Recomeço
5 Capítulo V - Jogos
Notas iniciais
-Hm... Kevin? – Gwen se levantou um pouco tonta e olhou para os lados ao ver que Kevin não estava ao seu lado... Talvez ela tenha sonhado. Ela se levantou depois de se espreguiçar um pouco e saiu do quarto andando pelo corredor para descer até a cozinha. Quando alcançou as escadas, ela conseguiu sentir um cheiro bom de torradas. Ela desceu as escadas correndo e foi até a cozinha.
- Mãe! O q-...?! – Gwen olhou para quem estava preparando o café da manhã. – Bom dia... Mãe! – ela falou, fazendo graça.
- Bom dia, querida! – Kevin tentou copiar uma voz feminina enquanto mexia em outra panela fazendo panquecas. – Espero que goste de panquecas... – ele deu um sorriso, ainda copiando voz de mulher.
- Gosto sim, mamãe! – ela colocou as mãos na cintura. Ela se aproximou do namorado e o abraçou por de trás colocando a cabeça sobre as costas dele. Kevin ficou vermelho, mas continuou a fazer o café. – Mas... – Gwen desencostou a cabeça das costas dele – Cadê o meu pai e a minha mãe?
- Ah – Kevin tirou um papel do bolso da calça preta, entregou para Gwen e falou, continuando a mexer a massa da panqueca – A sua mãe grudou isso na sua porta, eu ouvi quando ela e o seu pai se levantaram pra atender ao telefone. Isso foi bem cedo... Eu fiquei meio desconfiado se eles iam abrir a porta, mas no final não fizeram... Depois eles saíram.
Gwen pegou o bilhete da mão de Kevin, e leu o que estava escrito com a letra da mãe:
Gwen,
Seu pai e eu recebemos uma ligação de manhã e tivemos que sair.
Não precisa se preocupar... Não acordei você para avisar, pois estava cedo demais. Não sabemos que horas vamos voltar, é mais provável que à tarde.
Beijos, mamãe.
PS: Desculpe, mas não tive tempo de preparar a comida: deixei um pouco de dinheiro para você comprar alguma coisa para comer.
Gwen virou o papel e não achou nada.
- Kevin? – ela olhou para ele.
- Que foi?
- Cadê?
- Cadê o quê?
- O dinheiro que estava aqui no bilhete?
- Ah tá! – ele tirou duas notas de 10 dólares do bolso e entregou para Gwen.
- Obrigada. — Ela respondeu sarcástica. Depois olhou para o bilhete de novo e ficou preocupada com a mãe e o pai... O que aconteceu?
- Que foi? – Kevin perguntou, percebendo que Gwen não estava muito bem.
- É que eu... Sei lá! Acho que fiquei meio preocupada... Mas acho que é à toa. – ela colocou o bilhete no bolso e mudou o tom da voz – O que você está fazendo?
- Panquecas, torradas e bacon... Não sei se você gosta muito de bacon. Mas...
- Não! Está ótimo... – ela foi até o armário e pegou uma sacola de café. – Gosta de café?
- Gosto.
Ela foi até a cafeteira e começou a preparar o café, depois colocou duas xícaras em cima da mesa e derramou leite quente em uma das duas. Quando o café ficou pronto, colocou um pouco nas duas xícaras e entregou uma para Kevin, que estava colocando os pratos em cima da mesa.
- Toma...
- Valeu... – ele pegou a xícara de café e deu um gole junto com Gwen. Quando Kevin olhou para ela, começou a rir.
- Que foi?
- Nada, senhor... E... Belo bigode...
- Hã?
Ela foi até o espelho que estava fixado na parede da escada e viu que estava com um bigode de leite em volta da boca. Kevin riu...
- Parece um homem!
- Haha... Muito engraçado – ela foi até a mesa e limpou a boca com um guardanapo, sentando-se na cadeira.
Kevin deu mais um gole no café e pegou uma das panquecas que tinha feito, Gwen fez o mesmo e colocou um pouco de calda de chocolate em cima.
- Hm... Muito bom... Você deve ser especialista nisso...
- Na verdade... Sou um desastre na cozinha... – ele entortou a boca.
- Sério? Eu também... A única coisa que eu sei fazer direito são ovos fritos... Ou cozidos... E o estranho é que a minha mãe cozinha muito bem...
Kevin deu um sorriso.
- A minha também... Mas não é por causa disso que você vá nascer sabendo praticamente tudo de cozinha... Eu acho que peguei do meu pai também... Uma vez quando eu era pequeno, perguntei pra minha mãe sobre o meu pai e ela disse que ele era uma catástrofe pra cozinhar... E adorava comer uns pratos muito estranhos que nem o seu avô... Acho que isso é comum dos Encanadores. – ele deu uma última mordida na panqueca e depois pegou um pouco de bacon – Droga...
- O quê?
- Viu? Eu sou um desastre... Queimei o bacon...
- Pára com isso Kevin! – ela pegou um com o garfo. E colocou na boca – Viu? Tá b—ela sentiu um gosto meio estranho. Ele estava certo... O bacon estava muito queimado mesmo. – Ugh!
- Não falei? – ele pegou o prato com bacons e jogou fora – Eu ainda não aprendi a fazer isso.
Gwen tentou engolir o que estava na boca, e quando conseguiu procurou pela xícara de café com leite pra tomar um pouco e tirar o gosto ruim, mas Kevin colocou a mão no braço dela e entregou um copo com suco de laranja.
- Acho que é melhor você tomar uma coisa mais gelada...
Ela pegou o copo de suco e bebeu até o fim.
- Nossa! Tava tão ruim assim?
- Tava... – ela disse com um pouco de graça, falar essas coisas pra Kevin não afetavam muito o ego dele, já que ele admitiu mesmo que era um mau cozinheiro. – Pelo menos as panquecas estão boas... – ela duvidou um pouco... Fazer panquecas, para ela era mais difícil do que fazer bacons... Ela já tinha tentado isso.
Kevin respondeu, como se já soubesse o que passava na mente de Gwen:
- Como falei... Estou aprendendo... Minha mãe me ensinou a fazer panquecas...
