Recomeçar

8 Capítulo 8 -Visitas.


Notas iniciais
++



Os três jovens andavam pelos corredores do hospital
bruxo. A menina caminhava tranquilamente com as mãos no bolso da calça jeans,
enquanto o loiro ao seu lado parecia nervoso, olhando para cada janela de vidro
com curiosidade como se lá houvesse alguma escapatória. O outro menino, mais
alto, charmoso e um jeito imponente de andar, não parecia mais contente em
estar ali, mas parecia seguir uma ordem silenciosa dos olhos castanhos da
menina.



-bem, ela falou que era aqui! –Hermione comentou olhando
para o número no alto da porta. –eu vou esperar aqui fora, vocês podem...



-você vai junto! –Draco a segurou pelo braço.



-como? –ela piscou os olhos, em pânico.



-é isso aí! Você nos trouxe até aqui, nada mais justo do
que ir até o fim. –Blaise riu tocando o ombro da menina com uma mão e com a
outra abrindo a porta do quarto do paciente.



Hermione tremeu dos pés a cabeça. Tudo bem, ela havia
insistido para que os dois fossem até o hospital visitar o amigo acidentado,
mas isso não significava que ELA queria visitá-lo também. Sua intenção era
ficar no salão de chá para os visitantes no quinto andar.



O quarto estava bem iluminado. Alguns outros pacientes
gemiam de dor. Draco franziu o nariz ao olhar uma bruxa que tinha um dos olhos
no meio da bochecha. O que quer que ela tenha tentado fazer... Saiu muito
errado.



E lá, no último leito, olhando pela janela, estava
Gregory Goyle. Hermione não quis pensar em sua pele esverdeada que parecia
soltar muco, e, muito menos, em como seus olhos pareciam ser independente um do
outro. A menina desviou o olhar, ouvindo um gemido vindo dos dois meninos.



-Blaise, Draco... Granger?! –ao dizer o sobrenome da
menina seu tom de voz passou de surpreso para quase irritado. Hermione ergueu a
mão em um aceno.



-oi, Goyle! –ela tentou sorrir.



-cara, você está péssimo! –Blaise fez careta e Hermione
lhe deu uma cotovelada. –digo... tenho certeza que você vai melhorar, é isso
aí!



-ah, eu já estou melhorando! –o hospitalizado comentou
com um sorriso deformado. –vocês nem chegaram a ver as escamas!



-o que você tentou fazer? Se transformar em um lagarto?
–Malfoy perguntou exaltado, alguns passos afastado da maca.



-camaleão! –Goyle comentou, desanimado. Um dos olhos
ainda fitava Hermione e o outro passava de Draco para Blaise.



-está mais para lagartixa, AAAAI HERMIONE! –Zabini passou
esfregou a mão nas costelas onde havia levado um beliscão.



-e, hm, o que saiu errado, Goyle? –Hermione estava
fazendo um esforço imenso para manter seus olhos no olho que a fitava, mas de
vez em quando um arrepio corria por sua coluna.



-eu não sei... Meu caldeirão simplesmente começou a ficar
vermelho e depois explodiu. –o menino pareceu dar de ombros.



-fala a verdade! –Draco revirou os olhos com um sorriso
de canto. –não consegue se lembrar de quantos caldeirões ele explodiu nas aulas
de poção na escola? Não sei como Snape ainda o permitia entrar na sala!



E com isso, os quatro começaram a rir baixinho. Os olhos
independentes e amarelos de Goyle relaxaram e uma risada rouca escapou pelos
lábios finos. Hermione pulou quando viu a língua bifurcada.



-e como foi que isso aconteceu? –o menino perguntou de
repente.



-isso o que? –Blaise evitou olhá-lo, se sentando na
cadeira ao lado da cama.



-Zabini, Malfoy e Granger! –Goyle revirou os olhos. –tem
alguma coisa errada nessa equação.



-ah, não ficou sabendo da sentença? –Malfoy sorriu sem
graça.



-é claro que eu fiquei. Mas não sabia que vocês tinham
que andar para cima e para baixo juntos. –ele riu.



-Goyle, desde quando você pensa? –Malfoy mandou,
irritado. O rosto vermelho e os olhos girando. Blaise disfarçou a risada
fingindo estar tossindo.



