Recomeços

9 Capítulo 9 - Confusão e Aprendizados


Notas iniciais
Colocando mais um, porque sim! Boa leitura ♥

Dany estava extasiada com a grandeza de tudo o que havia ali, mas não pôde deixar de sentir a tristeza que emanava do local, parecia tudo tão... Vazio! Era lindo, porém melancólico demais. White perdeu-se em pensamentos durante alguns instantes tentando criar a imagem mental de como era aquele lugar em seus tempos de glória, certamente era maravilhoso!

Alguns instantes mais tarde ela ouviu passos pesados vindos de um corredor e logo se deparou com a presença de alguém que só pôde definir como uma versão aumentada de Rúbeo Hagrid. Em momento algum ela sentiu medo, o gigante com certeza não era nada parecido com o que haviam falado. Ela foi envolta por uma sensação grande e mista de curiosidade e medo provinda dele.

— Você é... Uma fada? — questionou ele externando confusão — Como entrou, e por que está aqui?

— Eu voo, então o feitiço que você colocou no pé de feijão não me afetou. Não quero incomodar, nem te fazer mal, vim pedir uma ajuda para você. — disse ela, com certa cautela. Sabia que ele poderia matá-la com facilidade se quisesse. Dany engoliu em seco esperando ele responder, sentia a curiosidade dele, ao mesmo tempo o receio de acreditar nela.

O gigante parecia estar avaliando-a com os olhos amedrontados, o que a fez questionar-se sobre o quanto o mesmo havia sofrido na vida.

— Ajuda? — a desconfiança na voz dele era tão palpável que parecia ser possível tocar com a mão.

— Sim. Quero voltar para meu reino e para minha família. — ela começou a falar. Percebendo que o gigante estava escutando, ela continuou. — Acabei parando na no reino encantado por acidente. E sei que você poderia me ajudar, você me ajudaria? Por favor?

Ele ficou calado durante um tempo, parecendo decidir se acreditava nela ou não. A desconfiança deu lugar à tristeza extrema e Dany podia notar que os olhos do homenzarrão marejaram.

— Se você veio aqui atrás de feijões mágicos, me desculpe, mas não sobrou nenhum; se foram com minha família. — seu tom de voz era repleto de amargura.

A fada se aproximou dele, e apoiou sua pequena mão no ombro do gigante.

— Eu lamento sua perda, e eu compreendo também. — disse ela com simpatia. Ambos ficaram em silêncio alguns segundos em luto, em memória aos seus parentes amados perdidos. — Sei que os feijões não existem mais, mas o que estou procurando na verdade é uma bússola de ouro.

Novamente o sentimento de confusão tomou conta do gigante, porém o sentimento de desconfiança não aparentava ter voltado, apenas a curiosidade.

— Como você sabe que está comigo? — indagou ele. Um ponto positivo era que naquele momento a jovem White teve plena certeza de que a informação do pirata irritante estava correta.

— Um pirata, arrogante e convencido me passou essa informação. — disse a jovem revirando os olhos ao lembrar do rosto do capitão e então ela voltou a olhar para o gigante, pois sentia sua surpresa. — É estranho confiar num pirata, eu sei, mas acreditei nele.

Ele piscou e novamente Dany pôde sentir um traço de medo nas emoções dele, o que fez com que ela se sentisse mal pelo que o fizeram passar.

— Ele a mandou aqui para roubar a bússola? — perguntou ele levando uma das mãos ao pescoço de maneira protetora, mostrando inconscientemente que o objeto que ela procurava estava ali.

— Ele não manda em mim! — respondeu ela cruzando os braços, arrancando uma leve risada de seu novo "amigo" — O dia que um homem mandar em mim é porque eu perdi a cabeça. Não, não vim roubar sua bússola, vim pedir que você me empreste ela para achar minha irmã e minha casa.

O gigante pareceu ponderar o que ela dissera e, após alguns segundos de hesitação, retirou uma corrente do pescoço. A mesma possuía um pingente: a bússola que ela viera buscar. Com toda a gentileza possível para um gigante, ele a entregou na mão dela.

— Espero que encontre sua irmã perdida. — seu tom parecia saudoso.

A jovem sorriu agradecida e seus olhos marejaram, tamanha era sua felicidade. Ela pegou a bússola com cuidado e uma reverência.

— Muito, muito mas muito obrigada! — disse a loira, que se aproximou e deu um beijo no rosto do gigante.

