Receita para o Amor

58 Renesmee- Conversa Necessária


Ao retornarmos para a casa de Renée, percebi que algo estava diferente. Quando Jacob estacionou o carro na entrada, notei dois carros adicionais na garagem. Ao entrarmos, lá estavam eles: Bella e Edward. Meu coração deu um salto, e uma parte de mim quis sair correndo. Eu sabia que, eventualmente, essa conversa teria que acontecer, mas ainda não estava certa se estava pronta para encarar.

Jacob e Renée perceberam a tensão no ar e, com um simples olhar, concordaram em nos deixar a sós. Jacob se aproximou de mim, deu um beijo na minha testa e sussurrou:

— Estou aqui se precisar, Ness.

Assenti, tentando me manter firme. Enquanto Jacob e Renée se afastavam, Edward deu um passo à frente. Seus olhos, sempre tão penetrantes, estavam cheios de uma calma que, de algum modo, me confortou.

— Nessie — ele começou, com a voz suave —, eu só peço que, antes de qualquer coisa, você ouça a sua mãe. Ouça a Bella mulher, não a figura materna. Sei que é muito para pedir, mas tente.

Olhei para ele, surpresa com suas palavras. Havia algo ali, na maneira como ele se referia a Bella, que me tocou. Assenti lentamente, sem palavras, e Edward me deu um breve sorriso antes de também sair da sala, deixando apenas Bella e eu.

Bella parecia nervosa, o que era raro de se ver. Ela sempre foi uma figura de controle, mas agora estava ali, à minha frente, visivelmente desconfortável. Ela respirou fundo e começou a falar.

— Nessie, eu sei que não fui uma boa mãe para você. Eu... eu te abandonei de tantas maneiras que perdi a conta. Talvez você nunca consiga me ver como sua mãe, e eu entendo isso.

— Bella... — comecei, mas ela ergueu a mão, me pedindo para esperar.

— Deixe-me terminar, por favor — ela pediu, a voz levemente trêmula. — Eu não espero que você me perdoe ou que me aceite como mãe. Só queria que soubesse que, apesar de tudo, eu sempre quis o melhor para você. Sempre quis protegê-la, mesmo que isso significasse que você me veria como a vilã. Eu sei que menti, e isso piorou toda a situação, mas a verdade é que eu não queria que você se sentisse rejeitada. Nunca quis que você sentisse que não era amada.

Eu a observei por um momento, vendo toda a vulnerabilidade em seus olhos. Finalmente, respirei fundo e falei:

— Eu... eu devo um pedido de desculpas a você, Bella. Eu não deveria ter te chamado de assassina. Charlie era tão importante para você quanto era para mim. Mas a mentira... a mentira me feriu mais do que qualquer coisa. Fez tudo parecer ainda pior.

— Eu sei — Bella sussurrou, a dor evidente em sua expressão. — Eu só queria proteger você. Eu não queria que você crescesse sentindo-se indesejada, como se você fosse... o resultado de algo terrível.

— Eu entendo agora — eu disse, começando a me colocar no lugar dela, não como minha mãe, mas como uma mulher. — Apesar de tudo, você escolheu o caminho mais difícil. Você escolheu ter um bebê que poderia ser resultado de um abuso. Isso... isso é algo que só uma mulher forte poderia fazer, e eu admiro isso, Bella. Mas como sua filha, é difícil. É difícil te ver como minha mãe, e eu não sei se um dia vou conseguir.

Bella assentiu, as lágrimas brilhando em seus olhos.

— Eu entendo, Nessie. Eu entendo mais do que você imagina. E eu espero que, algum dia, você consiga... mas se não, tudo bem também. Só quero que você seja feliz. E eu sinto muito por ter sido tão ríspida sobre o Jacob.

Sorri levemente, sentindo uma estranha mistura de alívio e tristeza.

— Está tudo bem, Bella. Acho que agora... agora é hora de viver o presente e o futuro. Não podemos mudar o que aconteceu, mas podemos escolher o que vem a seguir.

