Recomeço

19 Capítulo 19 - Thinking of you


Notas iniciais
What the hell? O que aconteceu com "A trégua"? kkkkkkkkkkkkkk

Bem, resolvi fazer uma homenagem a musiqueta que eu ouvi umas trezentas vezes (não, eu não estou exagerando) enquanto eu psicografava este capítulo.

PS: Ouçam a musiqueta enquanto estiverem lendo... Aiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm ♥ Thinking of you - Katy Perry.

PS2: Capítulo meigo e saliente para deixar o povo com calor.

PS3: Quero reviews bem acaloradas kkkkkkkkkkkkkkkk

Mia entrou no seu quarto e viu Castiel arrumando as malas em um canto do cômodo.

– Cadê o Kevin? — perguntou ela.

– Já foi dormir. — respondeu Castiel.

Mia olhou em volta, fechou a porta e lembrou:

– E o Vincent?

– Provavelmente, explorando o novo lar. — supôs Castiel.

Mia assentiu e depois olhou para a cama de casal no quarto. Pelo visto, Sam e Dean haviam feito algumas mudanças desde a última vez que ela esteve no bunker. E pelo visto, eles tinham certeza de que ela ia voltar com Castiel quando foram atrás dela em Mystic Falls. Do contrário, não teriam substituído a cama de solteiro que havia ali por aquela outra.

Então, ela sorriu levemente e se jogou na poltrona que Stefan tinha lhe dado quando ela resolveu ir embora com Castiel e os Winchester, e ficou observando o ex-anjo arrumando os lençóis da cama. Em seguida, ele a olhou de um jeito carinhoso e se aproximou. Se abaixou na sua frente e segurou uma das suas pernas. Mia franziu a testa, mas não protestou.

Então Castiel começou a tirar as botas que Mia usava. Um pé. Depois o outro. Depois disso, ele levantou e começou a tirar a jaqueta de Mia. Ela afastou um pouco as costas da poltrona para permitir que ele conseguisse fazer isso.

– O que você está fazendo, anjo? — perguntou a garota enquanto Castiel desabotoa a blusinha que ela vestia.

Castiel a olhou novamente e respondeu tranquilamente:

– No momento, tirando a sua roupa.

– Jura? — brincou Mia e em seguida ficou de pé para que ele terminasse de tirar aquela peça.

E foi o que ele fez. Depois jogou a blusinha no chão e se aproximou mais um pouco da garota. Suavemente, Castiel deslizou os dedos pela barriga nua de Mia e parou no botão da calça jeans que ela usava. O abriu. Desceu o zíper.

– E depois? — indagou Mia gostando daquele jogo.

– Depois, você vai tirar a minha. — respondeu ele enquanto se abaixava ao mesmo tempo em que descia a calça da garota.

– Eu vou? — perguntou ela fingindo surpresa.

Castiel ficou em pé novamente enquanto Mia tirava os pés de dentro da calça terminando de tirar aquela peça de roupa. Então ficou de frente para ele, só com a lingerie delicada que usava e o encarou por alguns instantes antes de também começar a despí-lo.

– Ok, eu vou. — concordou ela.

Então, sem desviar o olhar do dele, Mia tirou o casaco que Castiel vestia. Puxou sua gravata suavemente e a jogou no chão instantes depois. Desabotoou a sua camisa revelando o peito nu e recém tatuado. Deslizou as mãos delicadamente pelo seus ombros. Em seguida, tirou o cinto da calça. Em seguida... A calça. E então Castiel tirou os sapatos e as meias e ficou só de cueca na frente de Mia.

Ela percorreu o corpo dele com o olhar e mordeu o lábio inferior antes de perguntar:

– E agora?

Castiel deu um passo a frente. Colocou uma das mãos na cintura de Mia a trazendo para mais perto do seu corpo. Com a outra, segurou o rosto da garota e então respondeu:

– Agora nós vamos estrear o quarto. A cama. O chão. E talvez... Até a poltrona.

Mia sorriu e aproximou o seu rosto do dele antes de dizer:

– Humm... Eu gosto dessas ideias, anjo. Acho que eu preciso parar de te chamar de anjo, não? Mas eu estou confusa... Nós ainda temos algumas peças de roupas... Então?

