Receita para o Amor

14 Renesmee- Confusão de sentimentos


Notas iniciais
Teremos pov do Jake no próximo capítulo.

O restante da manhã passou em um borrão de consultas e exames de rotina. Eu me mantive ocupada, tentando ao máximo não pensar em Jacob ou na confusão emocional que ainda pairava sobre mim. Já passava do meio-dia quando finalmente tive um momento para respirar e decidi que era hora de almoçar.

Caminhei pelos corredores do hospital, sentindo o cansaço acumulado nas pernas, até chegar à lanchonete. Assim que entrei, meus olhos captaram uma figura familiar. Elijah estava sentado em uma das mesas, almoçando sozinho. Ele parecia perdido em seus pensamentos, mas ao me ver, sorriu timidamente.

Eu sempre achei Elijah muito bonito, e a visão dele ali, de forma tão casual, me fez sentir um calor no peito. Caminhei até o balcão, pedi minha refeição e, sem hesitar, me aproximei da mesa onde ele estava.

— Você se importaria de ter companhia para o almoço? — perguntei, tentando soar despreocupada.

Elijah levantou os olhos surpreso, mas logo sorriu.

— Seria a melhor companhia que eu poderia ter.

Sentei-me ao lado dele, sentindo uma estranha sensação de conforto. A presença de Elijah era tranquilizadora, uma espécie de alívio em meio à tempestade que minha vida havia se tornado. Ele começou a puxar conversa, perguntando como tinha sido minha manhã.

— Foi tranquila — respondi, dando de ombros.

— Então, foi um tédio — brincou ele. — Para mim, manhãs tranquilas são sinônimo de tédio.

Ri da maneira descontraída como ele falava. O garçom trouxe minha refeição, e eu agradeci antes de começar a comer. Conversamos por quase uma hora, dividindo histórias sobre pacientes, estudos médicos, e até sobre nossas vidas pessoais. Com ele, o tempo parecia passar rápido, e por um momento, me esqueci de todos os problemas.

Quando o assunto sobre o jantar que eu devia a ele surgiu, lembrei que não tinha planos para a noite.

— É verdade, estou te devendo um jantar — falei, sorrindo.

— Estou esperando por isso — disse Elijah, com um brilho de diversão nos olhos.

— Que tal hoje? Estou com a noite livre.

Elijah pareceu genuinamente feliz com a ideia, seu sorriso se alargando ainda mais.

— Hoje à noite está ótimo. Onde nos encontramos?

— Que tal na casa do Jacob? Às nove? — sugeri, tentando não soar hesitante ao mencionar o nome de Jacob.

— Estarei lá — respondeu ele, com uma confiança que me deixou um pouco nervosa.

Terminamos o almoço e, relutantemente, voltamos ao trabalho. O restante do dia correu de maneira mais leve, talvez por causa da expectativa do jantar com Elijah. Porém, no fundo, eu sabia que a noite poderia trazer mais complicações do que estava preparada para enfrentar.

O espelho refletia minha imagem enquanto eu retocava a maquiagem, tentando me distrair dos pensamentos que insistiam em invadir minha mente. Quando voltei para casa, Jacob não estava, o que trouxe um alívio temporário. Esperava ansiosamente por Elijah, ansiosa para finalmente sair e talvez esquecer o turbilhão de emoções que me assombrava.

Vesti um vestido vermelho de alças, curto e justo, que se moldava ao meu corpo, acompanhado por botas de cano baixo. Deixei os cabelos soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros. Quando me senti pronta, saí do quarto e desci as escadas, apenas para ser surpreendida pela visão de Jacob sentado no sofá, com os olhos fixos no celular.

— Não sabia que você já tinha chegado — falei, tentando esconder meu nervosismo.

Jacob levantou o olhar, avaliando-me da cabeça aos pés, o que fez meu coração acelerar.

— Cheguei há alguns minutos — respondeu ele, sua voz carregada de algo que não consegui decifrar. — Vai sair?

— Vou sair com o Elijah — disse, tentando soar casual.

A expressão de Jacob se fechou instantaneamente, e ele respondeu com um tom distante:

— Espero que se divirta.

— Obrigada — murmurei, sentindo um desconforto crescente.

Jacob parecia hesitante por um momento, mas então falou:

— Precisamos conversar sobre o apartamento.

Suspirei internamente, já prevendo que essa conversa seria difícil.

— Vou me mudar no final de semana. Ainda preciso organizar minhas coisas — expliquei, esperando que isso encerrasse o assunto.

— Não precisa mais ir.

Fiquei confusa, não esperando por essa resposta. Olhei para ele, tentando entender.

