Reconstruindo e recomeçando a viver
14 Epílogo
A vida é feita de pequenos momentos, de detalhes, devemos desfrutar sempre de seus pequenos prazeres uma comida saborosa, uma saída com os amigos, estar com a nossa família, brincar com os filhos, amanhecer ao lado da pessoa amada entre outras pequenas coisas que fazem valer a pena estar vivo é isso que penso e sinto depois de ter adquirido uma certa experiência pela minha idade levando em consideração o que eu vi e vivi nesses anos...
Estaciono na garagem de casa, entro e por pouco não tropeço nos brinquedos espalhados pela sala, subo as escadas que dão acesso ao segundo andar e dirijo-me ao quarto de minha pequena sapeca, ela dorme parecendo um anjinho beijo-lhe a testa e verifico se a babá eletrônica está ligada e como sempre minha querida esposa jamais se esquece dos detalhes ainda mais quando se trata da segurança dos nossos pequenos.
Repito o ritual no quarto de cada um de meus dois meninos e verifico que Katsuo não dorme em casa nessa noite, tento lembrar onde ele estaria e não consigo, faço uma anotação mental para prestar mais atenção no que June me fala pela manhã.
Chego ao meu quarto para não acordar minha esposa vou direto tomar um banho apoio as duas mãos na parede e baixo a cabeça deixando a água lavar minha tristeza, mesmo com o passar dos anos não me acostumo quando isso acontece...
– Você não vai me falar o que está te chateando meu querido?- ouço a voz de June e em seguida ela abre o boxe abraçando-me pela cintura e sinto aquelas curvas tão familiares nas minhas costas.
– Perdi um paciente Ju, ainda não me acostumei a isso...- digo com tristeza
– Eu imaginei que fosse isso...- diz ela beijando meu ombro e acariciando meu peito.
– Você deveria estar dormindo daqui duas horas você tem um reunião importante- eu falei preocupado com o horário.
– Você me conhece, estou ansiosa isso me deixa com o sono leve e ouvi você chegando e já soube pelo seu jeito de caminhar que você não estava bem...-ela respondeu.
– Ah também não é assim, pelo jeito de caminhar tá brincando né- eu disse rindo.
– Sério, você quando tá chateado anda meio que se arrastando como se tivesse carregando o peso do mundo- ela falou séria.
– Devo parecer um idiota quando estou chateado- digo pensando na cena.
– Aham, porém um idiota lindo- ela confirma rindo.
Eu me viro e a abraço, beijo-lhe carinhosamente e sentindo meu corpo respondendo com a proximidade do corpo dela.
– É uma honra ver que depois de 15 anos juntos ainda exerço esse efeito em você!- ela susurra contra minha boca.
– Antes de continuarmos minha querida, poderia falar onde está nosso filho mais velho- pergunto lembrando que não o vi em sua cama.
– Ele foi dormir na casa do Seiya com os primos, aparentemente eles iriam tocar até mais tarde e dormiriam em um acampamento improvisado no jardim eu deixei já que amanhã é sábado, bom e já que começamos com o relatório diário das crianças agora vou acabar com o mesmo...- ela falou fugindo do meu abraço e pegando uma toalha para se enxugar.
– Tudo bem!- eu disse também saindo do banho e me enxugando.
– Bom primeiro a nossa caçula Keiko eu cheguei do trabalho e ela veio até mim e falou mamãe pela primeira vez... foi super fofo, aí queria que ela falasse de novo para eu gravar já que você não poderia perder isso e adivinha.
Ela não falava até que consegui depois de um bom tempo tentando.
Giovanni por sua vez me mostrou o boletim e tinha uma nota vermelha em química, eu assinei e falei que a partir de amanhã eu ou você estudaríamos com ele e de preferência você essa matéria não é meu forte.
E por fim o Katsuo como você já sabe está empolgado com a banda Santuário que ele formou com os primos e diz que está pensando em não cursar nenhuma faculdade por causa disso e eu falei que se ele fizesse isso ele nunca mais ia tocar nem apito. Alguma coisa a acrescentar meu marido sobre minhas decisões?- ela terminou o relato esperando minha resposta.
