Recomeços
5 Capítulo 5 - Entrelaços
Notas iniciais
Daniella e Alexandra encararam-se, ambas com as testas franzidas à energia que haviam acabado de sentir e que fora acompanhada da névoa magenta.
— O que diabos era isso? — perguntou a mais nova, nem de longe abandonando seus trejeitos modernos da fala.
Sua irmã a olhou em dúvida, ainda era capaz de sentir aquela sensação de euforia causada pelo que acabara de acontecer.
— Tenho certeza de que era magia. — respondeu a loira vagarosamente — Mas não sei de onde veio.
A de cabelos acinzentados deu um sorriso brincalhão e retorquiu:
— Ao menos o que queríamos se realizou, a magia realmente existe!
Dany espelhou o sorriso da irmã, para logo sua expressão ter sido substituída por uma bastante pensativa, que aos poucos se suavizou.
— Precisamos ver nossa irmã e nosso sobrinho! Ainda preciso dar uns tapas no Tom por tê-la feito sofrer com essa história do bebê! — falou ela completamente indignada e Alex concordou rapidamente com a cabeça, porém ouviu vozes altas vindas da rua em um tom não muito amigável.
Ela levou o dedo indicador aos lábios, fazendo sinal para que a loira ficasse em silêncio, com o intuito de escutar melhor e, para isso aproximou-se da janela e a abriu, prestando atenção e tentando decifrar o que diziam. Uma sensação gélida e horrível percorreu sua espinha no momento em que ela identificou as palavras "rainha" e "morte".
A jovem virou-se para a irmã completamente pálida pelo que acabara de ouvir.
— Sis... Eles querem matar a Rainha. — falou ela com a voz falha. Dany abriu a boca para responder, porém o pensamento da mais nova foi mais rápido e a mesma seguiu com sua fala — Precisamos fazer alguma coisa para impedir!
A loira encarou-a por dois segundos antes de questionar:
— Nós contra uma cidade inteira raivosa? Isso não vai acabar bem, você sabe, não é?
A mais nova mordeu o lábio, ponderando sobre a questão que a mais velha havia levantado, porém algo em seu interior praticamente suplicava que ela fizesse algo.
— Eu sei, sis... Mas precisamos ao menos tentar! Lembra que nós queríamos ser diferentes? Acho que agora é o momento de mostrarmos isso. Por favor. — falou, transparecendo o tom de súplica que existia dentro de si, encarando a mais velha com um olhar quase de dar inveja ao gato de botas.
Dany parou para pensar por alguns instantes, lembrando-se dos distantes dias em que vivia no castelo, da morte dos seus pais, do quanto eles insistiam em casá-la com um Duque visando apenas a seu título e posses... Concluiu, por fim, que a maldição a ajudara nessa situação, podia finalmente sentir o gosto adocicado de sua liberdade, dali para frente poderia, junto de sua irmãzinha, fazer o que quisesse, viver a vida da forma que quisesse, escrever seu próprio futuro... Uma vida nova as aguardava além dos horizontes de Storybrooke e, não fosse pela maldição da Rainha, nunca teriam essa oportunidade.
Ainda que um pouco relutante pela desvantagem numérica, Dany assentiu, mostrando que concordava.
— Acho que nós devemos isso a ela, sis. — foi o que a loira falou, sabendo que sua irmã mais nova entenderia e a mesma deu-lhe um sorriso grande de agradecimento, puxando-lhe pela mão para fora do apartamento.
As irmãs chegaram à rua e não demorou a enxergarem pessoas correndo, ao que parecia, para a mansão da prefeita. Entreolharam-se e com um aceno de cabeça começaram a correr também.
Ambas ultrapassavam pessoas em sua corrida com o intuito de chegarem primeiro, a falta de fôlego pouco importando. Não tardou a alcançarem a mansão, abrindo espaço pelo aglomero de pessoas que ali se encontrava. A visão que Alex teve ao colocar os pés na escada fez o ácido em seu estômago borbulhar por conta da raiva que sentiu: Dr. Whale apertando a prefeita contra a parede em uma tentativa de enforcá-la. Não pensou nem por uma fração de segundo, jogou-se contra ele, arrancando-o da posição em que se encontrava e derrubando-o no chão.