– Eu posso dar um jeito nisso. — garantiu Castiel antes de tocar os lábios de Mia e envolvê-los com um beijo, a princípio, suave, e depois intenso, quente e apaixonado.

Sem deixar de beijá-la, ele segurou Mia no colo e caminhou lentamente até a cama. Depois deitou a garota sobre os lençóis e então também deitou, se posicionando em cima dela. Mia sorriu e naquele momento esqueceu tudo que estava lhe acontecendo ultimamente e decidiu não pensar em mais nada. Apenas em Castiel.

Seu corpo ansiava pelo dele e Mia ficou arrepiada quando Castiel passou a mão por uma de suas pernas e parou no seu quadril. Então ela deslizou as mãos pelas costas dele e cravou os dedos em sua nuca. Ele se aproximou mais deixando os seus corpos colados um no outro e a beijou novamente enquanto explorava o corpo da garota com suas mãos e Mia o envolvia com suas pernas...

XXX

Era duas horas da madrugada e Natalie se virava de um lado pro outro na cama. Por algum motivo, que preferia não pensar no momento, ela não conseguia parar de pensar nas coisas que Mia havia lhe dito durante a viagem. Sobre ela gostar de Dean, sobre Dean ser louco por ela e, principalmente, sobre a sugestão da vampira sobre eles derem uma trégua e pararem de brigar tanto.

Natalie ficou se perguntando o que aconteceria se ela fizesse aquela proposta para Dean. Será que ele aceitaria? Será que daria aquele maldito sorriso debochado antes de aceitar?

A loira virou pro outro lado novamente e respirou fundo irritada com a ideia de engolir o orgulho, tomar a iniciativa e propor a tal trégua. Mas, ao mesmo tempo, estava um pouco cansada de discutir tanto com Dean. E uma trégua podia ser boa para os dois. Sem mais brigas, sem mais provocações.

Então Natalie abraçou o travesseiro e ficou pensando em todos os pros e contras e no que deveria fazer sobre aquilo.

Enquanto isso, Dean estava no seu quarto. Deitado na cama. Folheando o diário do pai. Às vezes, ele fazia isso antes de dormir. Era uma forma de manter a memória de John viva e matar um pouco da saudade dele e do tempo em que caçavam juntos.

De repente, Dean se desconcentrou um pouco daquela leitura e lembrou da conversa que ouviu no corredor momentos antes quando Mia e Claire perguntaram para Natalie se ela sentia alguma coisa por ele. Em seguida lembrou da conversa com Castiel, no carro, quando o ex-anjo lhe aconselhou a propor uma trégua para Natalie e insinuou outras coisas.

Dean não entendia porque parecia que todo mundo estava tentando empurrá-lo para Natalie. Estava claro que eles não tinham nada a ver um com o outro. Mesmo assim, a ideia de uma trégua parecia razoável. Poderia ser bom para os dois.

Depois de pensar um pouco sobre aquilo, Dean voltou a ler, mas logo parou novamente. Desta vez, o barulho de alguém batendo na porta o interrompeu. Então ele fechou o diário e o deixou sobre a cama antes de levantar. Caminhou até a porta e perguntou:

– Quem incomoda?

Do outro lado, Natalie revirou os olhos e respondeu:

– Com certeza não é a mulher da sua vida.

Desta vez foi Dean que revirou os olhos ao reconhecer aquela voz irritante. Pensou em dizer que estava dormindo e mandar a loira fazer o mesmo, mas hesitou ao imaginar que para Natalie bater à sua porta àquela hora, devia ser por algo importante. Então resolveu abrir a porta. E lá estava Natalie. Com uma camiseta preta escrito AC/DC em vermelho, com outro short e descalça.

Sem querer, Dean acabou olhando de relance para as pernas da garota, mas rapidamente voltou a si, sorriu com cinismo e perguntou:

– O que você quer, Naty? Já não basta me infernizar durante o dia, agora você vai me assombrar de madrugada também? Você não tem horas?

Natalie o olhou como se tivesse se arrependido daquela atitude e antes de se virar, disse:

– Quer saber? Você está certo. Desculpe, eu não devia ter vindo aqui...

