Recomeçar
6 Capitulo 5
Tomei um banho e sai pelo corredor enrolada em uma toalha. Alguém segurou meu braço e eu virei pronta para soca-lo, meu corpo foi prensado contra a parede e meu pulso segurado.
Encarei os olhos azuis de Daryl em total surpresa.
— Acha que vai me socar e me deixa para trás?
— Acho. — Respondi.
Ele olhou para baixo notando que eu estava completamente nua, no movimento a toalha tinha caído e só tinha a roupa dele atrapalhando nosso contato.
Seus olhos passearam por minhas curvas depois se afastou virando de costas.
— Vista algo para conversarmos.
— Não vou vestir nada. Se tiver que falar algo, olhe para mim e fale. Ou não consegue olhar para mim?
— Carly... — Coloquei a mão no seu ombro o forçando a virar para mim.
— Olhe para mim!
— Você é uma garota...
— Sou maior de idade Daryl. Acha que uma garota tem um corpo assim?
— Não. — Demorou, mas respondeu. — Não tem. Tem o corpo de uma mulher incrivelmente gostosa.
— Ótimo. Agora deixe de bobagem.
— Carly por favor.
Era uma suplica. Eu não conseguia entende-lo. E não queria. Agarrei a toalha e enrolei no meu corpo depois entrei no quarto. Vesti uma lingerie depois uma calça jeans, camiseta gola v preta, jaqueta bomber preta e uma bota de montaria. Arrumei a minha mochila rapidamente e quando sai encontrei Daryl em pé encostado na parede.
— Onde vai?
— Vou sair. Ir para outra casa, ou ir embora. Não precisa ficar preocupado comigo. Sei me defender.
— Carly...
— Daryl esquece isso ok? Quando você não me ver mais vai esquecer que um dia sentiu atração por uma garota. Não se preocupe. Não tem por que se sentir culpado. Não fez nada demais. Pensar não é pecado.
— Eu realmente não quero que vá.
— Eu sei, mas eu quero ir. Sinto muito. — Cheguei ao topo das escadas. — Foi bom conhecer você Daryl Dixon.
Desci as escadas e sai da casa a passos largos. Encontrei com Rick e Carl no meio do caminho.
— Vou morar em outra casa.
— Por que? — Carl perguntou.
— Vai ser melhor assim Carl. É difícil de explicar.
— Mas... Não vai embora não é?
— Não. — Sorri. — Só vou morar em outra casa vaga.
— Mas pode ser perigoso. Fique na nossa casa. É mais seguro.
— Acredite não é. — Lancei um olhar para Rick que assentiu. — Obrigada.
Consegui uma casa vaga mais pequena, mas aconchegante. Tinha algumas coisas para arrumar e limpar, mas eu conseguiria deixa-la habitável. Andei por cada buraco desde que isso começou que um casa assim era uma mansão.
Arrumei minhas coisas depois fui fazer alguma comida. Os três dias seguintes vi Daryl só de passagem e fazia questão de não encara-lo. Um pouco era raiva dele e por seus princípios idiotas. Mas também era vergonha por ter me jogado para cima dele igual uma vadia.
Pior ainda era ter levado não um, mas dois foras.
Maggie e Glenn não me largavam um segundo. Sempre que podiam estavam atrás de mim puxando conversa. Aqueles dois formam o casal perfeito. Me aproximei bastante de Rick e Michonne e principalmente de Carl que quase sempre estava lá em casa, querendo uma companhia para conversar ou uma comida boa para comer, Enid o acompanhava as vezes.
— Onde aprendeu a cozinhar? — Carl perguntou.
— Com a minha mãe. Ela teve câncer. Eu larguei a faculdade para voltar para casa e cuidar dela já que Negan na época já era um idiota que a traia. Só que ela o amava. Nunca consegui voltar já que os zumbis tomaram a terra.
— Não perguntou a ele o que aconteceu?
— Não precisei perguntar. A resposta era obvia. Morreu. — Respondi.
— Sinto muito Não queria faze-la lembrar disso.
— Tudo bem, Carl. Já passou. Vamos?
Ele pegou mais um pedaço de bolo antes de sair. Fomos para a horta.
— Não foi um ferimento de luta. — Carl quebrou o silencio de quase uma hora. — O olho. Foi... Levei um tiro no olho. Não sei explicar como sobrevivi.
— Sinto muito. Você não merecia isso Carl.
— Ninguém merece.
— Sim, mas tem uns que sofrem mais que outros. Você teve que crescer obrigado e assumir um papel de homem. — Coloquei a mão no seu ombro. — Quero que saiba que sinto orgulho de você.
— Você é uma ótima amiga. Uma pena nós não termos nos encontrado antes. Você gostaria da mamãe, da Beth, do Hershel. — Olhou para o chão.
— Sei que é a coisa mais idiota para se dizer, mas... Onde eles estiverem estarão melhor que aqui.
— É. É idiota. — Riu. — Fala como se eu fosse aquelas crianças.
— Você é um chato mau humorado hein? Tem quantos anos? 50? 60?
— Haha. Engraçadinha.
Quando acabamos Carl se despediu e foi encontrar Enid. Encontrei com Michonne no caminho.
— Rick te colocou no grupo de vigia. Tudo bem?
— Claro. Só falar o dia. Fiquei com quem?
— Rick, Daryl e eu.
— Daryl? E ele aceitou por acaso?
— Sim. Sem pestanejar. Nas palavras dele antes com gente de nós do que com estranhos.
— Ele realmente acha que sou uma bonequinha de vidro.
Me afastei furiosa.
No outro dia Carl me avisou que eu ficaria de vigia naquela noite então me liberou de ajudar na reforma do muro ao qual eu estava trabalhando, para descansar. Só que não consegui descansar.
Fiquei realmente nervosa uma noite em claro de vigia com eles, com Daryl.
Isso não ia da boa coisa.
No horário das trocas de turno me arrumei e caminhei em direção aos muros. Os três já estavam me esperado quando cheguei.
— Boa noite. — Murmurei indo me sentar ao lado de Michonne.
— Não espere uma noite agitada. — Rick falou. — Nossos companheiros não são de muita conversa.
— Por mim tudo bem. Só uma coisa antes, Carl me disse que você era xerife. — Riu.
— Sim. Tinha levado um tiro e estava em coma quando tudo começou. Acordei no meio do apocalipse.
— Sorte a sua que você já sabia atirar. — Assentiu sorrindo.
A noite passou lenta por causa do silencio. Admito que estava com sono, mas nunca iria falar isso em voz alta.
Quando finalmente fomos liberados segui para a minha casa, mas encontrei um cara parado na porta.
— Carly não é?
— Sim. Quem é você?
— Thomas. O pessoal esta se arrumando para sair em uma busca. Queria saber se você quer ir junto?
— Quando?
— Amanhã.
— Ok. — Sorriu.
— Ótimo. Ate amanhã.
Fiquei encarando ele se afastar depois virei e encontrei Daryl me encarando. Sua expressão era de irritação.
Sem me importar com isso simplesmente entrei na casa.
Já estava tão acostumada a vê-lo irritado que não era novidade.
Descansei depois me encontrei com Thomas para saber sobre as buscas.
A saída foi tranquila fomos em um carro entre quatro pessoas. Uma delas Michonne o que me deixou mais tranquila. Thomas estava sempre por perto sorrindo e tentando puxar assunto.
Consegui ao máximo ignorar. Era um idiota.
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