— Você não vai tocar nela dessa maneira outra vez! — falou ela em um tom sério, nunca antes usado. A garota de cabelos acinzentados postou-se à frente de Regina, impedindo que outras pessoas a alcançassem, e Dany parou ao lado da irmã, tentando pensar em um plano que as tirasse dali rapidamente, porém, logo desistindo da ideia, afinal estavam ali para salvar uma vida e não teriam êxito se o seu primeiro pensamento fosse o de fuga. A jovem tratou de respirar fundo antes de começar a falar em um tom de voz bastante alto:
— Eu sei que todos vocês estão com raiva, mas isso não é razão para tirar a vida de alguém, independente do que ela tenha feito. — ela escutou o povo protestando, porém não deu-lhes atenção e muito menos encarou a prefeita, tinha a certeza absoluta de que a mulher estaria com a expressão mais sarcástica possível — Muitos de nós possuíam vidas quase miseráveis na Floresta Encantada e aqui temos uma chance de melhorar de vida. Pensem que nem para todos a maldição foi ruim, para alguns foi uma bênção.
— Isso é uma maldição! Não uma bênção! Eu acabei com todos os finais felizes, é isso que fiz com essa Maldição!- respondeu Regina indignada, ignorando a concordância do povo em volta.
— Não me interessa o que você pensa, ou eles. — disse Dany se virando para a mulher. — Não me separar da minha irmã é uma benção! Não precisar me casar com um velho babão é uma BÊNÇÃO! — continuou elevando a voz e, quando percebeu o que fazia, respirou fundo para se acalmar. — Como eu disse, não importa o que era, isso foi uma benção para nós duas.
Nesse momento ouviu-se um burburinho alto e Archie, Emma, Snow, Charming, Ruby, Vovó, Henry, Madre Superiora e os anões apareceram ali.
— Deixem Regina em paz! — falou a Xerife, um tanto ofegante, porém bastante séria.
Whale levantou-se do chão com uma expressão de puro desdém.
— E por que nós deveríamos te obedecer? — indagou ele.
— Porque eu ainda sou a xerife. — respondeu a loira, franzindo a testa ao ver que Alex estava à frente de Regina, evitando que os cidadãos se aproximassem da mesma e Dany ao seu lado, porém não comentou nada.
David aproximou-se da loira mais velha e olhou com a mesma expressão para as garotas antes de dirigir-se ao médico:
— Porque ela salvou você, salvou a todos nós.
Logo, Mary Margaret concluiu a fala de seu marido:
— Não importa o que Regina fez, isso não justifica.
As duas irmãs se entreolharam, sorrindo levemente. Ao menos alguém naquele lugar concordava com elas, ainda que por razões diferentes.
Existiu uma pequena briga entre o Charming e Whale, porém Snow logo cortou, postando-se à frente de Alex, que acabou por sair da frente da prefeita para evitar de ser pisoteada pela professora; sabia que a mulher não permitiria que alguém se aproximasse de Regina.
A jovem arriscou um olhar tímido e discreto para a mulher de presença tão imponente, fazendo uma nota mental sobre o quanto a mesma era bela. Perdeu-se em pensamentos durante alguns segundos e apenas retomou a atenção à cena quando Mary anunciou que a ex-Rainha deveria ser presa por sua própria segurança e a de todos.
Dany encarou a irmã, que teve a mesma ideia e, quando os olhares de ambas se encontraram, tiveram uma conversa silenciosa para decidir se aquilo era uma boa ideia e acabaram por decidir que sim; era perigoso para a mulher ficar na mansão com tanta gente querendo sua cabeça.
O povo até tentou protestar, porém começaram a se dispersar e logo não havia sobrado ninguém além das irmãs, da família Charming e Regina. Alex aproximou-se de Emma e a puxou um pouco para longe, com o intuito de conversar com a mesma em particular.
— Emma, acho que seria prudente deixar alguém de olho nela, as pessoas saíram daqui não muito felizes. Podem acabar tentando fazer algo. — falou ela, mordendo o lábio inferior pela preocupação.
Novamente a loira olhou estranhamente confusa para a jovem, porém não fez nenhum comentário quanto a isso, apenas assentiu antes de responder:
— Vou fazer o possível.
Alex também balançou a cabeça afirmativamente, voltando ao seu lugar, próximo de sua irmã. Concordaram silenciosamente em acompanhar o grupo até a delegacia e assim o fizeram.
Mais uma vez a de cabelos acinzentados tomou seu tempo observando Regina, tentando entender o porquê da sensação estranha em seu estômago toda vez que olhava para a ex-Rainha. Certamente era algum efeito colateral da quebra da maldição que lhe deixou com vertigem ou algo do tipo, não havia de ser nada diferente disso.