Intrigado e começando a ficar curioso, Dean deu um passo a frente e segurou o braço da garota a impedindo de se afastar. Então, ela se virou para ele e Dean percebeu um certo nervosismo nos olhos de Natalie.

– Aconteceu alguma coisa? — preocupou-se ele.

– Não... — tranquilizou ela enquanto Dean soltava o seu braço.

Ele inclinou um pouco a cabeça e indagou:

– Então por que você está aqui?

Natalie hesitou um pouco, mas resolveu tomar coragem e ir até o fim. Então, recomeçou:

– Na verdade, eu quero te propor uma coisa.

Dean estranhou ouvir aquilo, mas assentiu:

– Ok, o que é?

Natalie olhou em volta e perguntou:

– Será que eu posso entrar?

Surpreso, Dean hesitou um pouco. Natalie estava mesmo querendo entrar no seu quarto? Pelo visto, ela tinha algo muito importante para dizer para ter engolido toda aquela petulância e o procurado àquela hora e ainda pedido parar entrar ali. E embora estivesse cada vez mais desconfiado, Dean resolveu acatar o pedido, lhe abriu passagem e respondeu:

– Já que você insiste.

– Obrigada. — agradeceu a loira entrando no quarto.

Dean fechou a porta enquanto se perguntava o que tinha acontecido com a garota mal educada que costumava invadir quartos e escutar conversas alheias. Aquela era mesmo Natalie Jones ou uma versão melhorada? Por que ela estava sendo tão dócil com ele? O que estava acontecendo? O que ela tinha a lhe dizer?

Dean se perguntava essas coisas quando Natalie sentou na cama dele. E então ele percebeu que a garota mal educada e espaçosa ainda estava lá.

Em seguida, ele passou por ela e, incomodado com as pernas da garota, lhe jogou um cobertor e sugeriu:

– Se cobre um pouco. Você deve estar com frio.

Natalie sorriu com deboche e perguntou irritada:

– Nossa... Qual é o seu problema com as minhas pernas?

Sem poder explicar qual era o problema e finalmente reconhecendo Natalie naquele jeito irritante de fazer perguntas difíceis, Dean caminhou até a cômoda que havia no quarto, sobre a qual ele mantinha algumas fotos de família e outros objetos pessoais, e mentiu:

– Nenhum. — e após uma pausa, retomou o assunto — Então... Você disse que tinha algo para me propor. O que é?

Dean observou Natalie e percebeu que ela estava receosa. Parecia que tinha perdido a coragem, se arrependido, sei lá. Mas, mesmo com certa dificuldade, ela resolveu abrir o jogo e perguntou:

– Ok, o que você acha de uma trégua?

Ainda mais surpreso e querendo se certificar de que não estava ouvindo coisas, Dean indagou:

– Como assim?

– É bem simples, na verdade. — disse Natalie e após alguns instantes escolhendo as melhores palavras, explicou — Olha, eu não vou com a sua cara e parece que você também não vai nem um pouco com a minha, mas que tal se nós fizéssemos um esforço mútuo e parássemos de brigar por qualquer coisa e o tempo todo? Só por alguns dias até nós encontrarmos Ezekiel e depois disso, eu vou embora daqui e eu juro que desapareço da sua vida pra sempre.

Automaticamente, Dean lembrou de Castiel lhe dizendo algo parecido durante a viagem. Sobre ele só ter que aguentar Natalie por mais alguns dias. O problema é que inexplicavelmente Dean não se sentia feliz com aquela ideia. No fundo, e por mais que não conseguisse admitir, não queria se livrar de Natalie. Mesmo assim, acabou dizendo:

– Parece bom.

Dean não sabia se havia imaginado aquilo, mas ao olhar para Natalie, ele teve a impressão de ver uma certa decepção no olhar dela quando ele falou isso. Mas, rapidamente, ela disfarçou e enquanto se levantava e caminhava até a porta, disse:

– Bem, que bom que nós esclarecemos que tudo o que queremos é nos livrar um do outro.

Sem entender por que, mas movido por um impulso, Dean alcançou a garota e colocou a mão na porta impedindo que Natalie a abrisse. Ela o olhou confusa esperando uma explicação para aquele gesto e então ele esclareceu:

– Eu não estava falando disso. Eu me referi a trégua e não... A me livrar de você.

