Receita para o Amor

88 Renesmee- Receita para o amor


Notas iniciais
Meus amores. Eu tinha tido um apagão mas a inspiração voltou. Quero agradecer por terem lido essa história linda, os comentários e a recomendação. Nos vemos nas outras fics Fiquem com o capítulo final.

Estava no hospital, terminando o atendimento de uma paciente quando minha mente vagou, pensando no tempo e em como ele voa. A jovem à minha frente, com olhos tímidos e um sorriso hesitante, me lembrava que logo eu teria uma filha adolescente. Seus longos cabelos castanhos caíam sobre os ombros enquanto ela olhava para o chão, evitando meu olhar. Sua mãe, uma mulher de meia-idade, mantinha as mãos tensas no colo, esperando ansiosa por qualquer resposta que pudesse ajudar sua filha.

— Então, Sofia — comecei, sorrindo para a menina — Você disse que tem tido dificuldade com a alimentação nos últimos meses, certo?

Ela acenou com a cabeça, ainda sem me encarar diretamente.

— Sim, doutora. Eu... Eu simplesmente não consigo comer. Quando tento, me sinto culpada. É como se eu estivesse fazendo algo errado.

— Eu entendo, Sofia. — Falei gentilmente, querendo que ela soubesse que não estava sozinha. — O que você está sentindo é muito comum, mas é importante lembrar que seu corpo precisa de energia para funcionar, e comer faz parte disso. Vamos te ajudar, ok? Vou encaminhá-la para uma nutricionista que vai ajudar a criar um plano alimentar saudável para você. Além disso, acho que também seria muito útil conversar com uma psicóloga. Ela vai te ajudar a entender de onde vêm esses sentimentos e como lidar com eles.

A mãe de Sofia, Clara, suspirou aliviada e segurou a mão da filha.

— Obrigada, doutora Black. Eu estava com tanto medo de que não houvesse uma solução para isso.

Sofia finalmente levantou os olhos, me olhando com uma mistura de alívio e esperança.

— Obrigada. Eu... acho que conversar com alguém vai me ajudar.

Eu sorri, sentindo uma onda de orgulho pela coragem dela.

— Você está dando um passo enorme ao buscar ajuda, Sofia. Vai ser um processo, mas estou confiante que você vai conseguir. Lembre-se, você não está sozinha nisso.

Ela me olhou e sorriu pela primeira vez durante a consulta. Aquele pequeno gesto me fez acreditar que ela realmente queria mudar.

— Muito obrigada, doutora. — Sofia disse, enquanto sua mãe a ajudava a levantar. — Eu realmente quero melhorar.

— E você vai. — Encorajei, me levantando também. — Se precisar de qualquer coisa, estou aqui.

Clara se aproximou de mim antes de sair e apertou minha mão.

— Não sei como te agradecer, doutora. Você não imagina o quanto isso significa para nós.

— Estou feliz em poder ajudar. E lembre-se, essa jornada é da Sofia, mas ela terá o seu apoio e o de todos nós.

Quando elas saíram, suspirei profundamente, pensando em como seria quando Charlie atingisse a idade de Sofia. Eu seria capaz de guiá-la em todos os momentos difíceis da adolescência? A ideia me trouxe uma pontada de preocupação, mas também confiança de que eu e Jake faríamos tudo o que estivesse ao nosso alcance.

De repente, a porta do consultório se abriu, e três vozes familiares encheram o ambiente.

— Mamãe! — gritou Charlie, correndo na minha direção com um sorriso gigante.

Benjamin e Jake vieram logo atrás dela, seguidos por Renée, Bella e Edward.

— Que surpresa é essa? — sorri, surpresa e animada ao vê-los ali.

— A professora da Charlie ficou doente hoje, então não teve aula. — explicou Renée, enquanto eu me abaixava para abraçar meus filhos. — Achamos que seria bom dar uma passadinha aqui.

— E aqui estamos! — Charlie completou, animada. — Podemos almoçar com você?

Jake, meu filho mais novo, já estava em meu colo, com Benjamin sentado ao lado dele. Eu beijei suas cabeças e sorri, acariciando o cabelo de Charlie.

— É claro que podem. Isso sim é uma surpresa boa.

Bella sorriu para mim, claramente encantada com as crianças.

— Eles estavam tão animados para te ver, Nessie. Não pararam de falar sobre isso o caminho todo.

Edward, sempre mais contido, me olhou com aquele brilho orgulhoso que ele só demonstrava em momentos como esses.

— Acho que estamos precisando fazer mais visitas surpresas ao hospital. Pelo visto, isso alegra o dia de todos.

Eu ri e me levantei, ainda com Jake no colo, enquanto Benjamin puxava minha mão.

