Recomeçar

5 Capítulo 5 - A penseira de Dumbledore


Notas iniciais
:D



Hermione e Draco tomavam café calmamente. A menina não
tentava entrar em assunto nenhum depois de sua crise de choro vergonhosa na
noite anterior, e o menino, percebendo seu constrangimento, não fez nenhum
comentário ou pergunta.



O loiro, que fingia não olhá-la por cima de seu profeta
diário, percebia a feição limpa no rosto da menina. A expressão “de alma limpa”
passou de repente em sua cabeça, e ele sorriu satisfeito.



Porém, ainda que não estivessem conversando, estavam
muito ligados no movimento um do outro. Hermione percebia a mecha loira que
escapava por trás de suas orelhas e caia sobre seus olhos. Draco estava
plenamente consciente da seqüência em que ela usava para montar um sanduiche.



Estavam tão distraídos que não perceberam a presença de
uma terceira pessoa na casa, que entrou tão silenciosamente que seus pés nem
pareciam tocar o chão. Alvo Dumbledore parou na porta da cozinha com um sorriso
no rosto.



Hermione, percebendo o fleche das roupas roxas, ergueu os
olhos lentamente, encontrando os olhos azuis bebês a encarando. Quase se
engasgou com sua própria saliva, se levantando apressava.



-Senhor! –ela sorriu e, por algum motivo, sentiu o rosto
queimar. –não o ouvi chegar!



-não precisa se preocupar, eu deveria ter me pronunciado!
–ele sorriu solenemente, olhando com delicadeza para os olhos arregalados de
Malfoy. –Bom dia, Draco.



-bom dia, Dum... Senhor! –ele forçou um sorriso de forma
desajeitada.



-gostaria de se sentar e tomar café com a gente?
–Hermione ofereceu apontando com a mão para a mesa.



-ah, obrigado! –o velho homem sorriu. –mas eu tomei meu
café em Hogwarts. Na verdade, o que vim fazer aqui será breve.



Os dois meninos piscaram os olhos confusos e observaram enquanto
o velho diretor se sentava não lugar na ponta da mesa os olhando com um sorriso
atravessado, como se aquela situação fosse a coisa mais engraçada do mundo.



-o Senhor Ministro me falou que você está afastada,
Hermione. –Dumbledore começou. Suas mãos estavam cruzadas na altura do peito em
cima da mesa.



-ah, sim! –ela suspirou tristemente. –até o inicio do
próximo mês!



-bem, eu estava ontem com Kingsley e, acidentalmente, nós
chegamos a esse assunto. –Dumbledore piscou por cima dos óculos de meia-lua.
–e, nessa conversa, eu consegui convencê-lo a permitir que você fosse a
Hogwarts durante esse período em que está afastada como minha ajudante, se você
quiser, é claro.



-e quanto à sentença? –Hermione lançou um olhar rápido a
Draco, que franzia a testa para o outro homem.



-você poderá ficar na escola no mesmo horário que ficava
no ministério. –o homem sorriu calmamente, tombando minimamente a cabeça para o
lado. –Sua lareira estará diretamente ligada com a do meu escritório para
facilitar, por assim dizer.



-então eu vou ir e voltar de Hogwarts todos os dias? –a
menina sorriu um pouco.



-é claro! –Dumbledore riu. –não podemos passar por cima
da lei, não é mesmo, Draco?



Malfoy, que apenas ouvia toda a conversa com muita
atenção e em silêncio, quase cuspiu todo o café que estava em sua boca. Ele
tossiu uma ou duas vezes e virou os olhos molhados em direção ao homem.



-é, bem, é verdade! –ele disse com a voz rouca.



-e então, Hermione? O que me diz? –O diretor sorriu
novamente. Seu olhar era doce e totalmente compreensível, quase como se pudesse
ler as entre linhas de tudo o que os garotos diziam.



Draco o odiava por isso. Não gostava de sentir que estava
sendo analisado e, só a idéia de que alguém conseguia ver além daquilo o que
ele mesmo se permitia mostrar, o causava arrepios. Hermione, porém, tinha um
carinho tão grande pelo homem que quase o via em uma figura paterna. Fora ele
que dissera que ela era uma bruxa, fora ele que a apoiou nos momentos difíceis
em que passou no castelo e, acima de tudo, era ele que sempre aparecia com um
conselho sensato e justo.



-é, bem, é claro que sim! –ela sorriu totalmente, se
sentindo infinitamente agradecia a Dumbledore.



-bem, nesse caso tenho que informar que as pessoas terão
que aparatar ou entrar pela portaria para visitar vocês a partir de agora! –ele
continuou sorrindo solenemente. –a lareira será ligada diretamente com a minha,
como eu já disse anteriormente.



