Recomeçar
8 Onde estará Bárbara
Notas iniciais
A noite passou depressa, mas tão depressa que eu esqueci que horas eram. Depois de conversar e beber com as garotas, que pareciam entender toda a minha confusão, percebi que eram duas da madrugada.
Caramba! Minha mãe vai me matar..
Mas afinal, ela já estava acostumada com as minhas \"noitadas\". No fim das contas, acabei indo dormir na casa da Fe — sim, agora estávamos muito mais íntimas — e liguei para a minha mãe assim que acordei.
Na escola, por mais que eu não achasse, estava tudo bem. Mas Bárbara ainda martelava na minha cabeça com suas palavras.. Ela parecia muito decidida! Enfim, como o colégio inteiro já sabia do meu \"caso\" com a Vale, decidi que semana que vem, assim que eu puder entrar na internet, vou mudar a minha \"opção\" definitivamente para todos saberem.
A minha sorte é que a minha mãe não gosta nada de tecnologia. Ainda nem pensei em como contar à ela.
O dia correu bem e lento. Acordai atrasada — uma grande novidade — então entrei só na segunda aula. A Vale olhou direto pra mim, acho que ela estava com medo de que eu faltasse. Que fofa!
Ela estava mais linda do que nunca.. Seus cabelos curtos estavam bem arrumados, e não jogados como sempre foram. Passou lápis e rímel para destacar o olhar, e veio com uma roupa que qualquer riquinha que procura em um milhão de lojas a roupa perfeita invejaria. Não era uma roupa cara, é que vestido nela era simplismente magnífico. Era como se agora ela se importasse mais com isso. Para mim, não fazia muita diferença; ela era linda de qualquer jeito.
Eu como sempre estava meio desleixada, com as minhas madeixas meio bagunçadas, bem moleca travessa — meu estilo próprio, digamos — mas como ela me mandou uma mensagem de manhã que eu iria conhecer um grupo de amigos dela, tratei de estar \"apresentável\". Minhas mechas estavam se apagando, então tratei de demorar para a escola tentando pintar o meu cabelo de preto. Deu certo, mas ficou uma coisa meio \"pintei apressada\", com alguns fiozinhos ainda castanhos. Gostei!
No lanche, fomos até a quadra conversar e ficar. Óbvio que alguém poderia ver, mas que se dane!
As duas últimas aulas sentei ao seu lado, só para trocar ideias.
Ao último sinal, só faltava ela me arrastar no chão de tanta pressa. Segundo ela, teríamos de pegar um ônibus.
A condução nos levou até perto do local combinado, que era em uma pizzaria. Lá conheci Manuela, Bis (o nome real dela é Bianca), Aline, Juliana, Daiana e Karina.
Como Vale falou, nem todas são bis ou lésbicas; mas são simpatizantes.
Engraçado como sempre ouvi falar de GLS\'s mas nunca se quer me interessei para saber o que significava. Achava que era uma gangue! Tenso..
O papo foi animado. A Valéria — que agora servia como um \"Manual de GLS\" para mim — comentou muito sobre várias saídas delas, as aventuras.. Gostei de ouvir isso, afinal, eu queria saber mais sobre elas e sobre a Valéria, apesar de me parecer atrevimento meu, por querer ser como aquelas garotas sentadas ali comigo.
Mais legal foi ver como os garçons davam em cima de todas nós, sem saberem com \"quem\" estavam falando. Agora eu parecia ter uma \"galera\" para conversar sobre coisas que elas também já passaram. Coisas complicadas, ou não.
Foi bom beber — mais uma noite.
No próximo dia letivo, minhas amigas me aguardavam no corredor. Pela segunda vez, sentia a falta de Bárbara me abater. Mas que merda, o que eu fiz! Não devia tê-la deixado. Agora sentia remorso por não fazer a mínima ideia do que ela estava pensando ou tentando fazer.
Mas na segunda aula ela apareceu. Bem diferente da Bárbara conhecida, agora muito desleixada. Sempre patricinha, agora do nada meio \"normal demais\". E durante a educação física, fui conversar com ela.
- O que você tem, Baby? Usei o antigo apelido para tentar ser informal
- Ah, não me enche! E não me venha com esse apelido, por favor, Kathinha! Ela falou com desprezo, mas depois começou a soluçar de rir.
- Meu Deus, você não está bem! Está... Bêbada?
- Claro que não! Não posso nem me sentir alegre?
- Sei que não é isso o que está sentindo.
- Olha aqui, garota. Não me enche o saco ou eu quebro a tua cara, falou?
Suspiro. — Pode vir, eu te devo essa mesmo, depois daquele meu papel no banheiro feminino.
Ela chegou a um palmo do meu olho, mas não me acertou.
- Não vou fazer isso com você. Prefiro fazer comigo.
- Ah, qual é hein Bárbara? Não tem coragem de me bater? Eu sou a pessoa que quis te matar. E eu sei que você sabe disso! Vamos, extravasa os ânimos! Eu sei que você precisa.
Mas não foi a dor que eu encontrei com o seu toque...
Notas finais
Mais que isso acho que fica meio MUITO pra uma história como "Recomeçar"
Reviews? ;$
Beijinhos internautas de plantão ;**
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