Recortes,Doces,Café e Música
1 Álbum de Recortes
Notas iniciais
Beijos e Boa leitura.
“ Uma caixinha de surpresas lotada de segredos,
Foi tudo aquilo que construímos juntos.
As palavras doces se perderam no meio do caminho.
O desgosto e o ódio nos tomaram por completo”
21 de outubro de 2025
Um rapaz francês, de cabelos ruivos e belíssimos olhos verdes pega um velho caderno de capa de couro. Nesse caderno estão os recortes de desenhos, poemas, cartas e fotos que aquele casal desfeito haviam construído juntos. Já fazia um ano e meio que tudo havia se tornado cinzas.
Camus, segurava o caderno em suas mão extremamente brancas e macias, os dedos compridos acariciavam o rosto sorridente de Milo em uma das ultimas fotos tiradas pelo casal quando ainda eram felizes. O casal sempre foi feliz, até o ex de Camus, Andreas, reaparecer na vida dele.
Milo e Camus, eram Yin e Yang sempre juntos faziam de tudo para arrancar um sorriso um do outro. O escorpiano era expert em fazer o jovem aquariano sorrir, todos os dias o despertava com beijos suaves em seus lábios e o mimava trazendo café na cama. O ruivinho sempre que queria alegrar o companheiro loiro beijava-o ou fazia cafuné, quando não preparava belíssimos jantares a luz de velas para eles. Na cama sempre sabiam como se satisfazerem, Milo era quente e sexual já Camus era intenso e sereno. A vida era inegavelmente boa.
Depois de quatro meses de alegria e mimos, o mundo deles veio abaixo. Andreas chegou há França decidido a ter o ex de volta para si. O italiano era alto, cabelos que iam ate os ombros castanhos e olhos verde-amarelados que lembravam os olhos de um gato. Menos de um mês se passou desde a sua chegada e o jovem leonino já se tornara um transtorno, causava altas brigas entre o casal ao contar coisas sobre ele e o ex que o escorpiano jamais imaginou ou gostaria de saber.
O tempo passou, as brigas aumentavam e o carinho sumia. Não tinham como objetivo diário tirar um sorriso do outro, o objetivo diário era criar modos para que não se encontrassem e nem olhassem um nos olhos do outro. A situação piorava dia após dia, o ruivo estava deprimido e o loiro profundamente magoado com o fato do noivo esconder-lhe tantas coisas. Inclusive decisões que fez para manter-se vivo.
Um dia aquilo tudo se tornou insuportável para Milo e com o apoio moral de Kanon, seu melhor amigo ele foi a um bar beber. Bem como todos sabem cu de bêbado não tem dono. Andy não perdeu a chance de ferrar o rival, levando Camus através de uma ligação anônima até seu apartamento para que o mesmo pegasse a Stefano, irmão mais novo de Andreas, e Milo na cama. Para o aquariano aquilo foi o fim de tudo, fora o pior de todos os desgostos e de longe a maior decepção que ja sofrera na vida. Ele ainda lembrava das palavras agressivas trocadas naquela noite.
–Milo, eu achei que você me amava? –Ditou logo após voltar do estado de choque.
–Eu te amo, mas você que me escondeu tantas coisas. –ainda bêbado o loiro retrucava. –Eu pelo menos tive a dignidade de te contar que eu ja havia feito varias burradas na minha vida, inclusive ser alcoólatra. E você fez questão de esconder que havia se prostituido.
–Caramba, eu escondi por medo da sua reação ao estar comigo. –lagrimas rolavam pelo rosto do ruivo. –Você gostaria de saber que eu era pago para dar prazer aos outros?
–Eu preferia saber pela sua boca do que pela dos outros. –Milo estava muito nervoso e alterado pela bebida. –O que você sentiria no meu lugar? Ficaria feliz ?
–Não ficaria feliz, mas iria tentar te entender. – Reverbel respirou fundo. –Eu sinto muito por não ter te contado, mas isso não lhe da o direito de fazer o que esta fazendo.
–HAHAHAHAHAHA....Falou o cara mais certinho do planeta. – o riso sarcástico e a cara de pouco se importando do parceiro magoavam o aquariano, que sabia que o álcool falava junto mas se ele falava é porque as palavras já estavam em sua cabeça e cravadas em seu coração. –Se enxergar o ex puto de esquina.
