Notas iniciais
Desculpem pela demora :/

Bem, aí está, aproveitem o/

Um jovem ruivo, de 14 ou 15 anos, vagava por uma ampla rua sob o luar.

*Toc* *toc* *toc*

Ele olhou para a fonte do barulho, curioso. Parecia vir do pequeno jardim de sua casa, que estava logo a frente.

Apertou o passo, se aproximando.

*Toc* *toc* *toc*

Uma figura alta martelava uma placa no chão.

Ao vê-lo, o jovem rapidamente se escondeu em uma quina.

Era um dos Guardas.

Homens sem rumo contratados pelo Ditador para impor a “lei”.

Ele logo se afastou, entrando na casa pelo buraco aonde a porta costumava ficar.

O garoto se aproximou da placa, confuso e amedrontado.

“Construção Condenada – Revolucionários”

Aquilo não era um bom sinal.

A luz da sala se acendeu, iluminando uma janela.

—Ei, calma aí, somos apenas pessoas comuns!

O garoto imediatamente reconheceu a voz de seu pai. Ele se aproximou da janela aos tropeços, e viu o guarda que havia acabado de entrar amarrando as mãos de seu pai e colocando-o na parede.

Em seguida, ouviram-se gritos desesperados de uma mulher, e um barulho forte de um tapa. O pai do jovem ficou furioso, e, mesmo imobilizado, tentou reagir.

Ele logo levou um chute no estômago, que o derrubou, e outros dois agentes apareceram. Choramingos e soluços vinham da mãe dele, que ainda não estava visível, enquanto os homens espancavam o pobre indefeso.

O garoto ficou ali, parado, sem conseguir sair do lugar, vendo seu pai morrer entre chutes e socos dos cruéis Guardas.

Continuaram espancando seu corpo inerte por um bom tempo, até que se cansaram e dirigiram sua atenção para outro alvo.

Um deles fez um sinal com a mão, e uma mulher caiu no chão no meio deles, empurrada por um quarto Guarda. Deram um sorriso sádico, e começaram a rasgar as roupas dela.

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POV’ Akira

Cambaleei, caindo em meio à um monte de caixas molhadas.

Estava correndo havia horas. Minhas lágrimas já haviam secado, mas o meu peito ainda estava destruído. O sol brilhava, alto no céu, alegre. Como se trouxesse um bom dia.

Como se zombasse de mim.

Imagens do que os Guardas fizeram inevitavelmente voltaram à minha mente. Ao invés de impedi-las, deixei meu coração se consumir em dor e ódio.

Talvez fosse mais fácil assim.

Depois de alguns minutos, ouvi um barulho de algo se mexendo nas caixas. Sequer tentei me mover. Se fossem me espancar, seria sem motivo algum.

Ela ficou se mexendo mais e mais. Não era alguém, era algo.

Me aproximei, lentamente, com o resto das minhas forças. Apesar do cansaço, já estava um pouco distraído dos pensamentos que assolavam minha mente.

Era uma caixa média, bem lacrada.

—Deve de ser um gato ou algo assim.. –murmurei. Olhei para o lado, e havia convenientemente uma garrafa de cerveja no chão. Peguei-a e quebrei-a na parede, pegando o caco que julguei ser o mais afiado.

Usei ele para cortar a fita crepe que servia de selo. Olhei lá dentro, e logo reconheci o conteúdo – apesar de não querer acreditar.

—Isso só pode ser.. um sonho.. –balbuciei.

Lá dentro, havia um ovo bem grande, um ovo que logo reconheci das poucas aulas produtivas que tive na escola. E, logo ao seu lado, um pequeno aparelho.

Um digivice.

“Não.. Não.. eu devo.. estar maluco..”

Não.. aquilo não era um sonho. A dor, o ódio e o sofrimento haviam deixado isso bem claro. Apesar disso, já mal lembrava destes. Meu sonho infantil sempre havia sido encontrar um digimon, mesmo que eles tenham desaparecido há muito tempo.

Peguei o digivice, mal contendo meu entusiasmo, e algo apareceu em sua tela. Antes que eu pudesse começar a ler, o ovo começou a brilhar, tanto e tão fortemente, que eu já não via mais nada.

Meu corpo, por reflexo, colocou minha mão na frente da fonte de luz, e eu, inconscientemente, toquei o ovo. Era morno, meio macio e...

...

feliz.

Ele brilhou ainda mais intensamente ao meu toque – como se isso fosse possível –, forçando me a fechar os olhos, e depois a luz cessou.

Abri os olhos cuidadosamente, enxergando um pouco mal. Pisquei os olhos algumas vezes, e vi um borrão laranja em minhas mãos.

Apertei os olhos com uma mão, abrindo-os novamente.

E lá estava ele, pela primeira vez.

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O pequeno dragãozinho flutuava ao meu lado. Já havia algum tempo que Kyokyomon havia deixado de ser Fufumon, sem algum motivo muito aparente. Estava andando com ele a um bom tempo, e já havia descoberto muito com ele. Era tão leve ao ponto de pairar no ar – literalmente –, e muitas vezes eu tinha de segurá-lo para o vento não levá-lo embora.

