Recomeçar

9 Capítulo 9 - Jantar


Notas iniciais
Ahhh!



Hermione não tinha idéia de como aquilo havia acontecido.
Na verdade, ela tinha sim uma boa idéia, mas tudo parecia estranho de mais
naquela altura do campeonato. O fato é que ela, Draco Malfoy, Harry Potter e Luna
Lovegood estavam dividindo a mesma mesa de um restaurante.



As coisas estavam tomando proporções tão estranhas que
Harry e Draco estavam conversando sobre Quadribol e Hermione estava fingindo
entender tudo o que Luna dizia. Alguma coisa estranha sobre animais
imaginários.



Tudo acontecera naquela manha, quando Harry aparatou para
o apartamento da menina enquanto ela e Malfoy tomavam café tranquilamente. E,
como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, anunciou que havia chamado
Luna para jantar e que a amiga, junto com seu acompanhante (nessa hora Hermione
cuspiu todo o suco de abobora da boca) deveriam ir junto.



Tudo bem, Hermione nunca deixou o amigo esquecer o
romance relâmpago que ele teve com a Cornival no sexto ano de escola, mas não
esperava também que ele fosse aceitar seus conselhos justo agora. Ele nunca os
aceitava!



E depois, passou a tarde tentando convencer Malfoy (que
fazia o favor de andar para todos os lados do apartamento repetindo que “Não
iria sair com a louca Lovegood”). Quando estava convencida de que teria que ir
sozinha ao maldito jantar com Harry e sua nova acompanhante, Draco apareceu com
uma calça social escura, uma camisa branca e uma jaqueta preta, com cara de
quem havia acabado de matar o melhor amigo.



-aonde você vai? –a menina perguntou exaltada. Ele iria
deixá-la sozinha e iria sair com outra pessoa? Iria matar a doninha...



-temos aquele jantar com o Potter, lembra? –ele bufou sem
encará-la. Os lábios tremularam quando ele tentou reprimir um sorriso.



Hermione piscou os olhos lentamente de dentro de seu
quarto. Em cima da cama havia uma pilha de roupas amontoadas que ela havia
descartado para a ocasião.



-você vai? –sua voz soou suave, mais baixa do que o
normal.



-é, vou! –o menino fez uma careta. –mas não vai se
acostumando, porque... Por que está me olhando assim?



Draco piscou os olhos, erguendo as sobrancelhas. Hermione
o olhava com um sorriso polido no rosto, os olhos quase brilhavam de
felicidade. Draco se perguntou se aquilo era pela sua companhia ou pelo fato de
que ela não iria mais ficar sozinha com os outros dois.



-obrigada! –ela murmurou, tirando um vestido rosa
clarinho do armário. –de verdade.



-ah... –Draco abriu e fechou a boca inúmeras vezes até
que por fim, simplesmente sacudiu a cabeça ainda sem saber o que dizer e foi
para a sala esperar pela menina.



E então Hermione foi terminar de se arrumar. Colocou o
vestido que havia escolhido, um scarpin preto de tachinhas e um jaqueta preta
por cima. Pegou a bolsa em cima da cama e nem ligou se a maquiagem estava leve
de mais ou não. Malfoy ainda parecia desanimado e desajeitado assistindo
televisão. Dessa vez era uma novela.



E, depois de pegarem um taxi, finalmente chegaram ao
restaurante, último andar de um prédio alto da cidade. Harry e Luna já estavam
lá, pareciam tranqüilos apesar de não conversarem. E, Hermione pensou com um
suspiro, foi assim que ela foi parar naquela situação.



Malfoy conversava com Harry como se fossem amigos de
infância, algo muito diferente da realidade, mas ela preferiu não levantar esse
tipo de assunto. Luna usava um vestido azul, com babados e rendas. O cabelo
loiro estava limpo e penteado, caindo em ondas pelos ombros e costas da menina.



-Harry apareceu na lareira da minha casa essa manha.
–Luna falou calmamente. –ele me contou o que aconteceu com Ronny, eu sinto
muito.



-ah, não! –sacudiu a cabeça, sorrindo fraco. –está tudo
bem, já passou.



