Recomeços

5 Capítulo 5 - Hermione


Notas iniciais
E aí pessoal, como cês tão? mais uma quarta, mais um capítulo procês. Resolvi postar dois capítulos por semana, por enquanto. Espero que estejam aproveitando. Hoje, mais um capítulo da Mione ainda na terapia. Tanto esse quanto o capítulo anterior são de extrema importância pra perceber como e porque ela acabou entrando nesse relacionamento abusivo. Á partir do próximo capítulo da Mi a gente começa com a recuperação dela para chegarmos a próxima etapa da fic: o encontro romione. E ai migos... a partir daí podem esperar muitos momentinhos entre esse casal que gosto tanto ♥ A galera nova que to vendo passando a acompanhar a fic: olá o/

6 anos antes

Hermione se sentia pisando nas nuvens. Dois meses haviam se passado desde o início das aulas e agora ela já podia dizer que aquela universidade era parte dela, como uma segunda casa. Já tinha suas aulas favoritas, a melhor coxinha do campus, caminhos por entre os bosques, que a levavam mais rápido até a próxima aula, já tinha sua coleção de grafites favoritos nos muros escondidos, lugares seguros e confortáveis para ler e cantinhos pra se tomar sol enquanto conversava com suas colegas, em seus horários livres.

Claro que, por mais incrível que parecesse, tinha dificuldades quanto as questões acadêmicas, como ler e estudar tudo aquilo que era pedido e, também, dificuldades naquilo que lhe era mais difícil: a de conhecer novas pessoas. Desde muito nova tinha essa questão, não sabia muito bem como fazer as pessoas gostarem dela ou como fazer pra conseguir ter algum tipo de vinculação com quem quer que fosse.

As duas exceções eram a sua melhor amiga, Tory, que conhecera anos antes, ainda na escola primária e que permanecia ao lado dela em todos os momentos de sua vida e seu ex-namorado, Rafael, com quem ficou durante um ano. O que os dois tinham em comum? Muito simples, eram super extrovertidos e adoravam fazer amizades o que os fez insistir no relacionamento com ela, até que ela cedesse.

A morena sabia que isso com certeza era um problema. Afinal, qual o tipo de pessoa que precisa que o outro insista para que ela faça amizades? Mas, não conseguia se desvincular dessa posição e, como naquela série que ela tanto amava, ela resolvera aceitar a solidão e o silêncio, como uma velhos amigos.

Nesse contexto, não podia dizer que não tinha conseguido conversar com algumas jovens que também faziam parte de sua sala, como era o caso de Ninfadora, ou Tonks, se você não quisesse morrer. A jovem, três anos mais velha do que ela, era do tipo que provavelmente Tory amaria. As duas eram iguais em quase tudo e a mulher era tão leve e engraçada que fazia Hermione querer ser sua amiga e ignorar todas as questões. Para a mulher, sua sorte era que Tonks parecia gostar dela de graça.

Diante de todas essas mudanças, positivas e negativas, entretanto, havia uma que, por mais que ela já esperasse, lhe doía demais: o fato de não estar compartilhando de todas as descobertas com sua melhor amiga. Ter saído do ensino médio, em que convivia com a morena por, pelo menos 6 horas por dia, e entrar em uma faculdade que ficava do outro lado da cidade da faculdade de sua amiga não era fácil. Claro que a cidade ajudava, e muito, com relação a transportes e agilidade. Mas, se encontrar no meio de aulas integrais, trabalhos, leituras etc, se tornava cada vez mais difícil. Por isso, uma atividade passara a ser incluída na rotina das duas: a chamada de vídeo.

— Não acredito nisso!!! – Exclamou Hermione, fazendo a amiga rir do outro lado da tela.

— Hermione, pelo amor de Deus, pare de ser tão santinha. – Disse em meio a mais risos.

— Astória Greengrass, eu não sou santinha, já falei pra parar de me zombar por isso.

— Me desculpe, Mi, mas não dá pra não te zoar quando eu te conto que transei com um cara aleatório no trote e você fica ai toda espantada.

— Tudo bem… Aceito isso. Mas, pra mim jamais deixará de ser esquisito, você sabe.

— Sim, sei. Precisou sair centenas de vezes com o Rafa até darem o primeiro beijo de vocês. Coitado do garoto.

— Eu precisava conhecê-lo, ué… – Respondeu ficando levemente corada e desconversando logo em seguida. – Mas e aí, como era o tal cara?

— Quentíssimo! tinha um corpo e tanto, me senti nas nuvens e até esqueci de ir a primeira aula do dia seguinte. – Contou e, como se a lembrança lhe viesse a mente, passou a olhar pra cima e se abanar.

