Reconstruindo e recomeçando a viver
8 Verdades
June permanecia ali parada olhando para o meu rosto, esperando uma resposta, ela continuava linda, ou melhor, estava muito mais bonita do que a última vez que nos vimos.
Usava uma calça Jeans apertada acentuando suas belas curvas, juntamente com uma blusinha regata azul que ressaltava seu colo e seios, para finalizar o tom da blusa combinava com a cor de seus olhos e seus cabelos loiros estavam um pouco mais curtos abaixo dos ombros.
Quando volto a realidade vejo que Mino está na sala também trajando seu vestido com estampa floral e havia feito uma bela trança no cabelo. Ela se adianta ficando entre mim e June.
– Olá June!- ela fala visivelmente irritada
– Mino você por aqui, bom devo pressupor que como nossa última conversa vocês estão juntos- June falou olhando para mim esperando uma resposta.
Mino pegou minha mão e apertou forte e mirou meu rosto, meus olhos cruzaram com o dela e senti a tristeza estampado neles.
– Sim, estamos juntos e atrasados para um compromisso importante, poderia nos dar licença, depois mais tarde podemos conversar caso você queira June- eu respondi sério.
– Bom, aqui está o cartão do hotel onde estou hospedada no quarto 72, desculpe-me o transtorno por chegar nesse momento, espero vê-lo de novo. Até logo- ela disse sem tirar os olhos do meu e me entregou o cartão.
Fechei a porta e olhei para Mino que ainda fitava a porta fechada com um olhar pensativo e então virou-se para mim e disse:
– Precisamos ir agora, se quisermos manter nossas vidas, Saori brava ninguém merece.
Assenti com a cabeça peguei a gravata que estava estendida no sofá coloquei a mesma enquanto ela pegava o casaco do meu terno e sua bolsa. Sem nos falar saímos do apartamento, descemos o elevador e chegamos ao estacionamento do prédio.
No caminho para a igreja também não conversamos, acho que ambos estávamos tentando digerir os acontecimentos daquela tarde, mantivemos a aparência durante a cerimônia do batizado, Shiryu e Shunrei tiveram que assumir o lugar de padrinhos devido ao nosso atraso o que levou Saori a estar com uma expressão muito mal humorada.
Estava me sentindo muito culpado por estragar o momento, após o batizado nos dirigimos para a mansão que Saori vivia com Seiya, pois haveria um almoço de comemoração.
Após ouvirmos um sermão pelo nosso atraso de uma Saori enfurecida que foi apoiada por Shunrei e Shiryu, ocupamos nossos devidos lugares e comemos silenciosamente, depois da refeição eu fiquei sentado no banco observando os gêmeos brincarem enquanto Mino conversava animadamente com Shunrei e Saori, era uma cena feliz se não levasse em consideração meus pensamentos que teimavam em voltar para o momento em que vi June, não conseguia definir o que senti e o que estava sentindo, fiquei com um pouco de raiva e seria aquilo euforia, tive vontade de abraçá-la e pedir explicações.
Seiya se aproximou de mim e sentou-se a meu lado, colocou a mão em meu ombro amigavelmente.
– Está tudo bem?- ele perguntou
– A June voltou, ela apareceu em casa quando estávamos saindo para ir a igreja- eu respondi
–Caramba, isso explica o atraso, você e a Mino brigaram por causa disso, parecem distantes?- Seiya perguntou curioso.
– Simplesmente não conversamos após esse episódio- eu respondi
– Odeio quando as mulheres não falam, pois quando resolvem falar...vixe aí esquece...- ele disse pensativo.
Não pude deixar de sorrir imaginando os sermões de Saori para o pobre do Seiya.
– Você sente alguma coisa ainda pela June?- Seiya perguntou sério
– Sim, só não consigo definir o quê, vê-la foi bastante confuso- eu respondi
– Caramba, Shun. Eu não queria estar na sua pele esse negócio de triângulo amoroso é um saco!- disse ele
Então lembrei que ele teve uma situação parecida com Shina e Saori, mas a questão é que ele nunca duvidou de que ele devia ficar com Saori, já na minha situação não podia negar que nutria um amor por Mino, contudo ainda não era apaixonado por ela, e havia descoberto que talvez pudesse vir a ser.