- Mas não te ensinou a fazer bacon?
- Digamos que eu não gostava muito de aprender a cozinhar... E só peguei a aula de panquecas, porque é o meu prato favorito do café da manhã. Ou melhor... Um dos meus pratos preferidos...
- Até as aulas com a sua mãe você \"cabula\"?
- Sou eu ué! — ele sentou na cadeira ao lado de Gwen e começou a comer as torradas quando as panquecas acabaram. – Pelo menos as torradas eu não erro... Já que foi a torradeira que fez.
Gwen riu. Ela terminou de tomar o café, pegou a última torrada e comeu. Depois pegou os pratos e xícaras e foi até a pia pra lavá-los. Kevin foi até ela e ficou encarando Gwen, ele percebeu que ela ainda estava usando o mesmo pijama de ontem. \"Cara... Será que ela não pode colocar uma coisa mais comprida?\" ele ficou vermelho.
- Se quiser ver TV enquanto isso... – ela respondeu olhando para os pratos.
Kevin queria continuar com ela... Mas achou melhor não, pelo simples fato de ela estar com aquele pijama idiota. Ele foi até a sala, pegou o controle e começou a ver TV. Mudando de canal o tempo inteiro até achar o canal de Esportes.
- Ah! Acabei! – ela subiu as escadas e foi para o banheiro escovar os dentes. Kevin apareceu atrás dela com uma escova de dente na mão.
- Se importa se eu usar a seu banheiro?
- Não né...
Ela saiu do banheiro quando terminou de escovar os dentes e esperou Kevin sair para descer com ele.
- Quer ver um filme?
- Pode ser...
Quando chegaram à sala de estar, Gwen pegou alguns DVDs.
- Que tal... Branca de Neve e os Sete Anões? – ela perguntou brincando.
- Próximo... – ele respondeu.
- Tudo bem... Hm... Bela Adormecida?
- Próximo...
- Pequena Sereia?
- Você só tem desenho?
- Eram meus antes... Mas de vez em quando meus priminhos vêm aqui e então eu guardei...
- Ah... Próximo.
- Hm... Cinderela?
- Você tá a fim de assistir esses negócios?
- Acho que sim... Por quê?
- Sério?
- Ah... Se você não quiser... É que faz tanto tempo que eu não assisto isso, que bateu uma saudade.
- Não, tudo bem... Na verdade eu é que nunca assistir esses negócios...
- Você nunca assistiu Bela Adormecida?!
- Nem um dos outros que você falou agora...
- Você não teve infância, não?
- Acho que se você pensar direito... Não.
Ele estava certo... Desde que Kevin era pequeno ele não era o que se podia dizer uma criança normal... Perder o pai aos quatro anos, fugir de casa pra morar nas ruas com oito anos de idade e sofrer bullying desde então, sem ninguém pra ajudá-lo não é mesmo o que se pode chamar de infância agradável. Desde que Gwen o conheceu quando tinha 10 anos, de alguma forma se sentiu triste por tudo o que ele passou. Com certeza ela não agüentaria o que ele tinha agüentado. Gwen respondeu sorrindo, para animá-lo:
- Então você vai se sentir criança de novo... Vamos assistir... Hm... A Bela e a Fera, depois Branca de Neve... Até você se cansar da Disney.
Ela colocou o DVD de A Bela e a Fera e se sentou ao lado de Kevin. Kevin colocou o braço em volta de Gwen em cima da poltrona. Gwen apertou o botão para ligar o DVD e o filme começou. Gwen encostou a cabeça no ombro de Kevin. Os dois assistiram ao filme sem falar muito, como era a primeira vez que assistia ao filme, Kevin ficou meio curioso para saber como era, quando era pequeno antes de fugir de casa, ele estava acostumado a assistir vários filmes com a mãe, mas nunca da Disney; e esse costume acabou rápido quando ele ganhou um padrasto.
- Sabia que você parece com um dos personagens do filme?
- Posso saber quem?
- Se você ficar quieto vai descobrir...
- Mas foi você que começou a falar!
- Sh!
Kevin rolou os olhos e voltou sua atenção para a TV. Os dois começaram a rir na parte em que o pai de Bela entra no castelo e conhece os objetos animados. Mas depois a cena foi mudando de humor pra medo quando a Fera aparece e põe ele no calabouço. Kevin pensou por alguns segundos e percebeu que Gwen falava da Fera... Será? Ele teve que admitir que a Fera é tão cabeça quente quanto ele, mas era só isso e também o fato de a Fera não conseguir viver na forma de monstro... Droga! Eles são mesmo muito parecidos... Mas será que era isso que Gwen queria dizer?
- Você tá me comparando com a Fera? – ele disse meio impaciente.
- Se você assistir tudo vai entender por que...
- Hmpf!
O filme foi rodando, e Kevin sentiu um pouco de pena por Bela ao ver que ela ia ser obrigada a viver com um cara... Desses. Quando a Fera mostrava impacientemente para ela o seu novo quarto e ainda a obriga a jantar ele. O pior foi quando ela foi teimosa demais para obedecê-lo e não foi; fazendo com que Gwen risse da parte em que a Fera quase escancarou a porta do quarto. De certo modo os dois lembravam quando Gwen e Kevin brigavam e isso era engraçado de certo modo. A briga que chamou mais atenção foi a que Bela teve com a Fera quando ele a salvou. Realmente... Ele precisava mesmo controlar os nervos dele. Mas depois Fera começou a se apaixonar por ela e ela por ele. E no final um completava o outro, ela ajudava ele com boas-maneiras e a ser mais gentil e doce. E a felicidade dele já a deixava melhor.
Na parte em que os dois dançaram, Gwen se lembrou de quando ela e Kevin dançaram no deserto, ao perderem o baile.