Hermione sorriu sem graça e foi se sentar ao lado de
Zabini. O bruxo deitado na maca ao seu lado parecia estar dormindo. Os minutos
se passaram tranquilamente. Malfoy xingava Goyle por ser tão estúpido, Blaise
ria de tudo e Hermione fingia que não prestava atenção na conversa. No final,
Draco já estava jogando travesseiros no velho amigo de escola.



-vocês perderam alguma aposta para terem vindo até aqui?
–Gregory riu. –ou será que a Granger os obrigou?!



Zabini e Malfoy trocaram um olhar nervoso. Hermione
começou a achar o teto muito interessante e de repente lhe deu uma vontade
louca de começar a assoviar.



-perdemos uma aposta! –os dois meninos disseram juntos.



(...)



Zabini havia acabado de aparatar. Hermione e Draco ainda
precisavam ir à casa dos Potter, como a menina havia prometido ao amigo naquela
tarde. Malfoy não estava ansioso pela visita, mas não havia nada que pudesse
fazer a respeito.



Quando finalmente chegaram à estação correta, Hermione
sugeriu que pegassem um taxi. O menino ficou em silêncio praticamente durante
todo o caminho, de vez em quanto perguntava se estavam chegando e se ainda
demoraria muito.



Desceram em frente à casa. Hermione pagou pela corrida
enquanto Malfoy fazia uma analise detalhada do lugar. Definitivamente era
apenas uma casa trouxa como outra qualquer naquela rua. O portão de metal baixo
não tinha correntes e nem ao menos estava trancado. O jardim era bem cuidado, a
grama bem aparada e as flores pareciam bem vivas. As luzes estavam ligadas e havia
uma movimentação próxima as cortinas. Draco desejou sair correndo.



-não seja bobo! –Hermione riu percebendo o olhar de
desespero do menino. –ninguém vai morder você se for bonzinho.



-e se eu não for... –ele murmurou em voz baixa.



-provavelmente, ainda assim ninguém vai morder. –ela riu
mais alto abrindo o portão como se já fosse de casa. –vamos.



Draco deu mais uma olhada para o jardim nervosamente e
depois parou ao lado da menina que batia na porta da frente com animação.
Demorou mais do que alguns segundos até que a porta fosse aberta e Harry
aparecesse com um sorriso aberto.



-ei, Mione. –ele abraçou a amiga. –ah, oi Malfoy!



-Potter! –Draco acenou com a cabeça. Hermione revirou os
olhos e guinchou o loiro para dentro da casa.



A sala de estar era quente e aconchegante. As paredes
amarelas davam um ar alegre ao ambiente. As cortinas brancas estavam mexidas,
certamente alguém estava espiando por elas instantes atrás. Uma mesinha de
madeira escura ficava entre os sofás, onde Tiago Potter sentava tranquilamente
tomando uma cerveja amanteigada.



-Malfoy-filho! –Tiago sorriu de uma forma estranha,
marota, maliciosa.



-boa noite, Senhor Potter! –Hermione foi até ele, lhe
dando um abraço rápido.



-Hermione! Sentimos sua falta! –ele sorriu, olhando de
soslaio para o menino que continuava mudo.



-bo-bo-boa noite! –Draco disse com um sorriso tremulo.



-achei que chegariam mais cedo! –Harry falou apontando o
sofá para que os dois se sentassem.



-precisamos passar no St. Mungus antes. –Hermione deu de
ombros se sentando cuidadosamente ao lado de Malfoy, que havia se atirado no
sofá seguindo a ordem de Harry.



-por quê? –Tiago ergueu as sobrancelhas por cima de sua
cerveja.



-Gregory Goyle está internado lá e...



-ah, sim! O rapaz coberto por gosma, não é? –Tiago riu.
–fiquei sabendo.



-ele mesmo! –Hermione sorriu. –ele é amigo de Draco e
então...É...Ahn... Onde está sua mãe, Harry? –ela resolveu mudar de assunto
diante dos olhares incrédulos dos dois. Draco se mexeu desconfortável.



-ela está...



-Hermione! –Lilian apareceu da cozinha, jogando um
guardanapo para o canto. –ah, e você é Draco Malfoy, não é?



Lilian Potter, para surpresa de Draco, não pareceu
surpresa ao vê-lo e muito menos irônica. Abraçou o menino da mesma forma como
fez com Hermione e depois começou a murmurar coisas sobre ele ser magro de
mais.



-sinto muito pela varinha de vocês, sei que Hermione é
uma excelente bruxa, e a magia realmente pode ajudar na hora de cozinhar! –Ela
fez uma cara de pesar olhando de um para o outro.