— E vão sair de novo? – Perguntou rindo levemente com o comportamento da amiga.

— Não… acho que ele nem é daqui da faculdade, sabia? Pra falar a verdade, eu só sei que ele é um gato.

— Você não sabe nem o nome dele?

— Não… e é melhor não saber. Não estraga o meu excelente desempenho acadêmico. Tenho muitas coisas a fazer.

— Desempenho acadêmico faltando a aula?

— Olha aqui, mocinha… – Começou fazendo cara de brava. – Começarei o meu desempenho acadêmico a partir de agora – Completou, fazendo graça.

— Sei… – Duvidou a morena.

— Quem eu quero enganar? Mione, o que farei sem você? Vou precisar achar outro gênio pra me ajudar. Será que seria interessante fazer uma entrevista para esse cargo tão importante?

— Largue de ser dramática. Aposto que você vai se dar bem, nem tem nada de química ou física, veja bem.

Por mais que soubesse que a amiga era uma grande palhaça e fazia graça com tudo, sabia que aquela preocupação dela era real. Na escola, era Hermione quem a ajudava em provas, trabalhos e afins e, por mais que fosse uma área que a amiga tinha escolhido por amá-la, sabia que ela tinha medo de não conseguir dar conta.

— Eu to tão animada!!! Vamos nos formar no mesmo ano. Tem noção? Claro que não na mesma cerimônia ou na mesma faculdade, mas podemos roubar as becas e nos encontrar para fazer uma sessão de fotos. O que acha? Podemos, inclusive, nos mudar juntas logo depois de concluirmos a faculdade. Imagina que maravilhoso me ter todos os dias do seu lado? acho que você será uma garota de sorte. – concluiu o pensamento, bebendo um gole de seu suco enquanto olhava para a câmera, sabendo que Hermione a retrucaria com o último comentário.

— Aham, ta bom. Me ame menos, por favor. – Pediu, para contrariar a amiga. – Você sabe que vou ter que te impedir de roubar a beca, não sabe?

— Não estrague os meus sonhos, anjo. Eu jamais estragaria os seus.

— Esse, minha cara, eu terei que estragar – Respondeu entre risos.

— Falando em sonhos, já conheceu alguém na faculdade? – Perguntou, o mais seriamente que conseguia.

— Bem, não posso dizer que não… – Começou, a garota.

— Ah não… Conheceu alguém na faculdade e estamos há mais de 1 hora aqui e você nem pra me falar nada? – Perguntou se fingindo de ofendida.

— Desculpe…

— Está perdoada. Pode me contar mais.

— Bem, o conheci naquela festa que te contei, lembra? O trote de direito.

— Sim, lembro sim. O que você ficou reclamando por horas a fio, enquanto ainda estava lá. Sei.

— Sim, então… Pouco antes de ir embora, conheci um cara de educação física.

— Se é educação física, é gostoso.

— Astória!!! – Exclamou, encabulada, quase deixou o computador que estava em seu colo cair.

— O que foi? vai me dizer que não era?

— Ele era bonito, sim.. Mas isso não te dá direitos.

— Tá com ciuminho? – Perguntou rindo. – Ta bem, parei. – Disse, quando percebeu a cara emburrada da amiga do outro lado da tela. – Mas e ai? que aconteceu?

— Nada demais… Apenas conversamos um pouco. Logo depois fui embora.

— Ah não, Hermione… não pegou nem o contato dele?

— Calma, sua apressada. Não terminei de contar as coisas.

— Ok, vou me acalmar – Disse respirando e olhando de volta pra tela como se lhe pedisse pra continuar.

— Depois desse dia, nos encontramos mais algumas vezes no prédio de direito. Fiquei sentindo como se ele tivesse me seguindo, mas acho que é besteira minha.

— Hm… Acho que sim, mi. Ele pode ter amigos no direito.

— É… Foi o que ele me disse.

— Viu? Tudo perfeito. Pegou o número dele?

— Sim… vamos sair amanhã.

— E SÓ AGORA ME DIZ ISSO? – Gritou Astória, fazendo com que sua voz metalizada doesse os ouvidos de Hermione.

— Era uma narrativa, não dava pra te contar primeiro o final.

— Claro que dava. Se você vai sair com um gostoso de educação física você tem que dizer “Amiga, vou sair com um gostoso de educação física” e só ai você me conta os detalhes. Será que tenho que te explicar tudo? – Perguntou indignada enquanto a amiga ria.

— Bem, estou te contando de toda forma. O clímax ficou para o final. – concluiu, mione.