Mas, fora isso, ele era bem inteligente para um bebê. Sabia ouvir e obedecer ordens e pedidos, e conversou comigo – vejam só, ME CONSOLANDO –, sobre que tive de passar.

—E não fique triste Akira.. eles estão em um lugar melhor agora. –disse, tranquilo e sereno. A tranquilidade dele era tão grande que contagiava, e me lembrava de mim mesmo, ao segurar minha raiva.

“Só espero que ele não fique tão nervoso quanto eu ao liberar o ódio..”

Estranhamente, não havia ninguém no parque aonde estávamos, então pude andar com ele sem perigo algum. Continuamos caminhando por alguns minutos, até chegar em uma bela fonte entalhada em mármore. Sentei na beira dela, relaxando. O barulho da água caindo e dos pássaros cantando, enquanto Kyokyomon falava de assuntos aleatórios..

Aquilo era a tranquilidade e a despreocupação que eu nunca havia sentido antes.

Foi aí que aconteceu.

Ouvi um grito de uma menina seguido por um estrondo, e uma cortina de fumaça subindo do meio das árvores, à direita.

Olhei para meu novo amigo, que encarava a situação com seriedade.

—Sinto uma presença ruim vinda dali.. –murmurou.

Eis que então vi algo pontudo voando como um míssil para os céus. Kyokyomon se apressou na direção da fumaça, e tudo o que pude fazer foi segui-lo.

Logo chegamos à uma clareira. O digivice começou a piscar loucamente em reação aos digimons que ali se encontravam.

Consegui ver cinco Pukumons e um imenso Ikakkumon, todos atacando uma garota, que já estava semi-desacordada no chão.

Como eu sabia o que eles eram? Ora, estudei sobre os digimons a minha vida toda. Não havia como eu não reconhecê-los.

Apesar do meu entusiasmo, eu sabia que eu e a garota estávamos em perigo, então tive de pensar rápido.

—Awa! –um dos Baby II gritou, mandando bolhas em nossa direção. Me desviei com facilidade, e corri na direção da menina.

—Metal Straw! – Kyokyomon gritou, esticando-se até estar 7 vezes mais longo, soltando um espinho de aço de sua boca. Ele acertou um dos Pukumons em cheio, e ele começou a brilhar, até que sumiu.

Fui avistado por Ikkakumon, e ele rugiu como um leão, nervoso. Senti meu corpo vacilar pelo susto, e quase caí. Os pequenos que o seguiam fugiram, amedrontados, deixando meu parceiro livre. Ele percebeu minha intenção, e começou a tentar distrair o grandão.

—Metal Straw!

Ele usou seu ataque mais uma vez, mas o espeto de ferro sequer arranhou a pele dura do Adult. Ikkakumon então entendeu que ele não seria ferido pelo dragão, e se virou para mim.

Quando cheguei na menina, ela se remexeu, balbuciando algo.

—Fu.. fuja..

Balancei a cabeça, pegando-a do chão.

—Harpoon Torpedo! –o gigante gritou, e seu chifre veio voando veloz em minha direção. Comecei a correr, mas era um esforço fútil.

O chifre se aproximava mais e mais, e eu me preparava para o impacto.

—Tiida Ija!

Ouvi uma explosão, e continuei correndo, adentrando a floresta. Os galhos e troncos passavam ao meu lado, enquanto vários gritos e rugidos ficavam para trás.

Depois de alguns minutos, quando senti que estava seguro o suficiente, coloquei a garota no chão, recostada em uma árvore. Olhei para o lado, e vi que Kyokyomon havia me seguido. Uma nuvem bem maior de fumaça subia, alta no céu. Aquilo com certeza atrairia um monte de guardas.

Virei-me para a menina.

—Você está bem..? – perguntei, observando-a. Ela não respondeu, ainda meio zonza. Foi aí que percebi. Ela era Mitsuko, uma garota do sétimo ano. Eu a conhecia pois era irmã do meu melhor amigo, Takeshi Ishimoto. Fazia um tempo que não os via.

Ela começou a se mexer, abrindo os olhos lentamente. Quando me viu, ficou levemente vermelha.

—O que.. aconteceu? –murmurou.

—Você foi atacada por digimons.. Você está bem? –pergunto, levemente preocupado.

—Ah, sim.. já estive pior.. –diz, se esforçando para levantar. Estendo a mão, ajudando-a – o que fez ela ficar ainda mais corada.

Ela olhou para o lado, e viu Kyokyomon deitado no chão, observando-a com curiosidade.

—Outro digimon..? Ele é..

—Kyokyomon. Ele é meu amigo, não se preocupe. –completo.

O semblante dela ficou estranhamente alegre, estampando um sorriso.

—Então você também é um digiescolhido?

Notas finais
Reviews? :33
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.