Recomeço

47 Capítulo 47 - Se nós não morrermos hoje


Notas iniciais
Oxi! Cruz credo! Que nome de capítulo mais meigo! Bem, sociedade, eu estou com sérios problemas. Neste final de fic, eu não estou conseguindo parar de escrever, apesar das dificuldades em escrever cenas de ação e tals. Parece até que eu estou psicografando no Word tamanha é a inspiração e a vontade de acabar logo e poder dizer "Ufa!" Teoricamente o capítulo 46 era para ser o último deste ano, mas pelo andar da carruagem, eu vou acabar esta fic antes do que vcs imaginam... Só não sei se terminarei este ano, mas está super perto. Isso eu garanto. Inclusive, acho que vou terminar no capítulo 49 ao invés do 50. Ou seja, este é o antepenúltimo capítulo. Bem, posso dizer que ficou beeeeeeeeeeem tenso e que mais uma vez soltei minha imaginação com o lance da mitologia. Lá vai!

Claire acordou sentindo o cheiro de velas queimando e olhou em volta. Haviam dezenas delas espalhadas por toda a parte, formando um círculo, e a garota estava deitada no centro dele com as mãos amarradas atrás do corpo.

Apesar das velas, o galpão estava ligeiramente escuro e Claire deduziu que havia anoitecido.

– Veja só quem acordou! Bem na hora! — disse Abaddon se aproximando da garota.

Claire forçou um pouco a visão para enxergar a ruiva. Sentia-se zonza. Um pouco por causa do calor causado pelas velas queimando e um pouco pelo golpe que levou na cabeça momentos antes.

Abaddon segurou no braço da garota e a puxou fazendo-a levantar. Só então, Claire deu uma boa olhada em volta. Havia dezenas de símbolos desenhados pelo chão e ela reconheceu alguns. Todos eram demoníacos. Claire só não se lembrava para o quê exatamente eles serviam.

Belial estava do lado de fora do círculo formado pelas velas e pronunciava algumas palavras que Claire não conseguia entender a qual dialeto pertenciam.

Em seguida, o demônio se virou e começou a se aproximar carregando uma pequena mesa que colocou no centro de tudo aquilo como se fosse um altar. Logo a garota pôde ver que haviam mais símbolos desenhados no altar também.

Então Abaddon começou a desamarrar as mãos de Claire e ela pensou em lutar de alguma forma, em correr, em fugir. Mas sentia-se muito fraca e a sua cabeça doía muito por conta da pancada que levou. Não estava em condições de lutar contra dois demônios tão poderosos. Ainda mais completamente desarmada.

Em seguida, Claire viu que Belial segurava um tipo de faca enquanto continuava pronunciando palavras desconhecidas. E ele mantinha os olhos fechados durante aquela espécie de ritual.

Um vento gelado passou entre eles e Claire se encolheu sentindo um arrepio percorrer o seu corpo a deixando arrepiada.

De repente, Belial parou de falar e abriu os olhos. Eles estavam completamente pretos. Então ele piscou e eles voltaram ao normal. Em seguida, o demônio olhou para Claire e avisou:

– Está na hora.

– Hora de quê? — indagou ela confusa.

Belial ignorou a pergunta, entregou a faca para Abaddon, estendeu uma mão para ela e brincou:

– Vai com calma, irmã. Tem um humano neste corpo e ele é um pouco sensível à dor.

A ruiva sorriu de uma forma maligna e fez um corte na palma da mão do irmão. Em seguida, ele virou a mão e a pressionou contra um dos símbolos no altar fazendo o sangue escorrer ali.

As chamas das velas tremeram um pouco e Claire teve a impressão de que a temperatura caiu drasticamente.

Em seguida, foi a vez de Abaddon fazer um corte em sua própria mão e colocá-la sobre outro símbolo no altar. E o sangue também escorreu sobre aquele desenho.

