Recomeço
40 Capítulo 40 - A garota de mechas roxas
Notas iniciais
Antes
2005 — Califórnia — Universidade Stanford
Sam estava caminhando pelos corredores de um dos campus da universidade segurando o celular contra o rosto. Depois de ouvir o que a pessoa do outro lado da linha disse, foi a vez dele falar:
– Dean, eu não vou voltar. O papai foi bem claro quando disse que se eu saísse por aquela porta, não era para eu voltar nunca mais. E quer saber? Por mim tudo bem porque finalmente eu assumi o controle da minha vida, finalmente eu estou onde eu quero estar e fazendo o que eu quero fazer. Eu estou na faculdade, cursando o que eu sempre quis, eu tenho uma namorada... Você não entende? Isso é o mais perto que eu já tive de uma vida normal. E agora você quer que eu abra mão disso e volte a caçar? Desculpe, mas isso não vai acontecer.
Sam parou em frente à biblioteca enquanto Dean falava do outro lado da linha tentando convencê-lo a desistir da vida normal que ele queria construir. Então o mais novo respirou fundo, passou uma das mãos pelo cabelo e mesmo com o irmão o interrompendo a cada frase, tentou encerrar:
– Desculpe, Dean, mas eu não posso voltar. Eu não quero voltar. Não importa se você acha que essa vida não é pra mim... Olha... Eu preciso desligar agora, ok? Eu vou entrar na biblioteca. Nerd? Você me chamou de nerd? Sabe, Dean algumas pessoas gostam de ler, de estudar. Você devia experimentar um dia ao invés de ficar vendo só aquelas pornografias. Dean? — Sam olhou para a tela do celular e viu que o irmão tinha desligado. Então xingou baixinho — Bitch...
Em seguida, guardou o celular no bolso da jaqueta e entrou na biblioteca. Passava das oito horas da noite, mas mesmo assim ainda havia alguns estudantes sentados em algumas das mesas fazendo trabalhos. Sam passou por aquela parte da biblioteca e caminhou em direção aos largos corredores cercados por enormes estantes.
Enquanto isso, Claire pegava alguns livros e tentava equilibrá-los em uma pilha em um dos braços. Estava com o celular encostado em um dos ouvidos e depois de ouvir a mãe do outro lado da linha, sussurrou:
– Mãe, eu não posso falar agora, ok? Eu estou na biblioteca. Olha, por favor... Só me ligue de novo se for para dizer o nome do meu pai. Eu não quero mais discutir com você, mas se você continuar me escondendo a verdade, essas brigas vão continuar acontecendo entre a gente. Eu não preciso que você me proteja, mãe, eu preciso que você me diga a verdade sobre ele. Você sabe que eu tenho o direito de saber a verdade... Vamos... Não pode ser tão ruim assim. Como assim "é perigoso"? Você já disse isso antes, mas você sabe muito bem que eu estou disposta a correr qualquer risco para conhecer o meu pai... Por favor, apenas o nome. Mãe?
Claire olhou para a tela do celular e viu que a mãe havia desligado. Então começou a se afastar daquele corredor ao mesmo tempo em que guardava o celular no bolso da calça jeans e tentava equilibrar os livros que carregava.
De repente, ao virar em um dos corredores, ela esbarrou em cheio em alguém que vinha na direção oposta e todos os seus livros caíram no chão. Rapidamente os dois se abaixaram para recolhê-los e a mão do rapaz ficou sobre a sua quando eles tentaram pegar o mesmo livro. Sam olhou para a garota. Imediatamente ficou encantado pela beleza do seu rosto. E também pelas mechas roxas nas pontas dos seus longos cabelos que lhe davam um ar sensual e autêntico. Claire olhou para o rapaz e seu coração acelerou inexplicavelmente. Ele era bonito. E tinha um corte de cabelo que lhe caía muito bem e que dava um ar de menino e nerd ao mesmo tempo. Exatamente o tipo de homem que Claire gostava. Bonito e nerd.
