Recomeço

46 Capítulo 46 - O começo do fim


Notas iniciais
Oiiiiiiiiii!!! Criaturas, eu ia postar este capítulo só dia 29, mas como eu terminei bem antes, eu pensei "Por quê não, neh?" Pero antes, eu quero fazer uma ressalva: Quando eu comecei com este lance de escrever fanfic, a Mia era tipo a minha personagem coringa. Tudo girava em torno dela e do romance com o Cas. Porém, com Recomeço, eu inseri novas personagens na ciranda, certo? E com isso eu tenho que dar destaque para as moçoilas Claire e Natalie também. Pois bem. Em Recomeço, principalmente nestes capítulos finais, vocês vão perceber que eu estou dando bastante destaque para a Claire. Eu vou explicar o que os demônios querem com ela, porque ela é importante para os planos deles e tals. Mas não pensem que eu esqueci da Naty. Ela é tão importante para os meus devaneios quanto a aluna do Sam e na próxima fic, ela terá mais destaque porque Natalie será a coringa da vez. Se aqui a Claire está sendo perseguida pelos demos do mal, na próxima história, será a vez da Natalie ser perseguida. E eu ainda não decidi, mas eu acho que será por anjos... Enfim, ela também terá um papel importante nessa guerra que está por vir aí. Aliás, todo mundo será importante nesta guerra. E todos farão coisas lendárias... Era isso que eu queria dizer, sociedade! Agora, com vocês, o capítulo que marca o começo do fim de Recomeço. Oi?

Era noite e todos estavam do lado de fora do bunker vendo os carros de Garth, Charlie e da Xerife Mills partirem. Quando eles buzinaram, os outros acenaram e assobiaram intensificando o clima de amizade e despedida.

Os três tinham vindo passar o Natal, mas acabaram ficando para o Ano Novo também e agora, na noite do primeiro dia do ano, estavam partindo.

Depois que eles se foram, Dean entrou no Impala acompanhado pela Sra. Tran e por Kevin. O caçador ia levá-los até um hotel da região porque os dois queriam passar alguns dias juntos, longe de qualquer assunto relacionado ao sobrenatural. A mãe do profeta ainda estava muito abalada emocionalmente e Dean achou que seria bom para ela passar algum tempo apenas com o filho e matar mais um pouco da saudade do tempo que ficaram separados.

Claire observava o Impala se afastando quando sentiu o seu celular vibrando e o pegou no bolso da calça jeans. Ao ver quem estava ligando, a garota ficou sem reação por alguns instantes. Depois olhou para Sam que estava um pouco afastado conversando com Castiel. Então ela começou a caminhar na direção do bunker e atendeu discretamente:

– David? É você?

– Olá, vadia. Sentiu saudade? Eu com certeza senti. À propósito, Feliz Ano Novo. — respondeu uma voz feminina do outro lado.

– Abaddon... — reconheceu Claire imediatamente e então parou de andar. — O que você está fazendo com o celular do David? — indagou ela preocupada.

– Por que você não pergunta diretamente para ele? — desafiou a ruiva e em seguida entregou o celular para o ex-noivo da garota, que estava sentado em uma cadeira perto da ruiva.

Ele e Abaddon estavam em uma espécie de galpão abandonado.

– Claire? — disse ele com a voz trêmula.

– David! — reconheceu ela enquanto voltava a caminhar e entrava no bunker.

– Claire, ela me achou! Me sequestrou e vai me matar! Por favor, me ajude! Claire, socorro! Ela disse que se você não vier, ela vai me matar! Me desculpe por não ter acreditado em você antes, mas agora eu acredito... O sobrenatural existe! Eu sinto muito por não ter acreditado em você! Mas você estava certa o tempo todo! Ela é um demônio, Claire... Por favor, me ajude! Eu não quero morrer! Não deixe que ela me mate! Por favor! Me ajude... — pediu ele desesperado e aos gritos.

– David, fique calmo. Onde você está? O que ela fez com você? — quis entender a garota tentando manter a calma, mas no fundo também se desesperando diante daquela situação.

Abaddon pegou o celular e respondeu:

– Ok, vadia, o negócio é o seguinte. Eu não quero absolutamente nada com o idiota aqui e até posso libertá-lo. Desde que você seja boazinha e faça exatamente o que eu vou dizer.

– O que você quer? — perguntou Claire entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.

– Anote um endereço e venha nos encontrar. Ah! E venha sozinha. Se eu ver você chegando com mais alguém, tipo os Winchesters, por exemplo, eu mato o pobre David sem pensar duas vezes. E bem na sua frente como eu fiz com a sua mãe. Eu fui clara?