Quando o filme acabou, Kevin entendeu o que Gwen quis dizer, ele e o príncipe eram parecidos... Por uma pequena parte os dois eram cabeças quentes, irritados, mal-humorados... A outra parte, segundo Gwen, Kevin mesmo sendo um cabeça-dura, tinha um coração doce e enorme, fazendo com que ele quisesse proteger todos que ele gostava a qualquer custo, e era por isso que os moradores do castelo eram tão leais a ele, por que todos eles sabiam o quanto a Fera era carinhosa, mas precisava apenas de um empurrãozinho.
Ela se levantou e foi pegar outros DVDs, depois espalhou nos sofá onde Kevin estava.
- Você escolhe dessa vez...
Kevin olhou para as opções que tinha: Cinderela, Branca de Neve, Robin Wood, Pequena Sereia, Pocahontas, Mulan e Bela Adormecida.
- Vamos fazer o seguinte – Gwen disse – Se você escolher um desses a gente vê o que você escolheu e depois a gente assiste... Hm... Exterminador do Futuro... Pode ser?
- Tudo bem... – ele olhou para os DVDs e escolheu Robin Wood.
Gwen pegou os DVDs, colocou o filme no aparelho e voltou ao lado de Kevin.
Os dois assistiram ao filme, abraçados um ao outro... O tempo tinha começado a esfriar e o céu ficava nublado ameaçando chover. Gwen pegou uma das cobertas do quarto e colocou sobre ela e Kevin. Quando o filme acabou, ela pegou outro DVD que estava ao lado e mostrou a Kevin.
- Como prometi... Exterminador do Futuro quatro. – depois de colocar o filme, foi até a cozinha, preparou um pouco de pipoca e sentou no sofá.
- Quer?
Ele colocou a mão dentro da sacola e pegou um monte enorme de pipoca.
O filme aos poucos foi passando, e o céu ficava cada vez mais nublado. Quase no fim do filme gotas fracas de água começaram a cair e aos poucos ficavam mais fortes. Gwen se aconchegou no peito de Kevin, conseguindo sentir sua respiração e seus batimentos cardíacos. \"Tão bom...\" ela deu um sorriso. Ela começou a sentir a mão de Kevin ir para seu pescoço e depois para seu queixo, puxando seu rosto para olhar no dele. Gwen deu um beijo em sua bochecha e depois foi para os lábios dele, e lá se foi o filme... Os dois passaram mais tempo se beijando do que vendo o próprio filme. Nenhum se sentiu incomodado... \"Finalmente! Já estava cansado de esperar!\". Kevin passou a mão na cintura de Gwen, fazendo com que ela parasse de beijá-lo, Kevin ficou confuso quando Gwen começou a rir.
- Que foi?
- Háhá! Para!
- Parar o q-? Ahhhhh!
Kevin deu um sorriso.
- Não!
- Você tem cócegas...
- Não! Kevin... Por favor!
Ele começou a passar a mão na barriga de Gwen mexendo os dedos, fazendo com que ela não parasse de se contorcer de cócegas.
- Kevin! Para! Sério! Hahaha! Não tem graça!
- Pra mim tem.
- Para! Hahaha!
Ela deitou no sofá tentando sair de perto dele, fazendo com que ela sem querer desse um chute na barriga dele. Kevin parou de fazer cócegas nela e colocou as mãos no abdômen.
- Ai!
- Desculpa!
- Tudo bem... – \"... Eu acho...\"
- Desculpa mesmo!
- Calma! Eu vou sobreviver...
- Se não começasse a fazer cócegas em mim eu não teria te chutado... – ela cruzou os braços se sentando no sofá.
- Se não começasse a rir no meio do beijo isso não teria acontecido...
- Ora! Você e essa mãozinha pervertida que têm a culpa!
- Pervertida?! Eu não posso mais tocar na minha namorada não?
Gwen ficou quieta... Claro que os dois estavam brincando, mas mesmo quando era brincadeira ela não gostava de perder, o que acabou de aconteceu. Kevin deu um sorriso enorme, convencido por ter ganhado a batalha. Gwen ficou brava, e para fazer com que Kevin se esquecesse da briga e não \"arquivasse\" em seu cérebro já que os dois adoravam brigar para apenas provar um ao outro que odeiam perder, ela se aproximou dele e o beijou. Kevin ficou vermelho e percebeu o que ela estava fazendo. Ele colocou as mãos nos ombros dela e a afastou falando:
- Você não joga limpo?
- Com você, não... Já que quem começou foi você...
- Hm... – ele não entendeu a última parte e sem falar mais nada beijou ela, \"Tudo bem... Ela ganhou dessa vez... Mas da próxima quem ganha sou eu... Háhá!\" Gwen apoiou seu cotovelo nos ombros dele e colocou as mãos no topo da cabeça dele, já que ela estava ajoelhada no sofá e Kevin estava sentado, isso fazia com que ela tivesse que abaixar a cabeça, e ele levantar a dele. Kevin colocou as mãos geladas em seu rosto, e as de Gwen foram para o pescoço dele.
- Gwen... — Kevin murmurou entre o beijo.
- Hm?
- Agora é você quem está fazendo cócegas...
Ela riu e não se separou do beijo. Eles ficaram horas trocando beijos e abraços, enquanto o tempo passava. O estômago de Gwen roncou o que a deixou com vergonha. Kevin deu um sorriso.
- Parece que alguém está com fome...
- Ah... É... – ela se desprendeu do abraço e foi para a geladeira – Deve ter alguma comida guardada aqui...
- Ué? Sua mãe não deixou dinheiro?
- Não vou gastar o dinheiro dela se tem comida aqui em casa... Além do mais... Não viu o temporal que tá lá fora?
- Que isso, Gwen! – ele foi até a porta – Eu te levo, além do mais o tempo não deve estar tão ruim assim... – ele abriu a porta, na mesma hora um vento gelado soprou para dentro da casa trazendo um pouco de gotas de chuva que respingaram no rosto de Kevin, seguido por um barulho de trovão apavorante até pra ele. – Pensando bem – ele fechou a porta enquanto ia até Gwen na cozinha – Comida caseira é uma boa! – ele pegou um pano que estava em cima da mesa de pedra da cozinha e enxugou o rosto.