Continuamos conversando, Seiya era o mais engraçado de nós, apesar de tudo que passamos ele conservava um senso de humor incrível e sempre me deixava mais motivado quando conversávamos, ele não era do tipo que dizia o que fazer ou como agir, mas de alguma maneira te fazia acreditar que as coisas podiam dar certo, seguimos o resto da tarde falando sobre assuntos corriqueiros como sua banda, a minha residência como médico e brincando com os gêmeos.
Na volta ao entrarmos no carro, eu resolvi conversar como Mino, aquela situação era insustentável precisava saber o que ela estava pensando sobre tudo o que havia ocorrido.
– Mino, você não acha que deveríamos conversar sobre o que ocorreu hoje?- eu perguntei
Ela respirou fundo e começou...
– Claro, e o quê exatamente aconteceu hoje, enfim após 3 meses de namoro você consegue me olhar como mulher e de repente surge a sua ex namorada e você fica olhando para ela como se tivesse vendo uma divindade descida do céu, essa é a minha versão do que aconteceu, ah e teve o episodio também, nós podemos conversar depois onde com certeza eu não estava incluída no ‘nós’- ela disse sarcástica.
– Eu não vou procurá-la se é isso que a preocupa- eu disse sério.
– Você quer procurá-la?- ela perguntou
– De certa forma sim, preciso de uma explicação sobre o que ocorreu entre nós, porém estou com você agora e por esse motivo não vou.
Havia tomado essa resolução durante a tarde, não importava o que eu sentia, devia ser honrado no compromisso que havia assumido perante Mino, ela era minha namorada e se fosse o oposto não gostaria que ela se encontrasse sozinha com algum ex.
Olhei de relance para Mino e ela chorava, as lágrimas desciam livres em seu rosto, ela enxugou as mesmas com as costas mãos e logo chegamos em seu edifício.
– Podíamos ir ao cinema hoje, que tal assistirmos aquele filme que você gostou da crítica outro dia- eu disse segurando sua mão nas minhas tentando melhorar a situação.
– Pensei nisso o dia todo e você deve ir falar com a June- ela falou séria.
– O quê? — perguntei espantado
– Está muito difícil competir com essas lembranças que você possui do seu namoro com ela, e o pior não é isso, tá difícil competir com esse seu ideal de que você acha que teria sido seu relacionamento caso você estivessem juntos...então por favor, vá encontre-se com ela, termine de vez ou fique com ela se confirmar suas expectativas mas...se voltar, que seja inteiro por favor...- ela recomeçou a chorar.
Eu a abracei, porém sabia que ela estava certa precisava resolver minha situação com a June, dar um ponto final em tudo. Eu a beijei, sua boca possuía o gosto das lágrimas, e disse até logo, ela saiu do carro e entrou em seu edifício enquanto eu observava suas costas.
Peguei o cartão que June havia me dado e verifiquei o endereço do hotel onde ela estava hospedada, deveria ligar e marcar nosso encontro, todavia pensei no incomodo que ela havia causado ao aparecer sem avisar em meu apartamento mais cedo e pensei que ela merecia uma surpresa também.
Chegando ao local, fui até recepção e pedi para chamar por June, a recepcionista ligou e sorrindo avisou que era para eu subir até o quarto no qual ela estava hospedada.
Uma raiva foi tomando conta de mim a medida que me aproximava do quarto, quem ela pensava que era para voltar assim e causar o caos na minha vida, eu estava indo muito bem sem ela, ou achava isso, finalmente minha vida havia tomado um rumo e era exatamente isso que iria falar, bati na porta e ao ser atendido toda a minha convicção desapareceu...
Nesse momento admiti para mim mesmo que eu ainda sentia uma atração por ela, ela ainda estava vestida como nos encontramos mais cedo, só que agora estava descalça e segurava um livro, junto com um óculos entre as mãos.
– Por favor, entre, desculpe-me a aparência pois estava deitada lendo- ela disse.