Ela notou que o rosto dele tomou um tom avermelhado e um sorriso largo apareceu por trás da barba. Ele tocou a mão da garota com o dedo indicador em um carinho um tanto desajeitado devido a seu tamanho.

— Tem muito tempo que não recebo visitas, principalmente amigáveis. — ele admitiu — Se passar novamente por aqui, será bem-vinda. — falou e levou a grande mão ao peito, fechando-a em cumprimento.

A garota assentiu sorrindo, agradeceu o gigante novamente pela bondade, pela ajuda e por fim se despediu dele. Passou a bússola pelo pescoço pois achou mais seguro deixá-la protegida. Com isso fez o caminho para fora do castelo, para se encontrar com Emma e Hook, que com certeza deveriam estar ansiosos por seu retorno. Bom, pelo menos a Salvadora estaria.

Assim que alcançou a porta dupla não demorou para que ouvisse Killian reclamando alto de algo que ela não entendeu até chegar ao local em que o mesmo estava. Quando o fez, franziu a testa em confusão ao vê-lo preso ao castelo por uma algema e falando sem parar enquanto Emma olhava para o outro lado, ignorando-o. Quando a loira mais velha notou a presença de Dany por ali, uma onda de alívio pairou pela fada.

— Dany, tudo correu bem, eu espero. — falou ela, caminhando de encontro à garota em questão.

— Sim, consegui a bússola. — disse a jovem claramente confusa com a situação, mas ainda assim mostrou a bússola para eles. Swan assentiu aliviada e ainda não olhava para o pirata. A fada franziu a testa. — O que aconteceu aqui?

A filha de Snow segurou o braço da jovem e a afastou um pouco para que estivessem fora do alcance dos ouvidos de Jones.

— Tenho um pressentimento bastante ruim e não acho que seja seguro levá-lo para Storybrooke, ainda mais depois do show que ele deu antes de você passar pela porta. — Swan falou em tom bastante sério e preocupado.

— Sei que ele está escondendo algo. — respondeu a garota pensativa, sentia isso mais forte agora. Parecendo que com sua forma de fada, ficava mais fácil de ler as expressões e sentimentos. Ela tinha sentido antes, mas agora era 10 vezes mais fácil de compreender as nuances dos sentimentos, e percebeu algo que anteriormente não tinha. — Ele está procurando alguém, acho... que quer vingança.

Emma assentiu, parecia estar pensando em algo, avaliando a situação na qual se encontravam.

— Acho que ficaremos mais seguras sem ele conosco e... — respirou fundo — Não quero colocar o Henry em risco também. — falou por fim, transbordando sinceridade.

A fada franziu a testa, ficando com sua mente e coração divididos. Afinal, Emma tinha motivos para deixar Hook para trás, e motivos válidos, mas também não era justo mantê-lo preso por tempo indeterminado pois ele falou a verdade sobre a bússola e havia ajudado elas a chegar até ali.

— Eu não sei... — ela disse demonstrando em sua face a confusão que sentia.

Aparentemente notando a hesitação de Dany, Swan olhou na direção do pirata e depois voltou a olhar para a jovem.

— E se, nesse plano de vingança que ele está tramando, alguém com quem você se importa sair machucado? — Emma questionou e a jovem White tinha certeza de que a filha de Snow estava se referindo a Alex.

Com isso Dany soltou um suspiro, sabendo que Emma tinha razão. Não podia arriscar a segurança de todos, muito menos a de sua irmã.

— Então ta bom. — ela concordou de má vontade e olhou para Killian pedindo desculpas com o olhar. Não sabia se ele iria entender isso, esperava que sim, porém não foi o que aconteceu.

— O quê? Você realmente vai deixar ela fazer isso comigo? — perguntou ele petulante — Logo EU que trouxe vocês aqui?

— Me desculpe, mas Emma tem razão. — disse a garota, desviando o olhar. Ela escutou Hook reclamar e dizer que as duas eram ingratas, mas foi obrigada a ignorar seus protestos e xingamentos pois Emma já estava a chamando para começar a longa descida do pé de feijão

Assim que se aproximou-se da Salvadora a escutou reclamar do tempo que levaria para descer, fazendo com que a um estalo se apresentasse na mente da fada: poderia carregá-la pois certamente suas asas aguentariam. Sorrindo e sem dizer nada a outra, enganchou os braços nos ombros dela e iniciou a descida, arrancando uma exclamação de surpresa de Swan.