— Vocês não imaginam o quanto eu precisava disso hoje. Vamos almoçar juntos e, depois disso, tenho uma ideia.

— O que você está planejando? — Renée perguntou, curiosa.

— Vamos fazer uma surpresa para o Jake. — Pisquei para minha mãe e Bella, que riram.

— Adoro surpresas! — Charlie exclamou, animada.

Nós saímos da sala juntos, prontos para surpreender o homem que sempre fazia tudo por nós. A felicidade em estar cercada por minha família era algo que eu jamais tomaria por garantido, e ver meus filhos tão cheios de vida e amor me lembrava do quanto tínhamos construído juntos.

Chegamos à recepção da sala de Jacob, e as crianças, sempre cheias de energia, se contorciam de excitação ao meu lado. Charlie, com um sorriso travesso, segurava firme a mão dos irmãos, e eu, com Jake de um lado e Benjamin do outro, me aproximei de Jane, a recepcionista.

— O doutor Black está em atendimento? — perguntei, inclinando-me ligeiramente sobre o balcão.

Jane olhou para a tela em sua frente e depois sorriu para mim.

— A paciente acabou de sair da sala.

Eu dei um sorriso, já antecipando a reação de Jacob. Ajoelhei ao lado das crianças e sussurrei, com uma piscadela:

— Estão prontos para a surpresa?

Charlie acenou animadamente com a cabeça, os cachos loiros balançando. Ben e Jake, ansiosos para ver o pai, apertaram minhas mãos.

Entramos juntos na sala, e as crianças gritaram em uníssono:

— Surpresa!

Jacob, que estava organizando papéis na mesa, levantou a cabeça e, ao nos ver, um sorriso largo iluminou seu rosto. Ele se levantou rapidamente, e Jake e Ben correram em sua direção, como se não houvessem visto o pai em dias.

— Ei, meus campeões! — disse Jacob, rindo ao pegar os dois no colo, um em cada braço.

Charlie, sempre mais reservada, se aproximou devagar. Jacob abaixou a cabeça e depositou um beijo carinhoso na testa dela, que sorriu, satisfeita.

Eu observava tudo com o coração transbordando de alegria. Caminhei até Jacob e disse, com um brilho nos olhos:

— Viemos buscar o papai para um almoço em família no hospital. O que acha?

— Isso me parece uma ótima ideia. — Jacob respondeu, descendo os meninos de seus braços. Ele se aproximou e selou nossos lábios com um beijo rápido, mas cheio de ternura.

Antes de sairmos, Jacob se virou para Jane.

— Jane, não retornarei mais hoje. O resto dos atendimentos pode ser reagendado, por favor.

Ela assentiu, com um sorriso compreensivo.

Charlie, sempre a líder do trio, pegou as mãos dos irmãozinhos e começou a caminhar à frente pelo corredor, empolgada com a ideia do almoço em família. Eu e Jacob seguimos logo atrás, trocando olhares cúmplices. Sem dizer uma palavra, entrelacei meus dedos nos dele, e assim, caminhamos juntos, lado a lado.

Enquanto eu via nossos filhos à nossa frente, a vida parecia tão simples, mas ao mesmo tempo tão completa. O amor que nos unia era algo que sempre me surpreendia, de formas que eu jamais imaginaria. E, naquele momento, uma pergunta surgiu em minha mente, algo que eu nunca soube como responder.

— Jake... — comecei, o puxando um pouco para mais perto. — Qual você acha que é a receita para o amor?

Ele olhou para mim, surpreso, como se aquela pergunta não tivesse uma resposta fácil, e sorriu de canto.

— Se eu soubesse a receita, venderia o segredo. — brincou ele, mas logo ficou sério, como se estivesse tentando encontrar a melhor resposta. — Acho que é algo que se constrói aos poucos. Um pouco de paciência, muito companheirismo... e, acima de tudo, estar presente em cada momento.

Eu ri suavemente, gostando da resposta.

— Talvez você esteja certo. — disse, suspirando de leve. — Mas, para mim, acho que o amor é isso aqui. Nós dois, com nossos filhos, rindo e enfrentando o que vier, juntos.

Jacob parou por um instante, me puxando de leve para perto dele e me encarando com aqueles olhos profundos que sempre me faziam sentir segura.

— E você sabe que eu te amo mais do que tudo, certo?

— Sei. — sorri, tocando seu rosto suavemente antes de dar-lhe um beijo doce.

E, enquanto nossas mãos permaneciam unidas, caminhamos juntos rumo ao que a vida nos reservava, com a certeza de que, por mais que o futuro fosse incerto, tínhamos tudo de que precisávamos: um ao outro e o amor que construímos juntos.

Fim

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