Gwen deu um sorriso, pegou um pote de plástico com coxinhas de frango dentro e uma garrafa de dois litros de coca.
- Espero que goste de coxinhas de frango – ela mostrou o pote pra ele – É o que tem... A comida aqui em casa acaba muito rápido.
- Já viu a geladeira da minha mãe? Fica vazia a cada dia que eu passo lá pra visitá-la... – ele passou a mão na barriga como se estivesse morrendo de fome há semanas.
- Então vai morrer de fome... – ela colocou o pote dentro do micro-ondas para esquentar a comida, depois pegou dois copos e colocou coca-cola.
- Não acho não... – ele disse fuçando na geladeira. Gwen olhou para ele, com as mãos na cintura.
- Você é muito cara-de-pau...
- O que foi?
- Você está acostumado a ficar fuçando na geladeira de qualquer um, é?
- Não é de \"qualquer um\"... É da minha namorada... E se você estivesse na minha casa, eu deixaria você fazer isso.
- Depois que você atacasse a geladeira e não deixasse nada pra mim.
- Hm... É. Por aí.
- Você não tem jeito. – ela foi até ao micro-ondas e pegou as coxinhas de frango. – Vamos?
Kevin pegou os copos e foi até a sala. Gwen se sentou no sofá e colocou o pote em cima da mesa de centro. Kevin colocou os copos em cima da mesa também, e notou que havia um folheto em cima. Ele pegou o papel e leu.
- Van croft?
- Ah! – Gwen tirou o papel da mão dele – É uma Escola...
- De ricos...
- Hm... É... Sempre quis ser aceita lá... É uma das melhores escolas do país.
- Você já não estuda numa escola assim?
- Já... Digo... Quase... É que onde eu estudo é uma escola particular também, mas Van croft é...
- Melhor.
- Isso.
- Anh... Onde fica?
- Perto da cidade de Nova York...
- Perto de Nova York? Mas como você vai até lá?
- É que... Aquela escola é um tipo de Internato.
- Tá brincando né?
- Hm... Não.
- Mas você vai se mudar pra lá?
- Não sei... Tenho que passar por uma prova e-
- Não é isso que eu quis dizer. Você quer se mudar pra lá?
- É isso que eu não tenho certeza... Não quero largar minha vida aqui... Meus pais, Ben.
- Então não vai...
- Não sei ainda.
- Quais as chances de você não ir?
- Sessenta por cento... – Kevin ficou mudo por um tempo, depois falou.
- Bem... É um começo.
- Enquanto isso não acontece... – ela pegou algumas coxinhas do pote e comeu.
Kevin olhou pelos cantos enquanto comia e viu que nas paredes havia várias fotos de seus parentes.
- Sua família é grande...
- Aham... A minha mãe tem dois irmãos e uma irmã... Todos casados... Peraí que eu te mostro – ela saiu do sofá e pegou as várias fotos penduradas nas paredes. – Olha – ela se sentou no sofá e mostrou a primeira foto: Uma mulher de mais ou menos trinta anos de idade, cabelos ruivos e cumpridos e olhos azuis, ela era muito bonita e lembrava Gwen só que mais velha; ao lado dela um homem bem mais alto de cabelos e olhos castanhos escuros, parecia ser bem mais velho que a mulher. – Essa é a minha avó... Janet – ela apontou para a mulher ruiva – E esse daqui é o meu avô Richard; que colocou o nome dele no meu tio. – Ela colocou a foto num canto e seguiu para a próxima: Era o mesmo casal, agora com quatro crianças na frente. A primeira criança era um menino, de cabelos marrons e olhos azuis como os da mulher, mas sua aparência lembrava a do pai – Tio Richard, o mais velho – Do lado dele, uma menina bonita de cabelos marrons e olhos também azuis, suas feições lembravam mais a do pai também, ela parecia ser um ano mais nova que o irmão. – Tia Madison, ela é a segunda mais velha – Depois ao lado dela, uma menina menor e um ano mais nova. Ela lembrava praticamente tudo em Gwen quando era pequena, só que com olhos azuis. – Minha mãe, Lily – E do lado da menina um garoto muito parecido com Lily, só que de cabelos marrons. Com os mesmos olhos azuis. – E o meu tio John que é gêmeo mais novo da minha mãe. – ela colocou a foto de lado com a outra, e seguiu para a próxima – Esses são os filhos do meu tio Richard, e a esposa dele – Na foto um homem de mais ou menos trinta anos, que podia ser facilmente confundido com o avô de Gwen quando jovem, uma mulher loira de olhos castanhos ao lado, com certeza a esposa dele. A esposa carregava um menino de mais ou menos três anos no colo, tinha cabelos marrons e olhos azuis também; o pai segurava uma menina da mesma idade que o outro bebê, só que ela tinha cabelos loiros e cacheados como os da mãe, e olhos castanhos. – Esses são os meus primos, quando os dois ainda eram pequenos. Jake – ela apontou para o bebê no colo da mãe – E Anne, ele e ela são gêmeos também – ela mostrou a outra menina no colo do pai.
- Sua família é enorme mesmo – Kevin disse observando as fotos.
- Eu sei – ela sorriu e mostrou outra foto, dessa vez era a menina de olhos azuis e cabelos castanhos que aparecia, só que mais velha – Tia Madison com os meus priminhos... Ela só decidiu ter filhos agora, por isso eles são os mais novos – Ela apontou para três bebês que estavam sentados no chão junto com a mãe ao lado do marido, ele era moreno com olhos verdes, e parecia ser um pouco baixo; os dois primeiros bebês eram mais parecidos com o pai – Fred, que tem uns três anos, — o bebê era moreno e tinha olhos azuis – James... Ele tem dois anos... – o bebê tinha o cabelo marrom e olhos verdes – e o mais novo... Michael – ele estava em cima do colo da mãe e tinha olhos azuis e cabelos marrons. Gwen colocou outra foto na frente – Eu, meu pai, minha mãe e meu irmão... – ela mudou a foto – E tio John com a esposa dele e suas duas filhas – um homem de cabelos marrons e olhos azuis, a esposa era ruiva e tinha olhos verdes, os dois carregavam duas meninas pequenas: uma era morena como pai, olhos verdes clarinhos; a outra também tinha olhos verdes só que ruiva. – Essa daqui é a Rachel – ela apontou para a criança morena – E a outra é a Madalane.
