Recomeço - Para Keiko Maxwell
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Já estava há mais de dois meses naquela cidade e continuava no aparthotel. E apesar da comodidade , a impessoalidade do ambiente já estava o deixando cansado. Aquele quarto era pequeno para si e para suas recentes atividades. Apenas uma cama de casal com pequenas mesinhas de cabeceiras, um armário na parede oposta da cama. O banheiro ficava em um pequeno corredor a direita da porta de entrada e logo vinha a pequena sala com um sofá escuro e uma mesa de jantar quadrada que estava repleta de seus desenhos, e uma cozinha no estilo americana a esquerda da porta.
Quatre o havia convidado para morar consigo até ele encontrar um apartamento, mas havia recusado o convite. Assim como recusara o apelo de Duo e Wufei para que passasse uns dias com eles. Balançou a cabeça involuntariamente diante da lembrança da preocupação do antigo namorado – se ele havia recusado morar com Quatre, que era um cara solteiro, imagina se iria dividir um apartamento com um casal. Não queria atrapalhar a rotina já estabelecida, assim como a privacidade de ambos.
Na verdade, aquela descoberta ainda o deixava intrigado. Nunca imaginara Duo e Wufei como um casal. E quando os vira se beijando na hora que o grupo estava indo embora no amanhecer do dia da festa no 4 Ases, levou um choque. E parece que todos perceberam, pois a explicação que Wufei tentou lhe dar na hora foi constrangedor. Admitia que ele e Chang sempre nutriam uma certa rivalidade desde pequenos, porém sempre se respeitaram e valorizavam a amizade que possuíam. Pelo que pudera entender, Wufei realmente tentara avisá-lo sobre seu envolvimento com Duo – até porque existia, veladamente entre eles, a regra ‘namorado de amigo meu é intocável’ – mas as tentativas do chinês não haviam encontrado um Heero propício para ouvi-lo. E todos sabiam que, para si, Duo sempre fora muito mais do que um simples namorado.
Mas ele não tinha o direito de exigir nenhuma explicação nem ter sido informado anteriormente. Não havia mais direito sobre nada: pelo menos era assim que se sentia. Compreendia o fato dos dois terem se envolvido. E pela demonstração de afeto, terem se apaixonado. Desde a infância, aqueles dois possuiam uma ligação muito forte, uma ligação que os transformara em melhores amigos. E sempre ouvira que amizade poderia se transformar em paixão se esta atingisse os envolvidos, porém nunca imaginou que ela atingiria justamente a eles. E agora os dois estavam há mais de dois anos morando juntos.
Sentando-se sobre a cama, Heero olhou seus últimos desenhos espalhados sobre a mesa. Havia esboços da jovem atendente do Café. De pessoas que o frequentavam com assiduidade. Dos barmen do 4 Ases e apenas dois de seus DJs. Alguns hóspedes do hotel... Mas o grupo que mais havia retratado era o grupo de skatistas do parque. A promessa de tanta vida pela frente e, principalmente, a associação do skate à liberdade absoluta de movimentos, que o conquistara em meio àquele momento tão difícil em sua vida. Assim, não chegava a ser uma surpresa o fato de que grande parte de seus estudos e observações eram sobre os jovens. Engraçado que por causa deles chegara até mesmo a pesquisar a respeito da prática do esporte em si, incluindo objetos de segurança, os tipos de pista, as regras do esporte, a diferença entre as manobras de rua e do skate vertical; se encontrou pesquisando sobre as modalidades. E acabou descobrindo que havia tribos e subtribos para se identificar dentro daquele grupo, incluindo suas roupas e o tipo de músicas.
Aproximando-se do grupo e convivendo um pouco com eles, descobriu que Walter era o mascote da turma, um bulldog inglês que também andava de skate – de um jeito um tanto temerário, tinha que admitir. E fora Trowa quem o apresentou ao animal em uma de suas idas ao parque. Infelizmente, não era sempre que o fotógrafo estava por lá: das vezes que fora, o encontrara duas únicas vezes. E destas pouco conversaram, mas soube que ele também era skatista por hobbie desde antes de entrar na adolescência.
