Receita para o Amor
13 Renesmee - Edward Cullen
Os lábios de Jacob se aproximaram dos meus, e antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, ele me beijou. Foi um beijo intenso, cheio de paixão e desejo contidos. Senti o calor de seu corpo se espalhar pelo meu, como se cada parte de mim estivesse despertando para algo que eu tentava negar. Suas mãos seguraram minha cintura com firmeza, e antes que eu percebesse, ele me levantou e me sentou sobre o balcão da pia. Seu corpo se encaixou entre minhas pernas, e suas mãos exploraram minhas curvas, provocando sensações que eu nunca havia experimentado.
Meus braços se enroscaram ao redor do pescoço dele, e por um instante, nada mais importava. A razão parecia ter se desvanecido, deixando apenas o desejo de nos perdermos um no outro. Mas então, um lampejo de realidade atravessou minha mente, trazendo de volta todas as implicações daquele momento.
— Não! — exclamei, empurrando-o com força. — Isso está errado, não pode acontecer!
Jacob parecia confuso, as palavras na ponta de seus lábios, mas antes que ele pudesse dizer algo, eu saí correndo. Subi as escadas o mais rápido que pude e me tranquei no quarto, minhas mãos tremendo enquanto girava a chave na fechadura.
Sentei-me na cama, tocando meus lábios que ainda formigavam com o beijo. A confusão e a culpa se misturavam em minha mente. Bella pode não ter me criado, mas era minha mãe. Como eu podia fazer algo assim? Fechei os olhos e senti o arrependimento apertar meu coração. O que eu tinha feito?
Deitei-me na cama, abraçando o travesseiro, as lágrimas silenciosas escorrendo por meu rosto enquanto o peso da culpa me consumia. Acabei adormecendo, mas o sono foi agitado, cheio de sonhos confusos e fragmentados que só aumentaram minha angústia.
Na manhã seguinte, a ideia de sair do quarto era um dilema que eu não queria enfrentar. Sabia que teria que encarar Jacob, mas o que eu diria? Como seria agora, depois do que havia acontecido? Respirei fundo, pegando minha bolsa e materiais, e finalmente saí do quarto.
Desci as escadas devagar, cada passo pesado com a incerteza do que estava por vir. Quando cheguei à sala, Jacob estava lá, como sempre, organizando suas pastas. Ele manteve o semblante sério ao me ver.
— Bom dia — ele disse, sua voz neutra, controlada.
— Bom dia — respondi, minha voz soando estranha aos meus próprios ouvidos. Mantive uma distância segura, sem saber como agir.
Jacob terminou de organizar suas pastas e as colocou na mochila. Então, ele me encarou, seus olhos fixos nos meus enquanto dava alguns passos na minha direção. Meu coração disparou, a tensão entre nós quase palpável.
— Jacob... — murmurei, mas ele me interrompeu, sua voz firme.
— Vamos esquecer o que aconteceu essa madrugada — disse ele, e o tom decidido em sua voz deixou claro que essa era uma ordem, não uma sugestão.
Ele colocou a mão no bolso e tirou uma chave, estendendo-a para mim. Peguei a chave, confusa, e perguntei:
— Que chave é essa?
Jacob me olhou nos olhos, e por um momento, parecia haver uma luta interna dentro dele, algo que ele estava tentando esconder.
— É a chave de um apartamento que estou emprestando a você para morar. É o melhor para você.
Fiquei assustada, tentando processar o que ele estava dizendo. Meu primeiro pensamento foi que ele estava me mandando embora por eu não ter cedido a ele na noite anterior.
— Você está me mandando embora? Por quê? Por não ter transado com você?
Jacob balançou a cabeça, negando com firmeza.
— Não é isso, Renesmee. Você está certa. O que sentimos é errado, e só quero te proteger. Vamos ter uma relação mais profissional a partir de hoje.
As palavras dele perfuraram meu coração. Ele estava tentando fazer o que era certo, mas não conseguia ignorar a dor que isso causava. Eu queria protestar, dizer que podíamos lidar com isso, que encontraríamos uma forma de resolver, mas no fundo, sabia que ele estava certo.
— Eu entendo — murmurei, minha voz mal saindo, eu não queria aceitar o apartamento mas não estava em condições de negar a ajuda — Eu aceito com a condição que eu possa pagar o aluguel.