As velas se apagaram por um breve instante e voltaram a se acender em seguida. Claire olhou em volta tendo a impressão de ter ouvido sussurros vindos dos cantos mais escuros do galpão. A temperatura caiu ainda mais e uma fumaça branca saiu da boca da garota quando ela respirou e soltou o ar.

– Sua vez, sweetie. — anunciou a ruiva segurando a faca na direção da garota e indicando que era para ela estender a mão.

Claire olhou em volta mais uma vez à medida que os sussurros se intensificavam. Porém, ela não conseguia entender o que eles diziam exatamente.

– Me dê a sua mão. Eu não vou pedir de novo. — ordenou Abaddon rispidamente.

– Não! — recusou-se a garota escondendo as mãos atrás de si e depois exigiu — Não até vocês me dizerem o que está acontecendo aqui e por que vocês precisam tanto de mim. Eu tenho o direito de saber.

Abaddon e Belial se entreolharam e ele resolveu explicar, porém sem muita paciência:

– Nós vamos entrar em guerra, Claire. Em breve. E contra um exército de anjos caídos, nada melhor do que um exército de demônios. Infelizmente, nós precisamos de você para libertar este exército. É por isso que você é importante.

– Por quê? Por que eu? — quis entender ela.

Abaddon decidiu explicar esta parte e para isso perguntou:

– Me diga, o Sam te contou que ele era o receptáculo de Lúcifer?

– Sim. — respondeu Claire prontamente.

Abaddon e Belial a olharam um pouco intrigados. Ficaram visivelmente surpresos porque Claire não parecia impressionada com o fato do namorado ser o receptáculo do diabo, o que para a maioria das pessoas seria perturbador. Pensando nisso, a ruiva indagou:

– E você não se importa?

Claire a olhou com desprezo e respondeu convicta:

– O Sam é um bom homem. E não que isso seja da sua conta, na verdade está muito além da sua compreensão, mas eu o amo independente de qualquer coisa. Além disso, nós não temos segredos um com o outro. Ele me contou e eu compreendi porque eu o aceito do jeito que ele é.

– Que fofo. — zombou Abaddon.

– Mas o que ele tem a ver com tudo isso? E eu? — perguntou Claire retomando o assunto.

Após um longo momento de silêncio, a ruiva revelou:

– Está escrito que somente o espelho do receptáculo de Lúcifer é capaz de libertar a legião de demônios que nós queremos soltar esta noite, Claire. É por isso que nós precisamos de você. Porque para o seu azar, você é a alma gêmea de Sam Winchester. Em outras palavras, você é sobrenaturalmente especial. Agora, me dê a sua mão.

Claire ficou visivelmente transtornada ao ouvir aquelas coisas. Não conseguia aceitar o fato de que eles iriam usá-la para libertar um exército de demônios. Não queria ser responsável por aquela desgraça. Um exército de demônios andando sobre a Terra? Lutando contra os anjos? Destruindo vidas inocentes no caminho?

Pensando nisso, ela deu um passo para trás e se recusou mais uma vez:

– Não!

Neste momento, Sam e Dean estacionaram o Impala nos fundos do galpão seguidos por Natalie. O mais novo estava falando com Mia pelo celular. Ela estava segurando alguns diários enquanto tentava manter o celular contra o ouvido e explicava:

– Eu achei a pesquisa do tal Bernard Colt sobre os Cavaleiros do Inferno. O único problema é que está um pouco confuso e a letra dele era horrível. Bem, mas basicamente ele cita duas formas de matar este tipo de demônio. A primeira é... – Mia abriu um dos diários e leu enquanto Sam colocava o celular no viva voz – “Somente o próprio criador dos Cavaleiros é capaz de destruí-los”.

– Criador dos Cavaleiros? – repetiu Sam enquanto pensava e depois deduziu – Lúcifer. Quem criou os Cavaleiros, e de certa forma todos os demônios, foi Lúcifer.

