Recomeço

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esse era para ser um capitulo único mas, resolvi que irei escrever um epílogo.

Barry Allen, o Flash, morreu. Não havia túmulo para ele, seus amigos e familiares não sentiriam sua falta pois este Barry Allen era apenas uma sombra, um remanescente do tempo. Curiosamente sua consciência estava bem viva, presa em uma cidade vazia parecida com a sua, ele estava na força de aceleração, de novo. Pensando bem, não deveria ser uma surpresa, a primeira vez que havia parado aqui tinha sido após seu corpo se desintegrar e agora a mesma coisa aconteceu depois de correr o mais rápido que podia tentando vencer Zoom.

Por outro lado, para que ele entrasse ali era preciso que a própria força o quisesse. Infelizmente, ele era apenas um resquício de Barry, o que a força de aceleração poderia querer dele?

Como se estivesse lendo seus pensamentos uma voz familiar lhe tira de seus pensamentos:

—Aposto que está se perguntando o porque de estar aqui.

Barry se vira e da de cara com a figura sorridente do pai. Mesmo sabendo não ser o verdadeiro ele não consegue segurar as lágrimas e se joga nos braços do outro homem.

—Me perdoa. — Ele consegue dizer entre as lágrimas. A entidade com a forma de Henry Allen toma o rosto do herói em suas mãos e o faz olhar em seus olhos.

— Você não tem que pedir perdão, seu pai quer que saiba que ele lhe ama muito e tem muito orgulho do homem que você se tornou, entendeu?

Barry balança a cabeça afirmativamente, mais lágrimas caem de seus olhos mas, dessa vez elas veem acompanhadas de um sorriso embaraçado.

A força encarnada na figura de Henry solta o rosto do jovem e espera pacientemente este se recompor.

— O que eu estou fazendo aqui, o meu outro eu, ele não … morreu, certo?

Henry sorri.

—Não se preocupe, o outro Flash está vivo e conseguiu parar Zoom.

Barry deixa escapar um suspiro aliviado.

— Então, se ele está bem porque me trouxeram aqui, eu que sou apenas um remanescente do tempo?

A figura de Henry desaparece e Nora Allen aparece.

— Você é tão Barry quanto o outro, infelizmente o seu desaparecimento naquela dimensão era algo inevitável.

Ela diz tocando carinhosamente o rosto cabisbaixo de Barry. O jovem sabia que não havia espaço para ele naquela vida, mesmo se não tivesse se sacrificado seu destino já estava selado. Quando o tempo dele sincronizasse com o do outro Barry, ele desapareceria.*

— Você é muito corajoso meu querido, tanto que nos fez querer lhe dar uma outra chance. Há outras dimensões, outra Terra que necessita de um herói como você. Claro, isso é apenas uma opção, se descansar é o que você quer nos deixaremos sua consciência ir.

Barry ficou pensativo, ele sentia dentro de si que ainda não era sua hora, mas, ao mesmo tempo, será que conseguiria viver e ser o herói necessário longe de sua família e amigos.

— Antes de responder há uma outra coisa que gostaríamos de pedir a você, queremos que seja um herói novamente e ajude outra pessoa.

Barry franzi as sobrancelhas.

— Ajudar alguém, quem?

— Vocês se conhecem, eram inimigos, mas você conseguiu ver algo dentro nele que ninguém mais viu, a capacidade de ser um herói.

Barry sabia que a figura da mãe só podia estar falando sobre uma pessoa, um ladrão que havia partido em uma missão para salvar o mundo.

— O que aconteceu com Snart?

— Assim como você, ele se sacrificou para salvar seus amigos e agora está preso no fluxo temporal.

O queixo de Barry caiu, quem diria, Leonard Snart, o herói. O garoto sorriu animado, ele salvaria Leonard e depois esfregaria naquela cara arrogante o quanto ele estava certo. Havia bondado no ladrão, ele sempre soube.

— O que eu posso fazer para ajudá-lo?

A aceleração agora tornou a forma de Harryson Wells

— Não seja bobo Allen, você faz o de sempre, você corre.

Barry abriu a boca para recrutar mas, fechou quase que imediatamente. Harry estava certo, ele só precisava correr e foi o que fez.

