Recomeços

6 Capítulo 6 - Ronald


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? Primeiro, desculpem a demora pra postar o capítulo. Tive uma crise forte de enxaqueca e fiquei super enjoada. Precisei tirar um tempo pra ficar deitada no escuro kkk. Esse é um dos maiores capítulos até agora, acredito eu, espero que aproveitem. Á partir de agora iniciaremos o processo de recuperação tanto do Ron quanto da Mione (que começa no próximo capítulo.)

Apertando a alça de uma das mochilas que carregava fortemente, Ronald se encontrava parado no portão do prédio de seu melhor amigo, se decidindo se apertava o interfone que lhe dava acesso para os apartamentos ou não. Estava na mesma situação de horas antes, quando criava coragem para entrar em sua casa e contar a seus pais que tinha largado tudo para seguir o sonho de ser cineasta.

Dessa vez, entretanto, o que lhe assolava era o medo de estar fazendo uma escolha errada. Medo de ter abandonado o emprego dos sonhos de qualquer um e que lhe traria bons frutos para seguir por um caminho que, no Brasil, ainda era muito difícil.

Respirou profundamente e apertou o botão de uma vez. A foz metalizada perguntava quem ele era e pra onde iria e, se aquela não fosse uma situação corriqueira, ele até poderia começar a refletir e filosofar sobre as duas questões feitas pelo porteiro. Entretanto, havia muito em sua cabeça para esse tipo de cabeça. Talvez mais tarde, pensou o ruivo.

— E ai cara… Finalmente, em? Achei que não iria tomar essa decisão nunca e eu teria que te escutar lamentar pelo resto de nossas vidas. – Exclamou o amigo, assim que abriu a porta.

Draco Malfoy entrara e sua vida no terceiro ano do ensino médio, com pose de machão e um ar de que era o dono do mundo inteiro. Entretanto, só precisou que Ron lhe dissesse oi pra que o loiro se mostrasse uma pessoa totalmente diferente das aparências. O jovem havia se mudado de cidade com sua mãe e sua irmã e, na época, vivia grandes mudanças, uma vez que seus pais estavam se separando.

Ron lembrava-se bem das incontáveis vezes que o garoto, agora homem, aparecia em seu portão lhe pedindo para dormir na sua casa já que não queria presenciar mais uma das brigas da família. Viraram praticamente irmãos.

Quando acabaram o ensino básico e foram para o superior, não foi surpresa o jovem ter se decidido por uma faculdade integral, de medicina veterinária, e ter se mudado para o hospedagem no campus. O loiro tinha terminado a faculdade e agora já clinicava e se preparava para ingressar na pós, além de já conseguir se manter em um apartamento e, agora, abrigar o ruivo.

— E aí… – Respondeu o ruivo cabisbaixo.

— Que isso cara, já tá arrependido? – Perguntou o jovem enquanto pegava as coisas do amigo e sumia pelo corredor.

— Não estou arrependido…. – Respondeu em um tom mais alto devido a distância. – Só estou…

— Com medo? – Perguntou o loiro, já na sala outra vez, o assustando.

— Por que você anda tão rápido? – Perguntou, e o loiro apenas fez uma careta. – Não posso negar que esteja com medo, sim.

— Ron, sério cara, até quando você ia ficar naquele lugar cheio de metidinho a gravata te entregando mil coisas pra fazer todos os dias?

— Não é disso que to falando, Malfoy, sabe bem disso. – Resmungou, se jogando no sofá do amigo. – To com medo de ter feito uma escolha errada recomeçando, sabe? Vou ter que passar pela faculdade tudo de novo, provas, trabalhos, entrar em um novo mercado.

— Bem, os sonhos as vezes são mais difíceis de serem alcançados. – Comentou o loiro, coçando a cabeça e se juntando ao ruivo no sofá.

— Disse aquele que conseguiu entrar na faculdade dos sonhos e tá super bem agora. – Alfinetou

— Isso porque você insistia em tentar agradar todo mundo.

Era exatamente por isso que Ron gostava tanto de Draco. Ele não se diminuía, não deixava barato e, quando o ruivo precisava, sempre dava alguns tapas que o faziam refletir sobre a sua vida. Fora ele, afinal das contas, quem o convenceu de que, permanecer em algo que ele detestava só seria ruim para ele.