Porém mesmo sem tê-lo encontrado com frequência, havia um número mais do que considerável de desenhos dele. Inclusive uma sequência inteira em que o retratava em uma manobra, a frontside 180º flip, a qual o moreno sempre fazia sorrindo pela facilidade em executá-la. Estreitando os olhos azuis, o japonês se deu conta de algo – era inegável a atração física exercida por Trowa em sua pessoa. Embora que a princípio fosse inconsciente e Heero não reconhecesse os sinais óbvios ao se ver objeto de interesse de outro homem novamente após tantos anos, precisava admitir: sim, de uma maneira precisa e tranqüila, o fotógrafo de olhos verdes conseguira cativar sua atenção de forma bastante peculiar.
Um alarme tocando de forma súbita no quarto arrancou-o dos pensamentos, trazendo-o à realidade. Por mais que quisesse continuar para retratar as demais manobras que havia separado e fotografado, teria que sair e já estava atrasado para o jantar que Duo havia planejado para o lançamento de seu primeiro filme como diretor. Sabia como aquilo seria importante, não somente para ele quanto para seu sócio na produtora. Eles haviam enfrentado grandes produtoras para conseguir financiar aquele projeto e ter um bom estúdio como respaldo.
Desde que eram crianças, Duo vivia dizendo que iria ser ator, enquanto ele e Quatre faziam incontáveis desenhos e Wufei ouvia músicas. Quando adolescente, o ex conseguira entrar em uma famosa escola de teatro, e logo depois , por meio de um agente começou a ter pequenos papéis em seriados e filmes. Sua grande oportunidade fora aos 15 anos, ao estrelar, um filme juvenil de um grande estúdio. E quando se mudara para a Califórnia, com 20 anos, não só largando a faculdade de artes cênicas, fora devido a um convite para protagonizar um outro filme este , com temática mais adulta e forte.
Esta mudança tinha sido o principal alerta para avisar que o relacionamento entre eles havia algo de errado. Tanto que, quando teve a notícia, logo antes do nascimento da Yume, de que ele havia aberto uma produtora em parceria com um roteirista, não se espantou. Porém saber do amigo que ele havia se apaixonado pela direção, ficando do outro lado de todo o processo de atuação , foi um fato que realmente demonstrou o quanto de tempo que havia se afastado de tudo.
Quando o alarme tocou outra vez, olhou no visor do celular e viu o nome do amigo loiro no aparelho, constatou o quanto que estava atrasado. Apressando-se, levantou-se da cama, dirigindo-se à porta e saindo do quarto.
~o.O.o ~
O apartamento do casal de amigos era enorme, possuindo uma enorme sala toda mobiliada de forma clean com um design moderno, repleta de referências da cultura pop mundial. Quadros de artistas dividiam o espaço nas paredes com pôsteres de diversas bandas – inclusive a banda de um dos donos do apartamento – e de filmes antigos. Fotos de todos eles juntos adornavam porta retratos espalhados em vários pontos da sala, e Heero se espantou ao ver um pôster de seu último anime também ocupando lugar de destaque na parede central, ao lado de uma ilustração famosa de Quatre. O ambiente havia sido preparado para a exibição do filme: uma enorme tela branca ocupava o seu espaço na frente de outras peças e desviava a atenção dos demais convidados.
O jantar havia sido bem interessante além de agradável. Todos estavam presentes, inclusive algumas pessoas que não pensara que veria por ali, como o irmão de Relena, que no passado fora um dos principais críticos da banda por não aceitar a irmã como a vocalista. Miliardo sempre fora mal quisto por eles por sua agressividade, mas pela intimidade do outro com o local, parecia que sua situação com todos havia mudado há algum tempo.
O filme havia superado suas expectativas; Duo realmente era melhor diretor do que ator. Não duvidava da capacidade do amigo, mas não esperava que o olhar e a sensibilidade dele seriam maiores que o seu talento para representar.