Ele assentiu, um olhar triste em seus olhos, mas determinado. Charlie havia dito que Jacob sempre foi alguém que prezava pela honra e pelos princípios, e eu sabia que ele estava tentando fazer a coisa certa, por mais que doesse. Peguei a chave e a segurei com força, como se fosse um símbolo do fim de algo que nem mesmo tinha começado direito.
— Obrigada, Jacob — disse, finalmente, tentando não deixar a voz vacilar.
Ele deu um passo para trás, como se precisasse criar uma distância física para manter o controle.
— De nada, Nessie. Espero que você seja feliz, de verdade.
Eu apenas assenti, sem conseguir dizer mais nada. Ele estava abrindo mão de algo entre nós para me proteger, e isso só tornava tudo mais doloroso. Saí da sala com a chave nas mãos, tentando não pensar no que poderia ter sido, no que estávamos deixando para trás. Mas sabia que, por mais difícil que fosse, talvez essa fosse a melhor decisão para ambos.
Jacob me informou que não iria para o hospital hoje. Disse que precisava resolver alguns assuntos pessoais. Talvez fosse melhor assim; depois da noite passada, uma pausa entre nós parecia uma boa ideia.
— Tudo bem — respondi, tentando soar indiferente. — Eu pego um táxi.
Jacob me observou por um instante, como se estivesse considerando dizer algo, mas acabou apenas acenando com a cabeça.
— Cuide-se, Nessie.
Assenti e peguei minha bolsa. Me despedi rapidamente e saí da casa. Lá fora, a brisa matinal parecia mais fria do que o normal, ou talvez fosse apenas o reflexo da tempestade de emoções dentro de mim. Eu deveria estar aliviada por termos decidido manter uma distância segura, mas, em vez disso, estava frustrada, chateada... triste.
Quando o táxi chegou, entrei rapidamente e me sentei no banco de trás. Peguei meu celular, precisando de alguma distração. Encontrei o número de Renée e mandei uma mensagem perguntando se Charlie estava bem. A resposta chegou quase instantaneamente, informando que ele estava melhorando e mandava lembranças. Fiquei um pouco mais aliviada, mas a sensação de vazio ainda permanecia.
Cheguei ao hospital, agradeci ao motorista e entrei rapidamente, tentando afastar os pensamentos que me assombravam. Passei pela recepção com um aceno breve para a recepcionista e caminhei até o elevador. As portas estavam quase se fechando quando um homem as segurou e entrou logo depois de mim.
Ele parecia agitado, movendo-se de um lado para o outro, como se estivesse inquieto. Tentei me concentrar em qualquer outra coisa, mas percebi que ele estava me observando de uma maneira que me deixava desconfortável.
— A senhorita é a médica novata? — ele perguntou de repente.
Olhei para ele de soslaio, tentando avaliar se havia algo mais por trás da pergunta.
— Sim, sou a assistente do doutor Black.
Ele sorriu, um sorriso que não consegui decifrar.
— Imaginei. — Ele fez uma pausa, como se estivesse considerando algo, antes de estender a mão. — Sou Edward Cullen.
Assenti, apertando a mão dele brevemente.
— Renesmee Swan.
Eu sorri, tentando ser cordial, e completei:
— Você é parente do Dr. Carlisle Cullen?
O sorriso de Edward se alargou, com um toque de orgulho.
— Sim, sou filho dele.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, as portas do elevador se abriram no andar que eu precisava descer. Eu me despedi rapidamente, sentindo uma estranha urgência de sair dali.
— Foi um prazer conhecê-lo, senhor Cullen.
— Igualmente, senhorita Swan — respondeu ele com um sorriso que me deixou intrigada.
Saí do elevador e comecei a caminhar pelo corredor do hospital, tentando me livrar da sensação estranha que aquela breve interação havia me causado. Edward Cullen... Algo nele parecia familiar, mas não de uma maneira que eu pudesse explicar.
Balancei a cabeça, tentando afastar as preocupações. Minha cabeça já estava cheia de problemas e sentimentos confusos demais. Não precisava de mais coisas para pensar. Foco no trabalho, Renesmee, foco no trabalho.
Era o que eu precisava agora: uma distração, algo que me fizesse esquecer as turbulências dos últimos dias. Mas, ao mesmo tempo, sabia que, eventualmente, teria que enfrentar todos esses sentimentos que estava tentando evitar.
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