Reconstituídos - Interativa

2 Os Escolhidos: Atina e o Arco Elétrico


Notas iniciais
Oi Pessoal. Estou postando este capítulo com esperança de que cheguem mais fichas, estou torcendo para mais pessoas conhecerem a fic. Para deixar explicado: Vou dividir a história em algumas partes, mas todas elas vão ficar dentro de uma mesma fanfic - nada de fazer vários volumes separados -, a primeira parte é esta "Os Escolhidos", que vai mostrar os personagens principais surgindo, o encontro deles e eles partindo. A segunda parte vai mostrar eles já na missão e por ai vai... Não sei quantas partes exatamente vão ter, provavelmente umas quatro. A Artista que vai interpretar Atina é a Saoirse Ronan. Desejo a vocês uma boa leitura.

Os Escolhidos

1. Atina e o Arco Elétrico

Se tinha uma coisa que Atina amava nesta vida, essa coisa era a floresta.

Estando ali em meio a vegetação alta com um arco nas mãos e nada para se ouvir além do puramente natural a vida parecia plena. Parecia que nunca haveria um fim e que tudo estava bem, o chiado reconfortante de sua eletricidade vagando pelo arco estendido e o crepitar baixinho da onda ficando pronta que assustaria o cervo daqui a pouco, não rápido o bastante para que ele e sua companheira fugissem, era conhecido e seguro. E segurança, no mundo que vivia, era um luxo que nem todos tinham.

Mas ela entendeu novamente o sentido da expressão "Tudo que é bom dura pouco" quando passos apressados espantaram a presa e sua flecha atingiu, inutilmente, uma arvore, queimando a pobrezinha e levando as duas amigas que estavam ao seu lado junto. O cheiro de queimado subiu enquanto a caçadora praguejava.

— Não sei quem é você, mas espero que o que você para me dizer seja muito bom — sua voz era um rosnado.

A garota atrás dela engoliu a seco.

Ela só esperava que não fosse outra daquelas bobagens de adolescente que sempre lhe importunava. Jovens Caçadoras vinham loucas para conversar com ela, como se a representante fosse uma atração de circo e não aquela que podia lhe dar uma flechada e sair impune.

— Nossa líder quer vê-la com urgencia.

Atina praguejou ainda mais alto.

Se queriam vê-la a ponto de interromperem uma caçada, coisa boa não vinha pela frente.

~

Helen era conhecida por todos — e detestada por seus irmãos — justamente por ser uma mulher absurdamente sensata e elegante, tinha uma resposta na ponta da língua para qualquer pergunta que pudesse ser feita e, é claro, era tão bonita quanto uma vida imortal podia garantir que fosse. Mas naquele derradeiro momento, algo estava errado.

A líder se via incapaz de pensar em algo sozinha. Sua mente estava congelada, e apesar de saber o que fazer tampouco queria que fosse feito, precisava ouvir da boca de outra pessoa que aquela era a sua única saída ou acabaria enlouquecendo de uma vez por todas. Na verdade, suspeitava de que já estava a meio passo de estar louca tendo em vista que quase pulou na menina que adentrou no salão do trono tão logo as portas se abriram.

Se recompôs a tempo de não demonstrar o nervosismo as caçadoras guardas, porém é claro que não rápido o bastante para esconder isto de Atina.

A jovem ficou sobre um dos joelhos, como a formalidade exigia que fizesse em frente aos outros.

— Se vocês não se importarem, meninas, tenho um assunto a tratar com ela. Em particular — as caçadoras na porta saíram do aposento num piscar de olhos.

Helen parou de andar de um lado para o outro e encarou a Caçadora aos seus pés: — Já pode levantar.

Um sorriso discreto perpassou o rosto da outra enquanto ela se ajeitava outra vez.