Dany notou o repentino (nem tanto, se fosse parar para analisar com mais calma) interesse de sua caçula na morena e ergueu uma sobrancelha, afinal achava que seu crush era em Ruby e até torcia para que as duas acabassem juntas em algum ponto da vida. A loira fez uma nota mental de seguir observando e de questioná-la em outro momento sobre isso. Alex não havia contado nada a ela sobre sua orientação sexual, porém estava muito claro que a jovem gostava de mulheres. Ao contrário da grande maioria, Dany não tinha problema nenhum com isso, desejava apenas o melhor para sua pequena irmãzinha.
Chegaram à entrada da delegacia e Emma agradeceu a ajuda das garotas, dizendo que assumiria dali. A mais nova pediu que ela mantivesse sua palavra sobre o que havia dito na Mansão e a loira apenas assentiu, dizendo novamente que faria o possível. A de cabelos acinzentados não notou, porém sua irmã sim, o olhar quase minimamente curioso de Regina sobre si, mas que logo a mulher escondeu atrás de sua máscara de desinteresse.
Dany notou que não era a única pessoa que havia percebido o que se passava: o pequeno Henry também observava as duas com certo interesse e muita curiosidade, porém também se manteve calado.
Mary sorriu às duas irmãs e falou que em outro momento conversariam mais, porém naquele momento precisava acompanhar sua filha. Dany franziu a testa à informação, mas rapidamente assentiu e puxou sua caçula para longe da delegacia. As jovens iniciaram seu caminho na direção da praia, um de seus lugares favoritos na cidade.
— Ponto para as irmãs White! — Alex falou com um sorriso, claramente mais tranquila do que estava havia alguns segundos — Só espero que a gente não desenvolva o complexo Harry Potter de herói. — completou a jovem em tom de brincadeira, fazendo com que Dany começasse a rir.
— Olha sis, eu acho que isso a gente já desenvolveu. — disse a mais velha ainda rindo e balançando a cabeça negativamente. — Desde que não fiquemos burras como ele... Pra mim ta ótimo!
Alex deu de ombros, olhando para a frente, não querendo pensar na estranheza toda atribuída àquele dia desde o início.
— Acho que a esse ponto não chegamos, somos muito mais espertas que ele, sem falar que aceitamos muito melhor que ele a magia no comecinho, apesar de que é compreensível a reação... — a mais nova parou de falar, arregalando os olhos e dando um sorriso animado antes de tornar a falar — Nós podemos fazer magia!
— Nós podemos fazer MAGIA!! — gritou Dany animada e encarou sua irmã com estrelas no olhar. Sorriram igual duas loucas prontas para aprontar, uma expressão que ambas sabiam o que queria dizer.
Alex olhou para o chão à procura de algum graveto que pudesse usar como varinha e, quando o encontrou, ajuntou e apontou na direção da loira, dizendo em voz alta:
— Rictumsempra!
Ao contrário do que a jovem desejava, nada aconteceu, nem mesmo uma pequena fagulha ou resquício de magia.
A mais velha gargalhou divertida e pegou o pedaço de graveto da mão da outra.
— Wingardium Levioooosa!!! — falou numa imitação desajeitada de Hermione, mas novamente absolutamente nada aconteceu.
Foi a vez da mais nova cair na risada com gosto, o clima entre as duas irmãs sendo o mais leve possível. Não tinham essa sensação havia tempos e nenhuma das duas conseguia esconder a alegria que estavam sentindo. A de cabelos acinzentados atirou-se contra Dany em um abraço de urso, não sendo capaz de se conter.
— Sis, estamos livres... — ela sussurrou e a loira retribuiu o abraço na mesma intensidade, pela primeira tomando seu tempo para digerir e aceitar o fato de estarem livres.
— Estamos! Podemos viajar! Conhecer o mundo! Sem ninguém para nos dizer o que temos que fazer! — disse a mais velha animada, se sentindo livre das correntes que haviam sido colocadas nela no outro mundo.
Alex assentiu animada, separando-se da irmã. Para ela essa liberdade também era muito importante, afinal poderia seguir sua vida da maneira que fosse melhor, poderia buscar sua felicidade sem se preocupar com o julgamento e com a mente pequena das pessoas.
— Então, vamos iniciar essa liberdade indo para a praia, ou o que vamos fazer? — indagou a mais nova, fazendo que a outra sorrisse de uma forma que de cabelos acinzentados já conhecia: ela iria aprontar.
— Quem chegar por último na praia vira um ogro grande e feioso! — gritou Dany, já correndo como louca para a praia.