– Claro que não, eu apoio todas suas decisões e vou conversar com os meninos amanhã e quero ver o vídeo da Keiko agora, apesar de achar que ela deveria falar papai primeiro- digo sorrindo
– Ah e nem sonhe em colocar roupa, depois disso vamos terminar o que começamos lá no banheiro- digo pegando o celular que me era estendido e tirando o roupão das mãos dela e jogando na cama.
June senta-se nua ao meu lado na cama enquanto assistimos juntos umas 4 vezes o vídeo de nossa caçula e depois de colocar o celular encima da cômoda pulei encima dela prendendo-a sobre meu corpo.
– Você não está mais chateado?- ela perguntou
– Você faz eu me sentir melhor, obrigada por essa família linda!- digo
Começamos a nos beijar e June não dormiu as duas horas antes de sair para a reunião porém acredito que fiz um bom trabalho em não deixá-la ansiosa.
Desde do nosso recomeço há 15 anos atrás muita coisa aconteceu, nos casamos, acabei minha residência escolhendo como especialidade a oncologia, June virou vice-presidente da fundação Kido e uma segunda mãe para Katsuo.
Apesar de tentarmos ter outros filhos não conseguimos e descobrimos que June tinha problemas para engravidar em grande parte devido ao treinamento para ser amazona.
Eis que entra um episódio que eu nomeio com um dos milagres que ocorreu em nossa vidas, foi em uma viagem nossa para a Itália passando por uma viela ouvimos um choro perto de um beco.
Ao entrar no mesmo, vimos um bebê enrolado em trapos ensaguentados e a aparentemente a mãe biológica havia dado a luz e fugido deixando o pequenino ali, com o bebê estava apenas uma pequena imagem de um santo que identificamos como São Francisco cujo o nome antes de virar santo era Giovanni di Pietro.
A afeição pela pequena criança foi imediata fizemos questão de adotá-la e não me envergonho em falar que utilizei toda influência da fundação Kido para isso pois se não fizesse pelo meio legal levaria aquele menino dali de qualquer forma, inexplicavelmente sabíamos que aquele menino era nosso.
No Japão ficamos em dúvida em registrá-lo como Giovanni ou Francisco o primeiro nome ganhou e hoje ao olhar meu filho tenho certeza que escolhemos bem.
Keiko foi nosso terceiro milagre, quando já tínhamos desistido de termos um filho da maneira mais tradicional June descobriu que estava grávida, foi uma gravidez difícil porém ao segurar a nossa pequena nos braços entendemos que todo sofrimento havia sido ínfimo comparado com a alegria de tê-la em nossa vidas.
Esses são meus filhos Katsuo 17 anos, Giovanni 13 anos e Keiko com um pouco mais de um ano e quatro meses, para completar minha alegria também possuo meus sobrinhos filhos dos meus irmão queridos , até Ikki após meu casamento com June surpreendeu-nos com um romance com a Marin que é do conhecimento de todos que adora um leonino.
Ikki e Marin se casaram dois anos depois com direito a trigêmeas idênticas que tentam confundir o pai e nunca conseguem tenho pena dos namorados dessas meninas quando chegar a hora delas namorarem...
Falando sobre estar casado, como em todo casamento temos nossos problemas e discussões, a mais recente que me lembro agora é de June ficar sem falar comigo durante o dia todo por ter esquecido de pegar o novo iphone na loja que ela tinha subornado a vendedora para guardar.
Ele me acusou de negligente em relações as necessidades básicas dela e me explicou que para uma executiva andar sem um aparelhozinho (eu falei assim para me complicar mais) de última geração é como estar pelada e por ser lançamento ele estava esgotado, o melhor que ao relatar para o Shiryu a situação ele ficou do lado dela...
Enfim depois de conseguir o aparelho por um preço exorbitante voltamos ao normal mas ainda gosto de provocá-la com a cena que ela fez e é uma ótima história nas festas de família e como são maravilhosas essas festas com a nossa imensa família reunida...
Eu acredito que não poderia estar mais em paz comigo mesmo pois sinto hoje que ao viver cada dia sendo feliz e fazendo minha família feliz eu honro cada pessoa que me deu essa oportunidade de estar aqui hoje e consigo enfim dormir ausente de quaisquer pesadelos que já tive.
FIM
Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre.
(Albert Einstein)
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