Dean franziu a testa e se intrometeu:

– Mia, Lúcifer está meio indisponível no momento e mesmo que estivesse fora da jaula, ele não iria nos ajudar, convenhamos. Então pula para a segunda opção.

Mia virou a página do diário e leu a outra passagem:

– “Anjos, de uma forma geral, também são fatais para os Cavaleiros do Inferno”.

Sam pensou um pouco e lembrou:

– O Ezekiel tinha dito que ele era capaz de matar Cavaleiros. Que era uma briga de igual para igual.

– Então nós precisamos do Zeke. – disse Dean.

Mia fechou o diário e explicou:

– O Cas está tentando falar com o Zeke, mas ele não atende as ligações. Ele também rezou e passou as coordenadas de onde vocês estão. É provável que o Zeke esteja indo para aí.

– Ou é provável que ele tenha sido morto por outros anjos por ter nos ajudado antes e por isso não deu mais nenhum sinal de vida. Ou é provável que ele esteja muito longe daqui e não conseguirá chegar a tempo... – supôs Sam tomado por um pessimismo e uma preocupação crescentes. Em seguida, ele respirou fundo e encerrou mais calmo – Tudo bem, Mia. De qualquer forma, obrigado pela ajuda. E continuem tentando contatar o Zeke e nos mantendo informados.

Em seguida, ele desligou o celular e Natalie saiu do Camaro. Ela se aproximou do Impala, se apoiou na janela e pediu:

– Por favor, me digam que eles descobriram alguma arma contra esses demônios malditos.

Sam e Dean se entreolharam preocupados e o mais velho respondeu:

– Nossa única chance é o Zeke e, aparentemente, ele sumiu.

– Ok, então vamos improvisar alguma coisa com sal, água benta e latim. Vai ter que servir. Pelo menos até o anjinho aparecer. Se ele aparecer, é claro... – sugeriu a loira.

Os irmãos saíram do carro e Dean aconselhou preocupado:

– Naty, talvez seja melhor você ficar fora disso...

– Você está brincando?! Eu não perderia isso por nada deste mundo, Sr. Awesome. Eu quero ajudar e eu vou. Se conforme, baby. – respondeu ela determinada.

Dean respirou fundo e depois prosseguiu:

– Ok, então como nós vamos fazer isso?

– Eu vou na frente. – disse Sam e depois completou – Eu vou tentar achar a Claire. Você e a Natalie procuram outra entrada, colocam sal nas portas, janelas, qualquer lugar por onde Abaddon e Belial possam escapar. Se nós não podemos vencê-los, pelo menos vamos mantê-los presos até o Zeke aparecer ou até pensarmos em outra coisa. Deve haver algum reservatório de água neste lugar. Nós vamos precisar para fazer água benta. E da faca da Ruby também. Se ela não é capaz de matá-los, pelo menos deve causar algum estrago neles.

– É um péssimo plano. – refletiu Dean.

– É o único que eu consigo pensar neste momento. – contrapôs Sam.

– Ok, vamos fazer isso de uma vez. – disse Natalie e em seguida foi até o Camaro, abriu o porta-malas e começou a colocar algumas caixas com sal dentro de uma mochila.

Sam e Dean abriram o porta-malas do Impala e fizeram o mesmo. Como o mais novo ia entrar primeiro, ele ficou com a faca da Ruby. Pegou um pouco de água benta também e uma arma carregada com balas de sal. Dean e Natalie se armaram também, embora soubessem que aquilo não ia adiantar muito contra demônios tão poderosos.

Enquanto isso, Abaddon puxou o braço de Claire e segurou a mão da garota com força. Sem hesitar e com certa brutalidade, ela fez um corte na palma da mão dela e Claire gritou de dor contraindo um pouco o braço.

Do lado de fora, Natalie e os Winchesters ouviram o grito e Sam correu desesperado em direção a uma das entradas.

Abaddon colocou a mão ferida de Claire em cima do símbolo que havia restado e então todos os símbolos entalhados naquela espécie de altar começaram a se iluminar instantaneamente.

