Receita para o Amor

37 Renesmee- O pedido


Acordei com um sorriso no rosto, um sentimento de leveza que ainda não havia desaparecido desde que me mudei para meu novo apartamento. Caminhei até a janela, apreciando a vista do bairro de Astoria, em Nova York. Eu só estava ali há um mês, mas a sensação de liberdade era algo que eu não trocaria por nada.

Meu apartamento era simples, sem grandes luxos, mas exatamente o que eu precisava. As paredes estavam pintadas de branco, e os móveis eram básicos: uma pequena mesa de madeira na sala, um sofá cinza aconchegante e uma estante de livros que estava lentamente se enchendo com minhas leituras favoritas. O quarto era acolhedor, com uma cama de casal coberta por uma colcha de linho azul, e a cozinha, embora compacta, tinha tudo o que eu precisava para preparar minhas refeições rápidas.

O que mais me agradava, no entanto, era o fato de estar finalmente livre das pressões que Bella sempre colocava sobre mim. Aquela distância era um alívio que eu nem sabia que precisava tanto.

Após um banho quente, me arrumei e me preparei para mais um dia no hospital. O próximo passo seria conseguir um novo emprego; eu estava determinada a deixar o hospital dos Cullen o quanto antes. Viver minha vida em Nova York significava cortar os laços que ainda me prendiam ao passado.

Cheguei ao hospital e fui direto para a sala de Edward Cullen. Desde que comecei a trabalhar na equipe de Cardiologia, após Bella convencer Carlisle de que era o que eu desejava, o ambiente ficou ainda mais tenso. Aquela manobra de Bella, uma tentativa desesperada de me afastar de Jacob, foi a gota d'água que antecipou minha mudança.

Peguei alguns prontuários e segui para a lanchonete do hospital para tomar meu café. Quando cheguei à porta, vi Jacob sentado em uma das mesas, conversando com alguns médicos. Ele estava mais magro, a barba por fazer, mas continuava lindo. Meu coração acelerou e, por um momento, todas as sensações que ele sempre provocou em mim voltaram à tona.

Tentei me manter discreta, me sentando em uma mesa afastada, evitando que ele me visse. Fiquei alguns minutos o observando, tentando processar a mistura de emoções que ele ainda me causava, até que uma voz familiar me tirou de meus pensamentos.

— Bom dia, Nessie! — Elijah disse com um sorriso, se aproximando com Louise ao seu lado.

— Bom dia, Elijah, Louise — respondi, me forçando a sorrir de volta.

Elijah se inclinou e me deu um beijo carinhoso na testa, um gesto que ele fazia com frequência, e eu sabia que era seu jeito de mostrar apoio.

— Como foi a noite? — Ele perguntou, se sentando ao meu lado.

— Tranquila — respondi, tentando manter a conversa casual. — E a sua?

— Bem agitada, mas nada que eu não consiga lidar — Elijah sorriu, olhando para os prontuários em minhas mãos. — Vai encarar a emergência hoje?

Assenti.

— Sim, estou na escala da tarde.

Louise, que havia se sentado em frente a nós, comentou sobre a carga de trabalho e como parecia que as coisas estavam sempre caóticas ultimamente. Mas minha mente estava longe, e meus olhos voltaram a se fixar em Jacob, do outro lado da lanchonete.

— Você está bem? — Elijah perguntou, percebendo meu olhar distante.

Eu desviei os olhos rapidamente, tentando disfarçar.

— Sim, estou... — hesitei, mas Elijah já tinha seguido meu olhar e visto Jacob.

— Você soube que o Black se demitiu? — Ele perguntou, casualmente, mas suas palavras fizeram meu coração parar por um segundo.

Olhei para Elijah, surpresa.

— Ele o quê?

— Sim, vendeu todas as ações para o nosso avô — Elijah continuou, como se fosse algo trivial. — Parece que está montando seu próprio hospital

Minha mente ficou em branco por um momento. Jacob estava deixando o hospital? E ainda mais, ele estava se desligando completamente dos Cullen?

Senti uma onda de emoções se formando dentro de mim. Parte de mim se sentiu aliviada, como se isso pudesse finalmente nos dar o espaço que precisávamos. Mas, ao mesmo tempo, havia uma tristeza profunda, uma sensação de perda que eu não esperava.

— Isso é... inesperado — murmurei, tentando processar o que isso realmente significava.

— Ele deve estar em uma nova fase da vida — Elijah comentou, observando minha reação. — Acho que isso pode ser bom para ele.

Concordei vagamente, mas minha mente estava longe, perdida em pensamentos. Jacob estava seguindo em frente, tomando decisões que o afastariam ainda mais de mim. E, por mais que eu soubesse que isso era inevitável, a realidade da situação ainda doía mais do que eu gostaria de admitir.