–Esta bem Milo. –o ruivo já muito magoado saiu do quarto onde a pessoa que mais amava no mundo estava deitada com outro homem.
Camus lembrava de cada passo que deu depois de sair daquele apartamento. Logo fora tirado de suas lembranças amargas e sua angustia e dor aumentaram ainda mais ao ver o escorpiano entrar. Milo estava mais bonito do que nunca, contava com um belíssimo sorriso e também uma aliança em seu dedo. O aquariano reparo nela de imediato, a seis meses o loiro atirara no ruivo sua aliança de noivado.
–Olá senhor Devonshire, veio pegar o resto de suas coisas? –frio e direto, esse era Camus na frente do ex.
–Sim, senhor Camus Reverbel. –o loiro ainda pronunciava o nome do ex amante com saudades, porém nunca daria o braço a torcer. –Eu e meu atual noivo Stefano estamos indo para Itália.
–Parabéns, senhor Devonshire. –o aquariano se levantou e foi em direção ao antigo quarto de ambos. –Suas coisas estão no quarto de hóspedes, se precisar de algo estou no banho.
–Sabe que de você não preciso de mais nada... –Milo nem tempo teve de terminar a frase e o ruivo ja havia se trancado no quarto.
Camus Reverbel, havia escutado as palavras de Milo Devoshire e logo resolveu por seu plano em pratica. O escorpiano ouviu o barulho da banheira, achou estranho o ex nunca utilizava a banheira por se sentir desconfortável, mas não tinha nada haver com aquilo. Reverbel entro na banheira, pego a gilete que usava para se barbear, desmontou-a e com a lamina fez vários pequenos cortes na coxa direita. Um corte preciso, como apenas um homem formado em medicina sabia fazer, acertou sua veia femoral.
Medicina, foi por causa desse sonho de sua falecida mãe que o jovem se prostituiu, afinal alguém precisava pagar o curso. O jovem ruivo nunca fora rico na infância, a vida lhe tirou a mãe e ele aos 10 anos foi morar com a avó materna que não tinha boa condição financeira. A avó morreu quando ele completou 18 anos, deixara a pequena casa para o neto, então daquele dia em diante ele teria que se virar para viver.
O pai, nunca esteve com ele e o aquariano resolveu que jamais o procuraria, mesmo quando estivesse a beira da morte. Camus tinha noção de que tinha um meio irmão mais velho, Degel que era casado com irmão mais velho de Milo. Degel nunca saberia que Camus era seu irmão afinal o mesmo utilizava o sobrenome de sua falecida mãe, que o tivera após se envolver com Pierre Roussel, um importante advogado, casado e cheio de si. Roussel abandonou Angeline Reverbel após o nascimento do ruivo, que nascerá idêntico ao pai que o reconheceu em segredo.
Enquanto lembrava de sua trajetória até aquele momento a água de sua banheira tornava-se rubra. O aquariano olhava tudo ao seu redor, cada detalhezinho lhe lembrava seu amado escorpiano.
Triste era o fato de que último pensamento do jovem Camus Reverbel, fosse justamente o sorriso daqueles que sempre amou e a ultima imagem que veio a sua mente foi o sorriso de Milo, a causa também de sua morte. Este por sua vez estava carregando suas coisas para fora daquele apartamento para sempre, distante de ter qualquer consciência de que seu amado estava se entregando de mão beijadas a morte até que tropeçou no caderno de recortes do outro. As fotos eram deles, dos sorriso, das mensagens doces e do amor deles. O loiro havia se esquecido de tudo, mas naquele momento todos os reais sentimentos que haviam sido mascarados pela dor e magoa dos segredos reapareceram.
–Camus, eu preciso de uma ajuda. Queria saber onde esta meu Ipod que não consigo achar e queria te dizer que... –o escorpiano assustou-se, a agua parecia vinho de tão vermelha que estava, e o pior era ver seu pequeno ser amado pálido e de olhos fechados. Em desespero Milo liga para emergência, vendo que o jovem ruivo carregava um sorriso no rosto. Devonshire rezava baixinho para que o ex-amante sobrevive-se aquilo.
Milo queria Camus vivo, queria ouvir de sua boca que realmente estava vivo e bem. O escorpiano pode não ter essa sorte, já que o aquariano decidiu morrer.
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