No momento, olhava a vida da cidade pela enorme janela que ficava no final da sala. A altura do apartamento permitia vê-la de um ângulo especial onde somente as luzes se mostravam vivas e ativas para a noite outonal.
Apesar de tudo, não conseguia ficar por mais tempo naquele apartamento. Algo o incomodava profundamente, e não sabia dizer o porquê, mas era uma sensação angustiante de estar sendo analisado. Quatre parecia se divertir com sua mais nova garota. Duo dividia sua atenção entre Wufei e os elogios que recebia dos outros convidados. Wufei ora ficava olhando embasbacado para o namorado, ora discutia com Sally sobre o fim da turnê. Ocultando um sorriso, Heero admirou o fato da mulher ruiva ainda continuar firme como agente daqueles músicos – e mais ainda, como ela e Relena ainda não haviam se matado. Vocalista loira a qual flertava descaradamente com o ator principal do filme.
Todos estavam bem, e se perguntou porque somente ele possuía aquela sensação.
Sentindo a brisa ligeiramente fria vinda da janela percorreu a sala com o seu característico olhar indiferente e parou ao focar em um outro par de olhos: olhos verdes reluzentes e misteriosos, pertencentes ao sócio e ex namorado de Duo, que o olhava intensamente.
Um vento mais gelado voltou a entrar e Heero percebeu seu corpo se eriçar diante ao fato, porém não sentia frio. E um amplo sorriso lhe foi destinado com a menção de um brinde, quando Trowa levantou a taça de vinho tinto em sua direção.
Ignorou o gesto, voltando sua atenção as luzes da cidade lá embaixo novamente. Porém ignorar aquele sorriso seria bem mais difícil e quando voltou a olhar para onde o moreno estava... ele não estava mais lá. Agindo rápido, se retirou da janela cruzando a sala, passando pela cozinha e deixando sobre o balcão sua pequena garrafa de cerveja. Foi ao armário no hall de entrada, retirou seu casaco e foi embora sem dizer uma única palavra a ninguém. A cidade parecia lhe chamar.
Enquanto vestia sua jaqueta, ainda na portaria do edifício, seu celular tocou e o nome de Duo apareceu na tela. Se pudesse, não atenderia. Já sabia o que o outro iria lhe dizer.
O vento soprava em seu cabelo, bagunçando-o enquanto ouvia o amigo falar. Por mais estranho que aquela situação fosse, o ex amante não estava reclamando pela forma que ele havia saído e sim, comentava sobre coisas aleatórias de seu filme e perguntando sobre aquelas aleatoridades.
Heero jamais iria imaginar no que realmente estava ocorrendo por trás daquela ligação e a verdadeira intenção do amigo – afinal, não podia ver o ar travesso e manipulador que brilhava naqueles violetas ardilosos. Enquanto respondia a outra pergunta aparentemente sem nexo de Duo, ouviu o porteiro falar com alguém às suas costas e logo depois a pessoa se aproximou, impedindo o fluxo do vento. E o tempo em que terminava de falar com Duo, a pessoa ao seu lado permanecia imóvel e aquilo o incomodou ao ponto de irritá-lo.
– Quer uma carona? Posso te deixar no hotel. – A voz conhecida o abordou assim que colocou o celular no bolso esquerdo do casaco.
– Obrigado, mas prefiro caminhar. – Respondeu ao virar-se para encontrar o amigo de seus amigos, ainda sentindo-se inquieto demais para entrar num carro sufocante. E recebeu como resposta um leve tsc, tsc debochado acompanhado de um leve sorriso.
– Será uma longa caminhada, já que fica do outro lado da cidade. – o moreno respondeu no momento em que guardou as chaves no bolso.
– Não tem problema. – Heero voltou-se novamente para a rua e começou a sua jornada.
– Aceita me ter como companhia até a metade do caminho? Lembrei que tenho que passar pelo parque para falar com as meninas do café sobre algumas fotos.
Heero apenas deu de ombros, assentindo diante daquela informação.