-ele me contou também sobre Gina! –ela sorriu de canto,
sua voz soando mais suave do que jamais soou. –isso é realmente triste, não é
mesmo?!



-ah, acho que não, Luna! Harry não parece muito triste
com isso. –Hermione colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto Malfoy
ria de alguma coisa que Harry havia falado.



-acho linda a forma como a vida simplesmente continua
mesmo com algumas modificações. –Hermione se limitou a ouvi-la. Desconfiava que
nada do que pudesse dizer seria o bastante. –um dia está tudo de uma maneira,
no outro algumas pessoas queridas vão embora e daí tudo segue um curso
diferente, um rumo mais tortuoso e mais correto.



Hermione simplesmente continuou olhando para ela. Agora
Harry e Draco haviam parado de conversar para ouvir o que a menina estava
dizendo. Malfoy ergueu uma sobrancelha olhando para Hermione, que apenas deu de
ombros. Harry sorriu para a loira e então começou a fazer perguntas.



-essa é uma daquelas coisas que precisa de tradução
simultânea? –Draco sussurrou, sorrindo de canto para Hermione.



-acho que essa é uma daquelas coisas que você apenas
finge que entende! –a menina riu tomando um gole de sua bebida.



Seus olhos correram pelo salão. A parede lateral era
feita de vidro o que dava uma visão para toda a cidade iluminada. As toalhas
das mesas e as cortinas claras contrastavam com o chão e os móveis escuros.
Alguns arranjos de flores estavam espalhados pelos cantos. Pelo canto dos
olhos, Hermione viu Harry pegar a rosa branca de dentro do vidro em cima da
mesa e entregar a Luna.



Pelo canto dos olhos, porque ela fitava outra coisa. Algo
que fez seu rosto ferver e uma ânsia crescente bater em seu peito. Porque lá,
parada na porta segurando firmemente o braço de Dino Thomas, estava Gina
Weasley.



Ouviu um silvo baixo vindo do menino ao seu lado. Sentiu
sua expressão fechada, as bochechas queimando e a mandíbula travada. Tinha
certeza que não estava com uma boa aparência e que todos na mesa eram capazes
de ver que alguma coisa a incomodava. Mas ela não deu explicação. Continuou
encarando os olhos claros da menina ruiva.



Harry piscou os olhos verdes para a amiga uma vez e
depois se virou, seguindo o olhar de Hermione até a outra. Ele voltou a encarar
a mesa e deu de ombros, parecendo totalmente indiferente ao assunto.



-Mione, está tudo bem! –ele tocou a mão da amiga com a
ponta dos dedos. –estou falando sério.



Hermione o olhou por um segundo, encontrando um sorriso
fraco e calmo no rosto do menino. Soltou um suspiro pesado e assistiu um pouco
menos intensamente enquanto Gina e Dino deixavam o restaurante.



-desculpe, é só que...



-eu sei! –Harry revirou os olhos. –não tem com o que se
preocupar! Está tudo bem agora.



Hermione e Draco ergueram a sobrancelha ao mesmo tempo,
pensando se Harry estava influenciado pela aura de Luna ou se ele havia virado
um bom ator de repente.



-muito mais estranho do que eu imaginei! –Draco
resmungou, o nariz franzido e a sobrancelha ainda levantada.



-é! –Hermione concordou, piscando os olhos rapidamente.



Luna sorriu amplamente, daquele jeito sonhador com os
olhos parados parecendo ler a alma de cada um. Hermione resolver que era melhor
não encarar por muito tempo.



(...)



Saíram do prédio em que se encontrava o restaurante e
olharam para a rua fria. Havia uma movimentação na esquina, pessoas arrumadas
de mais, parecendo animadas de mais. Draco e Hermione olharam com curiosidade.



-o que é lá, Harry? –Hermione perguntou ficando nas
pontas dos pés para ver melhor.



-uma boate trouxa. –o menino deu de ombros. –parece que é
nova, abriu no mês passado.



-uma boate trouxa? –Malfoy ecoou como se quisesse ter
certeza que havia entendido certo.