-ah, não, Senhora Potter, eu estou bem, sério! –ele falou
baixo, coçando a nuca freneticamente.



-nós já vamos jantar, estamos apenas esperando Sirius e
Lupin. –Lilian sorriu ainda mais abertamente. –Ted está uma graça, os cabelos
continuam mudando de cor assim como os de Tonks.



Draco sorriu por educação, mas a verdade é que não fazia
idéia de quem era Ted. Já havia ouvido falar de Lupin, seu pai vivia lançando
comentários maldosos em direção a esposa pela parente que casara com um
lobisomem.



-Eu vou tentar falar com Sirius, ele já deveria estar
aqui! –Harry resmungou indo até a lareira.



Lilian pediu que Tiago fosse tirar todas as garrafas de
cerveja da geladeira por que ela precisava de espaço. Quando Malfoy percebeu
que estava sozinho com Hermione e Harry (que falava com o padrinho pela
lareira), resolveu começar a fazer as perguntas à menina.



-quem é Ted? –ele sussurrou enquanto se ajeitavam
novamente no sofá.



-é o filho do Lupin e da Tonks. –ela sorriu. –não sabia?



-hm, minha mãe não costuma falar muito com o outro lado
da família. –ele franziu a testa olhando para os próprios pés.



-bem, então acho que você terá a chance de conhecê-los
hoje. –ela sorriu mais abertamente fitando os olhos cinzentos.



-eu acho que não deveria ter vindo. –ele resmungou sem
erguer a cabeça.



-não diga isso! –ela ralou de volta. –isso não tem nada a
ver com os tempos de colégio, Malfoy! Ninguém está...



E antes que Hermione pudesse terminar de dizer que
ninguém mais se lembrava da velha rixa entre Harry e Draco, a voz de Sirius,
vinda da lareira, soou alta e em tom de animação.



-O MALFOY TÁ AÍ? –ele pareceu rir. –Harry, se afaste da
lareira, sim?!



E Harry fez. Meio minuto depois de expectativa e pânico
por parte de Draco, a lareira explodiu e Sirius Black saiu por ela, olhando
diretamente para Malfoy com um sorriso de canto malicioso.



-ora, ora, ora, o que temos aqui? –ela falou olhando do
primeiro fio de cabelo loiro até o último dedo dos pés do menino. Draco engoliu
seco. –o filhote de Malfoy!



-Sirius, pega leve, ele está com a Mione! –Harry tentou
não rir.



-como é? –o padrinho arregalou os olhos como se não
estivesse esperando por aquilo. –Hermione, vem aqui comigo.



Ele segurou a menina pelo braço e a puxou para um canto
afastado, mas não o bastante. Harry e Draco ainda podiam ouvir o que eles
estavam falando. Sirius deu uma olhada de esgoela para Malfoy e depois voltou a
olhar para Hermione.



-por favor, Mione! –ele choramingou. –eu encontrei com os
gêmeos Weasley e eles me deram umas bugigangas novas! Diga que ele está te
incomodando, por favor! –o homem só faltava pular e juntar as mãos como uma
criança.



-está tudo bem, Sirius. Sério! –Hermione sorriu sem
jeito.



-Hermione, você não está entendendo! –Sirius franziu a
testa. –será um prazer...



-BLACK! –Lilian gritou de algum lugar da cozinha.



-droga! –ele sussurrou. –ela ouviu! Precisamos ser
cautelosos, Mione, se Lilian Potter, defensora dos pobres e oprimidos,
descobrir isso estamos perdidos.



-não será necessário, Sirius, sério! –a menina ergueu as
mãos tentando amenizar.



-tudo bem. –ele suspirou frustrado, olhando para Draco
(que estava com os olhos arregalados espremido no sofá). Sirius colocou o dedo
médio e o indicador em frente aos olhos e depois apontou para o menino em um
sinal de alerta. –estou te observando! LILIAN QUERIDA, SENTI TANTO A SUA FALTA!



Harry já não fazia nenhum esforço para não rir. Ele jogou
a cabeça no encosto do sofá e colocou uma mão sobre a barriga gargalhando.
Hermione se sentou ao lado de Draco e tentou o tranqüilizar.



-ele estava só brincando! Ele não faria nada desse tipo!
–aparentemente não funcionou já que o loiro a lançou um olhar mortal. –então,
Harry, fiquei sabendo sobre você e Gina.



-ah, ficou é! –de repente a expressão de Harry passou de
animação para frustração.