O barulho da cidade os acompanhava, o leve vento noturno embalava seus cabelos e seus passos. As intensas luzes iluminavam não somente o caminho, mas também o pensamento de cada um deles. As poucas pessoas que também aproveitavam aquela noite foram as únicas testemunhas da energia silenciosa que aqueles dois homens emanavam enquanto caminhavam lado a lado.
Uma sinergia agradável, porém nova e estranha para ambos. Envolvidos por ela não perceberam o quão rápido chegaram diante do Café. Era como se estivessem realmente conectados – de alguma forma, ambos se entreolharam no mesmo instante em um convite mútuo.
~o.O.o ~
Heero permanecia em seu lugar, aquela mesa sempre fora a preferida dele.
Gostava de ficar naquele canto, tendo a parede às suas costas e também porque dava para ver todo o parque, assim como as pessoas que entravam pela porta frontal. Fora naquele lugar que havia se divertido inúmeras vezes com seus amigos. Fora naquele lugar que terminara com Duo. Fora naquele lugar que dividira conversas. E naquele instante estava dividindo sua mesa com a presença forte de Trowa. Um conhecido desconhecido, mas que estava presente em sua vida desde que decidira ir ao encontro de seu passado, após retornar àquele país.
O café quente aquecia a sua mão fria enquanto observava as jovens atendentes rirem charmosas e empolgadas diante do fotógrafo de olhos verdes. E este respondia com seu sedutor sorriso, Heero já havia constatado o quanto Trowa poderia ser envolvente quando queria algo, principalmente se este algo fosse relacionado com sua arte. E por uma questão que não queria se demorar em explicar, também se pegou olhando vidrado para aquele sorriso, perdendo totalmente a atenção das coisas ao seu redor. Quando foi pego no flagra pelo seu alvo, Heero não desviou a vista: pela primeira vez desde que o conhecera, permaneceu focado nele e por instantes um diferente olhar, muito mais intenso, curioso e excitante surgiu entre os dois, forçando um encontro mais íntimo entre eles.
Mas aquele momento foi breve, durou apenas alguns segundos antes que a atenção de Trowa fosse requerida por uma linda garota de cabelos longos e ruivos presos de forma displicente ao lado da cabeça. Um encontro breve, porém intenso o suficiente para que Trowa inteiro: expressão, gesto e corpo, fosse gravado em sua memória.
– Pensei que você fazia fotos de moda ou algo do tipo. – perguntou, enquanto retirava sua atenção do jovem casal que se beijava debaixo da árvore do outro lado da pavimentação, no parque, voltando-se para seu acompanhante sentado a sua frente.
– A fotografia é um hobbie, sempre foi. Só faço fotos de moda para algum amigo e quando a proposta do conceito é interessante. – Trowa respondeu enquanto, com um gesto decidido, desligava seu smartphone que teimava em anunciar novas mensagens.
– Compreendo. Mas pensei que as fotos daquele grupo de skatistas que você bateu aqui no parque fosse para algo do tipo. – indagou com uma curiosidade real.
– Oh, mas são. – Trowa respondeu, logo percebendo pela leve expressão do rosto do outro que aquela resposta não iria lhe saciar a curiosidade e continuou. – Eu gosto de fotografar o cotidiano, acho que podemos encontrar arte e beleza em coisas simples, nos gestos comuns que fazemos todos os dias. Gosto de retratar as pessoas nestes atos diários. E eu tive a ideia de fazer uma série de fotos das pessoas em suas jornadas duplas. Porque uma pessoa nunca possuiu apenas uma face. No parque, eu retratei o Michael com o cotidiano de seus treinos diários no skate, suas brincadeiras com os amigos skatistas, mas também o retratei resolvendo assuntos sérios de sua fundação para jovens vítimas de acidentes.
– E com as meninas daqui, qual é a história? – Heero desviou o olhar em direção à menina que já se despedia das demais.
– A protagonista será a Victoria, a menina ruiva. Vou fotografá-la junto com as demais e durante suas aulas de dança na faculdade. – Trowa recebeu do silêncio que o outro havia entendido a proposta de seu mais novo trabalho artístico. Então sentiu que o momento pelo qual vinha esperando há tanto tempo estava ali, bem ao seu alcance. –Gostaria de lhe pedir para ser um dos meus personagens e posar pra mim.