Claire respirou fundo sentindo o desespero crescer dentro de si e também a dor ao lembrar da morte da mãe. Então se acalmou um pouco e indagou um tanto ríspida:

– Qual é o endereço?

Instantes depois, Claire desligou o celular e passou as mãos pelos cabelos. Não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, mas sabia que tinha que agir rápido. Não conseguia suportar a ideia de mais alguém morrer por sua causa.

Ela pensou em contar para os outros, especialmente para Sam, o que estava acontecendo e pedir ajuda, mas tinha medo de colocar a vida de David em risco se fizesse isso. Se Abaddon visse que ela estava acompanhada, não hesitaria em tirar a vida dele e Claire não podia deixar isso acontecer. Abaddon foi bem clara. Claire deveria ir sozinha se quisesse salvar o ex-noivo.

Enquanto isso, David, ou melhor Belial, levantou da cadeira, se espreguiçou um pouco e perguntou:

– Então? Como eu me saí?

– Um pouco dramático demais, na minha opinião, mas convincente. — opinou Abaddon.

– Como nós não pensamos nisso antes, irmãzinha? — indagou o demônio.

– Eu náo sei. Sei lá... Eu pensei que depois que conheceu Sam Winchester, a Claire não tivesse olhos para mais ninguém. Mas pelo visto, eu me enganei. Ela ainda se importa com este humano patético que você está possuindo, irmãozinho. — respondeu a ruiva.

Belial pensou um pouco e disse com deboche:

– É, este humano também se importa com ela. Quando ele ouviu a voz da Claire do outro lado da linha, eu pude sentir os sentimentos dele por ela. E achei que eu fosse vomitar. Ah... O amor é tão ridículo.

Abaddon riu e depois disse:

– Bem, o que importa é que a nossa vadiazinha mordeu a isca. Agora é só esperar que ela venha ao nosso encontro.

Belial sorriu de uma forma maligna ao ouvir aquilo e completou:

– E então nós poderemos libertar os outros.

– Todos eles. — ressaltou Abaddon sorrindo de volta.

XXX

Sam bateu na porta do quarto de Claire e ela abriu. Imediatamente, ela tentou disfarçar o nervosismo que sentia, mas mesmo assim ele percebeu que a garota estava estranha e perguntou:

– Está tudo bem?

– Sim, tudo perfeito. — mentiu Claire e depois perguntou — Você precisa de alguma coisa, professor?

– É que... Eu queria conversar com você, aluna. Se não estiver muito tarde. — disse Sam visivelmente ansioso.

Claire observou Sam por alguns instantes e por mais que quisesse saber do que se tratava, ela não conseguia parar de pensar que David estava em perigo e que ela precisava fazer alguma coisa e rápido. Então tentou dispensar Sam, tomando cuidado para que ele não ficasse magoado e também para que não percebesse que ela estava escondendo algo dele:

– Será que nós podemos deixar esta conversa para amanhã? É que eu estou um pouco cansada e já estava indo dormir.

Sam, que segurava uma pequena caixinha em uma das mãos atrás de si, guardou o objeto dentro do bolso da calça, sem que Claire percebesse, e disse:

– Tudo bem. Ah... Então eu acho que você também não vai dormir no meu quarto hoje, nem eu aqui, certo?

Claire tentou sorrir levemente e respondeu o olhando com carinho:

– Desculpe, mas eu estou mesmo cansada.

– Amanhã então? — propôs Sam.

Claire pensou um pouco e embora não tivesse certeza se estaria viva no dia seguinte, respondeu:

– Claro, amanhã.

– Ok, então boa noite. — desejou ele.

– Boa noite, Sam. — retribuiu ela.

Os dois se olharam por alguns instantes até que o Winchester se aproximou e tocou os lábios de Claire com um selinho carinhoso. Depois se afastou e disse:

– Eu te amo.

– Eu também te amo. — disse a garota acariciando o rosto do caçador.

Em seguida, ele se afastou mais, seguiu pelo corredor e Claire fechou a porta do quarto sentindo um aperto enorme no seu coração.

Sam entrou no seu quarto e retirou a caixinha do bolso. Em seguida, sentou na cama e ficou olhando o objeto por algum tempo. Depois de alguns instantes, abriu a caixinha deixando à mostra um delicado anel. Sorriu e antes de fechar a caixinha, murmurou:

– Amanhã, Claire Singer.