A mais nova começou a rir e saiu correndo atrás da irmã, porém sabia que não iria dar conta de alcançá-la, então correu a seu próprio passo, afinal já havia corrido o suficiente por um dia. Quando se aproximou da faixa de areia, franziu a testa ao ver Dany fazendo algo que não era de seu feitio: estava dentro d’água do mar com roupa e tudo. Alex ficou olhando aquilo por uns segundos, parecendo um peixe (abrindo e fechando a boca), pois não conseguia pensar em nada, de tão bizarra era aquela cena.
— É.... Dany? — ela chamou sua irmã, que a olhou divertida e riu da cara chocada da outra e começou a sair do mar.
— Desculpa sis. Eu tava precisando isso, a água, o vento e a areia.
— Você é doida, sis. — falou a de cabelos acinzentados, negando com a cabeça, enquanto a mais velha passava por ela. A loira apenas deu uma risadinha e sua expressão se iluminou, o sorriso de quem iria aprontar tomou conta de seu rosto. Alex percebeu apenas quando era tarde demais: sua irmã havia lhe pego completamente de surpresa e a empurrado na água.
Após a diversão das garotas, ambas acabaram por decidir visitar a irmã mais velha, nenhuma das duas se importando com o fato de estarem molhadas. Caminharam até a casa que a moça dividia com Tom e, ao chegarem, Dany bateu animadamente na porta, quase a derrubando. Ouviram passos apressados e logo a loira mais velha se revelou, a surpresa estampada em sua face, a expressão logo se transformando em preocupação.
— Meninas! Vocês estão encharcadas!! Entrem logo antes que peguem um resfriado! Ah, e por favor tirem os sapatos, vocês não têm ideia do quanto é difícil limpar esta casa!
As duas jovem riram, mas fizeram o que sua irmã mais velha pediu. Ella puxou ambas para o andar superior levando-as para o quarto e mandado elas tirarem as roupas molhadas enquanto tirava do armário duas toalhas para se secarem.
Logo se escutou um choro, e Ella abriu guarda roupa dela e disse que elas poderiam pegar a roupa que quisessem. Com isso dito ela saiu do quarto, indo na direção de seu filho.
Alex encarou a loira com ambas as sobrancelhas erguidas. A mais velha das irmãs parecia muito diferente do que se lembrava, a moça parecia ter envelhecido bastante após a maternidade.
— Sis, notou que ela está diferente? — perguntou baixo após se aproximar de Dany para que não precisasse falar alto
— Sim... Mas eu acho que é normal, afinal ela agora é responsável por uma vida. — respondeu a loira pensativa. Será que também ficaria assim? Ou melhor, será que um dia ela iria querer ter um filho? Ao se fazer esse questionamento ela negou rapidamente com a cabeça. Não, definitivamente não. Alex reparou o momento reflexivo da sua irmã e levantou uma sobrancelha, decidindo-se por não perguntar nada naquela hora, deixaria para depois.
As jovens se despiram e logo se vestiram com as roupas encontradas no armário da irmã, ambas em silêncio, não conseguindo espantar o sentimento de estranheza que tomara conta do ambiente. Não demorou muito para que Ella retornasse e tomasse as duas em um abraço triplo.
— Nessa loucura nem consegui cumprimentar vocês direito. — falou a loira mais velha.
Isso fez com que as mas novas sorrisem e rissem. Ella também sorriu, conduzindo suas irmãs novamente ao andar de baixo, mais especificamente à cozinha, com o intuito de preparar-lhes algo para comer. O estômago da mais jovem roncou quando a mesma ouviu a palavra "comida" e as duas loiras riram; havia coisas que não mudavam com o tempo.
Dany ofereceu-se para ajudá-la, porém a mesma negou, dizendo que não havia necessidade, que elas estavam ali de visita, então não era para se preocuparem. A mais velha preparou uma xícara caprichada de capuccino para a outra loira e uma de chocolate quente para a de cabelos acinzentados, a qual sorriu e agradeceu, sentindo o coração aquecer, afinal ela e Ashley se encontravam esporadicamente na lanchonete da vovó e a moça não tinha obrigação alguma de lembrar do que ela tomava, entretanto ela o fizera.
Ella preparou seu próprio café e pegou um pote de cookies, dizendo que fossem sentar no sofá. As garotas a seguiram, sentando lado a lado, de frente para a mais velha, que logo indagou como elas estavam. Alex sorriu, dizendo que estava bem, que pensava em pedir a Emma um estágio na delegacia. Dany olhou curiosamente em sua direção, afinal sua caçula não havia dito nada sobre isso antes e a garota se encolheu, falando que era só uma ideia que passara por sua cabeça, mas que não tinha certeza de que Swan permitiria ou que a mulher iria querer companhia. Ella disse que a jovem parasse de besteiras e fosse conversar com a xerife, uma vez que a mulher aparentava ser bastante sensata e de pensamento aberto. Dany concordou, dizendo que seria uma ótima oportunidade e seu peito encheu-se de orgulho ao ver sua irmãzinha crescendo.