Claire sentiu mais uma arrepio percorrendo o seu corpo e de repente o chão começou a tremer levemente. Ela tentou retirar a mão do altar, mas era como se ela estivesse presa por algum tipo de força invisível.

As velas apagavam-se e acendiam-se repetidas vezes, um vento inexplicável percorria todo o galpão e as madeiras embaixo dos pés deles tremiam ainda mais. Algumas partes dos encanamentos começaram a se soltar. Sam foi obrigado a parar em frente à entrada para onde havia corrido momentos antes porque uma parte da estrutura em volta da porta começou a se soltar e caiu sobre o chão perto dos pés dele. Ele deu alguns passos para trás para se proteger.

Mesmo do lado de fora, os três sentiram o chão tremer e do lado de dentro Claire percebeu que os sussurros ficaram ainda mais intensos como se milhares de vozes tivessem se juntado em um coral diabólico. Risos aterradores também foram ouvidos e as velas se apagaram de vez. O chão parou de tremer e Abaddon e Belial sorriram. Em seguida, retiraram as mãos do altar e Claire fez o mesmo. Finalmente aquela força invisível tinha cessado.

– Está feito. – disse a ruiva com certa satisfação.

Claire olhou em volta sem entender o que aquilo significava já que não havia acontecido mais nada. Nenhum demônio havia aparecido, muito menos uma legião deles.

Um silêncio absoluto reinou no lugar. Um silêncio que era interrompido apenas pelo barulho sútil e contínuo das goteiras que haviam por todo o galpão. Mas, depois de alguns instantes, outro som começou a ser ouvido. Um som semelhante ao do vento, porém mais forte e crescente. Era como se algo estivesse se aproximando em alta velocidade. Vindo do chão que começou a tremer de novo. Desta vez mais intensamente. Era como se algo estivesse lutando para sair, se aproximando, a cada segundo. Logo, algumas madeiras que revestiam o chão começaram a se soltar e uma luz vermelha e extremamente forte saiu de debaixo delas.

– O que diabos está acontecendo? – indagou Natalie do lado de fora enquanto olhava ora para Dean, ora para Sam e ora para o galpão.

As paredes também começaram a tremer e luzes vermelhas e alaranjadas apareciam entre as frestas junto com um cheiro insuportável de enxofre. Era como se o lugar fosse pegar fogo a qualquer momento.

Claire colocou as mãos nos ouvidos ao perceber que os sussurros e risos agora eram gritos ensurdecedores e medonhos.

E de repente, o silêncio reinou de novo. Então, os símbolos desenhados no altar se apagaram e os sangues de Abaddon, Belial e Claire começaram a se unir lentamente. E depois começaram a se espalhar. E em seguida escorreram pelo altar e foram parar no chão onde continuaram se espalhando até formarem um desenho. Um círculo com partes que se interligavam internamente. Era como se fossem grades. Grades de um portão ou de uma janela. Algo a ser aberto. Uma passagem.

E então, depois que o desenho finalmente se formou por completo, aquele barulho de vento voltou a ser ouvido e o chão tremeu mais uma vez. Era como se algo estivesse se aproximando do desenho no chão, vindo por baixo dele e estivesse prestes a sair. E finalmente... Aconteceu. Uma fumaça vermelha brotou do chão e saiu do desenho numa velocidade descomunal. Se espalhou por toda a parte em fumaças menores e velozes. Centenas delas. Talvez milhares. E então escaparam pelas janelas quebrando os vidros já em péssimas condições de conservação.

Do lado de fora, Dean, Sam e Natalie assistiram aquilo em choque e se abaixaram um pouco para se protegerem de algumas partes da fumaça que passaram por eles e desapareceram no horizonte instantes depois.

Atônito, Dean opinou:

– O meu palpite é que aquelas coisas são demônios.

– Mas a fumaça não deveria ser preta? – contrapôs Natalie igualmente atônita.

– Vai ver que eles são outro tipo de demônios. – supôs Sam.