-é, o que aconteceu? –ela observou com o canto dos olhos
Draco se ajeitar no sofá.



-eu não sei. –ele deu de ombros. –ela começou a falar um
monte de coisas do tempo de Hogwarts, disse que não deveria confiar em mim e
daí terminou. Acho que ela só queria uma desculpa, na verdade.



-bem, agora você pode ligar para Luna! –Hermione sorriu
animada. Harry olhou rapidamente para Draco que o olhava com as sobrancelhas
levantadas como se dissesse “eu te falei!”.



-vocês andaram falando sobre isso? –Harry apontou para
Hermione e Draco. A menina olhou para o outro com as sobrancelhas unidas.



-não!



-ah, ótimo! –ele revirou os olhos.





Durante todo o jantar Hermione fingia não perceber os
olhares maliciosos de Tiago e Sirius para Malfoy, que fitava sua comida com
desconfiança, como se esperasse que estivesse envenenada.



Harry sorria de canto para seu prato de comida enquanto
Lilian assistia a cena com as sobrancelhas unidas.



-Sirius, Tiago! –a mulher virou os olhos verdes em
direção a eles. –parem já com isso!



-não estamos fazendo nada! –Tiago arregalou os olhos e o
outro ergueu os ombros.



-vocês sabem! –o rosto claro de Lilian se tornou
avermelhado. –Draco, querido, não se preocupe, eles não fizeram nada com a
comida.



-obrigada, Sra. Potter. –ele resmungou soltando o ar dos
pulmões, aliviado.



-droga!
–Hermione ouviu Tiago resmungar baixinho.



-você tinha que
casar justo com a única mulher do mundo que não tem senso de humor
? –Sirius
sussurrou de volta, colocando um punhado de purê na boca.



Houve um estalo na sala enquanto Lilian encarava os dois
homens com os olhos em fendas. Quando Draco pensou que seria sua deixa para
sair correndo, Lupin e a esposa, segurando um bebê de cabelos azuis esverdeados,
entraram na cozinha.



-ah, pronto! Chegou o outro certinho! –Sirius soltou o
garfo no prato e bufou, jogando uma mexa de cabelo escuro para o alto.



(...)



Hermione e Draco saíram rindo da casa. Acenaram uma última
vez para todos que estavam na porta os olhando partir. Nos últimos momentos,
Draco aprendera que a melhor coisa era simplesmente ignorar Sirius e Tiago. Era
o que Lilian, Lupin e Harry faziam na maior parte do tempo.



-admita que ele é uma graça! –Hermione sorriu, olhando
para o menino por trás dos cílios.



-Quem?



-Ted! –a menina revirou os olhos.



-ah! Sim, ele é... Quando não resolve ficar mudando o
formato do nariz a cada cinco segundos! –o menino riu acenando para um taxi
passando.



-bem, eu acho que ele gostou de você! –a menina deu de
ombros e entrou no carro pela porta que Malfoy mantinha aberta para ela.



-e qual opção ele tinha? Ele é um bebê! –ele deu de
ombros se ajeitando no banco.



Hermione sacudiu a cabeça tentando não rir. Sabia que
Malfoy não iria admitir nem que aquilo fosse salvar sua vida, mas Draco havia
gostado da visita. E, riu baixinho, não achou tão ruim quando Ted Lupin deu os
braços para ir para o seu colo.



Malfoy, parecendo estar pensando na mesma coisa que ela,
sorriu de canto, olhando os olhos castanhos quase podendo ver seu próprio
reflexo ali. Passou um braço em volta dos ombros de Hermione e a puxou para
próximo ao seu corpo pretendendo mantê-la aquecida.



A menina nem se deu ao trabalho de pensar ou sequer se
condenar, apenas abraçou a cintura dele e deitou a cabeça em seu peito,
sorrindo feliz sobre o corpo quente.



-promete que vamos voltar lá?! –ela sussurrou.



-vamos ver...



-promete! –ela insistiu se afastando para olhar o rosto
do menino. Draco sorria polidamente, e, com uma das mãos, tocou o rosto de
Hermione com cuidado.



-tudo o que você quiser! –ele sussurrou ainda mais baixo,
apenas um fio de voz saindo de seus lábios. E depois, ainda sorrindo, ele
depositou um beijo em sua testa.

Notas finais
Esse capítulo ficou um pouco menor, mas o que vocês acharam?! ++
confesso que eu me diverti muito escrevendo! HAHAHAHAHA
comentem!! ++