— Dany! — ela chamou — E se isso der errado? — perguntou. A fada podia sentir o medo exalando da mulher.

— Não vai! — a outra respondeu com uma risada, o que com certeza não ajudou Emma nenhum pouco. — Fecha os olhos se está com medo, e não olhe para baixo!

Certamente foi isso que a loira mais velha fez, pois de outra maneira ela estaria gritando seus pulmões para fora, pois Dany não fez uma descida lenta, estava com muito mais confiança em suas asas do que na subida e estava querendo testar sua velocidade.

Se ela levou 30 minutos para subir o pé de feijão, a descida fez em rápidos 10 minutos e antes que Emma esperasse, ela estava com os pés firmes no chão e reclamando um pouco, dizendo que um aviso seria ótimo da próxima vez, ao que Dany riu e disse que pensaria no caso da mulher. Snow se aproximou das duas e apertou-as em seus braços, dizendo que sentira medo pelas duas, mas que estava contente com o retorno de ambas, logo questionando sobre o que havia acontecido com o pirata.

Emma respondeu que deixaram ele preso lá em cima com um par de algemas. Mary olhou para Dany que desviou o olhar, encarando qualquer lugar menos as mulheres pois não havia gostado nem um pouco dessa parte, mas não tinha muitas opções. Ela havia pensado em algo e esperava que desse certo. A loira se virou para as outras novamente com uma expressão séria, e falou para elas irem embora, tinham que chegar logo a Storybrooke.

Snow assentiu, dizendo que precisavam ir atrás de Cora para pegar as cinzas do armário. A jovem White engoliu em seco, afinal não estava muito segura de que tinham chance contra a magia da mulher, porém se era a única maneira de rever suas irmãs, então assim seria e ela não desistiria. Com uma nova injeção de determinação ela olhou para a estrada e assentiu para si mesma, prometendo que conseguiriam retornar para Storybrooke o mais rápido possível.

Passada uma hora de caminhada, a fada decidiu que era o momento de colocar sua ideia em prática. Deixando suas companheiras se afastarem um pouco mais a frente, Dany começou a se lembrar dos feitiços do livro, tinha um que poderia funcionar.

Ela começou a fazer o encantamento exatamente como dizia no livro, mas decidiu adicionar um toque de fada nele, na esperança que Hook entendesse o que ela havia feito e escutasse seu pedido de desculpas. Com a magia em sua mão, a jovem parou e se virou para a direção do pé de feijão, soprando a magia na direção do pirata irritante. A loira ficou olhando sua magia voar até desaparecer.

Com um suspiro mais aliviado, por sentir que fez o que era certo, ela continuou a andar até alcançar as outras que haviam aberto uma boa distância dela.

Quando o fez, notou que Emma a estava encarando de maneira questionadora com uma das sobrancelhas erguidas.

— Algo com que eu deva me preocupar? — perguntou ela.

Dany franziu os lábios, sua expressão lembrava a da professora Minerva.

— Fiz o que achei certo. — disse ela com convicção e cruzando os braços, se preparando para uma provável discussão.

Swan crispou os lábios também da mesma forma que White, certamente entendendo perfeitamente o que a mesma quis dizer e uma onda de frustração mista à preocupação pairou no ar, era quase palpável de tão densa. Emma não disse nada durante alguns instantes, mas Dany notou que ela estava tentando escolher as palavras pois o sentimento de traição que emanava da filha de Snow também era palpável, porém não durou tempo suficiente para que a fada pudesse se sentir culpada, uma vez que todos os sentimentos se tornaram um só: decepção.

— Eu espero que você saiba o que está fazendo, Dany, e que ninguém pague por isso. — a mulher falou, sustentando o olhar da jovem.

— Fiz o que era certo, ele nos ajudou, e eu ajudei ele, estamos quites. — respondeu a garota ignorando o último comentário dela. Mantendo o olhar firme, afinal tinha suas convicções também, e logo continuou antes que a salvadora respondesse. — Estamos perdendo tempo. Temos uma boa vantagem em cima dele, e se continuarmos assim, voltaremos para Storybrooke antes que nos alcance.

Swan não respondeu, porém Dany sabia que a maior preocupação dela era com a segurança de Henry e não podia culpá-la por isso, afinal não sabia o que aconteceu para que ela o abandonasse quando o mesmo era bebê, mas também não podia permitir que alguma coisa ruim acontecesse ao pirata sem ele merecer. Em silêncio elas seguiram caminhando pela estrada.