— O quê?

Jacob se levantou do sofá, aproximando-se devagar. Seu olhar estava sério, mas havia uma súplica silenciosa em seus olhos.

— Quero que fique. Prometo que nos trataremos como amigos, e o que aconteceu na madrugada... não vai se repetir.

Meu coração disparou com aquelas palavras. Isso era o que eu queria ouvir, ou estava prestes a me enredar ainda mais nessa confusão?

— Você está me deixando confusa, Jake — admiti, a voz carregada de incerteza.

Ele deu mais um passo em minha direção, a proximidade dele tornando difícil manter a clareza dos meus pensamentos.

— Só estou pedindo uma oportunidade de corrigir as coisas. Pense com carinho.

Hesitei, meus pensamentos girando. Eu precisava sair dali, ganhar tempo para pensar.

— Eu vou pensar, mas preciso ir agora.

Ele assentiu, o olhar carregado de emoções que eu não conseguia interpretar.

— Boa noite, Ness.

— Boa noite — murmurei antes de sair pela porta.

Lá fora, o carro de Elijah já estava estacionado. Quando me aproximei, ele assoviou e abriu a porta para mim com um sorriso no rosto.

— Demorei muito? — perguntei, tentando aliviar a tensão que ainda sentia.

— Não, relaxa — respondeu ele, enquanto eu me acomodava no assento.

Olhei para a janela, e meu coração deu um salto ao perceber Jacob me observando da porta da casa. Aquele olhar intenso me afetou mais do que deveria, mas fingi que não vi, desviando rapidamente o olhar enquanto Elijah ligava o carro e saía em direção à noite que prometia ser menos complicada do que os últimos dias.

Elijah dirigiu pelas ruas de Nova York, eventualmente me levando a um barzinho aconchegante no West Village chamado "The Garret." O lugar era acolhedor, com uma decoração rústica e elegante ao mesmo tempo, tijolos aparentes e luzes âmbar suaves que criavam uma atmosfera íntima. O bar ficava no segundo andar de um prédio discreto, acessível por uma escada estreita que dava ao ambiente um ar de exclusividade.

Sentamos em uma mesa próxima à janela, que oferecia uma vista sutilmente iluminada da rua abaixo. Elijah pediu duas taças de vinho tinto, e conforme as horas passaram, a conversa fluiu naturalmente. Ele parecia genuinamente interessado em me conhecer, fazendo perguntas sobre minha vida, meus gostos, e até algumas das minhas histórias de infância.

Eu me peguei pensando que talvez Jacob estivesse errado. Elijah não parecia o tipo de homem que só queria usar as mulheres. Ele era charmoso, sim, mas também respeitoso e atencioso, algo que eu não esperava, mas que me agradava muito.

— Uma vez, quando eu estava no ensino médio — comecei a contar, depois de uma taça de vinho —, eu queria impressionar um garoto por quem tinha uma queda enorme. Decidi escrever um poema e deixá-lo anonimamente no armário dele. Só que, na pressa, acabei colocando no armário errado.

Elijah riu, os olhos brilhando de diversão.

— Sério? O que aconteceu?

— O dono do armário errado era o professor de história! Ele leu o poema em voz alta para a turma inteira no dia seguinte, dizendo que tinha uma 'admiradora secreta' e que o poema era muito bonito.

Elijah gargalhou, quase derramando o vinho.

— E o que você fez?

— Eu quis me esconder debaixo da mesa, mas tive que sorrir e fingir que não era comigo — admiti, rindo também, embora sentindo o leve constrangimento daquela lembrança. — Ninguém nunca descobriu que fui eu, graças a Deus.

— Essa é boa — disse ele, ainda sorrindo. — Aposto que seu professor ficou muito lisonjeado.

— Ele deve ter pensado que era alguma brincadeira — falei, dando de ombros. — Mas depois disso, nunca mais escrevi poemas.

Elijah e eu conversamos mais um pouco, até que percebemos que já estava tarde. Precisávamos estar no hospital na manhã seguinte. Ele pagou a conta, e saímos juntos do barzinho, ainda rindo de nossas histórias.

Ao entrarmos no carro, Elijah me olhou de um jeito que fez meu coração acelerar.

— A noite foi muito divertida — disse ele, a voz suave.

— Eu adorei a sua companhia — respondi, sentindo minhas bochechas corarem levemente.

Elijah se inclinou em minha direção, e eu sabia o que estava por vir. Quando seus lábios encontraram os meus, retribuí o beijo, sentindo uma mistura de desejo e confusão. Quando nos afastamos, ele me olhou nos olhos, a expressão dele era um misto de ternura e intensidade.