-sim. –Harry novamente deu de ombros se encolhendo em seu
casaco.



-nunca esteve em uma? –Hermione ergueu a sobrancelha.
Malfoy simplesmente sacudiu a cabeça.



-vocês deveriam ir! –a voz de Luna surpreendeu os dois,
que a olharam com as sobrancelhas levantadas.



-não, não! –Hermione sacudiu a cabeça prontamente.



-imagina! –Draco bufou.



-eu acho que vocês deveriam ir! –ela repetiu com um
sorriso.



Hermione e Draco se encararam por um segundo apenas e
depois voltaram a olhar para onde a boate deveria ser. De fato, as pessoas
realmente pareciam muito animadas.



-aqui! –Luna foi até o pescoço de Harry e tirou a gravata
do menino a entregando para Malfoy. –você não vai conseguir entrar sem isso!



-o-obrigado! –Draco piscou os olhos segurando a tira de
pano. Hermione enrolou um canto dos lábios por um segundo e depois deu de
ombros.



-bem, não é nada de mais! –ela tratou de pegar a gravata
da mão pálida de Malfoy e a colocou em seu pescoço, fazendo um nó perfeito sem
dificuldade.



Harry e Luna se despediram antes de entrar em um taxi
qualquer e partirem. Os outros dois andaram lentamente até a esquina,
observando as pessoas que entravam e saiam da boate com curiosidade.



No primeiro momento, tudo o que conseguiam ver eram
flashes de luzes coloridas para todos os lados, levou algum tempo até
perceberem longas colunas de espelhos quadriculados colocados um a um, um do
lado do outro para assim refletir melhor as luzes. No alto, onde ficaria o
segundo piso, era um lugar mais reservado, mais calmo, com uma música mais
baixa e poucas pessoas que não estavam realmente com vontade de dançar.



Algumas poucas mesas circundavam a pista de dança, o bar
lateral estava abarrotado de gente. Hermione sentiu uma mão segurar a sua e se
virou, encontrando o olhar perdido de Malfoy.



-então isso é uma boate? –ele precisou gritar para que a
menina entendesse.



-é! –ela riu.



-ah, a personificação do inferno! –Ele bufou fingindo um
tremor. Hermione riu mais alto e o arrastou até o meio da pista de dança.



(Música
de novo... Não sei, a letra não tem nada a ver, mas ela me inspirou nesse
capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=S08KonZiew4 )



A verdade é que ela também não sabia muito bem o que
fazer. Poderia contar em apenas uma mão quantas vezes esteve em uma boate, mas
preferia não comentar isso com o menino. Decidiu que o melhor plano, naquela
ocasião, era simplesmente improvisar.



Passou os dedos pelos fios de cabelo e os jogou para trás
tentando entrar no ritmo da música encontrando certa dificuldade. Começou
simplesmente se balançando de um lado para o outro e depois resolveu soltar os
braços para dar sincronia aos movimentos.



Draco simplesmente observava, jogando o peso do corpo de
uma perna para a outra, se sentindo estúpido o bastante para se afogar em um
copo da bebida que aparecesse primeiro.



-se solta! –Hermione falou em seu ouvido, rindo. Ele
ergueu uma sobrancelha para a menina, sorrindo de canto da velha forma
cafajeste.



É claro que ele não iria se soltar! Quer dizer... Desde a
última vez que checou ele ainda era um homem e homens não dançam! Apenas se
balançam de um lado para o outro com as mãos no bolso enquanto olham o
movimento. Pelo menos era isso que ele achava. Deu uma sacudida de um lado para
o outro no ritmo da música e então parou, tirando de Hermione uma gargalhada
sonora.



-Draco Malfoy tem medo de dançar? –ela provocou, colando
os lábios tingidos na orelha do menino.



Um arrepio correu a coluna de Draco que, como se
obedecesse algum comando automático de seu corpo, a abraçou pela cintura
colando seus corpos. Hermione sorriu, tinha a impressão que ela ria baixinho,
mas não era capaz de ouvir.



