Recomeçar
2 Twenty Two - 22
Notas iniciais
"...Sim, estamos felizes, livres, confusas e solitárias, ao mesmo tempo
É miserável e mágico, oh yeah
Hoje é a noite quando esquecemos os prazos..."
– Bom saber que você é dono do Café que eu sempre vou... Será que eu tenho desconto a partir de agora? –perguntei brincando.
– Sim, mas só se você tomar um café comigo. – disse Adrian. Eu sorri para ele.
– Quando? – pergunto erguendo a sobrancelha em desafio. Isso foi algo legal que eu aprendi com Dimitri. E sorri de lado.
– Que tal amanhã à tarde? Posso fazer alguns macarons. – disse ele simpático. – E quem sabe depois jantar... – sugeriu.
– Para mim é um ótimo plano. – sorri e virei outra dose de tequila sem misericórdia. – Vamos dançar? – perguntei levantando e estendendo a minha mão a ele, o mesmo a pegou e me conduziu a pista.
Eu só conseguia pensar em como puder deixar de viver a minha vida para viver em função de alguém. Cinco anos jogados fora? Não, eu viajei trabalhei e nem sempre briguei com Dimitri. Mas eu não me sentia viva. Eu olhei para Adrian e seu sorriso matador, vi seus lábios que pareciam um tentação. Como eu poderia sentir com um cara que eu conheci agora que posso me jogar de paraquedas?
Uma música lenta começou a tocar e logo senti as mãos de Adrian em minha cintura. Estávamos dançando e nossos olhos estavam conectado. Não sei o que aconteceu, mas nos beijamos. Havia uma fagulha acesa que deu vazão a fogueira, colados era uma palavra que pouco se encaixava na nossa situação. O beijo era tímido no começo e passou a queimar, principalmente onde suas mãos tocavam. Separamos-nos buscando ar, no entanto nossas testas estão coladas.
– Você é a coisa mais linda daqui! – disse ele sussurrando.
– Acho que eu posso dizer o mesmo de você. – digo sorrindo, por algum motivo esse sorriso não sai dos meus lábios. – Tenho que ir. – digo depois de olhar o relógio e ver que são quatro da manhã. Olha por todos os lados e nada de Lissa. Então lembrei que senti meu celular vibrar, o peguei e via a mensagem de uma hora atrás. “Rose, eu e Chris vamos pro apartamento dele. Vi você com o meu primo Adrian e não quis encomodá-la. XoXo Lissa.”
– Bem, ao que parece minha amiga me largou!- digo fazendo beicinho. Ele segurou meu queixo e me dá um selinho. – Você é primo da Lissa Dragomir? – perguntei de supetão.
– Sim... Meu pai é primo de primeiro grau da mãe dela. – disse ele.
– Bem, nós moramos juntas. Aliás, ela já foi. E eu tenho que ir. – digo. Eu estava torcendo pra ele se oferecer pra me levar.
– Eu te levo... Moro perto de vocês, aliás, em cima do café. – diz ele. Eu sorri.
Andamos até o meu apartamento com Lissa. Conversamos sobre viagens, comida, filmes, enfim... Sobre tudo. Adrian era um cara engraçado e leve. O que mais me deixou admirada foi seu jeito simples, pois os Ivashkov pelo o que eu me lembro de que são riquíssimos! É o tipo de pessoa que preciso ter por perto, ele pensa no agora, e isso é incrível! Eu estava cansada de pessoas que querem planejar a vida nos mínimos detalhes.
– Chegamos. – disse ele. Ele parou na minha frente e enlaçou a minha cintura, colou nossas testas e enfim beijou meus lábios. O beijo era calmo, aos poucos senti minha pele se arrepiar, esquentar e nos colamos. Como se estivemos longe tempo demais um do outro e todo o espaço entre nós era desnecessário. No separamos. – Eu preciso ir Rose... Minha sanidade depende disso. – disse me dando um selinho.
– Tudo bem Adrian... – disse eu meio desapontada. Trocamos números de telefone. Beijamos-nos outra vez. Eu virei com um sorriso bobo no rosto. Mas então me virei em direção à porta. – Adrian... – eu o chamei.
Ele se virou e eu fui à sua direção. Eu o beijei com luxuria, poderia passar dias só o beijando. Minhas mãos foram para a sua nuca e o trouxe para mim. Adrian apertou a minha cintura e senti a minhas costas batendo na parede e gemi de antecipação, senti a sua excitação e quase enlouqueci. Separamos-nos buscando ar. Sua testa estava colada a minha enquanto buscávamos fôlego.
– Rose... Qual parte de perda da sanidade você não entendeu? Você quer que eu tenha um lapso? – disse brincando. E eu ri.
– Adrian... Acho que depois de muito tempo, eu estou vivendo com uma garota de 22 anos pedindo por diversão! – disse rindo.
Céus! Eu pareço uma adolescente! Quase que o convido para entrar, onde estou com cabeça? Mal o conheço e quero ir pra cama com Adrian. Mesmo que seja primo da minha melhor amiga isso é demais... Quem vai pra cama com um cara que mal o conhece?
O estranho é que ao conversarmos, senti uma sintonia. Como se sempre fôssemos próximos, amigos de longa data... Temos quase os mesmos gostos. O que é ridiculamente bizarro! A risada dele era tão linda! Sempre haveria um sorriso em seus lábios, pude perceber.
***
– Rose! – gritou Lissa me acordando de manhã. Liss se jogou na minha cama com um ar de apaixonada.
– Ao que me parece, alguém teve café da manhã na cama hoje. – digo rindo.
– Sim... Ele é tão incrível! Foi romântico e com pegada. – disse revirando os olhos. – Eu estou apaixonada! Eu amo Nova York e suas paixões fugazes e enlouquecedoras! – disse ela me passando a caneca com café fumegante para brindarmos.
– Eu acho que você também anda vendo muito Sex and The City! – gargalhei e ela me acompanhou.
Ficamos a manhã toda conversamos sobre a nossa noite e eu contei a ela sobre o amasso com Adrian e minha amiga ficou pasma.
– Meu Deus! Você e Adrian juntos. Na verdade, você fazem um belo casal e ele talvez seja a pessoa que você precisa, sabe?! – disse ela pensativa. – Ele é simples, apesar da família que tem, passou por maus bocados num relacionamento anterior e vive brigando com o pai que o quer a frente de sua empresa. Eu admiro a sua coragem e determinação.
Passei boa parte do dia pensando nas palavras de Lissa sobre Adrian Ivashkov. Meu celular tocou e quando eu olhei era uma mensagem de Adrian.
“Eu gostei conhecê-la e a noite, ou melhor, parte dela que passamos juntos. O nosso encontro está de pé? Espero por sua resposta.
Beijos,
A.I.”
Fiquei sorrindo sozinha feito boba. Lissa pegou o celular da minha mão e riu fazendo piadinhas.
– Alguém está feliz e gamada aqui além de mim. – disse rindo.
Mostrei a língua pra ela e peguei meu celular para respondê-lo.
“Sim, nosso encontro está de pé! Eu também adorei conhecê-la e passar parte da noite/madrugada com você! Marque um dia e horário pra nos encontrarmos.
Beijos,
R. M.”
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