Os três se entreolharam. Estavam em choque, mas sabiam que agora mais do que nunca precisavam agir rápido.

Do lado de dentro, Abaddon andava lentamente de um lado para o outro, cercando Claire e segurando uma lança de ferro pontiaguda, que um dia foi parte de um corrimão de uma das escadas, enquanto dizia:

– Guerreiros. Isso é o que eles são. Guerreiros do Inferno. Mais fortes e mais inteligentes do que os demônios comuns. Mais ágeis. Feitos para a guerra. Prontos para dizimarem qualquer anjo que ficar no nosso caminho. E quando todos eles encontrarem corpos para possuírem e acabarem com todos os anjos caídos... Finalmente o caminho estará livre e o Inferno prevalecerá por toda a Terra. Será uma nova era, Claire. O Inferno vencerá.

– Sobre isso, eu não teria tanta certeza se fosse você. – disse Sam entrando na sala de repente.

Abaddon e Belial o olharam surpresos. Não esperavam que o Winchester fosse aparecer ali, mas deduziram que ele havia seguido Claire de alguma forma. No entanto, os demônios não se intimidaram com aquela presença porque sabiam que Sam não tinha qualquer chance contra eles. Além disso, eles já tinham conseguido libertar o exército de demônios e nada mudaria isso.

– Sam... – murmurou Claire igualmente surpresa por vê-lo ali.

Ele a olhou por um instante e quis tirá-la daquele lugar imediatamente. Mas infelizmente as coisas não eram tão simples. Ele tinha que manter os demônios ocupados enquanto Dean e Natalie executavam a outra parte do plano e manter Claire à salvo enquanto isso. Era tudo que podia fazer.

Belial deu alguns passos na direção do caçador e enquanto indicava o corpo que possuía, disse com deboche:

– Ei, Sam! Você conhece o seu rival? Este é o David. E eu sou Belial, como você já deve ter deduzido.

Sam aproveitou o breve momento de distração e jogou o máximo de água benta que pôde em cima dele. Depois deu alguns passos a frente e atingiu Abaddon com o líquido também. Enquanto os demônios gritavam e se contorciam, ele atirou algumas vezes na direção dos dois e o sal das balas queimou em contato com a pele deles.

Então, Sam tentou correr na direção de Claire, mas, mesmo um pouco desnorteados, Belial tomou a frente do Winchester e Abaddon se pôs no caminho da garota. E antes que Sam pudesse atirar novamente ou jogar mais água benta neles, Belial o empurrou e Sam se chocou contra uma das paredes e caiu no chão soltando a arma que deslizou pelo assoalho e foi chutada para longe pelo demônio.

Enquanto isso, com um sorriso diabólico, Abaddon começou a empurrar Claire na direção oposta segurando com força no pescoço da garota.

– Não! Deixe ela em paz! – gritou Sam se levantando e tentando passar por Belial mais uma vez.

Ele tentou golpear o demônio com a faca da Ruby, já que o frasco com água benta também havia caído no chão quando Belial o empurrou contra a parede momentos antes. No entanto, o demônio se esquivou dos golpes com agilidade e empurrou o caçador mais uma vez e ainda com mais força. Com isso, Sam se chocou contra outra parede e caiu novamente. A faca da Ruby deslizou pelo assoalho e foi parar bem longe do seu alcance.

Completamente desarmado, Sam resolveu tentar outra coisa e começou a dizer:

– Exorcizamus te... Omnis immundus spiritus...

Mas Belial se aproximou e segurou o pescoço do caçador o sufocando entre seus dedos enquanto o olhava com ódio.

