Recomeço
5 Sobre Ela, parte II
Notas iniciais
Se estivesse sozinho com Diana, Bruce a levaria para um jantar em um bom restaurante. Contudo, ela e os amigos pareciam ter planejado uma noite diferente. Então, deixou-se ser guiado. Bruce foi levado para uma parte diferente da cidade. Uma parte que ele não conhecia tanto.
─Onde estamos? ─Indagou.
─Não se preocupe. Você não será assaltado.
Wally, que dirigia o porsche de Bruce, estacionou ao lado do que lhe pareceu um grande galpão abandonado. Bruce olhou ao redor. A área era cercada por casas simples, bem diferentes das mansões que estava acostumado a visitar. Ele estava na área mais simples da cidade.
Wally, Diana e Shayera saíram do carro. Bruce, mesmo atordoado e desconfiado, saiu também. Wally olhou as horas em seu relógio. Sorriu.
─As crianças vão começar a chegar daqui a pouco. Temos que ajeitar as coisas.
─Crianças?
Nenhum deles respondeu, e entraram no galpão. As luzes foram acesas, e Bruce sentiu um aperto no coração. Todos os seus medos e preconceitos caíram por terra. As paredes eram cobrtas por grafites coloridos e palavras de incentivo. A grande área parecia dividida em dois por um cercado improvisado. De um lado, havia uma quadra pintada no chão, e duas cestas de basquete, uma em cada lado da quadra. Ele viu obstáculos improvisados e bolas.
Na outra parte, Wally trazia grande quantidade das peças do tatame, enquanto Shayera o colocava no lugar. Havia grandes armários encostados na parede, com o que ele imaginava ser mais material esportivo. Vendo sua expressão perplexa, Diana bateu em seu ombro.
─Surpreso, senhor Wayne?
─Muito.
Ela caminhou para dentro, e ele a seguiu. Diana tirou os sapatos, e pôs-se a ajudar Shayera. Bruce pouco depois começou a ajudá-las. Quando terminaram, os quatro sentaram no tatame.
─Esse não era o encontro que eu imaginava.
─Disse que sairia com você, não que seria um encontro. ─Diana retrucou.
─Isso não faz o menor sentido, Di. ─Wally riu, ganhando um soco em seu braço da amiga.
Bruce olhou ao redor.
─De quem é esse lugar? ─Mudou de assunto.
─Nosso. ─Shayera respondeu. ─Quer dizer, da comunidade. Nós apenas tiramos algumas horas da semana para dar aula de defesa pessoal e basquete para as crianças.
─Diminui a incidência de criminalidade infantil. ─Wally completou. ─Não queremos nossas crianças na marginalidade.
Aos poucos, as crianças foram chegando. Eram meninos e meninas, com idades bastante variadas. Bruce via crianças pequenas, e até alguns adolescentes. Wally parecia muito feliz jogando basquete com as crianças. Já Diana ajudava alguns meninos e meninas a vestirem seus kimonos, enquanto Shayera apareceu também de kimono.
─Obrigado. ─Disse para Diana após as crianças irem para o tatame.
─Por quê? ─Indagou, embora imaginasse o motivo.
Bruce encarou Diana com seus profundos olhos azuis.
─Por me fazer pensar fora da caixa.
*****
Passava um pouco das onze quando os quatro se encontravam sozinhos outra vez. Estavam sentados no tatame ainda montado, e eles riam das histórias engraçadas dos amigos. Bruce riu, incrédulo.
─Vocês se conheceram com 15 anos?
─Não, eu e a Shay nos conhecemos com 11, mas só começamos a namorar com quinze. ─Disse Wally.
─E se casaram com dezoito. ─Diana completou. ─Esses dois malucos fugiram para Vegas e se casaram escondidos.
─Vestidos de Elvis. ─Wally riu.
Shayera deu de ombros.
─Meu pai mudou muito quando entrou na política. Não nos queria mais juntos. ─Ela justificou. ─Aí a gente decidiu fugir.
─Os pais da Shay colocaram a polícia atrás da gente e quando nos encontraram, já éramos marido e mulher.
─Foi a decisão mais estúpida da minha vida.
As garotas riram, e Wally parecia emburrado, mas Shayera o abraçou e ele também riu. Os ruivos começaram a se beijar, e tanto Diana como Bruce desviaram o olhar quando o clima entre eles esquentou.
─O que acha de deixá-los sozinhos?
─Foi a melhor idéia da noite.
Diana aceitou a mão de Bruce para se levantar e os dois caminharam para o lado de fora, deixando os ruivos sozinhos.
─Seus amigos são interessantes. ─Disse quando se viram afastados do casal.
─Shayera se tornou a minha melhor amiga nos últimos anos, e o Wally veio no pacote. Mas não acho que você queira falar deles.