- Wow!
- Peraí que tem mais! – ela tirou a foto do caminho e mostrou uma foto grande onde havia sete adolescentes de idades diferentes e três bebês de quatro anos, todos sorrindo sentados num sofá – Vamos ver se você memorizou... – ela deu a foto para Kevin – São todos os meus primos... Pode começar.
Kevin fez cara de pensativo e foi falando:
- Esse daqui é o Jake – ele apontou para o menino de dezessete anos sentado no braço do sofá com uma coca-cola na mão.
- Certo.
- Anne – ele mostrou a menina loira ao lado de Jake, só que sentada no sofá, com a mesma idade do irmão, ela era incrivelmente bonita com um rosto inocente.
- Isso... Eles são os mais velhos junto com Ken.
- Hm... Essas duas são Rachel e Madalane – ele apontou para duas meninas sentadas do outro lado do sofá de quinze anos, uma era ruiva e a outra morena, as duas tinham olhos verdes.
- Continua...
- Você, Ken e Ben – ele disse olhando para dois irmãos ruivos com mais ou menos três ou quatro anos de diferença sentados no meio do sofá ao lado deles um garoto de cabelos marrons e olhos verdes.
- É a mais difícil... – ela riu.
- E os bebês que estão no seu colo, do Ken e da Anne são Fred – ele apontou para o bebê no colo de Anne – O que tá no colo do Ken é o James... E o que está no seu é o Michael.
- Parabéns... – ela bateu palmas brincando. Depois pegou as fotos e pendurou-as de volta na parede. Kevin olhou para onde ela estava e viu que havia mais fotos, vários parentes, como Max, os pais de Ben e todos os outros. \"Seria legal fazer parte dessas fotos... Espera... Em que sentido eu estou pensando nisso...?!\"
- Se você acha a minha família grande, ainda não viu a parte da mãe do Ben... Ela tem dois irmãos... – Gwen disse enquanto voltava para o sofá... Kevin não respondeu. – Kevin?
- Hm... Ah... Desculpa... Dois irmãos?
- É... – ela ficou desconfiada, mas não ligou muito e voltou a falar – Sua mãe... Ela tem irmãos?
- Tem um... Mais velho e uma mais nova.
- Ahh... Então... Você tem... Primos...?
- Tenho... Dois primos.
- Ah... – ela não continuou, parecia que ele não queria falar no assunto, e ela não iria obrigá-lo a fazê-lo.
- A gente não se vê muito...
- Hm – ela respondeu surpreendida por ele estar falando sem alguém obrigá-lo.
- Mas é mais por causa da minha mãe e do meu pai. A minha família não gosta muito dele.
- Anh... Meio chato... Mas aconteceu o mesmo com a minha mãe... Minha avó não gosta muito dela, você mesmo viu. Não é só com você.
- É... Pode ser.
Gwen colocou a mão no ombro dele para aconchegá-lo. Kevin olhou para o relógio e se levantou.
- Tenho que ir antes que os seus pais cheguem.
- Tudo bem – ela se levantou juntou e foi com ele até o quarto para pegar a mala com roupas que ele deixou. Depois os dois desceram até a sala e Gwen se despediu de Kevin com um beijo demorado.
- Tchau... – ele disse depois de se separar do beijo. Ele abriu a porta e encarou a chuva.
- Não quer guarda-chuva?
- Não, eu to bem...
- Ta bem então... Tchau.
- Tchau – ele saiu se molhando com a chuva forte e Gwen fechou a porta com um grande sorriso. Depois pulou no sofá e se esticou toda alegre. Pegou o que restou das coxinhas de frango e comeu enquanto assistia TV. Ela se cobriu, com frio e cochilou.
Um barulho na porta a fez acordar. Ela se levantou meio confusa. A porta se abriu e seu pai e sua mãe apareceram molhados.
- Mãe? Pai? – Gwen se levantou ao ver que os dois estavam tristes, muito tristes. Gwen olhou para o rosto da mãe e não soube se seu rosto estava molhado por causa da chuva ou porque ela estava chorando. – Tudo bem? O que aconteceu?
A mãe dela não conseguia responder. Estava soluçando demais, mas tentou recompor e disse:
- Meu irmão...
- Quem?
- John... Ele... E a família dele... Sofreram um acidente.
- O quê?! Eles estão bem?
Lily não respondeu; só se apoiou no ombro do marido e começou a chorar.
- O que aconteceu?
Frank falou por Lily:
- Eles estavam... Viajando, voltando do fim de semana e... Outro carro, com o motorista bêbado, bateu na traseira do carro deles... O carro deles caiu ladeira abaixo, no mar...
- O QUÊ?!
- A polícia não encontrou nenhum corpo, só o carro... E o motorista bêbado desapareceu também. Acham que o mar possa ter levado eles.
Gwen ficou em choque... Como...? Não podia ser verdade. Ela se agachou no chão e começou a chorar. Tudo isso veio assim tão rápido que ela não conseguiu tempo nem para pensar direito. Era como se tudo o que ela ouviu ficasse preso na garganta dela... Gwen queria jogar isso pra fora, mas \"isso\" não queria sair... Queria entrar nela e fazê-la enfrentar a realidade. Ela sentiu as mãos de seus pais se apoiarem em suas costas, acariciando-a.
Isso não estava acontecendo.
- O que...? – a jovem de cabelos ruivos disse. Ela olhou ao redor... Escuridão. Ela tentou se levantar, mas não conseguiu, ela estava amarrada por algo que pareciam cordas. – Pai! Mãe?! – ela gritou desesperada – Rae? – ninguém respondia. Ela ouviu uma risada... Uma risada que dava arrepios. – Quem está ai? – ela tremeu. O riso aumentou como se estivesse se aproximando – Quem está aí?! – ela olhou para todos os cantos, desesperada.