-tudo bem! –ela assentiu freneticamente. Dumbledore olhou
para Draco por um segundo.



-sim, tudo bem! –o menino parecia mais calmo, assentindo
de forma racional.



-e quando eu posso ir? –Hermione piscou os olhos. Seu
café totalmente esquecido na xícara em sua frente.



-assim que você ficar pronta! –o homem sorriu se
levantando. –te espero em meu escritório, tudo bem?



-sim, Senhor! –ela soltou um suspiro feliz e assistiu
enquanto ele se levantava da mesa e ia até a lareira, colocando um saquinho com
pó de flu ao lado de um anjo de cristal que a mãe da menina havia dado de
presente. Ele não disse nada, apenas jogou um pouco do pó e então tudo explodiu
em chamas verdes.



-isso foi um pouco repentino. –Draco murmurou olhando
para seu pão enquanto passava manteiga.



-EU VOU VOLTAR PARA HOGWARTS! –Hermione berrou se levantando
e correndo para o quarto trocar de roupa.



Draco sorriu de canto, soltando um risinho baixo, vendo a
agitação da menina para achar seu sapato perdido. Ele pensou se deveria dizer
que ele estava atrás da poltrona do sofá e imaginou quanto tempo ela demoraria
procurando até que finalmente o encontrasse.



-olha na...



-ACHEI! –ela berrou voltando para o quarto. Ele arregalou
os olhos e deu de ombros uma vez.



(...)



Assim que colocou os pés no escritório de Dumbledore,
Hermione não pode evitar sorrir abertamente. Ele não estava nenhum lugar a
vista. Decididamente nada havia mudado desde a última vez em que esteve ali. A
espada de Godric Gryffindor ainda estava atrás de um vidro, atrás da cadeira
onde o diretor costumava se sentar. Os quadros lá no alto se agitaram, todos
olhando para a mais nova visitante.



No alto de uma prateleira estava o Chapéu Seletor. Lembrou-se
do debate enquanto ele decidia colocá-la na Grifinória ou em Cornival. E, por
fim, por algum motivo que até então era desconhecido, ela acabara como uma
leoa, juntamente com Harry e Ron.



Ouviu passos e se virou, encontrando o sorriso de
Dumbledore. O homem indicou a cadeira para que ela se sentasse e logo foi para
o outro lado da mesa, olhando para sua sala com um sorriso.



-então, me conte como estão as coisas em sua casa. –ele
continuou olhando para ela sem alterar a expressão.



-ah, bem... não tão ruim quanto pensei que seria. –a
menina admitiu. –Malfoy parece estar fazendo um esforço sobre-humano para ser
agradável.



-e quando a você...



-e eu tenho me esforçado para não chamá-lo de arrogante e
tantos outros apelidos carinhosos que surgiram no tempo de colégio. –ela riu
baixinho. –é um interesse em comum, não é? Nós dois queremos que essa sentença
termine logo.



Hermione sentiu suas palavras tremerem um pouco no final e
desviou o olhar dos olhos azuis do homem. Dumbledore a olhava com um sorriso de
canto, recostado em sua cadeira, parecendo pensar em alguma coisa importante.



-sabe o que dizem, minha querida? –ele falou de repente,
apoiando os cotovelos sobre a mesa.



-o que? –Hermione voltou a erguer o olhar.



-uma sentença só é um castigo quando é encarada dessa
forma. –ele piscou um olho.



-o que isso quer dizer? –ela ergueu uma sobrancelha,
confusa.



-bem, parece que o castigo pelo mau comportamento dos
dois saiu pela culatra, se me permite dizer. –ele riu baixinho. –o senhor
ministro provavelmente esperava que isso fosse uma tortura, mas não é! Estou
certo?



-é... –Hermione gaguejou. –não é tão ruim! Mas ainda
gosto da minha sala sem ser amontoada por travesseiros e cobertores.



-ninguém gosta de mudanças! –ele riu novamente. –isso é
natural.



-é, talvez seja. –ela suspirou meio vencida.



-bem, creio que esteja na hora de descermos! –ele sorriu
olhando para lugar algum. –está quase na hora no almoço.



-mas... –Hermione olhou em desespero para o próprio pulso
se perguntando o que havia acontecido com as horas.



-tem duas pessoas aqui que adorariam revê-la.



Hermione seguiu Dumbledore pelos corredores tentando se
lembrar quantas vezes ela havia passado por ali com os meninos. Nada parecia
ter mudado. Os contadores dos pontos das casas ainda estavam no alto dos
corredores para que todos pudessem ver. Dessa vez, Hermione pensou franzindo o
nariz, Cornival estava na frente.