Eles afastaram as mãos e terminaram de recolher os livros. Cada um ficou com uma pilha. Em seguida, levantaram e se encararam por alguns instantes.
Sam sentiu algo que ele não soube explicar direito. Claire sentiu o mesmo. Foi como se uma corrente elétrica tivesse passado por eles deixando os dois arrepiados e com a pulsação acelerada.
– Ah... Me desculpe pelos livros... Eu sou meio atrapalhado. — começou Sam voltando a si.
– Tudo bem. Não foi sua culpa. Eu que é que estava distraída. — tranquilizou Claire.
Um silêncio se instalou enquanto eles se olhavam de novo até que Sam perguntou um pouco intrigado:
– Você é aluna nova? Eu nunca te vi por aqui antes.
– Não, eu já estudo aqui há algum tempo. Eu faço Medicina. — explicou ela.
– Então o que você está fazendo na biblioteca de Direito? — estranhou Sam.
Claire sorriu levemente e respondeu:
– Bem... É que nós temos uma disciplina sobre legislação voltada para a área da saúde. E eu estou fazendo um trabalho sobre processos judiciais relacionados a erros médicos. — e estendendo a mão para ele, se apresentou — À propósito, meu nome é Claire.
– Sam. E como você deve ter deduzido, eu curso Direito aqui. — disse ele segurando a mão da garota.
Os dois ficaram segurando as mãos um do outro por alguns instantes enquanto se olhavam de um jeito profundo. Foi como se aquele toque tivesse intensificado a sensação que tiveram quando se olharam instantes antes. Finalmente eles voltaram a si e soltaram as mãos.
Claire passou a mão pela nuca enquanto Sam tentava entender por que aquela desconhecida lhe despertou uma atração tão rapidamente. Um pouco receosa, Claire resolveu arriscar:
– Sam... Por acaso, você gostaria de tomar um café comigo? Talvez me dar algumas dicas com o meu trabalho? Seria ótimo ter a consultoria de um futuro advogado.
Sam não estava entendendo o que estava acontecendo com ele naquele momento, mas diante daquele convite tão sutil, o seu coração acelerou inexplicavelmente. Por um momento ele esqueceu que tinha uma namorada o esperando naquele exato momento em um dos alojamentos. Mas quando ele ia aceitar o convite daquela garota, o celular dele vibrou.
Ele pegou o aparelho no bolso enquanto Claire o observava. Viu que era uma mensagem. Viu que era de Jessica. Dizia:
"Onde você está? Não demora. Já estou com saudade. Tem uma festa hoje no campus. Vamos? Te amo. Jess."
Diante daquela mensagem, Sam voltou a si e então respondeu com cuidado:
– Desculpe, eu não posso. Eu tenho um compromisso agora...
– Namorada? — deduziu Claire tentando disfarçar certa decepção.
Ela também não entendia o que estava acontecendo, simplesmente tinha se sentido muito atraída por aquele desconhecido e por um momento pensou que... Ela nem sabia o que tinha pensado, mas já estava arrependida por ter se deixado levar por aquele momento.
– É, minha namorada. — confirmou Sam.
– Ela é uma garota de sorte. — deixou escapar Claire, e se arrependeu em seguida ao sentir seu rosto ficando vermelho.
Sam sorriu levemente e franziu a testa ao ouvir aquilo e principalmente ao perceber que Claire havia ficado constrangida.
Trair Jessica estava fora de cogitação, Sam realmente a amava e era fiel ao relacionamento que tinham. Mas, por outro lado, ele não queria perder o contato com aquela garota tão especial na sua frente. Pensou que talvez ele e Claire pudessem ser bons amigos, que não teria mal algum nisso e então resolveu propor:
– Vamos deixar o café para outro dia?
– Claro. Outro dia. — concordou ela, mas no fundo sentia-se meio estúpida por ter dado em cima dele e só queria sair dali logo.