— Mais um ponto pra Draco Malfoy! E agora o que farei com meus pais e lilá contra essa minha decisão?

— Molly e Arthur são ótimas pessoas e ótimos pais, Ronald. Aposto que, assim como fizeram com seus irmãos, vão perceber que esse é o melhor pra você e logo menos estarão por aí divulgando seus filmes – A imagem fez o ruivo sorrir brevemente. – E você sabe que essa sua namoradinha não me desce, então não vou comentar.

— Bem, mas vai precisar respeitá-la.

— É… sei bem. – Resmungou o loiro, desconversando.

— Bem, de todo modo, obrigado por me deixar vir pra cá. Agora não tenho mais um emprego, mas tenho algumas economias, a gente divide as contas.

— Relaxa, cara. To te falando pra vir pra cá fazem anos, é bom poder retribuir. E tô feliz que você vai seguir seu sonho, assim podemos ficar no mesmo patamar.

— Você é muito convencido. – Disse, rindo e, logo depois, ficando sério novamente. – Obrigado

(...)

As duas semanas que se passaram desde a demissão de Ron e a saída dele da casa dos pais, pareciam, para o jovem, apenas dois dias. Não que ele estivesse fazendo muita coisa, afinal, naquele momento ele não tinha um emprego, não tinha nenhum tipo de ocupação e tudo o que fazia em seu tempo se resumia a pesquisar universidades e estudar mais sobre o mercado cinematográfico brasileiro. Entretanto, as palavras de seus pais e a briga recente que teve com a namorada, que o questionou, mais uma vez, sobre o futuro dos dois, latejavam tanto em sua cabeça que o tiravam do foco temporal que toda pessoa normal teria.

Naquele início de tarde de uma quarta-feira, entretanto, ele tinha um compromisso que, talvez, pudesse o colocar nos eixos mais uma vez. Isso porque, seu pai o chamara para um almoço e, pensando nas palavras do melhor amigo, o ruivo tinha esperanças de que ele o fosse apoiar na decisão e o ajudar na escolha de um bom lugar para os estudos.

Com a expectativa no alto, o mais novo dos Weasley apareceu no restaurante marcado, um de massas italianas que sua família costumava almoçar em alguns domingos, cerca de trinta minutos antes do combinado. Ron não se sentia ansioso daquele jeito desde que apresentara a namorada, quando rezou para todos os santos para que eles gostassem de sua escolha.

Quarenta e cinco minutos e uma limonada depois, o senhor finalmente aparecera pela porta do restaurante e, com a expressão séria demais, se sentou na frente do filho apenas o dando um boa tarde, quase como um sussurro.

— Oi, pai. – Respondeu Ron, já com as expectativas bem mais baixas.

— Ronald, eu nunca imaginei que estaria nessa posição com você agora. – Começou o senhor, entrelaçando as duas mãos sobre a mesa – Conversei com todos os seus irmãos, todos eles, mas eu realmente jamais pensei que estaria nessa posição agora porque, para mim, até esse momento, você era o filho mais parecido comigo mesmo.

O ruivo abaixara a cabeça, tamanha a vergonha que sentia naquele momento, percebia, pelo tom de voz de seu pai, que ele estava decepcionado, o que era seu grande medo. Ao mesmo tempo, sentia certa felicidade por ele achar que os dois eram parecidos até certo ponto. Se perguntou se, depois de ter abandonado tudo, em prol de seu sonho, seus pais ainda teriam orgulho dele algum dia.

Vendo que o jovem nada dizia, e querendo entender o porquê daquilo tudo e quem era a pessoa que o instigara a fazer esse tipo de loucura – até porque o Ronald que ele criara jamais pensaria em tal absurdo – o senhor começou com um breve discurso.

— Ronald, sei que na nossa última conversa não tivemos um bom entendimento, e falo pela sua mãe também, mas estou aqui para tentar conversar com você sobre esse tipo de loucura da qual está pensando em fazer. Pense bem, filho, esse tipo de coisa não pode dar certo. Você tinha um emprego seguro, que te dava diversos benefícios, um salário bom… Você ganhava o triplo do que eu ganho. O que foi que te deu, filho?