E da mesma forma que Dean havia percebido a decepção no olhar de Natalie momentos antes, agora ele viu algo que não conseguiu identificar direito. Ela parecia feliz ao ouvir aquilo. Mas logo disfarçou isso também e perguntou:

– Então... Você não quer se livrar de mim?

Sem ter coragem suficiente para responder a pergunta, Dean resolveu virar o jogo:

– E você? Por acaso quer se livrar de mim?

– Não importa o que eu quero, Dean. Nós temos uma trégua. Não vamos acabar com ela, ok? — respondeu Natalie e em seguida girou a maçaneta.

Porém, mais uma vez Dean manteve a mão na porta e impediu a garota de abrí-la.

– Isso é um sim ou um não? — quis entender ele.

– Por que isso é importante? — estranhou ela.

– E por que você não responde? — devolveu ele.

Natalie ficou em silêncio por alguns instantes observando Dean sem entender aonde ele estava querendo chegar.

A verdade é que Dean precisava que Natalie respondesse que não queria se livrar dele porque assim ele se sentiria à vontade para admitir que pensava do mesmo jeito sobre ela. Era difícil para Dean admitir isso, mas ele não queria se afastar de Natalie depois que a questão do Ezekiel fosse resolvida. Não queria se livrar dela. A verdade é que ele não estava mais conseguindo esconder que sentia-se atraído por Natalie. Ainda mais agora que ela propôs aquela trégua e estava sendo relativamente educada com ele.

– Não. — respondeu a loira por fim — Eu não quero me livrar de você, Dean, e eu sinto muito por... Você sabe... Pelo nosso começo um pouco... Conturbado. Que bom que superamos isso, não? Agora... Eu preciso ir. Boa noite. — acrescentou ela e em seguida aproveitou que Dean havia tirado a mão da porta e a abriu.

E após travar uma luta interna consigo mesmo, Dean fechou a porta novamente e segurou Natalie pelos ombros antes de dizer enquanto a olhava nos olhos:

– Nem eu.

– O quê? — indagou Natalie o encarando de volta.

– Eu também não quero me livrar de você. Eu não odeio você. Eu odeio... Não conseguir te odiar, Naty. — confessou ele para surpresa da garota que sorriu levemente.

– Dean... — recomeçou ela enquanto dava um passo pra trás — Olha, não vamos estragar tudo, ok? Eu quero dizer... Nós temos uma trégua e acabamos de descobrir que não queremos nos livrar um do outro, então... Isso é bom, não é? Mas é o suficiente.

Após dizer isso, Natalie colocou a mão na maçaneta mais uma vez. No entanto, mais uma vez, Dean a impediu de deixar o quarto. Desta vez, ele a segurou contra a porta e se aproximou da garota.

– Não... Não é o suficiente... — murmurou Dean surpreso com ele mesmo por finalmente perceber o que sentia por Natalie e o que queria fazer à respeito.

Natalie ficou igualmente surpresa quando Dean segurou o rosto dela entre suas mãos e encostou a testa na sua.

– O que você está fazendo? — sussurrou ela sem conseguir escapar já que Dean a cercava cada vez mais e a mantinha firme contra a porta.

– Algo que eu tive vontade de fazer desde que você tropeçou em mim naquele bar. — respondeu ele e sem dizer mais nada, aproximou sua boca dos lábios de Natalie e os pressionou com força contra os seus enquanto ela fechava os olhos ainda confusa com tudo aquilo.

Dean sentia o corpo de Natalie estremecer à medida que ele envolvia seus lábios e sua língua com um beijo árduo e urgente. Não entendia como foi tão cego e demorou tanto tempo para perceber que sentia-se atraído por Natalie. Mais do que isso, ele gostava dela. Queria ficar com ela. Queria tocar o seu corpo. Acariciá-la. Fazê-la estremecer daquele jeito mais vezes. Dean queria Natalie.

E logo ele percebeu que ela o queria também porque de repente Natalie começou a correspondê-lo e passou as mãos pelo pescoço dele o puxando para mais perto de si à medida que sua respiração ficava um pouco ofegante.