– Qual o seu telefone? — perguntou ele mexendo no aparelho de celular.
Claire hesitou um pouco e desconversou:
– Na verdade, eu troquei de número há pouco tempo e ainda não decorei.
– Então anota o meu. — sugeriu Sam.
Claire o encarou por alguns instantes e sem saber como sair daquela situação, resolveu ser sincera:
– Desculpe, Sam, mas... Eu não acho que seja uma boa ideia.
– Por quê? — estranhou ele. — Você não quer mais a minha consultoria?
Claire sentia seu rosto ficando cada vez mais vermelho. Sentia-se uma idiota, mas o fato era que tinha gostado muito de Sam para conseguir ser apenas uma amiga dele. Não acreditava em amor à primeira vista, mas era óbvio que ele a atraiu de alguma forma. No entanto, como Sam tinha namorada, era melhor esquecê-lo completamente, esquecer aquela noite, aquele clima, aquela troca de olhares e seguir em frente. Além disso, Claire tinha outras coisas para se preocupar no momento, andava discutindo muito com a mãe ultimamente e queria a todo custo descobrir quem era o seu pai biológico. Era uma garota complicada e não queria complicar a vida de Sam também e se complicar ainda mais.
Então, ela decidiu dizer a primeira coisa que veio na sua cabeça:
– Ok, me chame de maluca, mas eu acho que... Este não é o nosso momento.
Sam a encarou confuso, embora no fundo sentisse que ela estava certa. Ele também tinha sentido uma atração inexplicável por Claire e não sabia se conseguiria ser apenas um amigo dela. Talvez fosse melhor esquecê-la completamente, esquecer aquela noite, aquele clima, aquela troca de olhares e seguir em frente. Além disso, Sam tinha outras coisas para se preocupar no momento, ele tinha uma namorada, estava tentando construir algo ali em Stanford, estava tentando ter uma vida normal e esquecer completamente a sua trajetória como caçador. Era um cara complicado e não queria complicar a vida de Claire também e se complicar ainda mais.
Então resolveu dizer a primeira coisa que veio na sua cabeça também:
– Desculpe, Claire. Acho que eu vou ficar te devendo o café então.
Os dois se olharam mais uma vez antes dela encerrar:
– Te vejo por aí, Sam. Ou não. Enfim. Eu preciso ir.
Em seguida, Claire passou por ele apressada e andou em direção à saída da biblioteca sem olhar para trás. Tudo que ela queria era esquecer aquele momento embaraçoso. Nunca tinha dado em cima de um homem daquele jeito e sentia-se estúpida por ter feito isso justamente com um cara que já era comprometido.
Sam se virou e acompanhou Claire com o olhar até que ela deixou a biblioteca sem olhar para trás. E tudo que ele queria era esquecer que por um momento se esqueceu completamente de Jessica e ficou encantado diante de outra garota.
Ficou alguns instantes parado no corredor, tentando entender o que havia sentido. Sem conseguir explicar aquilo pra si mesmo, simplesmente pegou os livros que precisava e também deixou a biblioteca.
Uma semana depois, durante uma madrugada, Dean invadiu o alojamento que Sam dividia com Jessica. O Winchester mais velho contou que o pai deles tinha ido caçar e não dava notícias há alguns dias. Então Dean pediu ajuda com um caso, e depois de relutar um pouco, Sam resolveu ir com ele até Jericho. Onde motoristas estavam sendo mortos dentro de seus carros quando passavam por uma ponte. Havia relatos que uma mulher de branco assombrava o lugar.
Dias depois, quando voltou para Stanford, depois de ter solucionado o caso junto com o irmão, Sam viveu um dos piores momentos da sua vida. Ao deitar na cama, ele sentiu algo pingar em seu rosto. E ao abrir os olhos, viu a namorada presa no teto do quarto com a barriga cortada. Em seguida as chamas a consumiram sem que ele pudesse fazer nada.
