto assumiu uma expressão confusa. – Vingar como? –

– Com sangue -]

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Ele chegou à noite com um cavalo, cheirava ao mesmo cheiro podre dos pés da garotinha, sangue velho. Com cuidado, colocou o corpo frágil em cima do cavalo e o puxou pela floresta.

– O que faremos? – ele perguntou, depois de um longo silêncio.

– Viveremos. – respondeu, sua voz soava como se tivesse milhões de anos.

– Como isso aconteceu, como toda sua inocência foi embora? – questionou, pois era muitos anos mais velho que ela.

– A dor e o sofrimento que vivi, as injustiças que vi e a escuridão que me engoliu. – respondeu.

O “lobo” deu uma risada baixa. – Mas você é tão bonitinha! Parece até a Chapeuzinho Vermelho! Loira, com esses olhos azuis. –

– Se eu fosse a Chapeuzinho vermelho, você seria o caçador e a cidade seria os lobos. – explicou. – Afinal, o homem é o lobo do homem. -

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