- Não tenha medo... – uma sombra se aproximou dela... E se agachou olhando para seus olhos verdes. Madalane ficou com mais medo, olhando para os olhos sombrios do homem – Madalane... Certo?
- Como sabe... Meu nome...? – ela tremeu apavorada.
- Conheço sua prima... – ele colocou as mãos frias no queixo dela – Você é parecida com ela... Principalmente os olhos... Além de ser muito bonita, se me permite dizer.
- Cadê minha família?
- Vai vê-los... Daqui a pouco.
As mãos do homem ficaram negras... Madalane se sentiu fraca, seus olhos se fecharam... Não conseguia mantê-los abertos, seu corpo todo ficou fraco. Ela caiu no chão, imóvel.
Alguns minutos antes...
- Mãe? – Ben se levantou da cama olhando para o relógio... Meio dia! Ele foi até a sala de estar. – Pai?
- Ben? – Sandra disse olhando para o filho, seus olhos vermelhos.
- Mãe, o que foi?! – Ben correu até ela querendo saber o que estava acontecendo com ela, e o motivo do choro dela. Ele olhou para o pai que estava sentado no sofá de cabeça baixa, como se estivesse tentando segurar o choro. – O que aconteceu?
- Ah! Querido! – ela o abraçou soluçando, deixando Ben cada vez mais preocupado.
- Mãe... Por favor, me fala o que aconteceu!
- O irmão da Lily... Richard.
- Tio Richard? – ele repetiu esperando não confirmar o que já sabia – O que... O que aconteceu?
- Eles... Sofreram um acidente...
- Eles?
- Tanya... Madalane... Rachel. Eles... Sofreram um acidente de carro. E... – ela não falou mais nada, Ben já havia entendido, e no mesmo instante começou a chorar no ombro da mãe. Eles não eram parentes próximos de Ben, mas eram muito queridos. Carl foi até os dois e os abraçou, chorando junto com os dois. Isso não podia ser verdade... Mas era a realidade que uma hora ele ia ter que enfrentar. Alguém bateu a porta.
— Eu atendo – Ben disse sem conseguir enxugar as lágrimas, já que novas sempre tomavam o lugar, ele foi até a porta e a abriu.
- Oi, Ben! Eu cheguei mais cedo pra estudar por que... O que aconteceu?! – Julie ficou assustada ao ver o namorado chorando. – Ben, o que aconteceu?
Ben deu um abraço nela sem responder a pergunta, Julie olhou para dentro da casa e viu que os pais de Ben também choravam.
- O que aconteceu? – ela suspirou o abraçando de volta, sabendo que isso não ia ser fácil
- Rachel... Madalane. Tio Richard, tia Tanya . Eles… — Ben tentou recompor a si mesmo. – Morreram... – ele disse isso o mais resumidamente possível para se livrar do peso dentro de si mais rápido.
Os olhos puxados de Julie se arregalaram... Ela tinha apenas visto eles por fotos... Mas toda dor que Ben mostrava provava o quanto ele os amava, e isso fez com que Julie chorasse junto, tentando reconfortá-lo.
- Sabe que estou aqui se precisar... – Julie suspirou novamente.
- Obrigado... – Ben disse apertando ela mais forte. Ele a levou para dentro de casa e encarou os pais.
- Eu sinto muito, Senhor e Sra. Tennyson. – Julie disse olhando no chão, enxugando as lágrimas – Se houver alguma coisa que eu ou até os meus pais possamos fazer...
- Obrigada, querida – Sandra a abraçou, feliz por ver o quanto ela era doce – Acho que o melhor seja se você ficar com Ben, se não se importar, enquanto nós preparamos o... as coisas.
- É claro. – ela disse pegando a mão de Ben. Ele colocou o braço sobre os ombros de Julie, como se não quisesse soltá-la.
- Vamos ter que... – Sandra começou a falar como se fosse a coisa mais difícil de fazer – Falar com Frank e Lily pra preparar tudo... Vamos ter que sair... Se quiser ir com a gente, Ben – ela olhou para o filho. Ele não queria ir, isso estava estampado em seu rosto. Querer ir ver o corpo imóvel de alguém que se amava não era o que ele tinha como opção. – Tudo bem... É melhor você ficar... Se alguém ligar... Avise-nos quando chegarmos. Certo? – ele assentiu com a cabeça – Cuide bem do meu filho – ela disse tentando forçar um sorriso para Julie.
Julie também tentou sorrir. Sandra deu um beijo na bochecha da nora e foi junto com Carl que se despediu dos dois. A porta se fechou e Ben caiu no sofá, colocou os cotovelos nos joelhos e apoiou a cabeça nas mãos. Julie se sentou ao lado dele, seus olhos expressando pura tristeza. Ela deu um abraço nele.
- É minha culpa. – ele disse.
- O quê?
- Eles me chamaram pra ir junto... Mas eu não quis... Eu devia ter estado lá... Por que eu não fui?!
- Não! Não é a sua culpa. Ben! Nunca pense nisso... É normal você se sentir assim... Mas não é verdade! Você não sabia que isso ia acontecer! Nunca se culpe por isso!
- E se... E se eu me transformar no Alien X? Eu posso voltar no tempo e... – ele começou a mexer no relógio.
- Não! Não faz isso! Da última vez... Lembra o que você me disse? Os dois juízes, ou o que quer que sejam... Eles não permitiram você fazer nada! E o pior! Você ficou preso lá durante horas! E se eles não deixarem você sair de lá mais? Isso seria horrível! Por favor! – Julie estava desesperada, ela colocou a mão sobre a de Ben para tentar impedi-lo de fazer qualquer besteira. Ele viu como ela estava desesperada e tirou a mão do Omnitrix. Julie se aliviou.
Na mesma hora o telefone tocou. Ben se levantou e Julie foi junto com ele.
- Alô? – Ben disse pegando o telefone.
-Ben? É a Gwen – ela também parecia muito triste.
- Ah... Oi Gwen... – ele parecia desanimado – Já sabe?