Toda vez que os olhos da superiora pousavam em sua pupila ela se lembrava do porquê de tê-la escolhido para representar todas as caçadoras e possivelmente tomar seu lugar. Se algo lhe acontecesse e tomassem sua imortalidade, era aquela pequena — literalmente — garota com um arco enorme nas costas que lhe substituiria até envelhecer e escolher outra em seu lugar. Assim como sua mãe havia sido escolhida antes dela, e antes, sua vó. Sua bisavó, Karen, havia servido seu pai muito bem, e desde que acordaram ela tem permito que as descendentes da mulher lhe façam o mesmo: Mary, uma ótima curandeira, e depois Élestia, sua filha, também Curandeira. E de todas elas, a favorita de Helen, a Caçadora Atina. Quase desejava que algo lhe acontecesse para não correr o risco de ter que eleger outra substituta.

A habilidade de Atina era a eletricidade, o que quase fez dela uma Construtora. Era impressionante ver os cabelos loiros ganharem vida até parecerem eletricidade pura, e ainda mais magnifico observar o tom de azul dos olhos mudando de tom até confundir você a ponto de se perguntar se ela não é um raio. E quando ela usava o arco enorme que carregava nas costas e passava a eletricidade para a flecha, se tornando capaz de matar muitas vítimas de uma vez, ninguém havia duvida de que ela tinha que ser uma caçadora. Mesmo de baixa estatura era uma jovem letal como um leão, as pontas do arco afiadas para o caso de não ter mais flechas e precisar usa-lo para outro meio. Esplêndida, simplesmente. A autoridade saía dela como devia sair de uma líder.

— Vejo que está tensa hoje, minha líder, há algo que eu possa fazer?

Helen coçou as têmporas, cada segundo mais nervosa que no anterior.

— Uma questão de maior urgência surgiu... — um vinco surgiu entre as sobrancelhas da Caçadora — Holden fez besteira.

Um rosnado raivoso escapou dos lábios de Atina. Ela odiava Sparrows mais do que qualquer um julgaria ser possível. Leviatãs podia suportar, eles apenas faziam o dever, eram fáceis de ser interpretados e leais como um cachorro. Mas Sparrows? Apenas criaturas inúteis, traiçoeiras e preguiçosas.

— E quem precisaremos matar desta vez? — era o que normalmente tinha de fazer depois de uma frase como aquela.

— Ninguém, felizmente.

Atina pulou para a segunda opção.

— Neste caso convocarei as Construtoras, tenho certeza de que elas vão conseguir arrumar qualquer área verde que esses tolos possam ter destruído. Faço a guarda pessoalmente...

— Não é necessário.

O vinco se tornou ainda maior. Não havia mais opções.

— Senhora?

Helen caiu em seu trono, exausta demais para ficar em pé.

— De todas as bobagens que Holden já fez, esta foi a pior.

Atina fechou os punhos.

— Do que a Senhora precisa, minha líder?

A Shepperd conseguiu rir, afinal.

— De paz. E é isso que eu quero que garanta, minha caçadora.

— Eu garantirei.

— Sim, mas deixe-me explicar antes. Talvez você não goste no final das contas.

Atina se aproximou dois passos e assentiu, ansiosa e preocupada.

— Você sabe que os Renegados estão cada vez mais... agressivos, ultimamente. Estão atacando as muralhas de Leviatã com mais frequência, bombardeando navios de Sparrow e interceptando nossas Curandeiras. Todos temos que tomar decisões difíceis, e tenho estado contente com as minhas e com as de Hunter. Holden, porém, sempre foi mais inconsequente — um riso seco e sem humor escapou-lhe os lábios — Aquele degenerado acredita que qualquer miserável deve ser protegido, se identifica com eles e, veja bem, sei que de todos nós ele é o mais bondoso em situações delicadas, porém este é o seu maior defeito. Em um ataque uma Renegada pulou em seu barco pedindo proteção, contou histórias terríveis sobre como era tratada e por quê. Meu irmão se recusa a recontar estas histórias, e nos escondeu sua existência até...