XXX

Dean estacionou o Impala em frente ao bunker e abriu o porta-luvas. Pegou uma pequena caixinha e a abriu deixando à mostra outro anel. Igualmente bonito e delicado. Sorriu, fechou a caixinha e a colocou no bolso da jaqueta antes de sair do carro.

Minutos depois, ele abriu a porta do quarto de Natalie e se aproximou da cama recém consertada. Ao ver que a garota estava dormindo profundamente ficou a observando por algum tempo de um jeito carinhoso.

Pensou em acordá-la e perguntar o que estava doido para perguntar de uma vez, mas controlou aquele impulso em seguida. Natalie estava tão linda dormindo que seria um crime acordá-la mesmo que fosse para fazer aquele pedido.

Então ele a cobriu com o cobertor, deu um beijo em sua testa e sussurrou antes de deixar o quarto:

– Amanhã, baby.

XXX

Na manhã seguinte...

A luz do sol entrava pelas frestas da janela do quarto de Mia e Castiel. E a garota, que até então dormia tranquilamente, começou a franzir a testa e a se mexer um pouco incomodada com um estranho sonho que estava tendo.

Mia estava sentada em um banco, numa espécie de ponte, de frente para um enorme lago quando alguém sentou do seu lado.

– Olá, Mia. — cumprimentou o estranho.

Então ela olhou para ele e perguntou:

– Quem é você?

– Eu achei que você saberia já que foi você mesma que me convidou para entrar no seu sonho. — respondeu ele.

Mia pensou um pouco e logo deduziu:

– Transformer...

Apesar de ter rezado para Metatron há alguns dias e pedido para que ele a visitasse em algum sonho, Mia estava surpresa por finalmente conhecer o anjo que ferrou com o Céu inteiro e com o seu anjinho em especial.

– Eu não entendo porque você me chama assim, mas sim, sou eu. — confirmou ele e depois lhe estendeu a mão dizendo — Prazer em conhecê-la, Mia.

A garota olhou para a mão dele com tanto ódio e depois o encarou de uma forma tão fria, que Metatron teve a impressão de que se ela pudesse quebraria a mão, o pulso e até o braço dele ali mesmo.

Então o anjo afastou a mão imediatamente e recomeçou:

– Ok, você me odeia. Eu entendo, Mia. É compreensível. Mas por sorte, nós não precisamos gostar um do outro para tratar de negócios. E é por isso que eu estou aqui. Para negociar.

– Então você está disposto a devolver a graça do Cas? — indagou ela interessada.

– Talvez. — respondeu ele evasivamente e depois explicou — Digamos que você estava certa, Mia. Eu não preciso mais da graça dele. O que foi feito está feito. E mesmo que houvesse uma forma de reverter o feitiço, a graça dele seria completamente inútil para este propósito.

– Então? — indagou ela ansiosa.

– Mas, você também estava certa quando imaginou que eu ia querer alguma coisa em troca. Eu quero. — esclareceu ele.

– E o que é? Alguma peça nova para o motor, Transformer? — debochou Mia.

Ele riu levemente e depois revelou extremamente sério:

– A Tábua da Palavra de Deus.

Mia o encarou por algum tempo e depois perguntou:

– Por quê?

– Responder esta pergunta não faz parte do acordo, Mia. Apenas me entregue a Palavra de Deus e eu devolvo a graça do seu anjinho. Negócio fechado e final feliz para todos nós. — respondeu ele.

Ainda mais intrigada, a garota se acomodou melhor no banco para olhar bem para a cara de Metatron e então deduziu:

– O feitiço não é irreversível, não é? É por isso que você quer a Tábua. Porque você tem medo que o Kevin a traduza e descubra uma forma de mandar os anjos de volta para o Céu. E chegando lá, eles acabariam com você e com a sua ideia distorcida de Paraíso. E isso seria o seu fim, Transformer. Legal!

– E o fim do Cas também. Porque ele nunca teria a graça de volta e depois de me destruírem, os anjos com certeza iriam atrás dele também. Legal! — completou Metatron fazendo Mia ficar séria ao imaginar aquelas coisas. Em seguida, ele levantou e disse — Pense na minha proposta, Mia. É uma troca justa. E se você estiver mesmo disposta a fazer isso pelo Cas, então não perca tempo. Pegue a Palavra de Deus, deixe o bunker o mais rápido possível, sem falar com ninguém obviamente, e aguarde as minhas próximas orientações. Foi um prazer negociar com você. Te vejo por aí.

