Recomeço
1 De volta a Cabana
Notas iniciais
Estou parada do lado de fora da cabana.
Já se passaram alguns anos, sei que a história está mudando. Mais do que tudo sei que não deveria ter vindo até aqui.
Mas dizem que o vício é algo terrível. E eu deveria saber que quando nos deixamos envolver com a adrenalina e com o veneno é difícil deixar de procurar pelos riscos, pela dose extra. Aquela que não sabemos se vai nos matar ou nos tornar mais forte.
Quando abro a porta vejo toda a poeira. Nenhuma marca do que vivemos aqui. Raramente cobras deixam rastros. Eu sempre soube disso. Elas são boas em se esconder, em esperar o momento certo de atacar, guardam seu veneno até que tenham a certeza que a vítima não tem mais chance. Eu conheço bem suas estratégias, sei apreciar suas peculiaridades.
É uma dança.
Um pássaro hipnotizado pelos os olhos da serpente, tentado a encantar com seu canto. Tentando não se deixar levar pelo sibilar suave, pelo corpo rastejante que parece se adaptar aos ambientes, escondendo todos os defeitos e escamas.
Me agacho. Toco a poeira do chão.
― Coisas estranhas aconteceram aqui, não mais estranho seria, se nos encontrássemos à meia-noite na árvore-forca.
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