Tentando se livrar dele e ajudar Claire, Sam bateu sua cabeça contra a do demônio, e Belial se afastou um pouco tonto. Enquanto isso, Abaddon encostou Claire em uma pilastra e mantendo uma das mãos em volta do pescoço da garota, continuou:

– Lembra do que você fez comigo naquele hospital, Claire? Você me prendeu em uma porta perfurando a minha barriga com uma barra de ferro da cama. Infelizmente, eu não sei o que vai acontecer com o meu exército se eu acabar com você. Além disso, de repente você pode ser útil para mais alguma coisa. Então eu não vou te matar, querida, não se preocupe. Mas eu espero que você entenda que eu preciso de um pouco de vingança. Disso eu não abro mão.

Após dizer isso, Abaddon soltou o pescoço de Claire e segurou a mão da garota contra a pilastra. Então colocou a ponta da lança de ferro na palma da mão dela e a perfurou certeiramente. O ferro atravessou a mão e parte da coluna de madeira maciça, deixando Claire presa ali.

O grito de dor foi ouvido por todo o galpão e enquanto corria na direção da garota, Sam gritou mais uma vez e ainda mais desesperado:

– NÃO!

No entanto, antes de alcançá-la, Belial se aproximou e o impediu mais uma vez ficando entre ele e Abaddon. Em seguida, o demônio acertou o rosto de Sam com um soco violento e o Winchester caiu no chão desacordado.

Claire tentava conter as lágrimas e respirava de forma ofegante enquanto Abaddon sorria diante dela.

– O que nós vamos fazer com ele? – indagou Belial vendo Sam desmaiado no chão.

– Prenda-o. Se ele está aqui, o irmão também deve estar. E talvez até aquela caçadora que te exorcizou, irmãozinho. Vamos encontrá-los. E quando todos estiverem juntos, então nós decidiremos o que vamos fazer com eles. – orientou a ruiva e olhando para Claire, pediu com ironia – Me espere aqui, querida. Não que você tenha outra escolha, é claro.

Claire mordeu os lábios tentando conter de alguma forma a dor excruciante que sentia na mão e Abaddon começou a se afastar. Depois de amarrar Sam em uma cadeira, Belial seguiu a irmã.

Dean e Natalie estavam do outro lado do galpão subindo alguns lances de escada quando a garota disse preocupada e num ritmo acelerado:

– Dean, eu ouvi gritos. Eu acho que o plano não está dando muito certo. Nós precisamos fazer alguma coisa. E rápido! Eles estão torturando a Claire e eu acho que renderam o seu irmão. Ele foi muito maluco de entrar lá daquele jeito. E ao mesmo... Romântico. Ai meu Deus! O que nós vamos fazer agora, Dean? E se o Zeke não aparecer? E se esses demônios matarem todos nós? E o que eram aquelas coisas lá fora? Eu nunca vi demônios daquele jeito! O que eles querem? Para onde eles foram? É o fim do mundo!

Dean se virou e parou de frente para Natalie. Nervoso com tantas perguntas e suposições levantadas pela garota, ele repreendeu:

– Naty, você não está ajudando.

Ela respirou fundo se acalmando e lamentou:

– Desculpe.

Os dois terminaram de subir as escadas e chegaram em um dos andares. Então Dean parou de novo e lembrou de uma coisa. De uma coisa que estava no bolso da jaqueta dele.

Natalie parou atrás de Dean sem entender por que o caçador havia parado. E então ele começou a pensar em tudo que estava acontecendo naquele lugar e naquela noite.

Até o momento não havia nenhum sinal de Ezekiel. Eles estavam numa situação muito complicada e por um momento o Winchester teve medo de que aquilo não acabasse bem como Mia disse que acabaria. Claro que eles iriam lutar até o fim, mas se fosse em vão, se no fim Abaddon e Belial acabassem mesmo com todos eles, Dean queria fazer uma coisa antes de morrer.

Pensando nisso, ele pegou uma caixinha dentro do bolso da jaqueta e voltou-se para Natalie antes de começar a explicar:

– Natalie... Eu preciso te perguntar uma coisa. Uma coisa muito importante.

– Agora? Sr. Awesome, este pode ser o nosso fim e você quer bater papo? Sério? – indagou ela olhando para o andar de baixo e tentando descobrir onde Belial e Abaddon estavam.