Quando entraram o salão ainda estava vazio. Alguns
professores sorriram alegremente para ela, enquanto outros, como Snape,
pareciam se perguntar o que DIABOS ela estava fazendo ali.



-Sente-se conosco, tudo bem? –Dumbledore apontou para uma
cadeira vazia na mesa dos professores.



Hagrid, que parecia não estar acreditando, acordou do
transe a puxando para um abraço apertado de urso. Ela riu um pouco, sentindo
seus pés deixando o chão e o ar de seus pulmões escapulir.



-Hermione, há quanto tempo! –ele sorriu a olhando dos pés
a cabeça. –o que tem feito? Como estão as coisas? E quanto ao...



Ela continuou conversando o tempo inteiro com Hagrid
enquanto os alunos pouco a pouco chegavam para o almoço. Dumbledore se
levantou, raramente dava avisos no almoço, mas dessa vez era uma necessidade.
Ele explicou que a menina estaria com eles por um tempo e que ela teria os
mesmos poderes que um professor para punir ou não os alunos. Hermione rezou
silenciosamente para que não precisasse fazer nada desse tipo.



Antes que pudesse colocar o primeiro pedaço de pudim na
boca, as portas do salão principal se tornaram o foco de toda atenção dos
alunos. Hermione esticou o pescoço tentando ver melhor o que estava
acontecendo. O topo de duas cabeças se diferenciava entre a multidão. Eram mais
altos que todos e, claro, seus cabelos pareciam pegar fogo.



Fred e Jorge Weasley vinham caminhando lentamente com um
sorriso de zombaria no rosto. A menina sorriu abertamente quando os viu se
aproximar dela com o mesmo sorriso em resposta.



-Mione, amiga querida! –Fred disse sorrindo, abrindo os
braços de forma acolhedora. Quando a menina ia abraçá-lo, porém, ele pegou um
de seus braços e a fez dar uma pirueta, caindo nos braços de Jorge. –opa
perdão, calculei mal! –ele sorriu de canto indicando que havia feito exatamente
o que queria fazer.



-não ligue para ele, Mione! –Jorge sorriu. –só estava com
saudade de te encher!



-é verdade, então? –Fred a olhou em expectativa.



-o que? –ela piscou os olhos inocentemente.



-que você foi condenada a pior coisa depois de Askaban?
–dessa vez quem disse foi Jorge, puxando a cadeira recém colocada ali e se
arrumando ao lado da menina.



-conviver com Malfoy! –Fred explicou com uma careta.



-ah, sim! Estamos morando juntos! –ela riu baixinho.



Só depois que havia dito percebeu que sua frase parecia
ter um significado mais adorável do que a verdade. Ela sentiu sua bochecha
corar e tratou de tentar concertar logo.



-relaxa! –Fred deu de ombros. –nós entendemos! E
depois... Temos plena consciência de que Ronald era um idiota!



-mas...



-não importa quantos fios de cabelos semelhantes nós
tínhamos, nós somos justos! –Jorge ergueu o queixo fingindo fazer um discurso.
A menina riu divertida. –só não apareça na frente da mamãe pelos próximos dez
anos e tudo ficará bem!



-é, a Sra. Waesley tem tendência a ver os filhos como
super heróis! –Fred revirou os olhos e colocou o polegar sobre o peito. –vê se
pode!



-e então? O que estão fazendo aqui? –Hermione perguntou,
mais relaxada por saber que os gêmeos não estavam ressentidos com ela.



-abrimos uma filial em Hogsmead, então precisamos passar
um tempo aqui para acompanhar. –Jorge explicou calmamente.



-e, por falar nisso, precisa de alguma coisa? Talvez uma
dose de hemorragia nasal? –Fred levantou as sobrancelhas de forma convidativa.
–se caso Malfoy...



-ah, não! –Hermione riu novamente. –ele está se
comportando bem, verdade!



-certo... –os gêmeos falaram juntos erguendo uma
sobrancelha para ela.



Continuaram conversando pelo o que pareceram segundos
para a menina, porém ela já estava por dentro de tudo o que havia acontecido na
vida deles nas ultimas semanas. Quando terminaram de comer, os gêmeos Weasley
precisavam voltar para o povoado, enquanto Hermione precisava voltar com
Dumbledore para sua sala.



-prometemos manter contato! –Fred colocou uma mão sobre o
peito fazendo uma jura.



-tudo bem. –e, sorrindo outra vez, ela os abraçou
rapidamente.



