— Já passamos por aqui. — Noah avisou apontando para o mapa.

Tirando a atenção de Daryl e eu, deixando o clima mais confortável.

— E aqui. — Apontei. — Tudo vazio e muitos zumbis.

Glenn agarrou o mapa e fez um "x" nos lugares sinalizando que não devíamos voltar lá.

— Pensei em ir aqui. — Apontou. — Parece ser grande e pode ter bastante mantimentos. Somos um grupo grande agora.

Noah assentiu me lançando um olhar. Dei de ombros.

— Saímos amanhã então. — Daryl resmungou.

Virei as costas e segui em direção as portas, mas parei ao ouvir um choro de bebê. Lancei um olhar para a loira que balançava um bebê tentando acalma-lo.

Segui até eles e sorri olhando a menininha.

— Como é o nome? — Perguntei.

— Judith. E eu sou Beth.

— É um prazer, Beth. Posso?

— Fico agradecida. — Agarrei a bebê no colo e comecei a nina-la.

— Você gosta não é? — Perguntei sorrindo colocando ela de frente para mim.

Cantei uma música de ninar em francês. Ela começou a piscar e fechou os olhos. Fiquei balançando ela até ter certeza que estava dormindo então a coloquei no bercinho improvisado. Puxei a mantinha para cima dela depois passei meu dedo indicador por sua mãozinha fofa.

— Você tem jeito com crianças. — Beth falou.

Lancei um olhar a Noah que pressionou os lábios.

— Sim. — Respondi olhando o bebê. — Você tem sorte de tê-la.

— Eu não... Ela não é minha. Eu só cuido dela. Ela é do Rick.

— Mas... E a... — Me calei.

Não precisava ser um gênio para entender o que aconteceu.

Lancei um último olhar para o bebê e depois me afastei, Noah seguiu comigo para o nosso bloco. Passou o braço pelos meus ombros e beijou meus cabelos.

A noite caminhei em volta das cercas com Mark.

— Está tudo seguro. — Rick comentou.

— Parece que sim.

— Vão descansar. Principalmente você, vai sair amanhã não é?

— Sim. Mas quem ficará guardando a cerca?

— Maggie e Glenn estão na torre...

— Eles estão fazendo tudo menos vigiar. — Debochei e ele riu.

— Eu fico. — Mark respondeu. — Logo Carlos se junta a mim.

— Ok. Qualquer coisa chama. — Ele assentiu.

Guardei a arma no coldre e segui para o meu bloco de celas. Subi as escadas e me joguei na cama no chão mesmo. Olhei para o teto uns segundos antes do cansaço me vencer.

Noah me acordou, levantei e verifiquei se estavam todos bem antes de sair. Encontrei com todos no portão se preparando para sair. Daryl, Sasha, Tyreese, Noah e eu. Íamos em um carro.

Tyreese foi na frente com Daryl dirigindo, sentamos atrás e fomos conversando baixinho a viagem toda. Eles não eram muito de conversar, mas Noah e eu não conseguíamos ficar em silêncio.

Conseguimos um shopping. Eles verificaram se tinha zumbis depois entramos. Pegamos um carrinho e começamos a encher de coisas. Duvido que caberia tudo num carro, mas poderíamos achar outro carro.

Paramos perto da porta de estoques, Noah puxou seu facão do cinto e se preparou.

Agarrei minha faca e segurei firme a maçaneta da porta. A abri e um zumbi saiu.

Um movimento e Noah já tinha cortado sua cabeça. Olhei e encontrei restos de alguém que foi devorado e mais mantimentos.

Saltei por cima dos restos mortais e comecei a jogar tudo que era necessário em uma mochila. Quando saímos encontramos todos prontos para ir embora.

Saímos do shopping e enchemos o carro das coisas.

— Não cabe mais nada. — Tyreese comentou forçando o porta-malas a fechar.

Vi um carro mais à frente e segui até ele. Tentei liga-lo, ele falhou uma vez, mas ligou. Verifiquei a gasolina e tinha o bastante para ir até a prisão. Sai do carro e abri o porta-malas. Tinha algumas bobagens, mas eram úteis. Noah e eu jogamos mais algumas coisas para dentro do carro depois fechamos.

Assumi o volante e Noah sentou no banco do passageiro. Olhei pelo espelho para Daryl que ligava o carro deles. Me lançou um olhar nada amigável e dirigiu na frente.

— Esse cara é um mau humorado. — Resmunguei enquanto o seguia de carro.

— E você está caidinha por ele. — Noah debochou.

— De onde tirou uma loucura dessa?

— Daph eu te conheço desde sempre esqueceu? Ele parece ser gente boa.

Glenn e Rick abriram o portão e nós entramos. Descarregamos as coisas e separamos. Sarah correu para abraçar Noah.

— Saiu sem avisar. — Resmungou.

— Desculpe. Tive que sair. Como está?

