Recomeço

3 Capítulo III


24/12/2008

Muita coisa aconteceu desde aquele Natal de 1998. O retorno de Regulus Black foi mantido em sigilo por muito tempo, até que a maior parte das coisas pudesse ser explicada. Harry Potter não fez qualquer objeção a devolver a casa de Grimmauld Place e Kreacher a Regulus, uma vez que ele nunca queria ter herdado tudo aquilo e só recebeu para que não fosse para as mãos de Bellatrix. Kreacher ficou mais feliz do que nunca ao voltar a viver com Regulus e serviu o jovem Black até o fim de sua vida, ainda que o rapaz lhe pedisse para não trabalhar mais e somente descansar. Para não deixar o velho elfo doméstico deprimido, de vez em quando pedia-lhe um chá, mas fez o possível para que ele aproveitasse a aposentadoria.

Reatou os laços familiares com Andrômeda e acabou criando uma amizade com Nymphadora. Uma vez que ela foi a primeira que descobriu sobre seu retorno e, talvez em uma tentativa de preencher o vazio que o marido e o pai deixaram em sua vida, acolheu o primo como um irmão mais novo.

Regulus também reatou seus laços familiares com Narcissa, visitando-a várias vezes. Ela não questionou o retorno do controle do cofre dos Black para as mãos do primo, uma vez que ele nunca esteve morto, como presumiram.

Mas quem mais aproveitava a presença de Regulus era o pequeno Teddy Lupin. O “tio Reg”, como ele o chamava, ajudou Nymphadora em tudo que pôde para que ela retomasse sua carreira de auror e acabou se aproximando muito do menino. Era tradição agora para ele passar o Natal com a família Tonks-Lupin e Teddy sempre adorava os presentes do tio.

– E aí, tio Reg, o que trouxe para mim esse ano?

– Céus, Teddy, foi essa a educação que sua mãe te deu? – Andrômeda ralhou com o menino, que já tinha corrido para Regulus mal ele pisara dentro da casa. – Bem-vindo, Reg, fique à vontade. Estou finalizando as coisas na cozinha.

– Obrigado, Andie. Vou aproveitar e distrair meu meio-sobrinho. Onde está Dora?

– Acredita que pegou serviço hoje? Falei com ela para tirar o nome do plantão de Natal, mas quem disse que me escuta? Daqui a pouco deve estar em casa, eu espero.

Ele riu e foi para a sala com Teddy, que tentava contar tudo que acontecera no último passeio do fim de semana com seu padrinho Harry.

– Tio, nós fomos no zoológico e depois fomos passear no parque e patinar no lago! James levou um tombo, mas eu ajudei ele depois.

– Você é um bom garoto, Teddy. – Regulus bagunçou o cabelo azul do menino. – Empolgado para o próximo ano?

– Sim!

Teddy faria 11 anos no próximo abril e, teoricamente, receberia sua carta de Hogwarts. A família não tinha dúvidas quanto a isso, pois o garoto manifestava magia desde muito novo, especialmente a metamorfomagia que herdou da mãe. Nymphadora sempre comentava orgulhosa toda vez que o filho conseguia fazer alguma alteração em si mesmo, mas o que ele mais fazia era mudar a cor do cabelo. Sua cor favorita era o azul turquesa.

– Acho que você já tem idade para ganhar sua primeira coruja, jovem Lupin. – Regulus buscou na sala uma gaiola contendo um filhote de coruja-das-torres.

– Ela é linda! – Ele pegou o filhote nas mãos e acariciou as penas. – Obrigado, tio Reg! Vou chamar de Moony, era o apelido do meu pai e eu acho bonito.

Teddy brincou um pouco com a pequena Moony até sua mãe chegar em casa e então, juntaram-se todos na mesa para o jantar.

– Mãe... – Teddy chamou em um momento. – Acha que o papai e o vovô iam estar orgulhosos de mim?

Nymphadora trocou um breve olhar de pesar com Andrômeda, mas logo voltaram a sorrir para o garoto.

– É claro que sim, meu querido. – Tonks respondeu, fazendo um carinho em sua cabeça.

Ele sorriu e voltou a atenção para o prato de comida, mas logo parou de novo para uma nova pergunta.

– Em qual casa acham que vou cair ano que vem?

Os três adultos na mesa se olharam, achando divertido.

– Ora, na que combinar mais com você. – Regulus respondeu. – Mas não vá esquentar a cabeça com isso, ficaremos felizes com qualquer uma que você vá. Apenas seja você mesmo.

– Acho que eu ia me sentir meio estranho em Ravenclaw... – Ele disse, pensativo. – Não tenho nenhum parente de lá.

– Não que isso faça muita diferença, meu bem. – Andrômeda disse enquanto servia um pouco mais de suco de abóbora para o neto. – Meu primo Sirius acabou em Gryffindor sem ter tido nenhum parente lá, mas ele se encaixou bem e fez bons amigos. Seu pai era um deles.

– Sim! – Ele ficou empolgado. – Adoro quando vocês me contam a história deles!

Claro que os adultos deixavam de lado as partes mais obscuras, mas Teddy se divertia com as histórias de seu pai nos tempos de escola. A maior parte vinha de Harry, que também tinha histórias de quando fora aluno de Remus. A única que não gostava muito de contar histórias de família era Andrômeda, mas ela compensava com muitas histórias sobre seu avô Ted.

– Posso fazer um pedido?

– Depende. Nada de castelos de neve à noite, você pegou um belo de um resfriado da última vez, mocinho.

– Ah, não, mãe! Mas não era isso que eu ia pedir. Eu queria que todos vocês me levassem na estação ano que vem. Esse pedido pode?

– É claro que pode! Inclusive, vou pedir folga no dia primeiro de setembro só para te levar.

Teddy se levantou e deu um abraço em cada um da mesa antes de voltar para seu lugar e continuar comendo com um grande sorriso no rosto e se considerando um garoto de muita sorte. Ele podia ter perdido o pai quando bebê e isso o deixava triste, mas ele tinha sua mãe ao seu lado, uma avó cuidadosa, um tio muito presente e um padrinho amoroso. Sim, Teddy Lupin era um garoto de sorte.

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