- Já... – ela respondeu aos soluços.
- Meus pais acabaram de sair... Foram falar com os seus pra... Preparar o enterro.
Enquanto mexia nas multas, ele sentiu alguma coisa gelada no fundo do porta-luvas: Era o disco de hologramas, ele esqueceu ali... Com um sorriso, Kevin levou o disco até um armário em que ele guardava algumas coisas que eram mais \"especiais\"; lá ele tinha guardado o saquinho de pano cheio de bolinhas de materiais diferentes que Gwen dera para ele quando ele quase saiu da equipe. Também havia uma pequena chave de uma nave que pertencia ao Ragnarok, o monstro que matou o pai de Kevin, também havia o cadeado que ele sempre usava pendurado em seu pescoço, foi seu pai que dera a ele... E disse para nunca largar aquilo de vista... Ele nunca entendeu muito bem o que o pai quis dizer com aquilo, mas obedeceu. Kevin colocou o disco direto na prateleira do armário e fechou na mesma hora voltando para o carro. Ele encarou novamente a rachadura no vidro do carro... \"Blindagem, blindagem, blindagem...\" Só que como ele arranjaria dinheiro?! \"Emprego, emprego, emprego...\" Nem pensar... Ele já trabalhava como mecânico, o que era o suficiente para pagar algumas contas e comprar comida. Não que ele parou de fazer alguns tratos com certos alienígenas... Ou que ele tenha aproveitado a chance de pegar aqueles cristais que Vulcanus obrigara a ele absorver, e que ele tenha guardado isso tudo em segredo de Gwen e Ben. Mas pelo menos ele parou de vender armas ilegalmente. Só que ele ainda se envolvia com o pessoal que comprava. Ele torcia para que Gwen e Ben não descobrissem sua vida \"secreta\", mas era o único jeito de conseguirem chegar mais rápido ao que eles procuravam. E além do mais... O que podia acontecer? Era só ele que ia até as \"fontes\" dele... O que fazia com que ele não precisasse se preocupar com ninguém e se safar sem nenhum problema, que dizer... Quase sem nenhum problema... Ele fez coisas que nunca contara ao Ben e muito menos para Gwen, coisas... que pra ele eram só um jogo.
- É eu sei...
- Quando eles vão enterrá-los?
- Como assim \"enterrá-los\"?
- Enterrar os corpos deles! O que mais?! – Ben respondeu nervoso, como se achasse que Gwen quisesse que ele ficasse repetindo algo totalmente difícil de falar.
- Não tem corpos, Ben...
- O QUÊ?!
- Você não ouviu os seus pais?... O carro deles caiu de um penhasco direto pro mar... Não encontraram nenhum corpo...
- Então por que não estão buscando eles?! E se eles estiverem vivos?!
- Não tem como ninguém sobreviver a uma queda como aquelas... Você já viu o estado do carro?
- Se encontraram o carro como não acharam eles?! – Ben ficava nervoso a cada segundo que passava. Gwen ficou nervosa também, mas tentou responder.
- Os policias dizem que eles devem ter tentado sair antes que o carro caísse... Mas não conseguiram evitar... Cair junto. Eles acham que como estava ventando muito... A água tenha levado eles pro mar, facilmente... – Gwen começou a soluçar.
— E SE ELES ESTIVEREM VIVOS?!
- Não vem falando isso pra mim! Acha que você é o único que está sofrendo com isso? Pois eu vou te dizer uma coisa: Não é não! – ela começou a chorar. Ben ficou mudo.
- Desculpe Gwen... – ele chorou também- Tudo bem... Eu vou ter que desligar... Meus pais estão me chamando. Tchau.
- Tchau. – o telefone ficou mudo.
- O que foi? – Julie perguntou com um pouco de medo.
- Era a Gwen.
- O que ela disse?
- Que não encontraram os corpos...
- O quê?!
- Foi um acidente de carro... O carro deles caiu do penhasco e eles tentaram sair antes, só que no final... Não conseguiram evitar a queda... E o mar os levou. Foi o que a Gwen ouviu...
- Meu Deus... – Julie colocou as mãos na boca e tentou não pensar o quanto eles devem ter sofrido. Ben chorou mais, Julie se aproximou e beijou as lágrimas dele, depois apoiou a cabeça no peito dele. Ela ficou um pouco envergonhada por ser a primeira vez de ter feito algo do tipo desde ter começado a namorar Ben. Os dois eram tímidos demais... E essa foi a primeira vez que Julie aproximou seu rosto tão perto do de Ben, ela não era ansiosa por nada... E sabia que Ben também não; os dois já se sentiam satisfeitos apenas perto um do outro.
- Tenho sorte de ter você por perto. – Ben disse. Julie apertou seu corpo contra o dele ao ouvir isso. Ela sentiu todo o desespero na voz dele, e ao mesmo tempo todo o seu conforto.
- Sou eu que tenho... – ela acariciou o cabelo dele. Um barulho de estômago roncando interrompeu os dois. – Está com fome?
Ben assentiu com a cabeça.
- Eu vou fazer alguns ovos fritos... – ela disse. Julie foi até a cozinha, pegou alguns ovos da geladeira, uma frigideira e colocou no fogão. Ben foi até ela na cozinha e a observou enquanto fazia comida. Depois colocou dois ovos no prato e deu para Ben. – Quer que eu coloque mais alguma coisa?
- Não... Tá bom assim. – ele pegou o prato e um garfo e começou a comer. – Hm...
- Gostou...?
- Aham. Obrigado.
- Não precisa agradecer.
Ben deu um sorriso. O que foi bom, considerando todas as situações que estava passando. O bom seria fazê-lo se acalmar e se ocupar com outra coisa. Julie colocou os outros ovos no prato e comeu alguns ovos também.
- Você acordou bem tarde hoje... – ela disse, olhando para o pijama verde que Ben usava enquanto eles se sentavam no sofá.
- Hm... É – ele respondeu de boca cheia – Eu fiquei a noite inteira estudando ontem.