Completamente em choque, Sam disse para Dean que eles tinham trabalho a fazer, deixou Stanford e seu sonho de ter uma vida normal para trás e voltou para o que o irmão chamava de family business.
Meses depois, Claire também deixou a faculdade e as discussões com a mãe se intensificaram por conta dela querer saber quem era o seu pai e Rachel se recusar a dizer.
Nunca mais Claire ouviu falar de Sam e ele também nunca mais ouviu falar daquela garota linda, de mechas roxas nos cabelos que conheceu na biblioteca da faculdade. E aos poucos, eles se esqueceram completamente um do outro.
Agora
2013 — Kansas — Bunker dos Homens das Letras
Passava das dez horas da noite e Claire estava sentada na cama com as costas apoiadas na cabeceira folheando o diário do pai. Havia alguns livros espalhados por cima da cama e em volta das suas pernas, mas quando Sam voltou para o quarto trazendo duas xícaras de café, a garota os afastou rapidamente e encolheu um pouco as pernas para que ele sentasse de frente para ela.
– Eu estava te devendo um café. — lembrou Sam enquanto entregava uma das xícaras para a garota.
Claire sorriu ao lembrar da conversa entre eles em Stanford e do convite que fez para Sam na época. Em seguida, tomou um gole da bebida e respondeu:
– Eu acho que depois de oito anos, ele finalmente está no ponto certo.
– Pois é, parece que o nosso "outro dia" finalmente chegou. — completou Sam enquanto tomava alguns goles também.
Quando ele terminou, ficou alguns instantes encarando Claire com um olhar diferente e ela perguntou:
– O que foi?
– Nada, eu só estava pensando na sua aula de tiros hoje de manhã.
Claire bebeu mais um gole do café enquanto observava Sam por cima da xícara e depois perguntou:
– E como você acha que eu me saí, professor?
Sam sorriu e respondeu:
– Ah... Eu acho que você se saiu muito bem, aluna.
– Sério? Engraçado porque eu jurava que eu precisava de algumas aulas de reforço. Eu não sei... Eu ainda me sinto meio insegura... — insinuou ela.
– Bem, neste caso, eu posso ver um horário na minha agenda e te dar mais algumas dicas. O que eu não faço por uma boa aluna? — sugeriu ele gostando daquela conversa e olhando para a cama, reclamou em tom de brincadeira — Eu não posso elogiar que você já pisa na bola, não é? Quer dizer que eu saio por dez minutos e quando volto encontro esta bagunça? Você precisa ser mais organizada, aluna.
– Desculpe, professor. — lamentou Claire se aproximando um pouco para pegar a xícara vazia das mãos de Sam. Depois colocou junto com a sua no criado-mudo e se reaproximou do caçador, dizendo — Mas eu tive uma ideia para me redimir da bagunça que eu fiz. Você quer saber qual é?
– Sim... — murmurou Sam antes de ter seus lábios silenciosos pela boca de Claire.
Sam passou seus braços em volta da cintura dela a trazendo para mais perto do seu corpo enquanto o beijo se tornava mais intenso. Sam só conseguia pensar em como era bom estar com Claire, finalmente estar com ela. Ele nunca esteve tão apaixonado por alguém como naquele momento. Não tinha mais dúvidas de que aquela era a mulher da sua vida. A mulher que ele precisava e a mulher que precisava dele.
Enquanto beijava Sam e envolvia os braços no pescoço dele, Claire pensava a mesma coisa sobre o Winchester. Também nunca esteve tão apaixonada por alguém como naquele momento. Finalmente sentia que havia encontrado o homem perfeito para ela. Não tinha mais dúvidas. Sam era o homem da sua vida. O homem que ela precisava e o homem que precisava dela.
Pensando nessas coisas, Claire deslizou uma das mãos suavemente até a camisa de Sam e começou a abrir os botões. Primeiro um. Depois o outro.