– Exatamente, este pode ser o nosso fim, mas se não for, então eu quero fazer uma coisa dentro de algumas semanas e para isso eu preciso de uma resposta sua. – explicou ele.

Só então, Natalie voltou a olhar para Dean e viu a caixinha que ele segurava. Automaticamente ela deduziu do que se tratava e murmurou:

– Ai meu Deus...

Dean se ajoelhou diante dela e abriu a caixinha. Natalie olhou para o anel e depois para o Winchester que perguntou:

– Natalie Jones, se nós não morrermos hoje, você aceita ser a Sra. Awesome amanhã? Não amanhã exatamente, mas... Assim que possível. Enfim. Você entendeu. Então? Você aceita? Casar comigo e quebrar camas até o fim dos tempos?

A loira sentiu o seu coração acelerar imediatamente e por um instante esqueceu quem era, onde estava e por que estava ali. Ficou completamente sem reação.

Dean olhou para o andar de baixo e viu que Abaddon e Belial estavam próximos da escada que dava para o andar onde ele estava com Natalie e tentou agilizar:

– Naty... Você precisa pensar rápi...

– Sim! – respondeu ela o interrompendo – Eu aceito. – completou suspirando profundamente.

Dean levantou e a beijou rapidamente. Em seguida, colocou o anel no anelar direito da garota e a beijou mais uma vez antes de retomar o assunto inicial:

– Ok, Abaddon e Belial estão subindo. Então você vai procurar outra escada e colocar sal nos andares de baixo. Eu me encarrego da água benta e coloco o sal nos outros andares.

– Ok. – concordou ela.

Antes de se separarem os dois se beijaram mais uma vez e Dean declarou:

– Eu te amo, baby.

– Eu te amo, Sr. Awesome. – retribuiu ela e em seguida se afastou e desapareceu do alcance de visão dele.

E apesar de ter ficado extremamente feliz por Natalie ter aceitado o seu pedido de casamento, Dean teve uma impressão estranha quando viu a loira se afastando. Um medo. Um pressentimento. Uma sensação de que não iria vê-la novamente.

Em seguida, ele afastou aquele pensamento e subiu mais um lance de escadas. Precisava encontrar o reservatório de água.

Quando chegaram naquele andar, os demônios não encontraram nem Natalie nem Dean.

– É melhor nós nos separarmos. – sugeriu a ruiva.

XXX

Sam começou a acordar e ergueu a cabeça um pouco zonzo. Viu Claire a alguns metros dele, presa com a mão na pilastra. Ele tentou se soltar, porém Belial havia o prendido com bastante força com uma corda.

– Claire... – disse ele ainda tonto e sentindo uma forte dor de cabeça.

A garota olhou para ele por alguns instantes. Lembrou das coisas que Belial disse sobre ela e Sam, e sobre David estar sofrendo com tudo aquilo. E se condenou por não ter pensado em David em nenhum momento desde que conheceu Sam. Por não ter imaginado que ele estava em perigo. Por ter esquecido o ex-noivo completamente.

– O que eles fizeram? — indagou o Winchester.

– Além de possuir o David, eles me usaram para libertar um exército de demônios. — respondeu ela com tristeza.

Sem saber o que dizer naquele momento, Sam disse a primeira coisa que veio na sua cabeça:

– Claire, eu sinto muito. Mas nós vamos dar um jeito em tudo isso. Nós vamos ajudar o David e depois mandar cada demônio que Belial e Abaddon libertaram de volta para o Inferno. Nós vamos consertar as coisas. Eu prometo.

Claire o observou por algum tempo. Não tinha certeza se eles conseguiriam consertar as coisas, mas sabia que não podiam desistir. Então ela respirou fundo, segurou a lança de ferro que prendia a sua mão e começou a puxá-la com a outra. Fechou os olhos enquanto gritava de dor à medida que o ferro fazia o caminho reverso na sua carne machucada.

