Notas iniciais
and the angels sings hallelujah Olá pessoal, chegamos com mais um capítulo para vocês. Teremos três encontros interessantes e com um deles, traremos as respostas para as dúvidas que vocês tem tido. **SidneyMills

Killian continuou sua caminhada até parar em frente ao Granny’s, mas, ao lembrar de suas vestes e da forma como as pessoas lhe encaravam por causa de tal, achou melhor, antes de iniciar qualquer busca por Emma na cidade, trocar suas roupas por algo mais normal. Para os habitantes, é claro.

•§•

Com uma calça de jeans escuro, uma bota preta, jaqueta de couro também preta e uma luva no lugar do gancho, Killian entra na lanchonete da vovó, com olhos atentos. Ao encontrar Emma sentada bem próxima de si, seu coração bate acelerado e no impulso, direciona seus passos até ela, mas interrompendo-se logo que se lembra da possibilidade dela não se lembrar dele também. Não sabia o que tinha acontecido para todos estarem de volta em Storybrooke, pois não tinha muita confiança no que o seu outro eu tinha lhe dito lá na Floresta Encantada do Reino do Desejo e não sabia por que a própria Emma também estava de volta, mas sem as memórias. Precisava agir com cuidado para não perder as oportunidades e estragar tudo.

Como se fosse o dono do mundo, Jones caminha lentamente até o balcão e pede à Ruby uma dose de rum.

— Coloca em minha conta, por favor! — Ruby lhe direciona um olhar confuso, claramente questionando qual a conta ou mesmo o seu nome. — Se não tiver uma, cria. — Pede autoritário, mas logo se recrimina por isso. Estava irritado e nem sabia o motivo. — Desculpa. — Pede em um tom mais civilizado e a outra assente rapidamente.

— Qual o seu nome? — Lucas pergunta, enchendo o copo e olhando curiosa para a luva que cobria o lugar do gancho.

— Killian Jones. — E de uma só vez, toma todo o líquido, sentindo-o queimar na garganta. — Outra dose, por favor. — Pede sem pestanejar. Enquanto Ruby se vira para atender o seu pedido, o homem se vira de costas para o balcão, e procura Emma com o olhar, encontrando-a segundos depois, de costas para si, conversando com Regina. A aproximação que as duas mulheres tinham no momento, incluindo as mãos unidas, deixa o pirata confuso e curioso. — Será que são amigas? — Questiona para si.

— Seu rum. — Ruby anuncia, trazendo-o de volta, e fazendo-o se virar novamente.

— Você conhece aquelas duas mulheres? — Pergunta baixinho, apontando para Emma e Regina, e aproximando-se mais do balcão.

— São novas aqui. Assim como você. — O homem torna a olhar para a garçonete, que já lhe observava, e a encara por alguns segundos. Ato seguinte, olha para o líquido do copo, tendo uma ideia, e o entorna rapidamente, levantando-se em seguida e, com passos lentos, indo até as duas mulheres, que se afastam rapidamente, quando percebem sua presença.

— Bom dia, senhoritas! — Ele as cumprimenta educadamente, mas com sua atenção toda focada em Emma. Ele nem disfarçava o interesse na loira. Regina revira os olhos e fecha a mão em punho, sentindo algo que ela não queria admitir, percorrendo pelo corpo. — São novas por aqui? — Emma assente, respondendo pelas duas. Disfarçadamente, observava as roupas que o homem vestia. Estava bem apresentável. — Prazer, Killian Jones, ao seu dispor. — Estende a mão para Emma, que ao aceitar o cumprimento, tem a mão direita beijada por ele. — Eu estava pensando...

— Você pensa? — Regina indaga baixinho, com raiva. Ao escutar a morena, Swan sorri, mas olha rapidamente para ela, pedindo silenciosamente, que fique quieta. Regina revira os olhos mais uma vez, e desvia a atenção para o outro lado.

— Desculpa... — Killian pede com um sorrisinho, ainda segurando a mão da loira. — O que você disse? — Pergunta, realmente curioso para saber o que a outra mulher disse.

— Não foi nada. — Emma responde por ela. — O que você estava dizendo antes? — Pergunta, fingindo interesse.

— Ah, sim! — Solta, voltando-se para ela. — Bem, já que são novas por aqui, se quiserem, especialmente você... — Arqueia uma sobrancelha, claramente tentando seduzir a mulher, que se segurava para não sorrir. — Posso mostrar a cidade e depois podemos sair para tomar alguma coisa.