-nunca fui muito bom dançando! –ele respondeu de olhos
fechados. Uma das mãos escorregou da cintura de Hermione para seu quadril.



-e eu sei que isso é uma mentira! –ela piscou um olho
castanho pensando no dia em que dançaram na sala de seu apartamento. Pela
primeira vez não se sentiu culpada ao pensar naquilo.



Malfoy riu começando a seguir os mesmos movimentos do
quadril de Hermione que ainda não havia parado de dançar. Os olhos claros não
abandonaram os castanhos por nem sequer um segundo, sempre muito atento a
qualquer movimento que a menina fazia. Fossem os dedos delicados subindo no
meio dos fios claros de Draco ou apenas a palma da mão repousada sobre seu
ombro, ele sentia como se cada movimento de Hermione pertencesse a ele mesmo.



E por fim procurou com os dentes pelos lábios finos da
menina, sorrindo ao perceber o gemido baixo que ela soltou de surpresa quando
ele finalmente atingiu seu objetivo. Quando sentiu a textura macia dos lábios
da menina, o gosto de seu batom e a maciez da língua tocando a sua, ele
suspirou, finalmente alcançado aquilo que ele tanto queria.



Rapidamente percebeu o quanto era diferente, não
importasse quantas vezes beijasse Hermione. O primeiro, na sala, começara
simplesmente calmo, quase casto... Quase, porque segundos depois as coisas
mudaram um pouco. E depois, no corredor durante o apagão, percebeu que gostava
de pegá-la desprevenida. E ali, entre seus braços, sentindo cada pulsação do
coração frágil, ela estava novamente.



Não era a menina politicamente correta do colégio, aquela
que fazia todos os deveres, tirava notas máximas em todas as matérias e era
adorada pela maioria dos professores. Ela era simplesmente uma mulher, que
tinha seu peso de culpa no mundo, mas que sabia lidar com aquilo melhor do que
qualquer um. E ele se sentiu encantado, talvez fosse só o perfume adocicado,
mas gostava de acreditar que não.



Separaram-se para buscar ar. Hermione mordia o lábio
inferior com um sorriso discreto, o rosto meramente corado. Draco passou as
costas da mão por seu rosto, antes de distribuir beijos da testa da menina até
sua clavícula.



-gosto desse lugar! –Draco olhou para cima, voltando a se
movimentar. Só então percebeu que a música já havia mudado.



-achei que fosse o inferno! –ela indagou erguendo uma
sobrancelha.



Draco sorriu pegando duas taças de bebida de um garçom
que passava por eles. O homem nem deu falta dos dois copos, apenas continuou
seu caminho como se não tivesse sido “assaltado”.



-nós deveríamos pagar por isso! –ela franziu a testa pegando
uma das taças. Draco só deu de ombros, virando todo o conteúdo de copo de uma
só vez.



-não é roubo se ninguém perceber. –ele murmurou contra a
orelha da menina, mordendo o lóbulo em seguida.



Hermione fez o mesmo que ele, virou toda a bebida e
colocou a taça na bandeja de outro garçom que levava os copos vazios. Draco a
puxou pela mão até as escadas na lateral que davam para o andar superior. Hermione
piscou os olhos duas vezes para afastar as estrelinhas provenientes da bebida.
Droga, por que nunca participara das competições entre Harry e Ronny com
Cervejas Amanteigadas?!



“Ah!” se lembrou tentando não rir, era ela que sempre os
colocava na cama! Era esse o motivo.



O andar superior era totalmente diferente. Havia um papel
de parede em auto-relevo na parede formando aspirais em tons variados de roxo,
azul e rosa logo atrás de outro balcão de bar. No canto mais afastado, peças
pequenas de espelhos enfeitavam uma parede inteira roxa. Ali havia pufes e
cadeiras brancas confortáveis espalhadas por todos os lados. Hermione imaginou
se todas aquelas cores juntas não eram “muita informação”, fazendo o ambiente
ainda mais carregado que o andar inferior, apesar de ser livre da música alta.