— Bem. Aqui é ótimo. As pessoas são bem legais. Eles tem um bebê muito fofo! E o Carl regula de idade comigo.

— Quem é Carl? — Noah perguntou olhando em volta.

Até ver um menino perto do Rick. Estava com chapéu de xerife na cabeça e tinha uma cara de emburrado.

— Rick quer que ele seja criança, mas ele não é mais criança. — Sarah explicou. — Ele está sempre mal humorado, mas acho que no fundo não é assim. Enfim, já me acostumei. Mark, Carlos e Tyler são um poço de mau humor. — Noah riu e ela sorriu.

— Vamos fedelha. Não gostei dessa sua nova amizade. Já conversamos sobre namorar.

— Sim. A Daph já me explicou tudo sobre namorar.

— Daph o que? — Me encarou. — O que você falou para ela?

— A verdade. Que quando ela namorar vai gostar de beijar e transar.

— Eu não acredito que você falou isso para ela. Ela só tem 13 anos!

— Por isso mesmo. — Respondi puxando uma sacola da minha mochila. — Toma Sarah, vai precisar. — Eram absorventes. — Tem sorte que eu disse para ela usar preservativos quando isso acontecer.

— Vou matar você.

— Mata nada. Não vive sem mim, Noah. E se tiver coragem, volto do além para te atormentar.

Sarah se afastou sorrindo com a sacola que além de absorventes também continha balas.

— Não pode falar essas coisas para ela.

— Um dia ela vai descobrir, Noah. Sua irmã não vai namorar com 30 anos. Tira isso da cabeça seu antiquado.

— Não sou antiquado.

— É sim. Foi você que disse a ela que namorar é só segurar a mão. — Gargalhei arrancando risadas de Rick, Glenn e Maggie que estavam perto.

Daryl se manteve sério.

Voltei a ajudar eles.

— Maggie. — Se apresentou sorrindo.

— Eu sei. Daphne. Acho que você já sabe.

— Claro. Você é um assunto bem popular no nosso bloco.

— Eu? — Ela sorriu.

— É. Então, ele é seu namorado?

— Não. Credo. Nunca! — Balancei a cabeça fazendo careta.

— São irmãos então.

— Também não. Somos melhores amigos.

— São bem ligados.

— Nos conhecemos desde pequenos. Me levou para casa bêbada várias vezes. — Ri tirando mais algumas sacolas do carro. — Somos amigos desde... Desde sempre. — Lancei um olhar a ela. — Por que quer saber? Achei que teu lance era com o coreano.

— E é. Somos casados. Mas minha irmã está solteira.

— Sua irmã?

— Beth.

— Nossa. Beth é sua irmã?

— Sim. — Ela riu. — Nada a ver não é?

— Não mesmo, mas ok. Veja Noah e Sarah mesmo. Apesar de terem a mesma cor de cabelo são completamente oposto um do outro. — Assentiu. — Noah e Beth... Acho que combinam. Mas meu amigo não quer se envolver.

— Por que?

— Ele é o tipo certinho sabe? Aquele que gosta de uma pessoa e é para sempre? Nesses 30 anos que nos conhecemos, eu só o vi com duas namoradas. Uma quando éramos adolescentes, mas ela o traiu com seu amigo. E uma da faculdade que eles ficaram noivos. Mas o apocalipse começou e o conto de fadas acabou. Já deve imaginar o que aconteceu. — Assentiu.

— Elas sentiam ciúme de você?

— A primeira sim, muito. Quando ela o traiu pude quebrar os dentes dela com uns socos. A segunda não tivemos muito convívio por que passamos uns anos separados. Mas nas vezes que a vi e nos falamos, parecia gostar de mim. E acho que gostava, Noah sempre disse que se a namorada dele não me aceitasse, ele trocaria de namorada. Pensando bem, acho que é por isso que ele não teve muitas namoradas. — Sorri. — Sempre fui uma pessoa complicada. Noah e eu dedicávamos todo o tempo um ao outro. Nada se colocava na nossa frente. Se um precisava do outro, largávamos tudo e íamos sem pensar em mais nada. Os pais dele gostavam bastante de mim. Me pagavam para cuidar de Sarah quando éramos mais novos.
"Não era uma grande responsabilidade já que ficávamos vendo filmes e comendo bobagem até de madrugada com Noah. Mas eles queriam me ajudar... Nunca tive muito dinheiro. E meus pais não ligavam muito para isso. Se separaram. Meu pai arrumou outra mulher e sumiu no mundo. Nem sei se está vivo ou morto. E minha mãe... Bom, acho que ela levou a sério quando meu pai dizia "vai pro inferno mulher", assim que o primeiro zumbi apareceu atirou na própria cabeça.

— Nossa! Eu sinto muito. Não queria faze-la lembrar disso.

— Não tem importância, Maggie. Estou há tempo demais no apocalipse para me importar com isso. — Assentiu e me afastei.