─Não?
─Não.
─E o que você sugere?
Eles pararam na porta do galpão. Diana o encarou um instante e sorriu. O programa, embora não uma noite muito romântica, foi melhor do que ela imaginou. Seus preconceitos em relação ao milionário também se dissiparam. Ele era um homem muito diferente do que pensava. E talvez Shayera estivesse certa. Era um bom homem.
Bruce deu um passo para frente e parou. Se Diana o quisesse, acabaria com a distância entre eles. E foi o que ela fez. Colou seus lábios nos dele, puxando-o para seu primeiro beijo em mais de um ano. Bruce a abraçou, tentando puxá-la para mais perto. Logo ouviram risinhos e vozes ao redor. Separaram-se e Wally e Shayera os aplaudiu.
─Eu disse que eles ficariam até o fim da noite. Você me deve dez pratas, Wally.
─Ah, droga! ─Ele disse, com falsa raiva.
─Não acredito que vocês apostaram isso.
Eles riram.
─Eu sei que foi legal, mas precisamos ir. ─Wally disse, olhando o relógio. ─A babá cobra mais se passarmos da meia-noite. E eu já perdi dez pratas hoje...
─Eu os deixo em casa. ─Bruce disse, ainda abraçado a Diana.
Os ruivos se entreolharam, trocando um sorriso cúmplice. Esperavam que a noite terminasse boa para Bruce e Diana.
*****
Como prometido, Bruce deixou o casal West na casa deles, que ficava sobre o bar, fechado naquele dia. Em seguida, seguiu para o apartamento de Diana. Estacionou, saiu e abriu a porta do passageiro para ela. Diana não se lembrava dos homens serem tão cavalheiros com ela. Pararam na entrada.
─Bem, está entregue.
Beijou-lhe a bochecha e caminhava de volta para o carro. Mas Diana o chamou. Ele parou, esperando.
─Não gostaria de entrar? Quer, dizer, posso lhe fazer um jantar descente. É melhor que os lanches do galpão.
Ele assentiu com um sorriso. Segurou sua mão e levou-o pelo caminho. Quando enfim chegaram na porta do apartamento dela, estavam atracados em um beijo faminto. Com dificuldade, conseguiu encaixar a chave e abriu a porta. Levou menos de um segundo para trancá-la de volta, e logo guiava Bruce para seu quarto.
Normalmente não agia daquela forma, mas o desejo contagiava todo seu ser. Se já o rejeitou antes, ela não conseguia se lembrar porque. Empurrou Bruce para a cama. Ele sentou na beira, e Diana subiu em seu colo, depositando beijos em seu pescoço. Abriu os botões da camisa com rapidez, não se preocupando em ser delicada...
Mais tarde, estavam apenas deitados na cama, apreciando o momento. Ela riu com as cócegas que Bruce fazia em suas costelas. Sentia-se bem com ele. Sentia-se certa.
─Acho que eu te amo. ─Ele disse, fazendo-a se apoiar no cotovelo para fitá-lo melhor. Deu um sorriso triste.
─Mal me conhece, assim como eu mal o conheço.
─Não seja por isso. Quero saber tudo sobre você...
Mas aquela noite não era o momento para conversas. Assim, aconchegou-se contra ele, adormecendo em seus braços. Ao menos aquela noite poderia sonhar...
*****
─Selina me ligou chorando, dizendo que vocês terminaram.
Bruce olhou para cima, para sua mãe, que entrava em seu escritório.
─Era o certo. ─Disse. ─Um futuro casamento não nos traria felicidade. Na verdade, me arrependo por não ter terminado antes.
─Não acredito que terminou um relacionamento de anos por causa de uma garota que conheceu há dois meses.
─Diana é especial, eu gosto dela.
Martha balançou a cabeça, depois encarou o filho. Ele realmente parecia feliz.
─Veja se não se arrepende de suas decisões, filho.
─O papai me ensinou a agir correto, e foi o que eu fiz.
Martha deu um leve sorriso.
─Gostaria de conhecê-la em breve.
─Em breve, dona Martha.
Com a compreensão de Bruce, ela saiu. À sua maneira, Martha aprovava o relacionamento de Bruce, mesmo sem antes conhecer Diana. Logo, apresentaria à mãe a mulher que gostaria de levar ao altar...
*****
Diana não acreditava que haviam se passado seis meses! Seis meses maravilhosos onde Bruce lhe mostrou que ela poderia acreditar novamente no amor. Teriam um jantar romântico naquela noite, porém o dia todo estava doente. Justo no dia que comemorariam seis meses juntos, ela ficara doente.