Dean afastou um pouco o rosto e a olhou nos olhos por alguns segundos. Precisava ter certeza que Natalie queria aquilo tanto quanto ele para depois a loira não dizer que ele tinha forçado aquela situação.

Então, para surpresa de Dean, Natalie o beijou de novo e deu alguns passos a frente o empurrando contra a cômoda e derrubando algumas coisas que havia em cima dela. Sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, mas querendo que não terminasse nunca, Dean envolveu Natalie em seus braços e deu alguns passos a frente. Os dois esbarraram na cama e caíram sobre ela.

O corpo quente de Natalie embaixo do seu, deixou Dean ainda mais maluco e ele passou as mãos pelo corpo da garota aproveitando para saciar a curiosidade e o desejo que sentia por aquelas pernas lindas. Ele segurou em uma de suas coxas e afastou o rosto mais uma vez.

Natalie e Dean se olharam por algum tempo sem entender o que estava acontecendo com eles, mas ao mesmo tempo sem conseguir resistir aquele desejo latente que sentiam um pelo outro.

De repente, Natalie ergueu um pouco o pescoço e encontrou os lábios de Dean mais uma vez. Com as mãos no pescoço dele, a loira se virou e ficou por cima de Dean. Os dois rolaram na cama e acabaram caindo no chão.

Então Dean abriu os olhos confuso e procurou Natalie pelo chão. Mas tudo que encontrou foi o diário de John caído perto de si. Olhou em volta sem acreditar que aquilo tinha sido apenas um sonho. E também sem acreditar que tinha sonhado com Natalie. E pior... Que tinha sido bom. Tão bom que ele queria que não tivesse acabado. Tão bom que ele ainda sentia o seu corpo querendo o dela ardentemente. Tão bom que ele sentia como se estivesse pegando fogo.

De repente, Dean voltou a si e levantou do chão. Pegou o diário do pai e o colocou sobre o criado-mudo. Em seguida saiu do quarto decidido a beber um pouco de água e talvez tomar um banho frio. Então, primeiro foi até a cozinha. Mas ao chegar lá, parou na porta e observou Natalie perto da geladeira pegando uma garrafa de água.

Sem perceber ele percorreu o corpo da garota com o olhar como havia feito no sonho. Natalie usava um short parecido com o da noite anterior e uma camisa do Scorpions. Um pouco diferente da roupa que usava no sonho de Dean, mas mesmo assim, ela estava linda e... Sexy.

A garota colocou um pouco de água no copo, se apoiou na pia e bebeu o líquido fechando os olhos.

Mais uma vez, Dean voltou a si e tossiu antes de entrar na cozinha e se aproximar do balcão. Do outro lado, Natalie parou de tomar a água e olhou para Dean um pouco surpresa. Era três horas da madrugada. O que ele estava fazendo acordado? Será que assim como ela, ele também não estava conseguindo dormir?

– Oi... — disse Natalie e depois de fechar a porta da geladeira, perguntou — Você está bem?

Ainda sem graça por causa do sonho sutilmente erótico que havia tido com a garota, Dean puxou uma cadeira, sentou, hesitou e gaguejou um pouco ao dizer:

– Eu acho que preciso de um pouco de água... Por favor...

Natalie pegou um copo, serviu um pouco de água, se aproximou do balcão, e empurrou o copo para ele enquanto segurava o seu copo com a outra mão. Também puxou uma cadeira e sentou de frente para Dean. Seus joelhos se tocaram levemente e Dean os afastou incomodado com aquela proximidade.

– Tem certeza que você está bem? — estranhou Natalie enquanto o observava — Você está meio suado, corado e com uma cara esquisita?

Dean pegou o copo e tomou toda a água antes de conseguir responder:

– Eu estou ótimo. E você? Está conseguindo dormir? A noite está meio... Quente...

– Você acha? — estranhou Natalie que estava até com um pouco de frio e em seguida, mentiu — Bem, eu só acordei com um pouco de sede, mas estava dormindo como uma pedra. E você?

– Eu também estava dormindo. Tive até um pesadelo... — respondeu Dean.

– É mesmo? Com o quê? — interessou-se Natalie.

