Recomeço
1 Capítulo 1 - Chuva e lagrimas.
Notas iniciais
Um silêncio profundo tomava conta do pequeno quarto, iluminado com apenas um abajur, este em uma casa velha que ficava adentro na floreta. Na janela faltava um pedaço de vidro, devido a uma pedra que o quebrara, e podia se ver uma ponta fina que sobrara daquela falta de vidro. Olhos arregalados e marejados olhavam pela mesma janela as gotas molhando as folhas de uma arvore não distante da casa.
Não queria pensar em nada, tentava ao máximo deixar sua mente em um constante vazio. Assim engoliu em seco e fechou os olhos, deixando lagrimas escorrerem pelo rosto pálido. Colocou, então, em seu pulso o pedaço do vidro que faltava na janela e no momento em que passou a superfície ponte aguda no lugar, pode se escutar um trovão e na seqüência a luz fraca do abajur se apagar, levando consigo a pouca luz que havia naqueles olhos tristes.
Pode apenas pensar em uma ultima coisa “Enfim posso me livrar de tudo...”, ou era o que ela achava.
Do lado de fora a chuva ficava cada vez mais forte, e os relâmpagos apareciam com mais freqüência. Entre as arvores vinham pessoas correndo em direção a pequena casa, pareciam estar com pressa. Uma das pessoas subitamente para, atraindo atenção dos demais.
- o que houve? – pergunta a pessoa que estava à frente de demais.
- não sei ao certo, mas não estou com um bom pressentimento. – responde aquela que havia parado.
- então vamos rápido. – e começa a correr novamente. – a não ser que não queira vir conosco, volte. – diz de uma forma meio grossa percebendo que ela não saiu do lugar.
A poucos metros da casa um estrondoso trovão toma conta do local, então ela que ainda ficado no mesmo lugar perdida nos pensamentos, volta a si e corre o mais rápido que pode. Junto à chuva que lavava seu rosto, lagrimas involuntárias escorriam fazendo-a querer ir mais depressa.
Enfim chegaram à porta de entrada, não escutaram nada dentro da casa, hesitaram por um momento e então abriram a porta. Tudo estava escuto, ele deu o primeiro passo adentrando no quarto, até um raio iluminar o canto do lugar em que a porta aberta não se fizera alcançar com a luz vinda de fora, fazendo com que se desse para ver o corpo deitado no chão.
- AAAAAAAAAAAAAHHHH. – grita ao ver que a moça estava jogada no chão morta e começa a chorar, mas desta vez sem ser involuntariamente. O primeiro rapaz corre na direção da moça.
- não, você não fez isso. – percebe que ela havia se cortado. – não...Acorda, anda, acorda. – não estava acreditando naquela situação. Pega no pulso esquerdo, que estava intacto e percebe uma leve pulsação. – ela ainda tem batimentos. – avisa. – vamos, acorde. – começa a mexer nela tentando fazê-la abrir os olhos. Agora que parara um pouco de chorar, depois de ouvir a noticia de que a moça ainda estava viva, limpa o rosto e vai para perto da outra.
- por favor, acorde, por favor. – passou a mão no rosto da moça agora gélido devido à fraqueza em que se encontrava.
- preciso de um pedaço de pano. – pediu o primeiro garoto enquanto deitava novamente a moça no chão. – rápido. – gritou.
- tome. – entregou um segundo rapaz. O primeiro então pegou e passou pelo pulso cortado da moça e amarrou forte com a intenção de parar o sangue que aos poucos ia escorrendo.
- precisamos levá-la a um hospital e rápido. – devagar foi ajeitando ela em seus braços.
- nesta chuva? Está piorando a ca...
- se não quer ir pode ficar, mas eu não quero acabar com um enorme peso na minha consciência se algo acontecer a ela. – se levantou e foi andando em direção a porta. – você é quem sabe. – saindo pela porta percebeu que a chuva realmente estava pior, mas não a ponto de impedir que alguém naquele momento de emergência.
