Recomeço

8 Caça. Caçador.


Os tordos.

Eles continuam aqui. Continuam reproduzindo os sons. Cantando canções que escapam entre a brisa. São os símbolos da nova resistência. Tentaram os matar, acreditaram que não conseguiriam sobreviver, se reproduzir, crescer. Mas continuam fazendo exatamente tudo que subestimavam.

Subestimar a capacidade do outro é sempre um erro.

Quando nos encontramos pela primeira vez eu subestimava a coragem do garoto da capital bem vestido. O cabelo loiro, a pele clara como pó de arroz, a flor em sua mão como se estivéssemos em um encontro romântico e não indo em direção a morte certa. Subestimei tudo que vi nele. Não deveria ter subestimado.

No entanto não subestimei o garoto com a comida. Tudo nele gritava perdido. Tentando fazer com que aceitássemos comida de alguém que nos atiraria nos jogos. Mesmo assim também gritava coragem.

Naquele dia fugindo para longe do distrito 12, de mim e principalmente dele, eu aprendi a não subestimar nada, nem ninguém. Porque somos capazes de tudo, com ou sem coragem. Devemos estar sempre preparados. Atentos. Prontos para dar o bote, exatamente como as cobras, como os pássaros, como qualquer um que precise ser caçador. Prontos para fugir, bater asas e voar, para não ser caça.