Automaticamente, Dean lembrou do sonho e da sensação agradável e real que ele lhe deixou. Mas por algum motivo, preferiu guardar aquilo só para ele e desconversou:

– Com nada que valha a pena contar.

Um pouco decepcionada, Natalie terminou de beber a água, começou a se levantar e disse:

– Ok... Bem, eu vou voltar para o meu quarto. Boa noite.

Mas, para surpresa da loira, Dean segurou a sua mão a impedindo de se afastar.

– Espera. — pediu ele sem entender exatamente por que estava fazendo aquilo.

A verdade é que Dean lembrou novamente do sonho e de uma coisa que Natalie lhe dizia nele. Pensou que talvez pudesse funcionar na vida real e começou:

– Eu quero te propor uma coisa.

– Que coisa? — estranhou a loira se acomodando de novo na cadeira.

– O que você acha de uma trégua? — sugeriu Dean sem mais rodeios.

Surpresa e um pouco intrigada já que era exatamente isso que ela estava cogitando propor, Natalie indagou:

– Como assim?

– É bem simples, na verdade. — disse Dean e lembrando das palavras que Natalie usou no sonho, resolveu repetí-las — Olha, eu não vou com a sua cara e parece que você também não vai nem um pouco com a minha, mas que tal se nós fizéssemos um esforço mútuo e parássemos de brigar por qualquer coisa e o tempo todo? Só por alguns dias até nós encontrarmos Ezekiel e depois disso, eu juro que desapareço da sua vida pra sempre.

– Parece bom. — concordou Natalie depois de alguns instantes em silêncio pensando na proposta.

Natalie não sabia se havia imaginado aquilo, mas ao olhar para Dean, ela teve a impressão de ver uma certa decepção no olhar dele quando ela falou aquilo. Mas, rapidamente, ele disfarçou e disse:

– Bem, que bom que nós esclarecemos que tudo o que queremos é nos livrar um do outro.

Dean ficou esperando que as coisas se desenvolvessem como no sonho, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Então ele resolveu arriscar e perguntou:

– Afinal, é isso que você quer, não é? Eu quero dizer... Que tudo isso acabe logo para que você possa... Se livrar de mim? Pra sempre?

Intrigada, Natalie observou Dean por alguns instantes. Talvez, se ela soubesse com o que ele tinha sonhado, tivesse dito o que ele queria ouvir. Mas, pensando que aquilo era algum tipo de provocação, e se recusando a admitir que começava a sentir algo pelo Winchester, ela resolveu mentir:

– É claro que é o que eu quero. — e em seguida, indagou — Por quê? Não é o que você quer também?

Lamentando pelas coisas não terem acontecido como no sonho, mas se arrependendo por ter suposto que poderiam ter acontecido daquela forma, Dean deixou-se levar pelo orgulho e também mentiu:

– Claro que é o que eu quero. O que mais seria?

Apesar de sentir certa rispidez na voz de Dean, Natalie resolveu não entrar em uma discussão. No fundo estava feliz por ele ter proposto a trégua e não queria estragar tudo.

– Ótimo... — encerrou ela e em seguida se levantou, começou a se afastar e disse — Eu vou voltar para o meu quarto... Boa noite, Dean.

O Winchester seguiu a loira com o olhar e respondeu tentando demonstrar que estava tudo bem:

– Boa noite pra você também, Naty.

Antes de sair da cozinha, a loira parou na soleira da porta e se apoiou no batente.

– Ah... Bons sonhos. — disse ela tentando ser gentil.

Mas então ela notou que Dean estava olhando para as sua pernas de novo. Ao perceber que ela havia notado aquilo, Dean disfarçou e acenou um pouco sem graça.

– Eu terei. — respondeu ele.

Por fim, Natalie deixou o cômodo e andou em direção a sala. Começou a subir as escadas e sem conseguir resistir, acabou dando um sorriso de satisfação. A ideia de não brigar mais com Dean começava a lhe agradar.

Enquanto isso, Dean também deixava a cozinha e se dirigia ao banheiro. Precisava tomar um banho frio. A ideia de não brigar mais com Natalie também o agradava. Mas decidiu que era só isso que importava: a trégua. E também que tinha que esquecer aquele bendito sonho.