Draco pediu mais bebidas no bar e então foram se sentar
naqueles pufes, mais afastados que podiam do resto das pessoas. O menino
segurou a mão de Hermione com uma das suas, percebendo o quanto a dela parecia
pequena e delicada quando se fazia uma comparação entre eles.



-está tentando me deixar bêbada? –Ela ergueu uma
sobrancelha, crispando os olhos. Malfoy riu.



-acho que eu não precisaria de muito esforço. –ele
comentou, percebendo o olhar nebuloso de Hermione. –mas não temos muito que
fazer amanha!



-para a sua informação, eu não estou bêbada! E nem sou
fraca para bebida! –ela virou novamente todo o conteúdo de seu copo, dessa vez
se engasgando um pouco. –viu?



-estou vendo! –ele comentou tentando conter uma
gargalhada.



Com um movimento rápido, Draco tirou o copo da mão da
menina e atacou novamente seus lábios, a puxando para si com toda a força que
poderia usar sem que a machucasse.



Hermione estava tão concentrada em simplesmente estar
enroscada a Malfoy que nem contabilizou a quantidade de bebida havia ingerido
desde que havia sentado naquele pufe. Tudo o que sabia, e não se importava no
momento, era que teria uma dor de cabeça imensa quando acordasse. Mas até lá,
tinha muitas horas ainda.



Draco se levantou de repente a puxando pela mão com
cuidado até as escadas e depois para a saída. Pagou pelo o que haviam consumido
ainda com Hermione agarrada ao seu pescoço, beijando cada parte de pele
exposta.



Entraram em um taxi e o menino deu as instruções antes de
ter toda sua atenção voltada à menina que exigia que ele a olhasse. Ele riu com
os lábios pressionados contra os dela, as mãos pequenas tentando desfazer o nó
que ela mesma havia feito da gravata de Harry em Malfoy.



Draco deslizou a mão pela lateral de seu corpo, parando
nas pernas e deixando que alguns dedos passeassem pela pele por baixo do tecido
do vestido. O taxista precisou chamar três vezes quando que ambos dessem alguma
atenção a ele.



De alguma forma inimaginável a porta do apartamento foi
aberta e Draco não demorou a prender Hermione contra uma parede. A menina
tratou de continuar o trabalho que já havia começado antes. Escorregou a
jaqueta de Draco por seus ombros até que finalmente atingisse o chão, e depois
começou a desabotoar os botões da camisa.



Ele demorou algum tempo até finalmente conseguir levá-la
até o sofá da sala, se sentando e Hermione se jogou em seu colo, arrancando a
camisa de dentro de sua calça e a jogando em um canto. Draco ouviu o barulho de
um baque e imaginou que fossem os sapatos da menina caindo no chão.



Draco a segurou pelo rosto e a beijou, o gosto de álcool mais
forte do que nunca. Só então percebeu o que estava acontecendo ali. Sabia que
iria lhe causar dores físicas e muito provavelmente um arrependimento pelos
próximos minutos, mas sabia também que fazer sexo com uma menina embriagada em
algum lugar do mundo deveria ser considerado estupro.



Levantou e a pegou no colo, deixando que ela enlaçasse
sua cintura com as pernas. Aproveitou que Hermione estava beijando seu pescoço
para prestar toda a atenção necessária ao trajeto até seu quarto. Deitou-a
sobre a colcha verde e prateada sobre a cama e ela sorriu de canto.



-já venho! –ele murmurou lhe dando um selinho.



E, saindo o mais rápido que pode foi para o banheiro e
trancou a porta. Com alguma sorte ela cairia no sono em poucos minutos. Estava
bêbada! Bêbados simplesmente encostam e dormem!



(...)



Hermione abriu os olhos com dificuldade. Sua cabeça
estava latejando e tinha uma leve lembrança do motivo. Sabia que fora a uma
boate com Malfoy, mas, em algum lugar depois que já estavam no segundo piso do
lugar, sua memória se tornou apenas uma nuvem grossa e negra.



-ai! –resmungou encostando a ponta dos dedos gelados na
testa. –ai,ai,ai!