— Obrigada pela gentileza, Killian. — A loira responde educada, soltando sua mão da dele.

Enjoada com o que assistia, Regina se levanta da mesa, propositalmente fazendo barulho com a cadeira, chamando a atenção de Emma e Killian, e segue para o balcão. Em seguida, o sino da porta, toca, indicando a chegada de alguém, e segundos depois, Henry passa pela mesma, seguindo direto para a mesa que as mães estavam antes, mas parando assim que vê Emma e Gancho em pé, bem próximos, dividindo o olhar entre ele e algo além dele. Franze o cenho, nitidamente confuso e olha ao redor, encontrando sua outra mãe com uma expressão de poucos amigos no rosto, encostada no balcão. Sem pensar duas vezes, junta-se a ela.

— O que está acontecendo ali? — O garoto pergunta, vendo sua mãe conversar com o pirata. — Ele se lembra de nós? — O semblante triste que o menino carregava quando entrara no estabelecimento, por causa de Violet, até sumiu.

— Está perguntando a pessoa errada. — Mills murmura, cruzando os braços, tentando desviar sua atenção dos dois.

— Vocês o conhecem? — Ruby pergunta, chegando por trás de mãe e filho, que assistiam Killian se despedindo de Emma, que agora se aproximava dos dois.

— Não. — Henry responde pelos dois, virando-se para a garçonete. — Você o conhece?

— Essa cidade é pequena e só há o Granny’s de lanchonete até hoje. Todos vêm aqui quando não querem comer em casa.

— E você nunca o viu antes... — Regina completou, sem paciência com o rodeio que Lucas estava dando para responder uma simples pergunta.

— Quem nunca viu quem antes? — Emma pergunta curiosa, aproximando-se do grupo.

— Killian Jones. — Ruby responde, afastando-se da família para ir atender um cliente.

•§•

Após se despedirem de Ruby, os três saíram da lanchonete e pararam próximo as cercas que separam a rua da área do estabelecimento.

— Será que ele também escapou da maldição? — Henry indaga, curioso com o que a loba dissera minutos antes sobre Gancho. — Isso explicaria ele ser novato para Ruby. — Teoriza. Afinal, era sua especialidade criar teorias.

Ao longe, observavam Killian atravessar a rua, seguindo em direção as docas.

— Mas como ele conseguiu, se também estava com os outros na floresta? — Regina também explana sua dúvida, intrigada.

— Talvez ele não tenha escapado, mas tenha ido parar em outro lugar, quando tiveram que voltar. — Henry opina, dando de ombros.

— Aliás, Gold não nos disse por qual motivo tiveram que voltar. — Regina comenta e Henry concorda.

— Ele só disse que todos voltaram para cá e precisavam de nossa ajuda, que aqui estava sob o comando da Fada Negra e explicou o motivo pelo qual ele e Belle não vieram junto com os outros e como nos encontrou. — Henry acrescenta e Regina também concorda.

— Eu vou atrás dele. — Emma, que estava calada, observando o pirata andar para longe, pronuncia-se finalmente. — Preciso saber de onde ele veio. Talvez ele se lembre de nós e só não falou nada, porque acha que não nos lembramos dele também. — Fala mais para si, que para os outros dois.

— Emma, espera... — Mills a segura pelo braço, impedindo-a de começar a andar, mas a solta rapidamente.

— Não se preocupe. — Aproxima-se da morena, deixando-a nervosa e de coração palpitante com a aproximação, e a olha no fundo dos olhos. Seus verdes diziam aos castanhos bem mais do que as palavras que saiam de sua boca. — Não vou dizer nem fazer nada que nos comprometa enquanto não tiver certeza de suas memórias. — Assegura, ameaçando se aproximar mais, mas desistindo e se afastando, seguindo na direção que o pirata fora. — Encontro você mais tarde. — Avisa, já mais afastada, virando-se de costas a tempo de ver a morena assentir.

— Eu vou com você. — Henry avisa, correndo atrás da mãe, olhando para trás e tendo o consentimento da outra.

Pensando em fazer uma visita à Gold, tencionando questionar ao homem algo referente ao pirata e a volta deles para a cidade, Regina dá meia volta e segue na direção contraria a Emma, mas para seus passos assim que escuta um barulho vindo de trás da cerca que separava o terreno do Granny’s de outro estabelecimento.