Mia olhou para o lago por alguns instantes enquanto pensava. Por mais que Metatron achasse aquela troca justa, ela não estava satisfeita. Queria negociar aqueles termos, conseguir alguma garantia, talvez descobrir alguma coisa sobre como reverter o feitiço que fez todos os anjos caírem, enrolar Metatron, ganhar tempo.

Pensando em tudo isso, ela levantou do banco e pediu:

– Espera!

Mas ao olhar em volta, tudo o que viu foi o seu quarto e que havia sentado na cama abruptamente.

Castiel se mexeu um pouco e logo sentou ao lado dela.

– O que foi? Pesadelo? — quis saber ele.

Mia ficou alguns instantes imóvel absorvendo aquele estranho sonho que não era um sonho na verdade. Depois ficou pensando na proposta de Metatron até que Castiel passou aos mãos nos seus ombros e ela respondeu:

– Sim, um pesadelo.

– Você quer falar sobre isso? — preocupou-se o ex-anjo.

Mia o encarou por alguns instantes antes de responder:

– Na verdade, não.

Castiel passou as mãos pelo rosto da garota e lhe deu um selinho antes de fazê-la deitar de novo e dizer:

– Então vamos dormir mais um pouco, princesa.

Mia se aconchegou nos braços de Castiel e fechou os olhos. No entanto, não conseguiu mais dormir.

XXX

Enquanto isso, Sam chegou na cozinha e viu que Dean estava preparando o café.

– Bom dia, Sammy. — começou o mais velho.

– Bom dia, Dean. — respondeu o mais novo puxando uma cadeira e sentando perto de um balcão que havia na cozinha.

De repente, Dean olhou para a porta para se certificar de que não estava chegando mais ninguém, então se aproximou do irmão e sussurrou:

– Você falou com a Claire?

– Não... Ela estava meio indisposta ontem. Mas de hoje não passa. — respondeu Sam sorrindo levemente e depois perguntou — E você? Falou com a Natalie?

– Não, quando eu voltei ontem, ela já estava dormindo. Mas de hoje também não passa. — respondeu ele sorrindo.

Sam pensou um pouco e depois refletiu:

– Dean, como isso foi acontecer com a gente? Eu lembro que há pouco mais de um mês, nós estávamos conversando em um bar e prometemos que íamos nos concentrar apenas no trabalho e que esse lance de almas gêmeas não existia. E hoje... Eu não me imagino vivendo em um mundo onde a Claire não exista. Onde ela não esteja comigo. Ao meu lado. Eu nunca amei tanto alguém assim. E eu nunca fui tão amado desse jeito que ela me ama.

– E eu e a Natalie então? Eu não consigo entender como eu pude ser tão cego, como eu pude implicar tanto com ela e esconder o que eu realmente sentia durante tanto tempo. Hoje eu também não me imagino sem ela. E a prova disso é que eu estou querendo me amarrar! Você tem noção do que isso significa, Sammy? Dean Winchester quer se amarrar! Pra valer! E sabe por quê? Porque definitivamente, a Naty é... A minha garota. — disse Dean e em seguida suspirou.

Os dois ficaram pensando nessas coisas por alguns instantes até que Natalie entrou na cozinha, ainda vestindo o pijama e bocejando. Passou as mãos pelo rosto e disse:

– Bom dia, Sam.

– Bom dia. — respondeu ele.

– Bom dia, Tiger. — disse a loira depois de dar um selinho em Dean e sorrir para ele.

– Bom dia, baby. — respondeu ele enquanto a seguia com o olhar.

Natalie foi até a pia, pegou a garrafa de café e começou a se servir. Tomou o primeiro gole, pegou um pedaço de uma das panquecas feitas por Dean e depois de engolir com mais um pouco de café, se virou e perguntou:

– Vocês viram a Claire por aí? Ela não está no quarto...

– Como assim ela não está no quarto? — estranhou Sam.

– Nem nos banheiros, nem em lugar algum. Eu até pensei que ela tivesse dormido no seu quarto, Sam, mas quando eu bati na porta, ninguém atendeu. — relatou Natalie.

– Que estranho... — disse Sam um pouco preocupado.

– Não se preocupe, Sammy. O bunker é enorme. A Claire deve estar por aí. — tranquilizou Dean.

– É, pode ser, mas por via das dúvidas, eu vou procurá-la. — respondeu o mais novo e então levantou e saiu da cozinha.

Sam começou a procurar Claire por todos os cômodos do bunker. E embora Natalie tivesse dito que ela não estava no quarto dela, ele resolveu checar mais uma vez. Ao entrar lá, notou que alguns pertences de Claire haviam sumido, assim como uma bolsa que ela gostava muito.