Alex corou, ocupando-se apenas em beber de seu chocolate quente, enquanto a atenção da mais velha se voltou à loira.
— E você, Danie? — ela usara o apelido antigo da jovem.
— Eu? Estou meio período na Vovó. — disse ela calmamente, pensando pela primeira vez no assunto. — Sei lá, nunca pensei em sair dali, gosto de fazer os cupcakes. E definitivamente não tenho jeito para atender clientes! Quase morri quando a Ruby resolveu sair dali. — disse dramaticamente a loira, com uma expressão de horror ao lembrar daquela situação.
Ella e Alex caíram na gargalhada ao drama da irmã do meio, e a de cabelos acinzentados se colocou a contar (claramente com seus exageros) sobre o dia citado por Dany, fazendo com que esta a fuzilasse com o olhar e a mais velha risse em intensidade ainda maior.
— Parece que algumas coisas não vão mudar nunca. Vocês duas continuam a gostar de tirar com a cara da Danie, ein! — disse uma voz muito conhecida de todos ali. As três se viraram e viram Thomas de braços cruzados e uma expressão divertida estampada na face. — É bom ver vocês duas de novo, meninas.
— Thom! — disse Dany abrindo um sorriso e indo abraçá-lo, afinal após os 28 anos de maldição ela finalmente lembrou-se de que foram criados praticamente juntos.
— E aí baixinha! — disse ele aproveitando o clima de descontração e provocando a irmã do meio também, que riu e levantou-se do sofá, dando um tapa de leve no braço do loiro.
— Seja bem-vindo, alteza. — ela disse em um tom mesclado de seriedade e deboche, finalizando com uma reverência. Thomas revirou os olhos e também a puxou para um abraço, xingando-a de idiota. A jovem apenas sorriu e tomou o lugar onde estava sentada antes. — Velhos hábitos dificilmente morrem. — ela concluiu, ainda sorrindo.
O jovem apenas negou com a cabeça e logo desculpou-se, dizendo que precisava ver seu filho. Ella o avisou que o mesmo estava dormindo e Tom respondeu dizendo que só queria vê-lo, e não iria acordá-lo. A mais irmã velha ergueu uma sobrancelha e não falou mais nada, obviamente não acreditando muito no ex-príncipe, que logo subiu as escadas em direção ao quarto do bebê. Dany e Alex apenas assistiram à interação em silêncio e notaram que Ella soltou um suspiro ao escutar: Meu meninão tá acordado! vindo do andar de cima.
A irmã do meio sentiu um pequeno desespero vindo da mais velha e trocou um olhar significativo com Alex, que ergueu as sobrancelhas. Logo o loiro apareceu com o pequeno rapazinho nos braços, balançando-o de maneira carinhosa. A expressão no rosto de Thomas beirava praticamente a devoção, causando novamente uma sensação estranha nas mais jovens. O rosto de Ella iluminou-se ao ver a cena, perdendo a expressão exasperada e a jovem levantou-se, aproximando-se do marido e do filho.
As mais novas olharam os três juntos daquela maneira e achando muito fofo, mas ao mesmo tempo parecia que estavam sobrando ali. Dany, tentando dar um pouco de privacidade a eles e afastar aquela sensação de não pertencer a nenhuma família, levantou-se e andou em direção à janela. Alex acompanhou o movimento da irmã, soltando um suspiro, havia entendido o que se passava na cabeça da sua irmã mais velha. Tinha sentido também, mas tinha a certeza que não era nem a metade do que a loira do meio sentia. Ela tocou o braço de Dany levemente, demonstrando que estava ali para o que ela precisasse e logo mais encostou a cabeça em seu ombro em um gesto de carinho e nenhuma das duas disse qualquer coisa que fosse, ficaram em silêncio cada qual com seus pensamentos, apenas ali presentes uma pela outra.
Agradecida por sua irmã mais nova, a jovem começou a se sentir melhor e com isso olhou para fora, pela primeira vez notando o quão forte estava ventando. Franziu a testa e quase colou o rosto no vidro com o intuito de enxergar melhor o que se passava fora da casa, surpreendendo-se com o fato de que havia escurecido tão rápido.
— Tem alguma coisa errada. — disse ela baixo para apenas Alex escutar.
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