— Eu só, não era mais feliz. – Disse, simplesmente, dando de ombros

— E como pretende ser feliz ganhando pouco? Ou não ganhando absolutamente nada? Acha que Lavander vai te sustentar?

— Não, eu… – Começou a dizer mas não soube mais o que responder.

— Rony, você sabe o quanto foi difícil para sua mãe e eu criarmos vocês com o dinheiro que eu ganhava?

Olhou para o pai e, após aquela pergunta, já não conseguiu falar ou ouvir uma única palavra. Se sentiu culpado, moribundo e sentiu pena de si mesmo. Onde é que estava com a cabeça? continuar enganando sua namorada por tanto tempo? Deixou seu pai terminar o discurso, pagar a conta do que haviam consumido – No caso, apenas a limonada que tomara quando chegara – E, com a promessa de que pensaria na conversa que tiveram, se separou do senhor e seguiu em direção oposta.

(...)

Olhou para o relógio do celular e, além de várias mensagens e ligações perdidas, percebeu que três horas haviam se passado desde o almoço com seu pai. Todas as perguntas que ele lhe fizera, seguiam em sua cabeça como marteladas de alguém com muita raiva e que chegavam a deixá-lo sem muita visão. Se sentiu como em um daqueles filmes bizarros onde as coisas aconteciam lentamente, com os carros em volta dele, o sol o cegando e o andar meio cambaleante.

Resolveu parar em um desses banquinhos que diziam “I love SP” e respirar profundamente como Luna, irmã de seu melhor amigo o ensinara certa vez. Com os olhos fechados, não percebeu quando uma senhorinha se aproximou, preocupada, e se sentou ao seu lado.

— Tudo bem, meu jovem? Precisa que eu chame uma ambulância?

A senhora lhe lembra sua falecida avó, com um ar dócil, uma voz tranquila e um olhar de quem queria escutar de verdade.

— Tudo bem, obrigado por perguntar. – Respondeu, sorrindo levemente.

— Desculpe, mas não consigo acreditar muito em suas palavras. Quer compartilhar as suas angústias?

— Não é nada demais, não se preocupe, apenas algumas questões que rondam a minha cabeça.

O olhar da senhorinha, entretanto, pareciam pedir-lhe por mais e o ruivo apostava, com todas as fichas, de que aquela senhora lhe convidaria para uma xícara de chá, se não estivessem no meio de uma praça.

— Bem… – Começou novamente – Eu sou formado em RI, relações internacionais, e não curto muito a área, sabe? Cheguei a trabalhar com isso por um tempo e ganhava muito bem, o suficiente pra comprar uma casa em breve e ter a minha família. Alguns dias atrás, resolvi abrir mão do meu emprego e fazer o curso que sempre foi meu sonho, cinema.

— Mas…

— Mas não sei se fiz a coisa certa. – Continuou a frase da senhora a sua frente, suspirando logo em seguida.

— E porque acha que não fez a coisa certa?

— Meus pais são contra e parece que minha namorada também… – Disse cabisbaixo.

— Sabe, você é realmente muito parecido com meu marido. – Constatou, como se se lembrasse de algo, olhando para o céu e retornando a atenção ao jovem logo em seguida. – Meu jovem, por mais que amemos as pessoas que nos acompanham nessa jornada, devemos nos lembrar que a jornada é nossa. Vá ser feliz, meu bem. Comece a estudar cinema e, se as pessoas fizerem mesmo parte de seu caminho, então elas te acompanharão.

— E se der errado? – Perguntou, com a voz trêmula.

— Se der errado, recomece.

Ron ainda ficara mais um pequeno tempo com a velhinha e, com o coração mais leve, partiu em direção a casa de Draco. Foi nesse caminho, entretanto, que avistou uma das universidades que pesquisara no dia anterior. Parando a alguns metros de distância da entrada, lembrou-se dos comentários, das estrelas no MEC e da grade curricular e, em um ato súbito, resolveu que faria a matrícula naquele mesmo instante. Não adiaria seu sonho.

Notas finais
E ai gente, o que acharam? sei que não é muito usual, mas a @TatiHufflepuff me fez amar muito o Draco e achei que seria interessante se os dois fossem melhores amigos nesse universo. O Harry vai aparecer, em algum momento. Me contem aqui o que acharam ♥