Ele correu rápido como fazia quando voltava no tempo só que aqui era a força de aceleração quando corria ele acessava o próprio tempo, era tão obvio. A sensação era parecida também, Barry precisava ter cuidado para não se perder mas, sua mente estava focada.

Ele se concentrou na figura de Snart em seus olhos incrivelmente azuis que pareciam tão frios, mas Barry já havia visto a dor e a raiva que escondiam, no amor que ele sentia pela irmã e principalmente no último encontro dos dois o que ele não havia contado a ninguém que ocorrera um pouco antes de Leonard embarca em sua missão.

Ele se focou com força nessa última lembrança e como por mágica ele viu, flutuando no nada, Snart. Ele estendeu a mão e o homem mas velho a agarrou os olhares do dois se encontraram e eles estavam de volta a força de aceleração.

— Sempre o herói não é Escarlet? — Snart diz com seu costumeiro sorriso sarcástico.

—Eu ouvi dizer que eu não sou o único. — Barry devolve com o mesmo sorriso.

O ladrão da de ombros:

— Qualquer um faria o mesmo se tivesse que aturar aquela tripulação por mais um dia.

Antes que Barry possa responder a voz de Lisa Snart soa:

— Não ligue para ele Barry, Lenny sempre foi um cabeça dura.

Os olhos de Leonard se arregalam por um instante mas, rapidamente voltam ao jeito frio e calculista de sempre.

— Você parece com ela mas, não é minha irmã.

A mulher confirma com a cabeça mas é Barry quem explica. — Eles são a força de aceleração, assumem a forma das nossas pessoas queridas para nos dar maior conforto.

—Eles? — Snart pergunta com ênfase no “s” e como se fosse um sinal, vários outros aparecem. Eles veem nas formas dos membros da tripulação da nave de Rip Hunter e como os amigos e familiares de Barry.

O que assumiu a forma do Professor Stein toma a frente:

—Sejam Bem-vindos.

A visão meche com o coração de Barry, ali estão todos que ele ama e que nunca mais ira ver, algumas lágrimas rolam pelo seu rosto. Ele olha para o lado e ver Snart, seu rosto esta seco mas, a emoção é visível em seus olhos.

Mick e Sarah se aproximam de Leonard:

— Aposto que você está morrendo por dentro por não saber o que está acontecendo, não se preocupe nos já iremos lhe dar as informações necessárias para você pode bolar seus planos.

Snart sorri, a cópia imitava direitinho o jeito de falar de Mick.

A falsa Sarah continua:

— Nos queremos lhe dar a mesma oportunidade que demos ao Barry aqui, a chance de ser um herói em outra Terra, outra dimensão.

Mil perguntas aparecem na cabeça do ladrão, mas ele as condensa nas principais.

— Porque não podemos voltar para a nossa Terra, Central City não precisa do seu herói e minha irmã, Mick estão bem?

Dessa vez é o capitão Rip que toma a frente:

— Sua irmã e todos os membros da nave estão bem, incluindo Mick. Quanto ao voltar para sua dimensão eu receio que seja inviável. Você irritou demais o fluxo do tempo naquela dimensão e o Flash em ordem de salvar o universo de Zoom criou uma cópia voltando no tempo que se sacrificou, assim como você. Central City ja tem um Flash.

Snart olhou discretamente para Barry. O garoto parecia de alguma forma envergonhado mesmo depois de Rip contar sobre seu sacrifício. Não fazia sentido mas, qual foi mesmo a palavra usada para descrevê-lo?

Cópia…

Não deveria ser muito agradável.

Stein voltou a falar:

— Nos vamos deixá-los um pouco a sós para que decidam o que pretendem fazer

Assim que eles desapareceram Leonard se virou para Barry e antes que o garoto falasse ele o cortou.

— Você não é uma cópia. É tão Barry quanto aquele que ficou.

O garoto sorriu, um sorriso tão radiante e puro que fez o coração de Leonard falhar uma batida.

— Obrigado, você é o segundo a me dizer isso, significa muito pra mim ouvir isso de você.

Os dois se olham, eles estão a poucos centímetros um do outro. Não lembravam de terem se aproximado tanto mas, não era sempre assim?

Eles sempre chegavam perto demais, trocavam olhares intensos demais e calavam sentimentos perigosos demais.