Andaram até começar a anoitecer, neste momento elas começaram seu acampamento para a noite. Dany ajudou com a sua magia a facilitar algumas coisas, assim também fazendo um feitiço de proteção ao redor delas. Dessa forma puderam fazer uma fogueira para aquecer a noite, que estava fria. Sabendo que todas estavam descontentes com a loira, montou uma cama improvisada com sua magia e se deitou para dormir. Sua cabeça tava explodindo de tanta dor, estava tão ruim que até parecia estar escutando coisas. Soltando um suspiro ela se virou para ver as estrelas, tentando relaxar a mente.

~~

A jovem acordou sentindo dor no pescoço, ela levantou o braço e percebeu que ele também estava doendo. Com um gemido ela se endireitou na cadeira. Ah sim, por isso que estava sentindo dor no corpo, havia dormido em cima dos seus livros, na escrivaninha.

— Droga. — ela resmungou. E se espreguiçou, tentando fazer com que as cãibras parassem, decidindo por fim tomar um banho rápido. Enquanto no mesmo se lembrou do feitiço que tinha achado no seu livro de magia. Teria que falar com o Dark One. Se arrumou e tomou uma caneca de chocolate ao mesmo tempo para ir mais rápido, em poucos minutos ela trancou a porta do apartamento, indo em direção à loja de antiguidades.

Assim que alcançou o local, viu que Gold estava de saída e franziu a testa, questionando-se se estava tão atrasada assim. O homem, assim que a enxergou, deu um meio sorriso e se apoiou na bengala encarando-a profundamente, como se enxergasse sua alma através dos olhos.

— Pensei que não viesse mais, senhorita. — o tom só poderia ser identificado como brincalhão — Recebi um chamado da nossa digníssima prefeita, parece que o jovem Henry está com problemas. Se importa de me acompanhar até lá antes de efetivamente começarmos nossa aula? — ainda que soubesse ser um questionamento retórico, Alex confirmou com a cabeça e Rumple indicou o exato caminho de onde ela viera — Eles estão no apartamento do nosso querido Príncipe Encantado. Um tanto irônico, não? — o deboche elegante do Dark One estava presente e a garota não conseguiu deixar de soltar uma risadinha. White sabia que o homem era um vilão bastante poderoso, porém por alguma razão confiava nele e sua presença a confortava de certa forma.

A dupla caminhou até seu destino e, não batendo na porta do apartamento, Gold adentrou sem cerimônias, sendo seguido de perto por Alex.

— Gold! — a voz grave de Regina Mills foi ouvida no aposento em sincronia com o barulho de seus saltos que se aproximavam de onde os dois estavam — Estava começando a achar que não apareceria e... — ela parou de falar e ergueu as sobrancelhas em surpresa quando seu olhar cruzou com o da garota, que sorriu timidamente à mulher. — Senhorita White, não esperava vê-la. — a prefeita foi firme, porém não desagradável.

— A senhorita White agora é minha aprendiz, então nada mais interessante do que ela me acompanhar em meus serviços, não concorda, Regina? — questionou Rumple com um sorriso enigmático nos lábios e Alex notou que a morena ficou tensa com o comentário, mas nada falou, apenas indicou a cozinha onde Henry estava sentado em uma das banquetas com o olhar um tanto assustado.

Antes que os mais velhos se aproximassem, a jovem se aproximou do garoto e notou sua mão queimada.

— O que aconteceu, Henry? — perguntou ela em tom preocupado.

— Oi Alex! — respondeu o garoto um tanto mais animado, até que começou a explicar o machucado, seu tom voltando ao tristonho. — Ah... eu tenho tido pesadelos, é tipo uma sala cheia de fogo, e ontem... bom aconteceu isso.

A jovem ergueu uma das sobrancelhas um tanto confusa. Como pesadelos poderiam machucar alguém? Não era fisicamente possível, a não ser que magia estivesse envolvida. White tinha plena certeza de que Regina não teria feito isso e encarou seu novo mentor de maneira questionadora. O homem se aproximou e apoiou-se na bengala, prestando atenção no machucado de Henry.

— Ah sim, você fez o certo em me chamar. — falou o Dark One encarando Regina expressivamente.

Alex voltou a estudar o ferimento e tocou delicadamente com o dedo, sentindo logo o calor que emanava do local.