Enquanto isso, Sam se virava de um lado pro outro na cama e toda vez que fechava os olhos a imagem de Claire vinha à sua cabeça. Primeiro ela falando que era filha de Bobby Singer e depois ela conversando com Mia no corredor e confessando que achava Sam bonito, atraente e... Fofo.

Sam sentou na cama e pegou um copo de água que havia deixado no criado-mudo. Bebeu. Deitou de novo. Fechou os olhos. Os abriu mais uma vez. Não queria ficar pensando sobre aquilo, mas a verdade é que ele sabia que tinha um motivo para não conseguir esquecer as palavras de Claire sobre ele: Sam tinha gostado de ouvir aquilo. Tinha gostado de saber que ela também sentia uma certa atração por ele.

– Também? — murmurou ele sozinho.

Em seguida, tentou afastar aquele pensamento. Por mais que Claire mexesse com ele, Sam estava convencido de que não passaria disso. Ele não queria viver um romance. Ou talvez quisesse, mas achasse que não podia, não devia, sei lá. Sabia que ele acabaria estragando tudo como fez com os outros relacionamentos que teve anteriormente. Então pra que se envolver com Claire se mais cedo ou mais tarde ele acabaria quebrando o coração dela?

Sam fechou os olhos e tentou dormir mais uma vez enquanto em outro quarto, Claire abraçava o travesseiro e lembrava de ter acertado a cabeça de Sam com um vaso, de ter lhe feito um curativo momentos depois quando resolveu lhe dar um voto de confiança, dos dois no carro, no hospital quando ela lhe contou a sua história e por último acabou lembrando dele no hotel, abrindo a porta, com os cabelos molhados e uma toalha branca envolta na cintura.

Claire suspirou e sorriu levemente. Mas em seguida, decidiu parar de pensar nessas coisas. Tinha que se concentrar em encontrar Ezekiel e em salvar a sua mãe. Só isso. Mas não podia negar que Sam lhe atraía de uma forma que nenhum homem, nem mesmo David, a atraiu até então.

Instantes depois, Kevin acordou de repente com o barulho de algo riscando a porta do seu quarto. Por um momento, pensou que Crowley tinha escapado da armadilha de alguma forma e tinha vindo para matá-lo.

Receoso, ele levantou da cama devagar e caminhou até a porta. Mas ao abrí-la, descobriu que era apenas Vincent.

– O que você está fazendo aqui? — perguntou-se Kevin enquanto o gato entrava sorrateiramente no quarto. — Não! Não! Não! — protestou Kevin tentando espantar o animal — Eu sou alérgico! — e após ver Vincent se acomodando no seu travesseiro e ronronando, deu-se por vencido, fechou a porta e resmungou — Ok, só hoje. Amanhã você vai dormir com os seus pais, ok?

Em seguida, o Profeta deitou na cama e o gato se acomodou melhor ao seu lado. Kevin espirrou. Espirrou a noite inteira.

Perto dali, no porão, Crowley permanecia sentado em uma cadeira. No centro de uma armadilha do diabo. Preso. E na mais completa escuridão.

Notas finais
Sobre o sonho de Dean... Pegadinha do malandrooooooooooooo kkkkkkkkkkkkkk

Bem, na verdade, eu acho que ainda está cedo para Dean e Natalie se pegarem de fato, mas ao mesmo tempo, eu queria deixar vcs com água na boca (ui!).

Gostaram? Acharam instigante? Mia e Cas fazendo nada, Dean sonhando que estava quase fazendo nada com Natalie, Sam e Claire naquela indecisão e Kevin (o único que estava dormindo até então) sendo perturbado por Vincent? E o Crowley rapidinho no finalzinho?

Bem, vcs devem estar se perguntando de onde veio tanta inspiração e eu respondo: Pode colocar a culpa na Katy Perry e nesta musiqueta que me viciou e inspirou cada momento saliente e hot deste capítulo. Sério mesmo, sociedade... Adorei escrever isso. E PRE-PA-RA porque eu vou piorar kkkkkkkkkkkkkkkk

PS: Errinhos de português ou digitação, me avisem por favor... Me dá urticária quando eu percebo que escrevi alguma coisa errada.

PS2: Bons sonhos para vocês!!! ♥