Enquanto faziam o caminho de volta para o escritório,
Hermione notou que o diretor parecia tão feliz quanto ela. Não falaram durante
todo o caminho e, quando passaram pela gárgula, Hermione imaginou o que iriam
fazer agora.



-acho que você está curiosa sobre uma coisa. –Dumbledore
se afastou por um momento e quando voltou segurava um vidrinho com algo
prateado que parecia gasoso dentro.



Ele deixou o pequeno vidro sobre a mesa e depois foi até
um armário e voltou segurando um recipiente que se parecia com um cálice.
Hermione sabia o que era aquilo. Era uma penseira, mas nunca imaginou que viria
uma de perto.



-essa é uma lembrança minha, Hermione. –ele mostrou o
vidrinho. –e acho que vai ajudá-la a entender algumas coisas em um futuro
próximo.



Hermione estava excitada. Imagine todos os pensamentos
mais importantes de um bruxo como Dumbledore dentro de um único recipiente! O
diretor despejou todo o conteúdo do vidro na penseira e a indicou para
Hermione.



Ela se inclinou e sentiu como se caísse por muitos e
muitos metros até que finalmente seus pés alcançaram o chão. Ela piscou os
olhos uma vez e olhou em volta, encontrando Dumbledore parado ao seu lado. Ele
apontou para frente, onde estava o Dumbledore de anos atrás. Era obviamente um
dia de verão. O sol brilhava – uma coisa rara – e todos usavam roupas um pouco
mais leves.



O diretor usava um terno azul escuro e caminhava
calmamente como se não tivesse um lugar certo para ir. Demorou um tempo até
Hermione perceber que conhecia a cabeleira longa e loira da pessoa em sua
frente. Por diversas vezes ela recebera olhares gelados daqueles olhos de aço.



Segurado ao braço de Lúcio Malfoy havia uma mulher
igualmente loira, andando formalmente como se fosse alguém de máxima importância.
E, pendurado ao outro braço do homem, estava um menino de cabelos curtos e
arrepiados, os fios eram tão finos e claros que pareciam de um bebê. Suas
bochechas eram cheias e rosadas e os olhos cinzentos nada tinham de frieza.



Olhando melhor em volta, Hermione percebeu que estavam na
área central de Londres. As pessoas que passavam pela família pareciam perceber
a áurea perigosa que os pais emanavam e se afastavam imediatamente.



O pequeno Draco (anos antes de entrar em Hogwarts) parou
de repente, olhando para o outro lado da rua com grande interesse no olhar.
Hermione também olhou, encontrando um homem sentado no banco de uma praça
tocando violão. Algumas pessoas paravam para assisti-lo e jogavam algumas
moedas em uma caixa apoiada no chão.



-papai, podemos ir ver? –o pequeno Draco chamou, puxando
as vestes do pai. Lúcio olhou para o homem que tocava violão com o rosto
franzido em ódio e nojo.



-escória! –ele ralhou para o filho. –trouxas inúteis e
nojentos! Vamos, Draco! Você é um bruxo, um sangue-puro, não deve se misturar
com esse tipo de gente!



O olhar do Dumbledore da memória encontrou com o do
menino, que parecia triste, mas nem um pouco disposto a discutir com o pai. O
menino lançou um último olhar para o homem que continuava tocando e,
tristemente, voltou a caminhar.



Tudo começou a ficar nebuloso e muito distante, Hermione
pouco a pouco foi puxada novamente para cima e, quando se deu conta, estava em
pé no meio do escritório de Dumbledore.



Ela se sentou meio atordoada na cadeira em sua frente.
Tocou sua testa com a ponta dos dedos e respirou fundo. Céus, pensou, piscando
os olhos rapidamente tentando colocar a cabeça no lugar.



-até que atinjamos certa idade... –o diretor falou
calmamente, olhando para o teto. –costumamos compartilhar a opinião de nossos
pais. Não é como se tivéssemos escolha, certo? Simplesmente não temos
argumentos para discordar. E então, crescemos, e precisamos aprender a pensar
por nós mesmos, pois aquelas velhas idéias já não cabem mais a nós, e é
exatamente aí onde tudo começa a ficar mais complicado. Penso que você
concordar, Hermione, que aceitar é sempre mais fácil do que discordar! –ele lhe
lançou um olhar azul cheio de significados. Ela piscou lentamente.



(...)



Definitivamente passar tanto tempo com Dumbledore não era
saudável. Toda vez que isso acontecia, voltava com a sensação de mal-estar,
como se fosse a pior de todas as criaturas.