Depois de trocar de escala com Louise, que queria ir a uma festa na noite seguinte, acabei com a noite livre. Elijah, que estava de folga, aproveitou a oportunidade para me convidar para sair. Eu vinha evitando esse tipo de convite nas últimas semanas, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, teríamos que ter uma conversa séria sobre nosso relacionamento. Eu só esperava que fosse possível encerrar tudo de forma amigável e sem mágoas.

Ele me levou a uma praia em Rockaway, longe do burburinho da cidade. A noite estava fria, o céu coberto de estrelas, e o som do mar quebrando na areia criava um cenário quase perfeito. Caminhamos em silêncio por um tempo, ouvindo apenas o som das ondas. Era o tipo de ambiente que, em outras circunstâncias, eu teria adorado. Mas hoje, a tranquilidade do lugar apenas aumentava a minha inquietação.

Finalmente, senti que era hora de iniciar a conversa.

— Elijah — comecei, parando de andar e olhando para ele —, nós precisamos conversar.

Ele parou também e me olhou, com aquela expressão calma e paciente que sempre me fazia sentir como se pudesse confiar nele com qualquer coisa.

— Eu sei que você quer falar sobre nós — ele disse, como se já esperasse por isso. — Diga o que você precisa, Nessie. Eu estou aqui para ouvir.

Respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas.

— Eu gosto muito de você, Elijah, de verdade. Você tem sido uma pessoa incrível na minha vida... mas... acho que não posso continuar com isso — comecei a dizer, mas ele não pareceu entender de imediato.

— Continuar com isso? — Ele perguntou, franzindo o cenho levemente.

— Com nós dois — continuei, tentando ser o mais clara possível. — Eu não quero te machucar, e sinto que, se continuarmos assim, é exatamente o que vai acontecer.

Para minha surpresa, em vez de parecer abalado, Elijah sorriu suavemente.

— Nessie, eu entendo que você esteja confusa, mas acho que estamos nos precipitando. Talvez você só precise de mais tempo — ele disse, e antes que eu pudesse responder, ele segurou minha mão e se ajoelhou diante de mim.

Meu coração parou por um instante quando percebi o que ele estava prestes a fazer.

— Elijah, não...

— Nessie, eu sei que isso pode parecer inesperado, mas eu quero passar o resto da minha vida com você. Não precisamos fazer nada apressadamente, podemos começar devagar... Podemos até aproveitar a festa de noivado da minha mãe e do tio Edward para celebrar o nosso noivado também. O que você acha? — Ele disse, olhando para mim com uma esperança que me deixou sem fôlego.

Eu o olhei, chocada, tentando processar suas palavras. Aquilo estava indo rápido demais, muito mais rápido do que eu podia suportar.

— Elijah, eu... — Tentei falar, mas as palavras me escaparam. Finalmente, consegui balançar a cabeça. — Não posso. Isso é precipitado demais. Eu... sinto muito, mas não posso aceitar.

Elijah se levantou lentamente, o sorriso em seu rosto desaparecendo gradualmente. Por um momento, pensei que ele ficaria arrasado, mas, em vez disso, ele apenas suspirou e acenou com a cabeça.

— Tudo bem, Nessie. Está tudo bem — ele disse, sua voz suave e sem ressentimento. — Eu fico feliz que você tenha sido sincera comigo.

Tentei falar novamente, mas ele me interrompeu.

— Vou te levar para casa — ele disse, ainda segurando minha mão. — Você não precisa se preocupar com nada agora.

Eu me senti terrivelmente culpada enquanto ele me conduzia de volta ao carro. Não era isso que eu queria para ele, não queria vê-lo magoado, e ainda assim, sabia que não poderia forçar sentimentos que não existiam.

Quando chegamos ao meu apartamento, Elijah parou em frente à porta e se virou para mim.

— Nessie, eu te amo — ele disse, com uma convicção que me fez sentir ainda pior. — E você tem todo o tempo do mundo para mudar de ideia.

Antes que eu pudesse responder, ele se inclinou e selou meus lábios com um beijo suave. Eu estava paralisada, incapaz de reagir. Quando ele se afastou, abriu a porta para mim e sorriu, um sorriso triste, mas compreensivo.

— Boa noite, Nessie. Nos vemos amanhã.

E com isso, ele foi embora, me deixando ali, sozinha, com um turbilhão de emoções que eu mal conseguia compreender. O som da porta se fechando atrás de mim ecoou pela minha mente, enquanto eu tentava processar o que acabara de acontecer.