Agora porém as coisas mudaram de figura, eles tinham a chance de recomeçar, abandonar os lados opostos e se unirem em talvez, mais de um sentido…

Não… Leonard não podia se deixar levar por um sentimento tão egoísta.

Barry era lindo, puro e tão jovem, ele merecia alguém melhor que um ladrão que o machucou tantas vezes.

O próprio Barry porém, não concordava:

— Eu quero ir com você.

A voz era firme assim como o olhar mas, Leonard podia ver o nervosismo atravessando seu corpo.

— Você tem certeza disso garoto, você pode achar que eu sou um herói agora e de fato eu me tornei um pouco menos egoísta mas, eu ainda não sou nenhum cavaleiro de armadura dourada.

Barry se aproximou mais, seus narizes estavam quase se tocando.

— Eu sei que você nunca vai ser um dos mocinhos mas, eu sei também que você não é mau. Porque não dar uma chance para nos? O que nos temos a perder?

O pedido é feito em uma voz de súplica, Leonard não podia entender o que aquele garoto com sorriso de anjo e poderes de um Deus poderia ver nele.

A lembrança da noite antes dele embarcar na nave veio a sua cabeça.

Ele estava no bar pensando sobre a loucura que havia aceitado participar quando é sequestrado por um vulto vermelho.

Flash o traz para um lugar familiar, a floresta onde o herói havia lhe mostrado seu lindo rosto pela primeira vez.

— É verdade o que o Professor Stein disse, você vai embarcar em uma missão para salvar o mundo de Vandal Savage?

Leonard dá o seu famoso sorriso sarcástico:

— Não se empolgue garoto, eu tenho os meus próprios motivos.

Barry porém não cai na conversa, ele balança a cabeça rindo e diz:

— Continue dizendo isso, eu sei que no fundo você quer mudar, quer ser melhor e eu vou estar aqui esperando quando isso acontecer.

O ladrão bate palmas.

— Foi um belo discurso garoto, me faz pensar se a algo por trás de toda essa sua insistência na minha “bondade”.

A frase é dita com malícia e provocação, buscando irritar o herói mas, ao invés disso o garoto cora e murmura.

— Se tiver, não muda o fato de ainda sim ter algo a mais ai dentro, além desse criminoso frio que você gosta de mostrar.

Outro borrão vermelho e Leonard esta de volta ao bar.

O ladrão não era cego, havia uma faísca entre ele e o herói, uma mutua atração física, mas era apenas isso. Barry jamais se permitiria sentir algo a mais por um criminoso. Pensar e conjecturar o que as palavras do garoto queriam dizer só serviria para criar falsas esperanças.

Mas e agora? O que ele poderia fazer, vendo o olhar suplicante de Barry e a promessa de um novo começo?

Quem poderia culpá-lo por tentar...

Leonard se inclina e cola os lábios nos de Barry que respondeu prontamente. O que era para ser um simples selinho se tornou um beijo apaixonado e intenso. Quando se separam, Leonard se deparou com um Barry sorridente mas, ele ainda precisava ter certeza de uma coisa.

—Você sabe, nessa nova Terra, Pode haver outra Iris.

Barry não hesitou, sim ele ama íris e provavelmente sempre a amaria mas, a íris com quem cresceu e pode nutrir todo seu sentimento, não uma estranha. Nesse momento tudo o que ele via era o homem em sua frente que mexeu com sua mente desde a primeira vez que o viu mas que ele nunca permitiu o sentimento aflorar.

Agora ele tinha uma chance, todas as duvidas e barreiras morais que o prendiam estavam quebradas, estava livre para amar e tentar construir uma relação com esse novo e (quase) heroico Leonard Snart.

Com Determinação, Barry enlaça seus braços ao redor do pescoço de Leonard e responde:

— Eu espero que ela esteja muito feliz com Eddy.

Isso era tudo que Leonard precisava ouvir, eles se beijam novamente, um beijo casto mas, igualmente apaixonado.

Eles estavam prontos para partir.

Notas finais
* Quando assisti o final da temporada eu não entendi muito bem o conceito de Remanescente do tempo mas, me explicaram que o remanesce acontece quando o Barry viaja um curto período no passado tipo 10 minutos. Quando os 10 minutos passam o Barry do passado desaparece ou se funde com o Barry do presente para não criar um paradoxo. Não sei se isso ta certo mas é essa a explicação que to levando em conta nessa fic.