– Claire! Pare! — pediu Sam agoniado diante do sofrimento dela.

Mas Claire não parou e continuou puxando o ferro com toda a força e determinação que encontrou dentro de si. De vez em quando, ela ficava ofegante e pensava em desistir. Mas sabia que não podia fazer isso. Tinha que sair daquela situação, soltar o Sam e ajudar o David.

Então ela respirou fundo mais uma vez e conteve um último grito de dor antes de retirar totalmente o ferro que prendia a sua mão na coluna e o soltou no chão em seguida.

Sentindo muita dor, Claire encolheu o braço e com certa dificuldade fechou um pouco a mão. Em seguida, caminhou até Sam, deu a volta na cadeira dele, se abaixou e, com a outra mão, começou a desamarrar a corda que prendia o caçador.

Instantes depois, Sam terminou de se soltar e levantou da cadeira. Rapidamente, rasgou um pedaço da camisa que usava e pegou a mão ferida da garota com cuidado. Então, amarrou o tecido em volta do ferimento estancando o sangramento. Em seguida, olhou para ela e disse admirado por ela ter suportado a dor e se soltado daquele jeito:

– A cada dia você me impressiona mais, Claire Singer.

– Eu não estou tentando te impressionar, Sam. No momento, a única coisa que eu quero é o salvar o David. É só isso que importa. — esclareceu ela um tanto seca.

Por um momento Sam não reconheceu a garota meiga que Claire costumava ser. Ela estava sendo um pouco fria e ríspida. Mas em seguida ele se convenceu de que aquilo era completamente normal diante daquela situação tensa e então concordou:

– Ok, nós vamos salvá-lo. — e após uma pausa, avisou — Eu vou precisar da sua ajuda. Nós vamos fazer isso juntos, Claire.

Enquanto isso, Dean afastava a tampa de uma caixa d'água no terraço do galpão. Em seguida, jogou um terço dentro da água e começou a dizer algumas palavras para benzer a água.

Perto dali, Natalie despejava o sal em todas as portas e janelas que via pelo caminho. Em dado momento, ela parou por um instante e olhou para o anel no seu dedo. Sorriu e disse para si mesma:

– Eu vou casar... Eu vou casar... Natalie Jones vai casar... Ai meu Deus, eu vou casar... Awesome!

Em seguida, a loira suspirou e voltou a colocar o sal na janela, mas ao fazer isso, viu pelo reflexo do que sobrou do vidro que tinha alguém atrás dela.

Natalie se assustou com aquilo e o pacote de sal caiu das suas mãos. Virou-se e tentou pegar a arma na cintura, mas a ruiva segurou o braço da caçadora com força e perguntou com sarcasmo:

– Você vai me convidar para a cerimônia? Talvez para ser a madrinha?

Com a outra mão, Abaddon segurou no pescoço de Natalie e a garota foi perdendo o ar aos poucos. A última coisa que Natalie viu foram os olhos de Abaddon ficando pretos.

Então a ruiva deixou a caçadora cair no chão. Em seguida, se abaixou e a observou por algum tempo antes de dizer:

– Desculpe, mas vocês terão que adiar o casamento. Por tempo indeterminado. Tipo... Para sempre.

Então ela sorriu de uma forma maligna e planejou o que faria a seguir com a caçadora. Primeiramente, tinha que tirá-la dali e garantir que Dean Winchester não a encontrasse nunca mais.

Notas finais
Antes que vcs perguntem, a Naty não vai morrer. Mas... Digamos que ela vai comer o pão que o diabo amassou por algum tempo... No último capítulo saberemos o que aconteceu com ela e aí eu explico algumas coisinhas da próxima fic. Por enquanto, não me odeiem, ok? Eu vou fazer os personagens sofrerem bastante agora, mas tragédias fortalecem as relações, sociedade! Oi? Bem, eu mesma estou sem palavras com este capítulo, então vou passar a bola para vocês? Infartaram? Reviews?