─Eu nem acredito que ele te leva para lugares tão bonitos. ─Shayera comentou, enquanto ajudava Diana a escolher o vestido para a noite. ─A coisa mais romântica que Wally faz é me dar um ursinho de pelúcia todos os anos, na data em que nos conhecemos.
─Não sei, não. Eu acho a história de vocês super fofa. ─Diana gritou do banheiro.
─Porque não foi você que teve que ir até Vegas pedindo carona, e teve sua noite de núpcias numa barraca no meio da estrada.
Pouco depois, apareceu enrolada no roupão. Desenrolou o cabelo da toalha para secá-lo.
─Quem te ouve falando, não imagina que o Wally faz tudo por você. A história das alianças era mentira?
Shayera rodou a pequena aliança em seu anelar. Teve que sorrir, seu marido era o melhor.
─Todas as lendas são verídicas. Mas se ele não tivesse vendido o carro, chegaríamos mais rápido em Vegas.
─Até parece que você não gostou da aventura.
A ruiva riu.
─Foi incrível, realmente. O céu estrelado, nós dois, a fogueira...
Diana sorria para a visão enamorada da amiga, mas logo fez uma careta. Correu para o banheiro, debruçando-se sobre o vaso. Shayera apareceu pouco depois, encostando na porta. Cruzou os braços. Diana se levantou, tentando recuperar a compostura. Lavou o rosto, e só depois percebeu o olhar estranho de Shayera.
─O que foi? Acho que estou doente.
─Tem se sentido mal há muito tempo?
─Uns dois dias, por quê?
─Você sabe que doença da manhã não acontece apenas de manhã, certo?
Diana encarou a amiga sem entender. Vendo o olhar de interrogação no rosto de Diana, Shayera disse.
─Tem um Waynezinho a caminho.
Os olhos de Diana aumentaram em compreensão.
─Ah, droga!
─Pela sua cara, eu acho que não foi planejado.
─É claro que não foi planejado! ─Ela quase chorou.
─Apesar das dificuldades, os filhos são uma bênção. Eu sei, eu tenho dois.
─Mas você está casada há anos, e eu conheço Bruce há seis meses!
─Bem, eu posso estar errada. ─Tentou acalmar a amiga. ─Vou ver se encontro uma farmácia aberta e lhe compro um teste. Não se desespere antes da hora.
*****
A campainha tocou e Diana correu para atender. Seu nervosismo só aumentou ao ver Bruce em sua porta.
─Chegou cedo. ─Comentou, tentando soar calma.
─Eu estou na hora, Diana. Mas vejo que ainda não está pronta.
─Eu, ah...
─Consegui, Di. ─Shayera gritou, vindo pelo corredor. Parou quando viu Bruce. ─Ah, droga!
─O que está acontecendo?
─Nada. ─Era Diana. ─Vou terminar de me arrumar.
Mas Shayera a segurou pelo braço. Entregou-lhe o embrulho.
─Não pense em fugir. ─Sussurrou. ─Estou com você para tudo.
Em seguida, saiu. Bruce olhou atordoado a namorada, e Diana se desmanchou em lágrimas. Ele correu para o apartamento, tentando acalmá-la.
─O que houve, Diana?
Ela limpou o rosto, e se voltou para Bruce.
─Acho que eu to grávida...
*****
Bruce tinha Diana contra ele, sentados no sofá da sala, esperando os incontáveis minutos até o resultado sair.
─Quer se casar comigo? ─Indagou de repente.
Diana tentou rir.
─Não deveria esperar até depois do resultado? Eu posso não estar grávida.
Bruce tirou algo do bolso. Uma caixinha de veludo.
─Não quero mais esperar, Diana. Eu amo você e quero me casar. Queria esperar até depois do jantar, contudo agora parece uma hora tão boa quanto qualquer outra.
O celular dela apitou, indicando que era a hora. Tremendo, pegou o teste.
─E então?
─Veja por você mesmo.
Ele assim o fez. Positivo. Tomou-a em um beijo apaixonado, muito feliz com a notícia. Diana teria um filho seu, e nada poderia ser melhor.
No mês seguinte, casaram-se em uma cerimônia pequena, apenas família e alguns amigos. E desde então, os dois eram muito felizes juntos.
Dias atuais...
Um ano juntos. Três meses como marido e mulher. Na próxima semana, Diana completaria seis meses de gravidez, e logo seu filho viria ao mundo. Ele tinha a vida perfeita. A mulher que amava, um futuro filho, e tudo o mais que poderia desejar. Assim como Diana o fazia feliz, faria de tudo pela felicidade dela.
Assim, com esse pensamento, estava decidido a procurar ajuda profissional. Descobriria o que se passava em sua mente, e consertaria tudo. Diana merecia um marido em plenas faculdades mentais quando seu filho nascesse. E daria isso a ela.
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