— Você pode ajudar? — ela direcionou a pergunta diretamente a Rumple — Sinto uma leve descarga de magia negra saindo da queimadura. — acrescentou a si mesma, porém todos os presentes ouviram. A prefeita não disse nada, sua expressão era comumente séria, porém não era capaz de esconder a preocupação com o filho.

— Foi só um sonho! — reclamou Henry recolhendo a mão, porém fez uma careta ao tocar no local. Provavelmente deveria estar doendo bastante.

— Obviamente, isso é mais que um sonho. — disse a de cabelos acinzentados com uma careta e olhou para seu o Dark One novamente, com sua preocupação com o menino bem clara, deixando a prefeita um tanto surpresa. — O que está acontecendo com o Henry?

Gold piscou levemente à garota e sua expressão tornou-se séria novamente, um tanto pensativa.

— É um efeito colateral. — respondeu a ela antes de encarar Regina mais uma vez com o deboche elegante que parecia ser sua marca registrada e um sorrisinho zombeteiro — É incrível você lançar uma maldição que conhece tão pouco.

A fala do homem pareceu ter irritado Mills, que retorquiu:

— Minhas vítimas supostamente não deveriam acordar, então nunca me importei com o que ocorre depois. — e desviou o olhar na direção de Alex, que escutava atentamente — Sem ofensas, senhorita White. — a jovem não pôde deixar de sorrir e apenas assentiu, demonstrando sinceramente que não se importava com isso. Os lábios da mulher se mexeram quase imperceptivelmente antes de voltar a atenção a Rumpelstiltskin, que naquele momento havia se aproximado da maleta que trouxera e estava mexendo nela — Porém agora me preocupo. — Mills concluiu olhando discreta e carinhosamente para o filho. Sem razão aparente, White sentiu o coração aquecer com aquilo, porém não deu muita atenção à sensação pois seu mentor voltou a falar, ainda de costas para os outros três. A jovem se aproximou com curiosidade para ver o que ele estava preparando.

— Quando as pessoas adormecem por uma maldição do sono a alma viaja para outro mundo e lá reside até que acordem. Este mundo fica entre o dos vivos e o dos mortos e é muito real. — falou, pegando alguns vidros de poção e misturando seu conteúdo em um colar prateado — Entretanto, mesmo quando a maldição é quebrada, às vezes a vítima adormecida encontra um caminho de volta para esse mundo. — ele se virou para Henry e apontou o dedo indicador na direção dele — Vítimas como você.

Alex piscou um tanto confusa com as informações e levou a mão direita ao queixo, olhando do garoto para o Dark One.

— Então... Deixe-me ver se entendi. — ela disse, o tom um tanto pensativo — Esse outro mundo está atormentando o Henry sempre que ele dorme e isso é um efeito colateral da maldição do sono? — questionou ela e Gold assentiu — Tem algo que possamos fazer para que ele não volte para lá?

Mais uma vez a prefeita não foi capaz de esconder a surpresa no rosto e Rumple sorriu com olhar de aprovação à pupila.

— Receio que isso não seja possível, senhorita White. — ele falou e voltou sua atenção a Henry — Mas eu posso lhe dar algo que permitirá que você controle suas ações enquanto estiver nesse outro mundo. — o homem olhou para Regina — Quando alguém controla algo, não precisa mais temer. — e entregou o colar ao garoto.

— Obrigado. — respondeu Henry, e a prefeita deu um pequeno sorriso provavelmente por saber que seu filho não iria mais sofrer com pesadelos. Alex deu um afago nos cabelos do garoto, afinal ele não precisava de mais um problema.

— Bom, meu trabalho aqui está feito. — disse Gold, e a loira assentiu sabendo que agora era sua hora de aprender algo novo, mas se surpreendeu quando o Dark One voltou a falar. — Poderia ser de grande valia uma ajuda sua, Prefeita.

— Uma ajuda... — ela questionou estreitando os olhos, obviamente não confiava muito em Rumple. Alex sentiu um grande nervosismo tomando conta de si, ela adoraria ter aulas com a Rainha Má. — Exatamente com o quê?

— Bom... Estou ensinando a senhorita White, magia. — disse lentamente, como se analisasse o terreno em que pisava. — Neste caso mais especificamente telepatia.