As pontas dos seus dedos encostavam na pele dele e Claire pôde sentir como Sam estava quente. Mais do que o normal. Devia estar gostando muito daquilo. Parecia que estava pegando fogo assim como ela também se sentia à medida que ele a envolvia com aquele beijo e com o carinho que fazia na sua nuca. No entanto, quando Claire chegou no terceiro botão, Sam abriu os olhos e a afastou rapidamente segurando nos seus braços.
– Claire, o que você está fazendo? — perguntou ele um pouco assustado.
– O que você acha que eu estou fazendo, Sam? — rebateu ela o olhando com desejo e tentando se aproximar para beijá-lo de novo.
Mas Sam a afastou mais uma vez e levantou da cama atônito. Claire levantou em seguida enquanto ele fechava os botões da camisa que ela havia aberto antes.
– Você não acha que nós estamos indo rápido demais? — questionou ele.
– Não. Ao contrário, eu acho que agora nós estamos no ritmo certo. — respondeu ela e depois de se aproximar, passar os braços em volta do pescoço do Winchester e roçar o rosto suavemente no dele, insinuou — E pode ficar ainda melhor, Sam...
Ele fechou os olhos enquanto fazia um esforço enorme para não aceitar aquela provocação, mas era difícil com ela tentando encontrar a sua boca de novo.
– Claire... Não pode ser assim... — relutou ele.
– Por que não? Você não quer, Sam? — indagou a garota tocando os lábios dele sutilmente.
Entre um selinho e outro, Sam respondeu:
– Se eu quero? Claire... É claro que eu quero... Mas...
– Se você quer, então não existe "mas"... — argumentou Claire mordendo o lábio inferior de Sam e o deixando arrepiado com o gesto.
Em seguida, ela envolveu os lábios do Winchester com mais um beijo apaixonado enquanto passava os dedos pela nuca dele. Sam correspondia ao beijo, mas ainda estava relutante, não porque ele não queria aquilo que Claire estava sugerindo, mas sim porque ele lembrou de todos os relacionamentos que teve e da forma como eles terminaram. Tinha medo que acontecesse o mesmo com Claire.
No entanto, estava muito difícil resistir à ela e às suas carícias. Além disso, sentir o calor do corpo dela junto ao seu estava deixando Sam maluco. Então, quase sem perceber, as mãos dele desceram pelas costas da garota, seguraram com firmeza em sua cintura, deslizaram pelo seu quadril. Mas instantes depois, e com muito esforço, ele voltou a si. E então segurou os braços de Claire com força e a afastou de novo.
– Claire, me desculpe, mas nós não podemos fazer isso. Não desse jeito. Não aqui e nem agora. — afirmou ele e em seguida se virou para sair do quarto.
Porém antes que ele alcançasse a saída, Claire correu e chegou antes dele ficando com as costas apoiadas na porta e impedindo assim que Sam saísse dali. Confuso, ele deu um passo para trás e reclamou:
– Claire, isso não tem graça.
– Tem sim. — discordou ela rindo.
– Saia já desta porta e me deixe passar. — pediu ele cada vez mais tenso.
Ela pensou um pouco, em seguida trancou a porta, voltou a olhar para Sam e balançou a cabeça indicando "não".
Sem saber o que fazer, ele a olhou incrédulo por alguns instantes e permaneceu em pé perto da cama. Claire percebeu que tinha realmente alguma coisa incomodando Sam e então tentou sondar e descobrir o que era:
– Me corrija se eu estiver errada, mas nós somos adultos, estamos apaixonados e não estamos fazendo nada de errado. Então qual o problema, Sam? Por que não?
Sam pensou um pouco e resolveu falar a verdade por mais que fosse doloroso dizer aquilo:
– Porque 99% das mulheres que foram para a cama comigo... Morreram ou terminaram mal de alguma forma. E eu tenho medo de que aconteça o mesmo com você, Claire. E eu não vou me perdoar nunca se alguma coisa acontecer com você ou se eu magoar você. Me chame de maluco, de paranoico, do que você quiser, mas eu acho que eu sou meio... Amaldiçoado.