Começando a ficar preocupado com aquilo, Sam olhou em volta e viu um pedaço de papel em cima da cômoda. Ele se aproximou, pegou o bilhete, sentou na cama e leu:

"Sam, eu sinto muito. Eu queria poder te explicar o que está acontecendo, mas eu não posso. Só o que eu posso te dizer é que eu precisei sair para resolver uma coisa importante. Eu não te contei nada, porque eu não podia e porque eu sei que você tentaria me impedir por causa de Abaddon e Belial. Mas eu realmente preciso fazer isso. É um caso de vida ou morte. Eu só espero poder te explicar tudo um dia. Por enquanto... Me desculpe. Eu te amo. Claire."

Neste momento, Dean entrou no quarto e contou:

– Sammy, não querendo te deixar mais preocupado, mas o carro da Claire sumiu. A Naty está ligando para o celular, mas ela também não atende. Eu acho que...

– Ela foi embora. — interrompeu Sam com uma expressão triste e preocupada ao mesmo tempo tirando os olhos do papel. Em seguida, explicou — A Claire deixou um bilhete e pelo teor dele, eu acho que Abaddon e Belial estão por trás disso.

Minutos depois, Sam colocou o notebook em cima da mesa da sala principal do bunker sob os olhares atentos de Natalie, Dean e de Mia e Castiel que haviam levantado há pouco e se inteirado do assunto. Em seguida, Sam ligou o notebook e acessou a Internet enquanto explicava:

– No bilhete, a Claire menciona que precisa fazer uma coisa importante, que é um caso de vida morte e que não contou nada porque não podia e porque sabia que eu tentaria impedir. Ela menciona Abaddon e Belial. Então a minha aposta é que, de alguma forma, um deles ou os dois conseguiram contatar a Claire e estão ameaçando alguém que ela conhece. E claro, pediram para ela não nos envolver nessa história. Além disso, a Claire deixou a maioria das roupas aqui. O que significa que ela acha que... Não vai precisar mais delas.

– Em outras palavras, a Claire está indo para uma missão suicida. — resumiu Castiel fazendo Sam ficar ainda mais preocupado. — Desculpe. — lamentou ele percebendo que não tinha sido muito sútil com as palavras.

– Não, tudo bem. É exatamente isso, Cas. A Claire está arriscando tudo para salvar alguém de Abaddon e Belial. — disse Sam.

– Mas quem? — indagou Dean.

Natalie pensou um pouco e depois disse:

– Eu acho que eu sei quem é. A Claire tinha um noivo. David. Eles terminaram há alguns meses e se afastaram ainda mais com todo esse lance sobrenatural na vida da Claire. Mas talvez os demônios tenham o encontrado e agora estão usando ele para se aproximar dela.

Sam assimilou o que tinha ouvido. Ele sabia que Claire tinha terminado um noivado há pouco tempo. Justamente para tentar proteger o rapaz de todos os perigos que a cercavam. E se Abaddon e Belial tinham encontrado David, com certeza, Claire faria de tudo para salvá-lo. E agora, Sam precisava salvar os dois e trazê-la de volta. Porque ele não podia deixar aqueles demônios machucarem a mulher que ele amava e nem conseguirem o que quer que fosse que eles queriam tanto com Claire. Ele tinha que impedir tudo aquilo.

Pensando nisso, Sam acessou uma página da Internet e Mia perguntou:

– Como isso vai nos ajudar?

– Eu instalei um GPS novo no carro da Claire para localizá-la quando fosse necessário. — respondeu Sam.

– A Claire sabe disso? — indagou Natalie.

Sam sentiu que todos estavam olhando para ele esperando uma explicação e então respondeu:

– Olha, eu sei que parece paranoico da minha parte e excesso de proteção, mas apesar de ter aceitado a decisão da Claire de ser caçadora, eu queria protegê-la de alguma forma. Então se eu não podia impedí-la de sair por aí caçando, eu queria pelo menos ter certeza de que ela estaria bem e que eu poderia encontrá-la numa situação de emergência. Como agora, por exemplo. Então me poupem do sermão, ok? Eu vou contar isso para ela num momento oportuno. Mas agora tudo o que eu quero é encontrá-la e trazê-la de volta sã e salva.

Todos se entreolharam e em seguida, Dean concordou:

– Tudo bem, Sammy. Eu tenho certeza de que se isso for ajudar a salvá-la daqueles demônios, a Claire vai relevar o seu excesso de proteção. Então, vá em frente. Descubra para onde ela foi.