— Aham, aham…. E o que vai vestir? – Começou o que deveria levar horas a fio de uma conversa onde Hermione vestiria mil roupas em frente a câmera do computador, enquanto a amiga fingia ser jurada do esquadrão da moda.

(...)

O sábado amanhecera de um jeito que convidava quem quer que fosse para um passeio ao ar livre. Hermione achava que talvez aquele fosse um sinal divino, dos astros, ou coisa parecida, de que aquele encontro seria mais que perfeito.

Se levantou de sua cama cantarolando baixinho, tomou seu café da manhã como a branca de neve tomaria com seus passarinhos e se arrumou da forma mais caprichosa para o dia, colocando o vestido azul florido que ela e a amiga haviam escolhido no dia anterior, uma maquiagem amena e o seu perfume favorito. Faltando 30 minutos para o encontro com Viktor, tempo que levaria de trajeto até o local, ela saiu de casa, esperando que tudo corresse como o planejado.

Não demorou muito para que ela encontrasse o rapaz e ele estava muito mais bonito do que nos encontros pela faculdade. Hermione se sentiu feliz por acreditar que ele havia caprichado um pouco a mais por ela e se perguntou se ela seria boa o suficiente.

— Oi, Viktor… Espero não ter demorado. – Disse, enquanto lhe cumprimentava com um beijo no rosto.

— Oi. Não demorou… Eu que cheguei cedo demais. – Respondeu, educado. – Trouxe isso pra você – Contou, lhe entregando uma rosa vermelha, muito perfumada.

— Oh… Obrigada. – Sentia o seu rosto pegando fogo com o gesto.

— Magina… Aposto que ela não chega nem aos pés do seu perfume. – Comentou com um sorriso de lado, que fez com que a morena tivesse uma sensação esquisita de desconforto misturado com felicidade em perceber que o moreno estava de fato se esforçando por ela. – Bem, vamos? precisamos comprar o ingresso do cinema.

— Claro! – Respondeu, saindo do transe de seus pensamentos e seguindo o moreno em direção ao cinema do shopping.

O jovem estava diferente das outras vezes que eles se encontraram, na opinião da castanha. Estava mais quieto, olhava poucas vezes para ela e andava rapidamente, como se precisasse cumprir com seu objetivo. As vezes, ela precisava até dar uma certa corridinha para acompanhá-lo em meio a multidão do shopping. Entretanto, Hermione resolveu deixar de lado seus pensamentos. Afinal, Viktor poderia estar tão nervoso quanto ela no primeiro encontro.

— Bem, vou comprar nossos ingressos. Você me espera? – Perguntou assim que chegaram a bilheteria.

— Ahm… Sim, mas que filme veremos? – Perguntou.

— Podemos ver o novo filme de terror que estreou na última quinta. Estou muito animado para vê-lo.

A morena, entretanto, estremeceu. Odiava todo e qualquer filme de terror, seja ele sobre zumbis, espíritos, palhaços etc. Entretanto, estava em seu primeiro encontro, com um cara que gostava dela, por algum motivo, que havia sido super educado e atencioso lhe dando a rosa e que era quentíssimo, como diria Tory.

— Não existe um outro filme que consigamos ver? – Perguntou, tentando tirar a ideia do filme de terror da cabeça do jovem.

— Você tem medo? – Perguntou, com uma sobrancelha levantada.

— Sim, um pouco. – Confessou, desviando o olhar.

— Não precisa ter medo, Mi… Eu estarei lá. Fora que, esse é um filme que não dá tanto medo assim, você vai ver.

— Não sei, Viktor. Desculpe te desapontar. Eu só… tenho muito medo mesmo. – Disse, torcendo pra que ele escolhesse qualquer outro filme e pra que aquela sua atitude não estragasse totalmente o seu encontro.

— Mas do que você tem medo?

— Eu não consigo explicar…

— Bem, porque não fazemos assim: tentamos assistir esse filme e, caso você sinta medo, pode fechar os olhos e se agarrar em mim, sem problemas. O que acha?

Hermione continuava muito desconfortável em assistir aquele filme. Por um momento, pensou em desistir de tudo e ir embora, mesmo que parecesse uma criança birrenta. Entretanto, a rosa em sua mão e o jeito suave com que Viktor lhe pedia aquilo fez com que ela se rendesse, mesmo que seu medo tivesse latejando. Engolindo o choro e abrindo um sorriso fraco, a morena concordou em assistir o filme de terror que o jovem queria, o que fez com que o mesmo retornasse aquilo que ele era nos encontros da faculdade.