O japonês parou de imediato no ato de levar sua xícara de Caffe Esmeralda* aos lábios, os olhos azuis abrindo-se em choque com o que pensava ter escutado.
Com os olhos verdes brilhando de forma totalmente enlouquecedora para sua sanidade, ouviu o moreno afirmar:
– Quero que seja meu modelo, Heero.
Heero engasgou ao ouvir aquilo. E gargalhou ao compreender o que o outro acabara de lhe pedir.
Mas Trowa não se surpreendeu com o quanto deliciou-se com sua risada . Desde que conhecera o japonês, era a primeira vez que o via rindo e algo alertou no moreno, ao constatar que havia sido ele o causador daquele raro momento, daquela alta e livre gargalhada. Heero ficava ainda mais bonito assim e Trowa teve a certeza que o ilustrador deveria sorrir mais, apenas não achou prudente dar voz à sua constatação. Dentro de si, teve a certeza que se empenharia para ver mais daquele momento e, principalmente, para ser o principal causador deles.
– Porque você esta gargalhando? Estou falando sério e o convite é real. Todos os outros já posaram pra mim. E dentro de meus personagens não tem um mangaká. E eu quero... e preciso de um mangaká... senão irei ficar incompleto.
Aquelas palavras geraram duas reações adversas no japonês. Uma, foi ao imaginar a face contrariada de Wufei diante daquela proposta e novamente – o que fez um sorriso de deboche surgir em seus lábios. A segunda, foi a incredulidade que aquelas palavras lhe diziam que ele havia recebido uma cantada. Mas não falou nada sobre aquilo, talvez ele tivesse apenas compreendido mal – além do mais, tinha que conseguir controlar o pulsar agitado dentro do peito, antes.
– Tenho... certeza que Wufei foi forçado a participar. – O japonês respondeu apenas para retirar o foco e ter um pouco mais de tempo para raciocinar com clareza.
– Isto é verdade. – Trowa admitiu de pronto. – Mas Duo tem seus artifícios: ele soube convencê-lo muito bem, porque o fotografei em três momentos diferentes, no ensaio; em um dos shows e no escritório do 4 Ases, junto a Quatre e Duo. Também fotografei o Duo no set de filmagem e na ilha de edição do filme. Assim como fotografei Quatre na linha de confecção no atelier e momentos antes do desfile de sua grife. Bem, agora que você voltou, quero o grupo de amigos completo, quero o mangaká na minha lente.
Heero não respondeu a aquela proposta, apenas voltou a olhar para fora. Fugindo daqueles olhos convincentes, bonitos... e cheios de vida, bem como de desejo.
Mais uma vez dentro daquele Café. Mais uma vez diante daquelas prateleiras com canecas coloridas e rodeado daquelas fotos de celebridades da década de 40 e 50 em preto e branco. Fotos que testemunhavam a confiança de Heero e a certeza que o cercava. Mais uma vez, sentado naquela mesma mesa, frente à mesma janela.
Há tantos anos atrás, sua vida sofrera um duro golpe – e sua escolha fora ir embora, procurar novos horizontes... um futuro, uma carreira e talvez um novo amor. Hoje, sete anos depois, estava de volta. Muito mais amargurado como jamais pudera se imaginar, arrasado por uma perda pela qual, sabia, nunca mais em sua vida se recuperaria o suficiente. Mas ali, naquele exato momento...
Algo irradiava-se por seu corpo inteiro, arrepiando-o, excitando-o.
Fazendo-o desejar.
E dentro daquele conhecido local, durante a longa conversa sobre o projeto de Trowa, as luzes do parque que entravam pela grande vidraça iluminavam parcialmente os rostos dos dois homens.
E esta mesma luz refletia o brilho do olhar de ambos pela expectativa das mudanças que intuíam que haveriam de acontecer em suas vidas.
FIM...
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