— Não sei se posso ajudar. — disse ela, claramente vendo onde isso iria chegar. Que era para trazer Emma, Snow e Dany de volta. Seu rancor óbvio pelas duas primeiras citadas era grande demais, para ajudar, o que murchou Alex. — Agora, agradeço por terem ajudado meu filho.

E indicou a porta para ambos, claramente expondo seu pensamento que não havia dito em voz alta. O mentor e a aluna então se despediram e saíram, começando a voltar para a loja de Gold.

A caminhada até lá foi rápida e silenciosa, porém não de uma maneira desconfortável. Por mais "torto" que parecesse, estar na companhia do Dark One trazia uma certa familiaridade para a garota.

Assim que o dono da loja a destrancou, ambos entraram e ele indicou que White colocasse sobre o balcão o livro que carregava.

— Acredito que você já tenha lido a teoria com bastante atenção. Estou certo? — a jovem assentiu e o homem continuou — Excelente. Não é uma espécie de magia muito complicada, porém temos o agravante de sua irmã estar em outro reino, o que pode dificultar bastante o processo e vai exigir mais atenção e comprometimento. — novamente Alexandra assentiu, demonstrando que estava entendendo — Como a senhorita já deve ter entendido, a magia que está prestes a lançar depende muito mais de concentração do que de habilidades mágicas propriamente ditas. De nada valerá saber lançar o feitiço se o objetivo em sua mente não for claro. — ele concluiu, a encarando de maneira penetrante.

— E se der errado, qual o pior que pode acontecer? — White perguntou, afinal era importante saber no que estava se metendo.

— Bom... — Rumple disse com um sorriso levemente sarcástico — No pior dos cenários a senhorita vai ficar escutando na mente o eco de sua própria voz pelo resto da vida.

A resposta de seu mentor fez com que a garota engolisse em seco, pela primeira vez questionando a si mesma se era uma boa ideia, porém logo a dúvida desapareceu; faria o que fosse necessário para se comunicar com Dany.

— A Dany vale o risco. — ela respondeu com determinação, recebendo do homem um aceno positivo.

— Esperava que dissesse isso. — o tom de aprovação na voz do Dark One era bastante notável — Antes de começar a praticar com magia, quero que feche os olhos, respire fundo e limpe a mente de qualquer pensamento. Vamos trabalhar sua concentração primeiro antes de avançar.

Alex então respirou fundo e fechou os olhos. Tinha que ajudar Dany, precisava trazê-la de volta pois sabia o quanto ela odiava o Reino Encantado, era o mesmo tanto que ela mesma odiava.

A de cabelos acinzentados inspirou e expirou várias vezes até esvaziar a mente, não podia pensar em nada, e estava conseguindo. Seu ritmo cardíaco diminuiu e a garota se sentiu relaxando aos poucos.

Ela não tinha certeza de quanto tempo havia se passado com ela nesse estado, mas em algum momento Rumple voltou a falar:

— Muito bem, senhorita White. Agora quero que pense na sua irmã, apenas nela. Coloque o rosto dela em sua mente e aguarde as próximas instruções.

E assim a jovem fez, começou a se lembrar do rosto da sua irmã, seu sorriso travesso de quando aprontava algo e isso desencadeou uma memória do Reino Encantado, era de uma aula de dança de Dany, que ela estava louca para escapar e contou o plano de fuga para Alex, mas seus pais haviam descoberto e conseguiram arrastá-la para a aula. Alex teve a impressão de que a loira iria para a forca tamanho era seu desgosto. Ao se recordar disso a jovem caiu na gargalhada, sua concentração indo para o buraco.

Abrindo os olhos ela notou a sobrancelha erguida de Gold, mas não parou de rir, uma vez que a expressão no rosto da irmã tinha sido engraçada demais.

— Desculpe, senhor, acabei lembrando de uma situação bastante engraçada. — e novamente voltou a tentar se concentrar, fechando os olhos antes que o homem pudesse falar algo. Alex acabou por lembrar-se de outras situações que não foram tão agradáveis assim na trajetória das garotas no outro reino e ficou dispersa, pensando no quanto a maldição da Rainha havia melhorado suas vidas.

Pensar na mulher fez com que sua concentração nem se aproximasse de voltar, afinal decifrá-la era algo bastante difícil; Regina Mills era uma incógnita bastante grande.

— Sinto uma grande agitação em sua magia. Problemas, senhorita White? — indagou uma voz feminina que ela conhecia muito bem.

Notas finais
Até a próxima, pessoal!