A impaciência tomou Atina mais rapidamente do que a líder gostaria, mas esta deixou passar. Neste caso ela também estaria.

— Até?

— Até um de seus vilarejos ser cruelmente atacado e ele não ter mais escolha. Não pode mais perder navios e aceitou entregar a protegida em troca de clemencia. É ai que eu preciso de sua ajuda.

A Caçadora tinha entendido, o que não era uma surpresa.

— Quer que eu ajude a entrega-la para eles e escute o acordo pessoalmente, certo?

— Bem, sim. Eu pensei em me manter neutra, mas eles não conseguiriam sem a nossa ajuda, nem chegariam até o acampamento deles...

Um tremor atravessou o espaço que as separava e atingiu o corpo de Atina, que teve de resistir o impulso de abraçar a si mesma.

— Acampamento?

— Parte do acordo é este. Temos de leva-la até aquela terra imunda e falar com o governante deles... Se nós formos, podemos exigir uma coisa, assim como Hunter e Holden. Uma mulher em troca de três pedidos.

— Ela deve ser importante... Você imagina por quê?

A líder negou com um aceno.

— Mas ajuda-los daria a nós o resto das terras que seriam nossas se eles não a tivessem roubado. Poderíamos aumentar a floresta e a cidade consideravelmente, e ainda salvaríamos nossas Curandeiras de passagem. Leviatãs não conhecem as matas como nossas Construtoras, precisam das Curandeiras e ao menos uma Caçadora seria útil para obter alimento com descrição. Não garantiria a mais ninguém a tarefa de escoltar minha prole...

— Eu irei, minha líder. Você está tomando a decisão correta, como sempre — um caminhão foi tirado do coração de Helen. Ela poderia flutuar por finalmente alguém garantir que não era uma tola — Quantas mulheres irão?

— Acompanharei cinco de vocês até Sparrow, de onde partirão junto com os outros dez...

De repente a determinação de Atina deu lugar a aversão.

— Dez? E você, deixando a proteção do castelo?

— Cinco de cada cidade. E eu terei, nós três precisamos nos reunir e formar o acordo inicial entre nós juntos.

— Para que precisamos de Sparrows? Eles quem causaram isso, para começar. E, apesar de não achar prudente, respeitarei a sua decisão de ir.

A líder sorriu. Sinceramente, desta vez.

— Não podemos atravessar o mar sem navegadores bons, e Piratas precisam de Organizadores, que sempre levam um Poeta consigo. Eles são necessários.

A Caçadora bateu o pé no chão.

— Vou mata-los se fizerem uma fogueira para contar histórias estúpidas.

Helen não conseguiu evitar o riso.

— Tenha calma, minha jovem. A tolerância é sempre requerida para situações assim.

As duas tinham muito em comum, mas esta era uma das duas coisas que mais pesavam quando se comparava as duas. Odiavam a alegra dos Sparrow, e ainda mais as tolices que diziam. E, como a líder, Atina tinha um irmão gêmeo. Alguém tirado dela a muito tempo atrás por não possuir o gênero ideal para Pientia.

E, por incrível que pareça, de alguma forma Atina não culpava a líder por não viver com Atticus, e tão pouco quis ir para Leviatã com ele. Havia muito mais naquela história, mas Helen não precisava saber por enquanto.

— Eu já escolhi quem irá com você, deve reuni-las amanhã, partiremos daqui três dias.

Pegando as anotações que a líder lhe estendia, a Caçadora ficou sobre um dos joelhos outra vez, mesmo que contrariada, e partiu com um aceno, deixando a outra sozinha com as sombras outra vez.

Helen não tinha um bom pressentimento, e seus pressentimentos normalmente eram muito bons.

Notas finais
Mandem fichas, pessoal. Fichas criativas. E uma coisa que eu esqueci de avisa: Normalmente caçadoras usam arcos, mas se preferir outra arma fique a vontade. Muito obrigada por lerem e até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.