- “Eu deveria ter ficado quieto”. – reclama o rapaz consigo mesmo e sai correndo atrás dos outros.
Andando o mais rápido que pode, chagaram a cidade de onde haviam partido até chegar naquela casa. Não tinha um grande hospital, mas um posto que no momento serviria de grande ajuda. A cidade não era grande, poucos habitantes preservavam o lugar, mas este era muito agradável. Minutos depois de adentrarem na cidadezinha, correram para o posto.
- preciso de ajuda, UrgentE! – enfatiza o garoto entrando com a moça no colo. Enfermeiros que estavam perto, percebendo a situação a sua frente, correram para ajudar.
- o que aconteceu? – a enfermeira coloca sua mão no pescoço da jovem para sentir os batimentos.
- ela cortou o pulso. – simplesmente respondeu o garoto.
- a coloque nesta maca. – pediu um outro enfermeiro trazendo a tal maca. Feito isso, a ajeitaram. – agora vocês esperam aqui, qualquer coisa iremos avisar, não se preocupem. – então os dois enfermeiros conduziram a maca ate uma sala.
- como não se preocupar? Hein? Como não? – mais uma vez limpava o rosto, tanto de lagrimas da aparente preocupação, quando da chuva. Seus cabelos cacheados já não aparentavam o estado natural o rosto abatido de preocupação tomava conta de todo seu semblante e o brilho em seus olhos castanho claro já se haviam ido.
- não sei que idéia foi a dela de fazer essa idiotice. – reclama o outro rapaz.
- se eu fosse você ficava quieto, e não abria mais a droga dessa boca. – olhou com um certo desprezo. – não era você quem ia ficar lá, pensei que nem tivesse vindo, se não fosse por essa sua boca grande. – desvia o olhar dele para a moça de olhos castanhos. – e não se preocupe, se ela for tão teimosa quanto é para morrer, vai ficar bem. – da as costas para os três e sai do local.
- ele que deveria ficar calado. – reclama mais uma vez o rapaz.
- tem certeza que é ele? – pergunta começando a ficar irritada com a atitude do amigo.
- o que você está insinuando Sora? – olha nervoso para a garota.
- parem com isso vocês. – pela primeira vez a moça se pronuncia.
- fica na sua Hikari, estava quieta até agora, então continua. – fala do modo grosseiro com a moça.
- Mitsuru cala essa sua boca, a situação não está boa e você ainda quer piorar? – agora já estava mais irritada que nunca.
- eu... – balbucia algo.
- fica quietinho agora se não eu mesma o faço! – aponta o dedo indicador para Mitsuru.
- Calma Sora, todos estamos alterados. – Hikari tenta acalmar a amiga.
- ok. – concorda Sora abaixando o olhar em direção ao chão.
Enquanto isso do lado de fora, a chuva continua, não da mesma maneira, mas ficara ainda mais gélida. O rapaz ficou fitando uma flor que relutava em não cair da haste. Depois de muito e com a ajuda do vento mais a chuva ela foi caindo até que parou na palma da mão do garoto, que ficou observando suas pétalas em um tom roxo que clareava mais no centro da flor.
“Por mais que as coisas sejam difíceis, elas têm jeito não é?” Analisou mais a situação que presenciou da flor. “Mas parece que às vezes por mais que tentemos, não vamos conseguir fugir do inevitável.” Colocou a flor no gramado e foi andando novamente pela chuva.
Esperando por alguma noticia, depois de 10 minutos, ficavam mais impacientes que nunca. Será que a falta de noticia era uma boa noticia? Ou não teria mais jeito. Continuando pensativos, ou quietos, como estavam, não perceberam a presença da enfermeira que havia os atendido logo que entraram.
- com licença. – chama atenção. – algum de vocês é responsável ou familiar daquela jovem? – pergunta os encarando. Os três não estavam gostando muito do que aquela pergunta poderia significar.
Continua no próximo capitulo...
Notas finais
É apenas uma tentativa.
E espero poder concluí-la.
Obrigada.
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