Sam voltou a se concentrar no site, digitou alguns dados, login e senha para ter acesso ao GPS do carro e então respondeu:

– Ela está na rodovia 654. Esta estrada termina em... Lawrence, Kansas. Provavelmente, é para lá que ela está indo.

– Ok, então vamos atrás dela. — anunciou Dean enquanto pegava uma bolsa com algumas coisas numa cadeira perto da mesa.

– Eu vou com vocês. — disse Natalie de repente.

– Não senhora! É perigoso e... — discordou Dean.

– Eu não pedi a sua permissão, Sr. Awesome. A Claire é minha amiga e eu sou uma caçadora, lembra? Eu vou com vocês. Está decidido. Eu só vou trocar de roupa e pegar as minhas coisas. — insistiu Natalie cheia de uma determinação que irritou Dean.

Então ela subiu as escadas e foi para o quarto fazer o que havia dito.

Dean respirou fundo e deixou escapar:

– Talvez eu devesse colocar um GPS na Natalie também.

Sam guardou o notebook na mochila para poder rastrear Claire durante o caminho. Depois voltou-se para Mia e perguntou:

– Você vem?

Mia olhou para Castiel e percebeu que se ela fosse, ele ia querer ir também, o que estava completamente fora de cogitação. Além disso, por mais que ela gostasse da ideia de caçar demônios, lutar ao lado dos Winchesters e salvar pessoas, todos ali formavam uma equipe. E numa equipe, o trabalho precisa ser bem distribuído para se ter sucesso em uma missão. Principalmente numa situação de emergência como aquela. Então, pensando em tudo isso, Mia respondeu:

– Não, eu vou ficar. E eu o Cas vamos entrar em contato com o Zeke e pedir ajuda, pesquisar alguma arma contra esses Cavaleiros do Inferno, talvez o Crowley possa ajudar também. Enfim... Nós manteremos contato.

– Ok. — concordou Sam visivelmente preocupado com toda aquela situação.

Em seguida, ele começou a se afastar seguido pelo irmão.

– Sam! — chamou Mia e ele se virou para vê-la — Não se preocupe. A Claire vai ficar bem. Vocês vão conseguir salvar ela e esse tal de David, e dentro de alguns dias eu vou ver você entrando com ela por aquela porta como se nada disso tivesse acontecido.

– Você sonhou com isso, Mia? Você teve algum sonho sobre o que está acontecendo agora e como isso tudo vai terminar? Alguma garantia de que tudo vai terminar bem? — quis saber ele.

– Não. — respondeu Mia com certo pesar e depois completou — Mas eu digo essas coisas do fundo do meu coração. Tudo vai ficar bem, Sam. Acredite e ficará.

Sam assentiu com um meneio de cabeça, embora não conseguisse ser tão otimista quanto Mia e depois saiu do bunker. Antes de sair também, Dean pediu:

– Diga para a Naty que nós vamos esperá-la lá fora, ok?

Momentos depois, Natalie entrou no seu Camaro e seguiu o Impala. Enquanto isso, Mia foi até a masmorra conversar com Crowley e tentar conseguir alguma informação sobre uma forma de matar demônios tão poderosos e fortes como os Cavaleiros do Inferno. Castiel tentou ligar para Ezekiel, mas como o anjo não atendeu, ele resolveu rezar mesmo. E contou tudo o que estava acontecendo para o anjo, avisou que os Winchesters e Natalie estavam indo para Lawrence atrás de Claire e David e que eles precisariam de ajuda contra Abaddon e Belial.

Crowley, por sua vez, disse para Mia que não conhecia nenhuma forma de matar os tais demônios, mas em troca de uma garrafa de uísque, ele contou que um caçador chamado Bernard Colt, filho de Samuel Colt, dedicou a sua vida àquele assunto e que reuniu toda a sua pesquisa em alguns diários. E era provável que a sociedade dos Homens das Letras tivesse tomado posse da pesquisa e a guardado em algum lugar do bunker.

Então Mia começou a procurar por essa pesquisa e depois de tentar ligar para Ezekiel mais uma vez, Castiel se juntou a garota e os dois reviraram o bunker atrás de alguma pista de como matar Abaddon e Belial.

Em alguns momentos, Mia olhava para a Tábua da Palavra de Deus, que estava em uma mesa perto deles, e lembrava do sonho com Metatron e do que ele propôs. E em seguida, ela voltava a se concentrar na pesquisa e esquecia aquele assunto por alguns instantes. Mas sabia que mais cedo ou mais tarde teria que tomar uma decisão.

