Receita para o Amor
2 Renesmee- Nova York
O som estridente do alarme do meu celular ecoou pelo quarto, me arrancando do sono. Resmunguei e cobri a cabeça com o travesseiro, tentando ignorar o barulho. Com os olhos ainda fechados, tateei o criado-mudo ao lado da cama, na tentativa de desativar o alarme. Em vez disso, derrubei o celular no chão.
— Droga... — murmurei, sentando-me na cama com uma imensa ressaca. O quarto parecia girar um pouco, mas a sensação foi suavizada pelo delicioso cheiro de café da manhã que vinha do andar de baixo.
Bocejando, me levantei e saí do quarto, caminhando pelo estreito corredor da casa de Charlie. As escadas rangiam sob meus pés enquanto descia, e logo encontrei meus avós na cozinha, tomando seu café da manhã habitual.
— Bom dia! — sorri, beijando o rosto de Charlie primeiro e depois o de Renée, antes de me juntar a eles na mesa.
— Bom dia, querida — disse Charlie, com um sorriso caloroso. — Como foi a festa ontem?
Suspirei, lembrando do momento em que tudo desandou.
— Estava ótima... até o Alec aparecer.
Charlie franziu a testa, uma expressão de preocupação estampada em seu rosto.
— Vou dar um jeito nesse Alec — ele disse, sério.
Peguei uma fatia de pão e balancei a cabeça.
— Não precisa, vovô.
Renée, porém, não parecia convencida.
— É necessário, sim. Ele está te perseguindo há meses, Renesmee.
Tentei acalmar os dois.
— Vai acabar quando eu sair de Forks.
Charlie, aproveitando o momento, pigarreou.
— Aliás, acho que é a hora certa de te entregar seu presente de formatura.
Olhei para Renée, que me devolveu um sorriso enigmático. Charlie levantou-se da mesa e foi até a sala, deixando-me curiosa. Poucos minutos depois, ele voltou segurando um envelope, que estendeu para mim.
— O que é isso? — perguntei, pegando o envelope.
— Abra — disse Renée, incentivando-me.
Com um pouco de nervosismo, abri o envelope e tirei de dentro um papel dobrado. Meus olhos brilharam ao ler o conteúdo, e um sorriso largo se formou no meu rosto. Era uma carta de recomendação para o Cullens Medical center em Manhattan.
Sem conseguir conter a felicidade, me levantei e abracei Charlie com força.
— Obrigada, vovô... isso é incrível! — Não conseguia descrever o que sentia, era uma mistura de felicidade e alívio por ver meu futuro se desenhando à minha frente.
Ele riu e me abraçou de volta.
— Você merece, Nessie. Estamos muito orgulhosos de você.
Renée se juntou ao abraço, e por um momento, tudo parecia perfeito. O peso dos problemas com Alec se dissipava, e tudo o que importava era o que vinha pela frente.
Terminei de organizar as malas na sala, sentindo o peso da mudança iminente. Charlie tinha acabado de me contar que havia ligado para o filho de seu grande amigo, Billy Black, e que eu precisava me apresentar ainda essa semana no hospital. Estava empolgada, mas um detalhe me deixava um pouco apreensiva: não teria tempo para procurar um apartamento, e também não tinha dinheiro suficiente para isso. A solução mais prática seria passar um tempo com minha mãe, Bella, a quem eu não via desde meus dez anos, quando ela se casou e se mudou para Nova York.
A verdade é que não conhecia meu pai. Bella nunca falava sobre ele, e para ser honesta, eu também nunca senti a necessidade de perguntar. O amor que recebi de Charlie e Renée sempre foi mais do que suficiente para preencher qualquer lacuna.
Charlie terminou de colocar minhas malas no carro, e quando chegou a hora de me despedir de Renée, lágrimas encheram meus olhos. Abraçá-la foi difícil, pois sabia que estaria me afastando das pessoas que realmente amava como pais. Mas eu também sabia que era hora de crescer, de seguir em frente.
— Vou sentir tanta falta de vocês... — sussurrei, tentando conter as lágrimas.
— E nós vamos sentir a sua, querida. Mas sabemos que você vai fazer coisas incríveis. — Renée sorriu, embora seus olhos estivessem marejados.
Minutos depois, já estávamos na estrada. Charlie dirigia em silêncio, como se quisesse prolongar cada momento comigo antes de me deixar no aeroporto de Seattle. O caminho até lá foi tranquilo, mas o silêncio entre nós dizia mais do que qualquer palavra.
Quando finalmente chegamos ao aeroporto, senti um aperto no peito. Era difícil me despedir de Charlie, que sempre esteve ao meu lado.
— Vou sentir muito sua falta, vovô. — Abracei-o forte, tentando memorizar cada detalhe daquele momento.
— E eu a sua, Nessie. Mas vamos visita-la quando pudermos — Ele beijou o topo da minha cabeça e me soltou lentamente, como se não quisesse que eu fosse embora.
Nos despedimos mais uma vez, e eu me afastei, caminhando em direção à área de embarque. O som das malas sendo arrastadas pelo chão liso ecoava no salão enquanto eu me dirigia ao portão de embarque, tentando conter a ansiedade pelo que estava por vir.
A viagem até Nova York foi longa e cansativa. O avião pousou no Aeroporto John F. Kennedy ao cair da noite. As luzes da cidade brilhavam intensamente através das janelas do aeroporto, dando-me a sensação de que estava entrando em um novo mundo.
Peguei um táxi e, durante o trajeto, olhei pela janela, observando os arranha-céus que pareciam tocar o céu, e as ruas movimentadas cheias de vida. Cheguei ao bairro Upper East Side, um dos mais nobres e tradicionais de Manhattan. O táxi parou diante de uma linda casa, com uma fachada imponente e janelas altas que revelavam uma parte do interior luxuoso.
Suspirei, tentando manter a calma.
— É temporário — repeti para mim mesma, tentando me convencer de que era só uma fase.
Saí do táxi, peguei minhas malas, e caminhei até a porta. Hesitei por um segundo antes de tocar a campainha, sentindo meu coração acelerar. A porta se abriu, revelando Bella, que me recebeu com um sorriso.
— Renesmee — disse ela, com um tom suave, como se estivesse testando o som do meu nome. Eu não sabia o que dizer, então apenas forcei um sorriso.
— Oi, Bella — respondi, sentindo uma mistura de nervosismo e incerteza sobre o que esse novo começo traria para nós duas.
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