— Você quer realmente ir para casa agora? — perguntou, a voz baixa e sugestiva.

Olhei para ele, entendendo a pergunta implícita. Talvez essa fosse a maneira de finalmente tirar Jacob dos meus pensamentos, de deixar para trás toda a confusão que ele havia causado.

— Para onde você quer me levar? — perguntei, minha voz soando mais segura do que eu me sentia.

Elijah sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo tranquilizador e cheio de promessas.

— Confia em mim.

Assenti, e ele deu partida no carro. Enquanto observava as ruas de Nova York passarem, a realidade do que estava prestes a fazer se misturava com a necessidade desesperada de esquecer Jacob, ao menos por uma noite.

Elijah dirigiu até um bairro nobre, cheio de edifícios sofisticados e silenciosos. Finalmente, ele parou em frente a um apartamento elegante, as luzes suaves refletindo nas janelas espelhadas. Olhei para ele, meu coração batendo forte.

Era um convite que eu não estava pronta para recusar.

O apartamento de Elijah era um reflexo de sua personalidade: sofisticado, minimalista e cuidadosamente decorado. As paredes eram de um tom cinza suave, destacadas por obras de arte modernas e discretas. No chão, um tapete de pelúcia branco trazia uma sensação de aconchego ao ambiente. O sofá de couro preto, onde ele me puxou para o colo, estava perfeitamente alinhado com uma mesa de centro de vidro, onde repousava uma bandeja com alguns copos e uma garrafa de vinho.

As janelas panorâmicas revelavam uma vista impressionante da cidade, com as luzes de Nova York piscando no horizonte como estrelas invertidas. As cortinas eram de um azul profundo, quase preto, que harmonizava com o restante do mobiliário.

Enquanto eu observava o ambiente, sentindo a sofisticação e o bom gosto de Elijah, fui surpreendida por seus braços ao redor da minha cintura. Ele me abraçou por trás, e seus lábios encontraram a curva do meu pescoço, provocando um arrepio que percorreu minha espinha. Sua respiração quente contra minha pele enviou ondas de desejo e uma sensação de incerteza que eu tentei afastar.

— Você é linda — ele sussurrou no meu ouvido, a voz baixa e rouca. — Não parei de pensar em você nos últimos dias.

Eu me virei lentamente para ficar de frente para ele, sentindo o calor de seu corpo contra o meu. Seus olhos estavam fixos nos meus, cheios de algo que eu não conseguia definir, talvez um desejo que eu desejava desesperadamente corresponder. Elijah me beijou de novo, e dessa vez eu me entreguei completamente ao momento.

Ele nos guiou até o sofá, onde me puxou para seu colo. Nossas mãos exploravam o corpo um do outro com uma mistura de urgência e curiosidade, os beijos se tornando mais intensos a cada segundo. Era como se eu quisesse apagar todos os vestígios de confusão que Jacob havia deixado em mim, e Elijah era a chave para isso.

Depois de alguns minutos, Elijah se levantou com facilidade, ainda me segurando nos braços, e me levou até o quarto. O espaço era tão impecável quanto o resto do apartamento, com uma cama grande e confortável, coberta por lençóis de seda escura. Ele me deitou suavemente na cama, seus olhos nunca deixando os meus enquanto continuava a me beijar, as mãos dele explorando minhas curvas e sua destra deslizou por minha coxa e segundos depois me acariciou por cima da calcinha. Eu soltei um suspiro sentindo o arrepio em minha pele.

Não demorou para que nossas roupas estivessem jogadas no chão, ele estava entre minhas pernas e curvou seu corpo

abrindo a gaveta do criado-mudo e pegou uma camisinha, uma onda de antecipação e desejo tomou conta de mim, mas então algo mudou. Por um breve instante, ao olhar para Elijah, eu não vi mais o rosto dele. Era o rosto de Jacob que apareceu em sua lugar.

Um sorriso se formou nos meus lábios, e o confuso turbilhão de sentimentos se intensificou. Eu o beijei, tentando agarrar aquela sensação, deixando que a ilusão tomasse conta de mim. Ele escorregou para dentro de mim e eu gemi, os olhos dele buscaram os meus enquanto o sentia rápido e intenso, mas era Jacob quem estava ali.

Era como se, por um breve instante, eu pudesse substituir a realidade pela fantasia. Mas, ao mesmo tempo, uma pequena voz em minha mente se perguntava se eu estava fazendo isso por mim mesma ou para fugir dos sentimentos que nutria por Jacob. Eu não queria pensar nisso agora. Eu só queria sentir.