- Sério? É incrível você dizer isso... Por que todas às vezes você ficava vendo televisão nos especiais de Sumo
Slammersou sei lá o que!
- Ah... Dessa vez não. Meus pais meio que me obrigaram...
- Como assim?
- Eles iam me proibir de sair com você, o Kevin e a Gwen se eu não tirasse uma nota boa... Pra você ver como a minha situação é grave.
- Nossa... Sair comigo?
- É... Principalmente com você... – ele ficou vermelho.
\"Que fofo!\" ela pensou enquanto sorria. Ela comeu mais um pedaço de ovo.
- Hm... Aposto que o meu tá melhor que o seu. – ela disse tentando distraí-lo mais uma vez.
- Posso experimentar? – Julie quase engasgou com o ovo tentando esconder. Não era isso que ela esperava dele. Ela esperava que ele dissesse \"Não o meu é melhor com o seu!\" e os dois começassem a discutir como duas crianças como eles sempre faziam. Mas o que ele disse parecia ter um sentido diferente.
- O quê? – ela perguntou meio nervosa.
Ben respondeu a pergunta se aproximando do rosto dela. Julie ficou encarando ele totalmente nervosa. \"Será que ele está mesmo bem?\" Ben se aproximou mais dela. Julie se inclinou para trás... Ainda nervosa. Era a primeira vez que os dois faziam isso e ela não sabia mesmo como agir. Quando ele se aproximou mais, o corpo dela congelou. \"E agora? O que eu vou fazer?!\" então uma voz em sua mente veio como uma resposta muito clara para ela. Nada, não faça nada. Nessa hora Ben tocou seus lábios nos dela e tocou em sua cintura. Julie começou a ficar quente de vergonha e ela podia sentir que Ben também estava na mesma situação. Mesmo assim, foi isso que os moveu no beijo. Eles se abraçaram e parecia não quererem se soltar mais. Ben tirou seu rosto dos do dela e disse:
- Hm... O seu estava melhor mesmo.
- Bobo – Julie disse dessa vez sem nenhuma pitada de vergonha, ela o beijou de volta.
\"Porcaria de despertador...\" Kevin socou o botão até afundá-lo. Ele se levantou dando um bocejo e saiu da cama pra tomar banho, depois procurou por uma camiseta que ele usava quando mexia no carro. Ele colocou a roupa e foi até o seu carro verde estacionado na garagem. O carro parecia era meio sujo, por causa da chuva ele não tinha a chance de lavar. Estava nublado a quase um mês e parecia que a chuva não ia parar mesmo. Ele entrou no carro e tirou todos os papéis que encontrava pelo caminho pra jogar fora... De vez em quando ele ficava tão distraído que esquecia completamente de lavar o carro. \"Saco!\" ele olhou para o vidro do carro e viu uma rachadura enorme no canto do vidro, provavelmente causada por um pirralho que jogara uma pedra e depois saiu correndo. Á cada vez mais que o tempo passava ele percebia que uma blindagem seria a única solução... E dinheiro seria a solução para pagar a blindagem, já que ele só tinha umas peças de carros usados. De certa forma ele podia arranjar uma grana fácil... Contrabandeando armas alienígenas... Ele não ligava muito se ia ser preso ou não, só ligava pro dinheiro. Mas o único problema era que... Gwen não ia gostar de nada disso, ela nunca aprovou quando Kevin tentou arranjar uma grana pra conseguir informações sobre o avô dela vendendo umas armas alienígenas para uns ladrões espaciais ou qualquer coisa assim. E o pior foi quando ela descobriu que ele bebia... Um pouco, mas ele bebia. Ela ficou aterrorizada por ver a quantidade de latas e garrafas de cerveja que tinham no lixo e no chão da garagem dele.
- E agora?! O que mais falta eu descobrir? Que você é fumante? – foi o que ela tinha perguntado uma vez pra ele. Kevin quase caiu pra trás de risada ao ver a cara de indignação de Gwen. Ela não tinha achado nada engaçado, mas depois disso ele parou de beber... Um pouco. Foi até fácil pra ele se distrair quando ele estava perto dela e perto daquela porcaria de lanchonete de suco, no final ele experimentou um dos sucos que Ben deu pra ele, e lembrava muito cerveja, deixando Kevin meio que viciado pela bebida, isso fez com que ele comprasse a bebida um milhão de vezes, foi aí que em uma dessas vezes Ben falou o que colocavam no suco...
- Deixa eu me lembrar... Hm... Acho que eles colocam gergelim aí misturam com umas sementes de frutas tropicais, menta, brócolis, e acho que eles colocam um pouco de...
Na mesma hora em que ouviu a palavra \"brócolis\" Kevin espirrou o suco pra fora e tentou tossir tudo o que ele já havia bebido.
- BRÓCOLIS, GERGELIM?!
- É... Brócolis...
- Por que não me disse antes seu retardado?!
- Eu pensei que você já sabia!
- E eu lá tenho cara de quem gosta de
- Anh... Não? Mas eu achei que você sabia! Já disse! Todo mundo muda o gosto de vez em quando! Além do mais... Por que você gostava tanto disso? Até eu acho isso nojento... Nem sei por que, mas tinha um gosto forte de cerveja...
- É por isso mesmo que eu... – Kevin olhou para os lados e viu Gwen fechando o livro que estava lendo quando ouviu a resposta de Kevin.
- Você dizia... – ela cruzou as pernas em cima do capô do carro e apoiou a cabeça na mão, nada contente.
- Ah! Qualé?! Isso pelo menos não é cerveja!
- Mas você não perdeu o vício, pelo que parece você ainda gosta de cerveja... Ou pelo menos
brócolis?!gostava...E ela estava certa... Depois desse episódio, se ele sentisse pelo menos o cheiro de cerveja ele ficava com uma ânsia de vômito enorme por se lembrar do suco de Ben, brócolis... Nojento! Nunca mais ele bebeu uma lata de cerveja. Gwen até falou que o suco de Ben teve alguma coisa de útil no final das contas. Kevin não ficou nada feliz, mas pelo menos parou de ficar com dor de cabeça depois de beber.
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