XXX

Era cinco horas da tarde, quando Claire estacionou o seu carro em frente a um galpão abandonado em um bairro afastado e deserto de Lawrence e desceu. Como não queria colocar a vida de David em perigo, ela foi completamente desarmada. Apenas com a sua coragem e com o desejo de descobrir de uma vez por todas o que Abaddon e Belial queriam tanto com ela. Por que ela era tão importante para eles? O que eles estavam planejando e qual era o papel dela nisso tudo?

Claire estava prestes a descobrir as respostas para estas perguntas. E também estava prestes a viver um dos piores e mais difíceis momentos da sua vida. Mas sabia que não podia voltar atrás. David dependia dela. Ele não tinha nada a ver com toda aquela droga sobrenatural toda e tudo que Claire queria era salvá-lo e afastá-lo para sempre de tudo que pudesse machucá-lo. Ela nunca se perdoaria se alguma coisa acontecesse com ele por sua culpa.

Pensando nisso, ela subiu alguns degraus, empurrou uma porta enferrujada que rangeu ao ser aberta e entrou no lugar.

O cheiro de mofo invadiu suas narinas e alguns ratos que passaram pelos seus pés, fizeram a garota pular e gritar instantaneamente. Em seguida, Claire respirou fundo tentando se acalmar e achando-se ridícula por ter se assustado com os ratos, mas por estar prestes a encontrar um demônio que provavelmente a mataria no fim de tudo aquilo. Então, resolveu se concentrar no que veio fazer ali e deu mais alguns passos a frente. Olhou tudo em volta.

O galpão era enorme. Tinha algumas janelas laterais por onde a luz do dia entrava. O encanamento era completamente exposto e boa parte dele estava danificada por ferrugem. Havia vazamentos e infiltrações por toda a parte, o que explicava o cheiro de mofo do lugar. Haviam também inúmeras salas e portas destruídas pela ação do tempo.

Claire olhou para cima e deduziu que o galpão devia ter uns cinco andares que eram interligados por alguns lances de escada também desgastados pelo tempo e pela umidade. O lugar devia estar desativado há no mínimo uns cinco anos.

Claire caminhou até o primeiro lance de escada e começou a subir. O segundo andar estava em melhor condição do que o primeiro, mas mesmo assim era um cenário desolador.

Claire só conseguia se perguntar desde quando David estava ali. Ela não tinha tido mais notícias dele desde que deixou St. Louis, então ele podia estar ali há dias ou há semanas. Pensar nisso torturou Claire ainda mais. Ela precisava encontrá-lo e tirá-lo daquele cenário de horror.

Pensando nisso, Claire olhou em volta e para cima mais uma vez e gritou:

– Abaddon! Eu estou aqui, sua vaca! Venha me pegar!

As palavras da garota ecoaram pelo lugar e fizeram alguns morcegos e pombos voarem pelo galpão fazendo um barulho ensurdecedor.

De repente, quando tudo havia ficado silencioso de novo, Claire ouviu passos atrás dela. E uma voz familiar a chamou:

– Claire?

Ela se virou e ao ver o rosto conhecido murmurou:

– David...

As roupas dele estavam sujas, amassadas e rasgadas em alguns lugares. Ele estava abatido, mas ao vê-la tentou esboçar um sorriso. Imediatamente, Claire caminhou depressa até ele e o abraçou.

– David! — repetiu emocionada e em seguida, lamentou sem conseguir controlar o pranto — Eu sinto muito por ter te envolvido nisso... Me desculpe... Me perdoa... Eu não queria...

Belial sorriu levemente e acariciou os cabelos da garota enquanto dizia calmamente:

– Está tudo bem, Claire. Eu entendo. Mas eu preciso te perguntar uma coisa.

– O quê? — perguntou ela o abraçando mais forte enquanto continuava chorando em seu ombro.

– Em algum momento, você pensou em mim, Claire? Lembrou de mim? Só por um segundo? Enquanto você estava com Sam Winchester, nos braços dele, rolando com ele pela cama, rindo, aos beijos... Em algum desses momentos, você lembrou que eu existia, Claire? Que eu podia estar em perigo por sua culpa? Sofrendo por sua causa? Morrendo... Por sua causa?

Ao ouvir aquelas coisas e a forma fria como elas eram ditas, Claire parou de chorar e ficou séria e imóvel imediatamente. Então, ela começou a se perguntar como David sabia de Sam e por que ele perguntaria aquelas coisas e daquela maneira. Em seguida, começou a se perguntar por que David estava completamente solto naquele lugar. Livre. Ele estava livre demais para alguém que era um refém. Depois se perguntou onde estava Abaddon no meio de tudo aquilo e por que ela havia deixado David completamente livre ali. E por último deduziu que quando David ligou, na noite anterior, ele também devia estar livre diante da ruiva. E tudo isso porque... Não era o David. Era a voz dele, agora era o corpo dele, mas não era ele. Não mais.