Ao contrário do que Sam imaginava, ao ouvir isso Claire teve ainda mais certeza do que queria e sentiu que precisava provar para o Winchester que ele estava errado, que ele não precisava temer tanto por ela e que tudo ficaria bem entre eles. Então o olhou com carinho, se aproximou e enquanto voltava a abrir os botões da camisa dele, disse:
– Não se preocupe, Sam. Eu sou o seu 1%.
Sam olhava para Claire surpreso por ela não ter desistido daquele plano mesmo com o que ele contou. Também havia certo fascínio na forma como ele a encarava. Sam estava admirado porque achava incrível que nada intimidasse Claire. Nem os erros que ela sabia que ele havia cometido nem o que ele havia acabado de contar. Nada.
E isso era surpreendente porque que mulher não pensaria duas vezes antes de prosseguir com aquilo? Que mulher não sentiria medo dele? Que mulher não desistira dele? Aparentemente, Claire. Ela era essa mulher. E assim, mais uma vez, Sam teve certeza de que Claire era mesmo a mulher da sua vida. A mulher que o aceitava do jeito que ele era, que não queria mudá-lo, que gostava dele exatamente assim, que não temia nada, que estava disposta a arriscar qualquer coisa para ficar com ele e com quem ele finalmente poderia dividir a sua vida. Sam se deu conta de que não precisava de uma vida normal e certinha para ser feliz, bastava que Claire estivesse com ele. Juntos no family business. No amor e na guerra como Ezekiel disse.
Mesmo assim, Sam resolveu perguntar mais uma vez:
– Claire... Você tem certeza? Você não quer pensar melhor?
– Eu não quero mais pensar em nada. E a única certeza que eu tenho é que eu quero você, Sam Winchester. — respondeu ela tirando a camisa dele e deixando que a peça caísse no chão.
Em seguida Claire passou as mãos pela barriga de Sam, subindo em direção ao seu peito, pelos seus braços, ombros, pescoço. Sentia que ele estava ficando arrepiado sob o efeito do seu toque.
Parou no seu rosto que segurou com carinho com as duas mãos. Depois tocou seus lábios mais uma vez com um beijo suave e doce. Sam fechou os olhos junto com ela e segurou em sua cintura enquanto correspondia ao beijo. Instantes depois, seus lábios se afastaram um pouco e os dois abriram os olhos. Claire acariciou o rosto de Sam e ele encostou sua testa na testa da garota e confessou:
– Eu te quero também, Claire Singer. Desde a primeira vez que eu te vi naquela biblioteca há oito anos. E eu senti sua falta... Falta do que nós poderíamos ter sido se eu tivesse aceitado o seu convite aquela noite... Eu senti sua falta, Claire... Muito...
– Eu estou aqui, Sam... Bem aqui... Mas não vamos pensar no que poderia ter sido... Vamos descobrir o que nós ainda podemos ser... Apenas me beije... — sussurrou ela fechando os olhos.
Imediatamente Sam também fechou os seus e segurou Claire com mais força a trazendo para mais perto do seu corpo. Suas mãos percorriam o corpo dela enquanto o beijo ficava mais intenso a cada instante.
Claire passou os braços em volta do pescoço de Sam enquanto sentia as mãos dele subindo por suas costas até alcançarem os seus cabelos que ele segurou com firmeza. A beijou mais profundamente e Claire sentiu suas pernas ficando trêmulas de tanto desejo.
O corpo de Sam respondia rapidamente a cada carícia da garota. Ele sentia um desejo enorme e crescente por ela e uma vontade de se livrar das roupas que ainda os separavam e se unir a ela completamente.
Então afastou os lábios dos dela e começou a abrir os botões da blusinha que ela usava. Logo tirou aquela peça revelando a lingerie delicada que a garota vestia por baixo.