Curiosa, Mills aproxima-se devagar e tem um susto assim que seus olhos encontram um David completamente sujo, caído ao chão. Olha ao redor, procurando alguém que possa ajudar, ou mesmo Emma, mas ela já havia sumido no fim da rua, assim como Henry e Killian.

Rapidamente corre até o homem, acreditando que ele está machucado, mas ao sentir o forte odor de álcool, entende que ele está bêbado.

— Jesus! — Sussurra, vendo a situação deplorável do homem, conhecido por ser charmoso, mas que, no momento, de charmoso não tinha nada. — David? — Hesitante, toca em seu braço e o ajuda a se levantar.

— Olá, moça bonita! — Responde galante e Mills revira os olhos. — Como sabe o meu nome? — Pergunta de cenho franzido. Sua voz saindo embolada por causa do tanto de álcool em seu sangue.

Dando-se conta da besteira que acabara de fazer, Regina xinga-se mentalmente, procurando algo para mudar o assunto, aproveitando da embriaguez de Nolan, que não o deixará notar que fugiu de sua pergunta.

— Você é nova aqui? — David torna a perguntar, esquecendo-se de sua pergunta anterior. Regina suspira aliviada por ele mesmo ter mudado o assunto.

— Sim, eu acabei de chegar. — Responde, limpando o grande casaco que ele usava, sujo de areia. — Você ainda mora no mesmo lugar?

— No mesmo lugar? — Fecha os olhos com força, sentindo as pontadas na cabeça.

— Eu vou te levar para casa. — Diz, ignorando a pergunta dele. Mais uma vez tinha cometido um deslize, e agradecia por ele estar bêbado o bastante para não se lembrar disso depois, e nem mesmo ficar lhe questionando. — Esse carro é o seu? — Aponta para a viatura parada perto da placa da lanchonete e o homem assente. — Você pode me dar as chaves? — Sem protestos, ele mexe no bolso da calça e a entrega. — Vamos! — Colocou o braço do homem ao redor do seu pescoço e o arrastou até o carro. Torcia mentalmente, para que eles ainda morassem no mesmo lugar.

•§•

Regina dirigiu por alguns minutos e log parou em frente à entrada, que sabia ser do apartamento dos pais de Emma, respirou fundo, preparando-se para encontrar uma Mary Margaret sem lembranças de si, saiu do carro e caminhou até a porta do passageiro, abrindo-a e, com dificuldade, tirando um David quase adormecido de lá.

Caminhou com ele pendurado em seu pescoço, pensando que jamais imaginou uma cena daquela, nem mesmo quando eram inimigos e ela tinha pesadelos com eles, até a porta do apartamento, e tocou a campanha.

— Eu queria que ela estivesse aqui. — O homem sussurrou, atraindo a atenção de Regina.

— Quem? — Perguntou, curiosa, atenta à tudo que ele diria.

— Ele sumiu. — Voltou a dizer, deixando Mills confusa e ainda mais curiosa que antes, querendo saber quem seria ela e ele.

Mas antes que pudesse questionar algo mais, a porta se abre e uma Mary Margaret assustada, com olhos e nariz bastante vermelhos, que denunciavam um choro, aparece.

— Quem é você e o que está fazendo com o meu marido? — Mary disparou assustada. Então, olhou para a mulher de cima à baixo e depois para o marido, pendurado em seu pescoço, quase caindo.

— Apenas alguém que o encontrou em péssimo estado na rua, e quis ajudar. — Fez uma careta por causa do peso do homem. — Sou Regina. — Apresenta-se, sentindo-se estranha por estar em frente à mulher que por tantos anos fora sua inimiga, e ironicamente, agora é sua sogra, e ela nem mesmo sabe sobre a filha ou o seu nome.

— Eu lembro de ter visto você no Granny’s hoje cedo. — Diz em tom de reconhecimento. — Onde o encontrou? — Tocando-se de que o peso do marido estava incomodando a mulher, aproximou-se rapidamente, e após fazer uma careta pelo forte odor de álcool, passou seu braço pelas costas dele, e o carregou, com dificuldade, para dentro do apartamento. Regina se manteve no lugar, esperando-a voltar para poder responder.

Ao colocar David em cima do sofá, Mary Margaret voltou para a porta.

— As chaves do carro dele. — Mills as estende para a mulher de cabelo curto e ela sorri em agradecimento. — Ele estava caído ao lado da cerca da lanchonete.