Abriu os olhos novamente, dessa vez deixando que sua
visão entrasse em foco. Sua cabeça deu um giro e quase pulou da cama ao
perceber que quem dormia tranquilamente ao seu lado era Draco e não bichento.
Engoliu em seco e mexeu as pernas lentamente, tentando ver como estava a
situação em baixo do cobertor.



-estamos vestidos, já conferi! –a voz do menino saiu
rouca. Hermione arregalou os olhos e voltou a olhá-lo, apenas um olho cinzento
aberto.



Mas, embora acreditasse na palavra dele, ainda queria
conferir por seus próprios olhos. Com uma mão tremula ela ergueu a coberta,
dando uma espiada rápida.



Não sabia exatamente o que ele queria dizer com
“vestidos”. Draco estava sem camisa e ela, graças, ainda usava o mesmo vestido
que havia saído na noite anterior. Estava em uma situação lastimável, é
verdade, mas totalmente vestida.



-o que foi que aconteceu? –resmungou, notando que sua voz
parecia ainda mais fraca que a dele.



-não sei! –ele mentiu. –acho que bebemos de mais e caímos
no sono antes que pudesse acontecer alguma coisa. –ele fez uma pausa, fechando
os olhos com força. –se lembra até que parte?



-nós estávamos lá em cima, sentados naqueles pufes
brancos perto daquele bar. –ela deu de ombros e viu um sorriso nascer no rosto
do menino. Um sorriso fraco, mas parecia verdadeiro.



-é! Eu também. –Draco não sentiu remorso por mentir mais
uma vez. A sanidade mental de Hermione pedia por isso!



-acho que eu preciso de um banho. –ela suspirou tentando
sair da cama devagar, no entanto a mão de Malfoy a parou.



-não! Espera! –ele franziu a testa. –é cedo de mais!



-mas eu...



-sua cabeça está latejando, não é?



-sim!



-o melhor remédio para isso é dormir! –ele riu baixinho.
–volte para a cama.



-Malfoy... –Hermione rosnou.



-Hermione, nós dormimos a noite inteira na mesma cama e
você está sã e salva! O resto da manha não vai matar ninguém! Volta já para cá!
–sua voz soou um pouco mais rouca no fim da frase.



Hermione não sabia se ficava ofendida ou se ele estava
apenas brincando. Mas, tanto faz... para quem já está toda molhada, mais uma
gota não é nada! A menina suspirou.



-vai mais para lá, está tomando toda a cama! –deu dois
tapinhas no ombro nu do menino e voltou a deitar sobre o travesseiro macio.



Draco abriu os dois olhos, olhando o rosto sereno com um
sorriso fraco no rosto dela. Com um único movimento do braço, ele a puxou até
seu corpo, arrancando dela um gritinho escandalizado.



-boa noite, Hermione!



-já é de manha!



-céus! Você costuma falar menos enquanto dorme! –sua voz
se tornou apenas um fio.



-eu falei enquanto dormia? –Hermione ergueu a cabeça em
alerta.



-só um pouquinho...



-o que eu falei? –ela se encolheu, quase se escondendo no
meio da coberta.



-não lembro! –Draco bocejou. –estava bêbado também,
lembra?



-Draco...



-Hermione! Coloca essa cabeça grande no travesseiro e
dorme! –ele rosnou.



E ela o fez, deitando o mais longe possível que a cama
permitia do corpo de Malfoy. Draco ergueu a cabeça e a puxou de volta até ele.



-correção: coloca essa cabeça grande aqui perto de mim e
dorme! –Hermione revirou os olhos, ignorando o fato da voz do menino parecer
tão divertida a ponto de ter um tom de risada.



-eu odeio você! –ela murmurou.



-é a ressaca! Logo, logo passa! –dessa vez Draco se
permitiu rir, dando um beijo no topo da cabeça da menina, que simplesmente
escondeu o sorriso na pele do pescoço dele.

Notas finais
E aí o que acharam?! Ah, gente... Eu não poderia deixar que nada acontecesse enquanto Hermione estivesse bebada, né?! HHAHAHAHA
Obrigada por tooooodos os Reviews! Eu AMEEEI todos eles!!!
beeijos, beeijos