Enquanto entrava no quarto, ela continuou falando:
– Confesso que é uma adorável surpresa vê-lo aqui agora, achei que me ligaria amanhã para sairmos, talvez um almoço, ainda existe aquele lugar que comemos daquela vez...você se lembra?- ela perguntou
– Sim, eu me lembro, porém acredito que você não esteja aqui por estar com saudades de um restaurante, e desde quando você usa óculos?- perguntei.
Ela riu
– Juro que de todas as perguntas que imaginei que você faria essa com certeza não era uma delas- ela falou.
Não pude deixa de sorrir, apontei o livro que ela tinha nas mãos e ela me entregou.
– Gosto muito desse livro o ‘O Conde de Monte Cristo’- disse folheando o exemplar- E sim fiquei curioso quando vi os óculos, nunca imaginei que você usaria.
– Bom faz algum tempo, são somente para leitura, assim que entrei na faculdade descobri que eles eram necessários, nunca havia sido um exemplo de aluna, tenho que confessar que mudei, agora os livros me encantam, principalmente romances como esse e descobri também que para viver essa nova paixão precisaria dos óculos- ela respondeu com naturalidade.
June possuía requinte ao falar, uma maturidade adquirida pelos anos com certeza, ela havia mudado e fiquei pensando quais seriam as outras mudanças que ocorreram em sua vida...então resolvi perguntar aquilo que havia feito eu estar ali.
– Porque você terminou comigo e ainda mais da maneira que foi? Acho que essa pergunta você devia estar esperando- disse olhando em seus olhos
– Sim, essa eu esperava- ela suspirou e indicou uma mesa que havia no quarto com duas cadeiras.
Seguimos para mesma e nos sentamos, de frente um para o outro para termos uma conversa atrasada por mais de quatro anos. Meus olhos estavam fixos no seu belo rosto e observava a tensão se formando no mesmo então ela começou
– Eu terminei pelo simples motivo de que não merecia ficar com você, ao me afastar percebi que estava te prendendo e a mim também, você sempre esteve preso, ambos estivemos, primeiro ao dever e depois ao nosso compromisso...
Pense Shun, nunca tínhamos experimentado uma vida normal, quando vi as inúmeras oportunidades que se abriam, eu comecei a duvidar do que eu sentia por você...
Pense bem como podíamos ter certeza se devíamos ficar juntos, éramos mesmo a escolha um do outro? Ou a única opção...
Como eu poderia amar alguém se mal sabia quem eu era, estava descobrindo novos gostos e novas experiências... e então eu quis ficar com outra pessoa e fiz pior, eu fiquei mesmo estando comprometida com você na época...
Eu não agi corretamente com você eu sei, devia ter tido essa conversa frente a frente naquela época assumido meus erros...eu não consegui, sabia se olhasse para você ia me ver pedindo seu perdão e falando para continuarmos juntos sendo que eu não merecia isso, então terminei daquela maneira e fiz de tudo para você não me encontrar facilmente...
E fiquei muito decepcionada pelo motivo que você nem ao menos tentou ir atrás de mim e então assumi que tinha feito o correto em terminar e que você havia superado...
E pela minha conversa com Mino logo depois do ocorrido ela disse que você estava indo muito bem sem mim, que fazia a mesma faculdade que você e inclusive sabia que você tinha alguma nova namorada da sua classe...
Ouvi o relato calado e fiquei absolutamente perplexo, então era isso June havia me traído e tinha sido covarde em não falar isso na minha cara na época, o pior que pensando na minha vida até aquele momento eu compreendi seus sentimentos e a nossa imaturidade, ela tinha razão será que escolhemos um ao outro ou foi porque não tínhamos opção.
Confesso que a pior parte era descobrir que Mino era uma mentirosa que havia dito para June que eu estava maravilhosamente bem sem ela e que na época era a maior incentivadora de eu também não ir atrás de June, minha atual namorada mentira e qual teria sido sua motivação...
– Obrigada, June! Foi bastante esclarecedor- eu ia me levantando quando ela segurou minha mão fazendo sinal para continuar sentado.
– Ainda não acabei! Eu voltei pelo simples motivo de que apesar de todos esses anos que se passaram tive alguns relacionamentos e inclusive fui casada por dois anos, contudo ainda me pegava pensando em você, precisava revê-lo e explicar e quem sabe tentar outra vez...- ela completou apertando firme a minha mão.
Continua...
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