Logo que saiu da lareira ouviu o barulho da televisão e
repassou tudo em sua mente pela milésima vez. Ia ficar tudo bem, não ia?
Arrumou os cabelos com a ponta dos dedos e andou confiante até a sala. Draco
desviou o olhar por um segundo para olhá-la.



-você tem alguma coisa para fazer hoje? –ela perguntou se
apoiando no batente da porta.



-não, por...



-fique pronto em meia hora! –ela falou correndo para o
banheiro tomar um banho rápido.



O menino piscou os olhos três vezes antes de finalmente
se levantar. Seria isso realmente possível? Ele tinha recebido uma ordem
expressa da Granger? Foi até seu quarto (que graças ao bom pai já era
habitável) e jogou uma muda de roupa sobre a cama.



Vestiu-se e deu uma olhada no espelho. Onde ela ia
levá-lo? Suspirou e colocou a jaqueta por cima após terminar de se vestir,
voltando a se sentar na sala. Esperou nem tão pacientemente pela menina, que
apareceu alguns instantes depois.



-vamos! –ela sorriu o chamando.



-para onde vai me levar? –ele resmungou baixinho sendo empurrado
para a porta por ela.



-eu preciso ir à farmácia! –ela fez uma voz chorosa. –e
estou com medo de sair sozinha essa hora!



Ele franziu o nariz por um segundo, mas se rendeu, indo
por sua própria vontade. Hermione tentou julgar o que estava fazendo, mas, tudo
o que conseguia pensar era que talvez aquilo fosse o melhor que ela pudesse
fazer.



Foram caminhando pelas calçadas. A menina rezava para que
nenhuma farmácia aparecesse no meio do caminho ou caso contrário estaria em
apuros. Draco analisou a menina da cabeça aos pés pelo canto dos olhos. Ela não
parecia estar doente.



-você está bem? –ele perguntou por fim, colocando as mãos
no bolso da calça.



-oi?! Ah, sim! Meu remédio para alergia acabou, apenas
isso! –ela tentou soar verdadeira, mas sua voz tremeu um pouquinho no final.



Continuaram em silêncio até que Hermione avistou o lugar
em que queria ir. Ela pegou o menino pelo braço e começou a correr como se
fugisse de um hipogrifo raivoso.



-calma, sua louca, por que está correndo? –o menino riu,
tropeçando nos próprios pés.



Hermione avistou um monte de pessoas em volta a um
banquinho da praça e sorriu sozinha, puxando Draco consigo. Não era o mesmo
homem da memória, é claro, mas a menina que tocava violino parecia bem
convincente. Ela sorriu ficando nas pontas dos pés tentando ver melhor e
fingindo estar interessada.



-eu adoro isso! –ela sussurrou para Draco. –eles passam
tanto tempo treinando!



-é! –ele concordou também se esticando para ver melhor.



Hermione sorriu vendo o semblante contente do menino, que
parecia tão entretido com a música baixinha que enchia o ambiente. Malfoy se
virou por um instante e encontrou o olhar da menina.



-o que foi? –ele sorriu.



-nada! –Hermione sacudiu a cabeça. –só estava observando!



E, com um movimento rápido e inesperado, Malfoy passou o
braço pelos ombros de Hermione e voltou a caminhar tentando encontrar uma
farmácia com o olhar. A menina olhava de seu braço para seu dono sem realmente
acreditar. Mas, o pior é que ela realmente estava gostando daquilo.



Gostava da proximidade do corpo do menino com o seu sobre
o céu escuro e o vento frio. Gostava de seu sorriso sincero e da forma como
seus olhos pareciam mais puros agora. E, principalmente, gostava de si mesma
quanto estava com ele.



Malfoy parou em frente a uma loja de móveis e deu uma
olhada no espelho jogando os cabelos para o lado e sorriu a olhando de canto.



-eu sou realmente bonito! –o sorriso em seu rosto se
alargou.



-sim, seu crocodilo albino, você é! Agora vamos logo,
estou congelando aqui. –Hermione riu de sua falta de modéstia e tremeu um pouco
com a rajada de vento que bateu em suas costas.



-aqui! –ele tirou a jaqueta que usava e colocou sobre os
ombros da menina.



Por um segundo, Hermione permaneceu onde estava, sentindo
o cheiro amadeirado que havia invadido todo seu apartamento nos últimos dias, e
então, pensou com o coração parecendo maior de repente, percebeu que gostava
daquilo. Gostava daquele Draco, que Malfoy estava a permitindo conhecer.

Notas finais
Gente, obrigada por todos os Reviews!! ++ Assim que eu conseguir, trato de responder todos!! ++
beijos, beijos e comentem! ++