Sentindo um ódio profundo e também um pavor aterrador, Claire se afastou devagar e encarou o homem que sorria de uma forma cínica para ela. Deu alguns passos para trás e enxugou o rosto antes de dizer:

– Você não é o David.

– Não. — disse ele e com os olhos pretos, completou — Como você já deve ter deduzido, talvez até me reconhecido, eu sou Belial. O demônio que possuiu a sua mãe, lembra? Aquilo foi tão divertido. Não para ela, claro, mas eu me diverti muito, Claire. — e depois de fechar os olhos e abrí-los rapidamente os fazendo voltar a cor normal, continuou — Por falar nisso, eu posso não ser o David, mas ele está aqui sim, Claire. Ele ainda está vivo. Nos ouvindo neste exato momento. E sofrendo muito porque eu contei o que você anda fazendo ultimamente. Eu contei sobre as suas atividades extracurriculares com Sam Winchester. — disse o demônio.

– Como você sabe sobre mim e o Sam? — indagou ela.

O demônio riu e continuou:

– Você está brincando?! O Inferno inteiro e até o Céu sabem de vocês dois, Claire. Nós já sabíamos muito antes de vocês se conhecerem. Porque Claire Davis... Ou melhor, Claire Singer e Sam Winchester sempre estiveram destinados a se encontrarem e a ficarem juntos. Claro que todo amor épico envolve algumas tragédias, não é? Como David, por exemplo. Mas não se preocupe, dizem que as tragédias fortalecem as relações.

– Você não precisa do David. Eu estou aqui. Por favor, deixe ele ir embora... Saía do corpo dele... Liberte-o. Por favor... — pediu a garota voltando a chorar.

– Desculpe, sweetheart, mas eu preciso de um corpo e o David está servindo bem à este propósito até agora. — respondeu ele.

– Então por que eu estou aqui se você não vai libertá-lo? O que vocês querem comigo? Que tipo de armadilha é essa? E onde está a vagabunda da sua irmã?! — perguntou Claire deixando a raiva transparecer.

– Eu estou aqui, vadia. — respondeu a ruiva logo atrás da garota.

Mas antes que Claire se virasse, Abaddon acertou a cabeça dela com um pedaço de um ferro que havia pegado em uma das salas do galpão. Com o golpe, Claire caiu no chão desmaiada entre os dois demônios.

– Você acha que eu bati muito forte, irmãozinho? Essas garotas de hoje em dia são tão frágeis. — disse a ruiva com ironia.

Belial a repreendeu com o olhar, depois abaixou e pegou Claire no colo antes de responder:

– Abaddon, eu sei que você duas tem um rixa por causa de tudo que aconteceu naquele hospital em St. Louis, mas vai com calma. Nós precisamos da Claire viva, lembra?

– Isso não significa que eu não posso torturá-la um pouco, não é? — indagou a ruiva com um sorriso de canto.

Belial revirou os olhos diante daquela pergunta e começou a se afastar com Claire.

Abaddon jogou o pedaço de ferro no chão e seguiu o irmão.

Notas finais
Well, well, well, eu falei que depois do capítulo de Natal as coisas iam se complicar, não falei? Eu avisei, não avisei? Pois bem. Mas fiquem calmos porque a coisa toda vai piorar bastante. Oi? Pretendo (se Loki permitir) terminar esta fic no capítulo 50 e até lá descobriremos o que Abaddon e Belial querem com a Claire, o que a Mia vai decidir sobre a proposta do Transformer, teremos algumas tragédias, lágrimas, sangue, afins e outras desgraças. Sobre os anéis que vimos neste capítulo... Sim, sociedade. Os Winchesters querem casar. Quem se habilita? Teremos os pedidos de casamento em breve, porém... Como eu disse antes, muitas tragédias virão por aí. Quando eu terminar esta fic, quero ver todo mundo com cara de esquilo dramático em frente ao computador, celular, tablet e afins. Quero deixar vcs chocados e nudes. Estou trabalhando no próximo capítulo e espero postar até domingo. Me aguardem! Ah! E não se preocupem! Esta fic vai deixar vcs chocados no final, porém eu já estou pensando na próxima e acho que vcs vão gostar dos meus devaneios... This is it! Reviews?