— Sei que estou fazendo muitas perguntas, mas, como sabe que ele mora aqui? — Cruza os braços e arqueia a sobrancelha, intrigada com a mulher à sua frente. — David não consegue nem ficar em pé sozinho, quanto mais dizer onde mora e ensinar o caminho.

— Eu escutei quando você falou o nome dele para a garçonete. Quando o encontrei e o coloquei no carro, voltei e perguntei se alguém o conhecia e sabia onde ele morava. Um casal me informou tudo o que eu precisava saber, e bem, aqui estou. — Respondeu rapidamente, procurando ser a mais verdadeira possível, torcendo para que ela acreditasse. Já havia pensando em toda a história durante o caminho. Estava preparada para qualquer pergunta. Sabia que a mulher de cabelos mais curtos que o seu, iria perguntar. — Eu sinto muito. — Murmura verdadeiramente penalizada. Pela primeira vez em sua vida, Regina não vira esperança e nem mesmo o brilho de felicidade nos olhos de Mary Margaret, mas sim descrença, tristeza, e vários outros tipos de sentimentos que passavam longe de serem bons.

Depois de ver a situação do casal encantando, agora nem tão encantado assim, Regina tinha ainda mais certeza de que precisava quebrar a maldição, para que tudo voltasse ao normal. Precisava quebrar a maldição para que as vidas dos habitantes de Storybrooke voltassem a ser como tinham que ser.

— Obrigada pela solidariedade. — Mary agradece, pegando na mão da morena, mostrando empatia pela mesma. Seu gesto atrai o olhar surpreso da morena. — Agora eu preciso entrar. — Afasta-se, colando-se atrás da porta. — Tenho que cuidar dele. — Diz desanimada.

— Claro! Tenha um bom dia. — Dá alguns passos para trás, tencionando ir embora.

— Igualmente, Regina. — Mary deseja de volta, fechando a porta.

Regina olha por alguns segundos para a porta fechada e com lágrimas nos olhos, que tentava a todo custo segurar, desce as escadas do prédio em direção a saída. Estava tão atordoada com tudo que acabara de acontecer que até desistiu de ir até Gold, como planejado.

•§•

Emma seguiu Killian até as docas, mas antes de abordá-lo, pediu para que Henry deixasse que fosse sozinha. O menino relutou em aceitar, mas ao ver Archie Hopper com o seu fiel companheiro, andando do outro lado da rua, acatou a ordem da mãe, e seguiu caminho para perto do homem. Não sem antes ouvir as recomendações para que tomasse cuidado e não falasse demais.

Respirando fundo, Emma continuou com seus passos firmes até chegar ao homem, que estava de costas, observando o mar.

— Ei, a proposta ainda está de pé? — Abordou-o parando ao seu lado.

— Swan, você veio atrás de mim. — Diz animado, mas ao ver o olhar confuso da loira, percebe a besteira que fizera. Emma não tinha dito o seu nome. Muito menos o sobrenome. — Droga! — Xinga-se baixinho, acreditando que acabara de perder a melhor chance que tivera de conseguir a confiança de Emma, para então, conseguir fazê-la tomar a poção.

— Gancho? — Emma pergunta hesitante, surpresa e também confusa. Seus olhos brilhando, demonstrando que se lembrava dele.

— Você se lembra? — Indaga surpreso e também confuso.

— Eu é quem pergunto. — Rebate sorridente, fazendo-o rir também.

Os dois se abraçam forte por alguns segundos e, antes de se afastarem, Killian beija sua bochecha. Ele tinha tantas perguntas para fazer a ela.

— Eu senti tanto a sua falta... — Jones sussurra de olhos fechados, tentando segurar a emoção da saudade que queria transbordar por seus azuis. Em um ato de carinho, ainda mantendo as pálpebras baixas, o Capitão pega nas mãos da loira, e as leva a boca, tocando-as delicadamente com seus lábios finos. Quando volta abrir seus olhos, ainda com seus lábios tocando a pele alva da loira, e direciona sua vista para o rosto de Swan, seus olhos se detém na aliança dourada e brilhante, que adorna o seu dedo anelar da mão esquerda.

Ao perceber para onde Killian olhava, Swan torna a ficar séria, e devagar, puxa sua mão do agarre dele.

— Killian, há algumas coisas que você precisa saber.

Notas finais
Espero que tenham curtido esse capítulo, tanto quanto nós. Esperamos vocês nos comentários, para nos dizer suas impressões, e até o próximo!