Se abraçaram de novo e enquanto se beijavam, Sam tirou os sapatos que usava com certa habilidade. Com um dos pés empurrou os calçados para longe deles. Claire já estava descalça há algum tempo, então se concentrou em tirar o cinto da calça de Sam. Quando conseguiu, parou de beijá-lo por um instante e jogou o acessório no chão. Voltaram a se abraçar e a se beijar enquanto se aproximavam da cama. Claire fez o Winchester sentar sobre a cama e depois passou as mãos pelo lençol derrubando todos os livros pelo chão para que eles tivessem mais espaço.
– Por que nós somos tão nerds? — brincou ela.
– Se toda nerd fosse como você, eu não teria deixado a faculdade. — rebateu Sam.
– E se eles fossem como você, eu também estaria em Stanford até hoje... — retribuiu Claire se reaproximando de Sam.
Então, ela apoiou os joelhos na cama ficando com as pernas em volta dele e o beijou de novo. Sam envolveu Claire com um abraço caloroso. Em seguida, beijou o ombro da garota, afastou um pouco a alça do sutiã e a beijou no ombro novamente. Seus lábios subiram pelo pescoço dela, depois desceram carinhosamente e ele beijou o vale entre os seios de Claire. Depois, mordeu levemente o queixo da garota e suas bocas se encontraram de novo em um beijo ainda mais intenso enquanto Sam tentava abrir o fecho do sutiã dela. Quando conseguiu e se livrou daquela peça, Sam deitou Claire na cama ficando por cima dela. A observou por alguns instantes. Só conseguia pensar em como ela era linda. Bem mais do que ele havia imaginado. Era como se ela tivesse sido feito sob medida para ele.
Enquanto pensava nessas coisas, ele beijou o pescoço dela novamente. Uma das suas mãos subiu por uma das pernas dela apertando sua coxa com certa força. Como Claire vestia um short, Sam pôde sentir perfeitamente como a pele dela era macia.
Claire passava as mãos pelas costas de Sam e o arranhava um pouco com suas unhas. A sensação de peito nu contra peito nu estava deixando os dois arrepiados e malucos de tanto desejo. Uma onda de calor emanava de seus corpos aumentando aquela sensação prazerosa. Suas respirações ficavam ofegantes a cada segundo.
Em seguida, Claire cravou os dedos nos cabelos de Sam e mordeu seus lábios levemente. Ele a beijou mais intensamente e depois desceu a mão até o short jeans que ela vestia. Abriu o botão e desceu o zíper. Levantou da cama e tirou a peça enquanto olhava para ela profundamente. Em seguida, Sam aproveitou que estava em pé e tirou a calça que ele vestia também.
Enquanto o observava, Claire só conseguia pensar em como Sam era lindo. Bem mais do que ela havia imaginado. Era como se ele tivesse sido feito sob medida para ela.
Em seguida, Sam voltou a se posicionar sobre o corpo quente e macio de Claire. Passou as mãos pelos cabelos dela os afastando do seu rosto lindo e delicado. Tocou sua boca com força, afastando seus lábios e encontrando sua língua de novo. Voltou a passar as mãos pelo corpo dela enquanto a garota entrelaçava suas pernas em volta de Sam e o puxava para mais perto do seu corpo que ansiava pelo dele.
O peso do corpo de Sam sobre o seu, fazia Claire se sentir protegida, amada e desejada. Ela passava as mãos pelos braços dele, por seu peito, abdômen, por suas costas largas e fortes. O envolvia em um abraço repleto de carícias enquanto continuava o beijando com paixão.
De repente, os dois se olharam por um breve instante. Sorriram sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo entre eles ao mesmo tempo em que queriam que durasse para sempre. Então suas bocas se aproximaram mais uma vez. Em seguida, eles se livraram das peças de roupa que restavam. Completamente nus, os dois exploraram os corpos um do outro carinhosamente. Guiados por um desejo irresistível e pelo sentimento forte que os unia, se entregaram de vez aquele momento de paixão e intimidade.
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