Bella soltou um suspiro trêmulo, e por um momento, senti que parte da tensão entre nós havia se dissipado. Ela deu um passo à frente, hesitante, e eu a abracei. O abraço era diferente, mais real, mais humano do que qualquer outro que havíamos compartilhado antes.

Finalmente, nos afastamos, e vi uma pequena faísca de esperança nos olhos dela. Não era a solução para todos os nossos problemas, mas era um começo. E isso, por agora, era o suficiente.

Depois da conversa, Bella me lançou um olhar compreensivo e deixou a sala, presumivelmente porque sabia que todos estavam ansiosos lá fora para saber como havia sido nossa conversa. O silêncio na sala parecia esmagador, e eu me peguei olhando pela janela, perdida em pensamentos sobre o encontro com Alec. A ameaça que ele havia feito continuava a ressoar na minha mente, deixando-me inquieta.

Então, o telefone da casa tocou, quebrando o silêncio. Eu hesitei por um momento antes de atender.

— Alô? — minha voz saiu um pouco trêmula.

— Olá, minha querida noiva — a voz de Alec ecoou do outro lado, suave e ameaçadora.

Meu coração disparou, e senti um frio na espinha.

— O que você quer, Alec? — tentei manter a voz firme, mas não consegui esconder o nervosismo.

— Queria falar sobre o nosso casamento, Nessie. Inclusive, comprei um presente especial para você — sua voz gotejava sarcasmo.

— Vai pro inferno, Alec! — eu disparei, desligando o telefone com força antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. As mãos tremiam enquanto me sentava no sofá, tentando processar o que acabara de acontecer.

Poucos segundos depois, todos começaram a voltar para a sala, trazendo de volta o burburinho e a energia que preenchiam a casa. Jacob foi o primeiro a notar o telefone ainda em minha mão e a expressão tensa no meu rosto. Ele se aproximou, me envolvendo em um abraço reconfortante.

— Era alguém importante? — ele perguntou suavemente, olhando para mim com preocupação.

Eu sabia que precisava disfarçar, não queria que ele soubesse sobre Alec, não agora.

— Não, nada demais. Apenas um engano — forcei um sorriso, tentando afastar qualquer suspeita.

Ele me observou por um instante, e eu pude ver a dúvida em seus olhos, mas antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, fui salva pela conversa que começava a fluir ao nosso redor. Falamos por mais alguns minutos sobre os últimos preparativos do casamento, e depois, todos começaram a se despedir.

Assim que todos se foram, subi as escadas para o quarto, tentando afastar os pensamentos sobre Alec, mas sua ameaça continuava a ecoar na minha mente. Eu sabia que precisava fazer algo a respeito, mas também sabia que não podia deixar que ele arruinasse tudo o que construí com Jacob.

Quando entrei no quarto, fechei a porta e me permiti um momento de reflexão, mas antes que pudesse me perder nos meus pensamentos, senti os braços de Jacob ao meu redor, me puxando para perto. Sorri, sentindo seus lábios pressionando suavemente meu pescoço.

— Está tudo bem? — ele perguntou, a preocupação voltando a surgir em sua voz. — Você parece preocupada.

Eu me virei para encará-lo, olhando nos olhos dele e desejando, mais do que nunca, que Alec não tivesse poder sobre mim.

— Está tudo bem, é só ansiedade pelo casamento — menti, mas era a única maneira de manter Jacob protegido de tudo isso.

Ele me olhou por um momento, como se tentasse ler minha alma, e depois sorriu, aquele sorriso que sempre conseguia me acalmar.

— Acho que tenho uma forma de acabar com essa ansiedade — ele disse, com uma nota divertida na voz.

Antes que eu pudesse responder, ele me pegou no colo com facilidade, me fazendo rir suavemente, e me deitou na cama. Jacob se inclinou sobre mim, seus olhos fixos nos meus enquanto seus lábios encontravam os meus em um beijo apaixonado. Por um momento, todos os meus medos e preocupações desapareceram, deixando apenas nós dois, e a promessa de um futuro que eu não deixaria Alec destruir.