Reconstrução
3 O Pedido
Notas iniciais
— Ora querido, acho que você pode oficializar agora então! – minha tia sorriu!
— Então Renan, Luana, eu gostaria de saber se vocês dariam sua benção para nosso casamento, e é claro Abby, sua opinião também conta!
— A minha não conta? – Cas resmungou.
— Claro meu filho, você se opõe?
— Não! – Ele sorriu.
— Então é com vocês três agora!
— Eu... acho que se faz minha tia feliz... quer dizer, eu acabei de chegar, por qual motivo deveria opinar? – Eu disse.
— Por mim tudo bem mãe! – Minha prima sorriu.
— Eu vou ter que morar na mesma casa que o Cas?
— Claro, Renan! – Minha tia respondeu rapidamente.
— Tudo bem, eu vou tentar não matar ele! – Meu primo riu.
Minha tia deu um sorriso satisfeita, eu pedi licença pois precisava buscar uma coisa para a ocasião.
Voltei com o vinho português e coloquei na mesa, Castiel o pegou na mão, e sorriu.
— Português?
— Oui! É uma ótima ocasião!
— Mas eu pensei...
Eu só sorri.
Castiel nos serviu o vinho, e logo começamos almoçar, quando terminamos, eu fui para o meu quarto, liguei o computador, coloquei “The Arena” de Lindsey Stirling, comecei da dançar, essa musica me trouxe o primeiro sabor de liberdade.
Quando rodopiei mais um vez, vi Cas encostado na soleira da porta, eu sorri sem jeito, e tentei não perder a compostura, caminhei até ele e entendi minha mão.
— Agora você dança comigo?
— Agora que você está sóbrio, sim!
Eu o puxei pela mão, e ele me seguiu fechando a porta, nós dançamos por tanto tempo que eu até perdi quantas musicas se passaram, eu acabei parando, abrindo o frigobar e pegando um pouco de agua.
Me joguei em minha cama e fechei os olhos, a musica mudou pra uma brasileira, eu abri os olhos e vi Cas no computador escolhendo musicas pelo YouTube.
— Que musica é essa?
— MPB!
— E ai? Gostou?
— Gostei, tem mais?
Ele colocou outra musica, sorriu e entendeu a mão pra mim.
— Que musica é essa?
— É Raul!
— Raul?
— Maluco Beleza!
— Mas serio que você ta dançando essa musica?
— Ué? Qual o problema?
— Sei lá né?
Ele dançou comigo, e cantarolava o refrão o tempo todo “controlando a minha maluques, misturada com minha lucides, vou ficar com certeza maluco beleza...”.
Eu só ria, achei muito engraçado principalmente quando ele fazia das minhas costas parte de uma guitarra imaginaria.
— Gostou?
— Gostei! Eu não conhecia Raul, só conhecia Cazuza!
— Ah é? Me diz uma musica do Cazuza...
— O mundo é um moinho!
— Ah! Serio? Essa musica é um pouco triste!
— Gosto dela por causa da historia por trás dela.
— E qual a historia?
— É a carta de um pai pra uma filha, são como concelhos... Não foi o Cazuza que escreveu, ele cantou, mas quem escreveu foi o Cartola.
— Legal! Achei que você não conhecia nada de musica brasileira
Ele procurou por ela, e logo a colocou pra tocar.
— Eu até conheço algumas, mas coisa pouca.
Nós ouvimos a musica em silencio, eu sabia da historia da musica, a historia não tinha nada a ver comigo, mas eu mesmo assim achava bonita e interessante, a musica acabou e na reprodução automática estava “Exagerado”, que também é uma composição dele, se não estava enganada, ele tinha composto junto com outra pessoa.
Com o pensamento nas historias que havia atrás de cada musica que tocava, eu acabei entrando em um tipo de transi, acho que Cas me chamou umas três ou quatro vezes.
— Oi – Eu respondi com um sorriso.
— Você tava longe hein!
— Ah sim, desculpa.
Uma musica um pouco mais barulhenta começou a tocar, ele sorriu e começou a bater os pés.
— Você não vai ser assim né?
— Assim como?
— Mulher de fases!
Ele riu, e eu olhei pra ele não entendendo, depois eu compreendi, o refrão da musica fala isso, eu estava até gostando de conhecer essas musicas, a ultima musica que tocou Cas disse que era de uma banda chamada “Skank” era boa, ele cantou ela olhando pra mim, o que me fez querer rir. Cas desviou o olhar na parte da musica que diz “onde haja só meu corpo nu, junto ao seu corpo nu”.
Passamos horas ouvindo musicas, diversas musicas, Lulu Santos, Nando Reis, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Zé Ramalho, Capital Inicial, entre outras musicas.
— Ok, vamos dar uma volta!
— Aonde vamos?
— Vou te levar pra conhecer um lugar, é lindo ver o por do sol lá!
— Ok! Eu vou por outra roupa!
— Pra que? O vestido tá lindo!
— Eu já aprendi ok? Não vou sair de novo de vestido, pelo menos não quando você esta de moto.
Ele deu risada, e eu entre no meu closet e peguei um short e uma blusa larguinha.
— Pronto!
— Ah sim, agora sim!
— Então, como chama o lugar pra onde vamos?
— Pedreira!
— Ok!
Coloquei meu all star preto, pelo nome do lugar, acho que um all star branco não ficaria branco por muito tempo.
Descemos as escadas, e quando estávamos saindo pela porta, meu primo estava entrando, ele olhou para mim e depois para Cas.
— Estão saindo?
— Yeah! – Nós dois respondemos rápido.
— Os dois estão bem amigos já né? – Meu primo levantou uma sobrancelha.
— Hey, Nan! Você continua sendo meu melhor amigo, mas sua prima é legal também!
— Você quer vir junto? – Perguntei para ele, com um sorriso simpático!
— Não! – Renan respondeu calmamente, se aproximou de mim e beijou minha testa – Se divirta!
— Vou tentar! – Sorri pra ele como uma criança.
— Vamos? – Cas sorriu, mas acho que notei certo tom de impaciência na voz.
Nós saímos, e fomos até a moto, andamos uns 5 minutos, e chegamos em uma rua sem saída, onde o asfalto acabava, ele entrou em uma parte de terra, e desceu, com cuidado e parou a moto perto de uma arvore, descemos, e eu pude começar a ver uma parte da cidade, na verdade, acho que estávamos bem no centro da cidade, eu podia ver tudo, até a placa do Mc Donald’s que ficava na saída da cidade.
— Vamos, tem uma pequena parte para andar, venha! – Ele sorriu, ofereceu sua mão para me guiar, e eu aceitei – Tome cuidado, ok?
— Ok!
Paramos até a ponta de um mini “penhasco”, não era nenhum “grand canyon”, mas a queda provocaria uma morte feia.
Ele ficou ali atrás de mim, senti sua mão passar pela minha cintura, e sua respiração no meu ouvido.
O sol começou a se pôr, e a cidade começou a ganhar um tom laranjado.
— É lindo! – eu murmurei.
— Realça sua beleza! – Ele sussurrou no meu ouvido.
— Obrigada! – Sorri, sentindo minha pele queimar.
— Olha, eu tava pensando em ir pra praia, na verdade eu e o Renan estávamos pensando nisso antes de você vir, e eu não sei se ele já comentou com você, mas...
— Eu quero! – o interrompi, e sorri o que fez sorrir também!
— Legal!
Ficamos ali olhando para o pôr do sol, até que a noite tomou conta de tudo.
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