Receita para o Amor

56 Renesmee- Ameaça


Todos receberam com alegria a notícia do meu casamento com Jake. Embora a tristeza pela perda de Charlie ainda estivesse presente, Renée foi a primeira a nos dar seu apoio. Segundo ela, Charlie ficaria feliz em me ver feliz, e isso me deu um pouco mais de paz em meio ao caos emocional que eu ainda sentia.

Uma semana havia se passado, e Rachel e Renée estavam mergulhadas nos preparativos para o casamento. Renée insistiu em ajudar com tudo, dizendo que ocupar sua mente a ajudava a não pensar tanto em Charlie. Eu sabia que ela ainda estava de luto, mas sua força me inspirava. Jake dividia seu tempo entre os preparativos do casamento e a construção do hospital, um projeto importante para ele. Todos os dias, ele fazia videochamadas com Sam para saber como andavam as reformas do prédio que haviam adquirido. Mesmo com todas as responsabilidades, ele sempre encontrava tempo para estar ao meu lado, me dando o apoio que eu tanto precisava.

Naquela manhã, Renée e eu fomos até Seattle. Ela precisava resolver algumas pendências no banco, e eu decidi acompanhá-la para aproveitar e fazer algumas compras. Deixei Renée no Bank of America e segui para o supermercado Safeway. Combinamos que eu a buscaria assim que terminasse.

No supermercado, eu estava escolhendo alguns itens masculinos que Jake havia me pedido. Coloquei algumas camisas básicas e meias no carrinho, e me lembrei de que ele também precisava de um novo barbeador elétrico. Fui até a seção de eletrônicos, analisando as opções disponíveis, tentando lembrar qual era a marca que ele preferia.

Enquanto estava distraída com as escolhas, senti uma presença ao meu lado. Quando me virei, meu coração disparou ao ver quem estava ali.

— Alec? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, a surpresa evidente no meu tom.

Ele estava ali, a poucos passos de mim, com aquele olhar enigmático que sempre me deixava desconfortável. Seu rosto estava praticamente inexpressivo, mas havia algo nos seus olhos que me deixava inquieta.

— Olá, Nessie — respondeu ele, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Não esperava te encontrar aqui.

O choque de vê-lo novamente me deixou momentaneamente sem palavras. Não sabia o que pensar, o que dizer, nem o que esperar dele. Era como se o tempo tivesse parado e o passado estivesse voltando para me assombrar.

Meu coração estava disparado, mas eu fiz o possível para manter a calma. Não podia deixar que Alec visse o quanto sua presença me afetava.

— Que coincidência — disse, forçando um sorriso educado enquanto segurava firme a alça do carrinho de compras. Mas no fundo, eu sabia que aquilo não era coincidência alguma.

Alec parecia perceber minha hesitação, mas manteve sua expressão impassível.

— Soube da morte de Charlie — ele comentou, sua voz baixa, quase como se tentasse soar compassivo. — Lamento muito por isso, Nessie.

A dor de perder Charlie ainda era aguda, e ouvir Alec mencioná-lo me fez sentir um nó na garganta. Mas não podia mostrar fraqueza diante dele.

— Obrigada — respondi, sem olhar diretamente para ele. Meus olhos se concentraram nas prateleiras à minha frente enquanto eu começava a andar pelo corredor. Mas Alec não se afastou; ele continuou andando ao meu lado, como uma sombra que eu não conseguia escapar.

Enquanto eu pegava alguns itens, tentando ignorá-lo, Alec olhou para o que eu estava colocando no carrinho e perguntou:

— Para quem são esses produtos?

Hesitei por um segundo antes de responder, irritada com a intromissão.

— Não devo satisfações a você, Alec.

Ele inclinou a cabeça, me observando com um olhar que parecia querer desvendar meus segredos.

— São para o cara que te abraçou no enterro de Charlie?

Minha cabeça girou em sua direção, surpresa e assustada. Eu sabia exatamente de quem ele estava falando, mas o fato de Alec mencionar Jacob tão casualmente, como se estivesse me espionando, me deixou inquieta.

— Do que você está falando? — perguntei, minha voz carregada de uma incredulidade que eu não conseguia disfarçar.

Alec sorriu de lado, um sorriso que não alcançava seus olhos.

— Sei tudo o que você fez nos últimos meses, Nessie. Não vai se livrar de mim tão facilmente.

Meu estômago revirou. Ele estava me observando? Isso não fazia sentido, e a sensação de perigo iminente começou a crescer dentro de mim.

— Você precisa se tratar, Alec — rebati, tentando soar firme, mas meu tom de voz traiu o nervosismo que começava a transparecer.

Ele riu baixinho, como se minha resposta tivesse sido exatamente o que ele esperava.

— Encerre qualquer tipo de relacionamento com aquele cara, Nessie — disse ele, em um tom ameaçador que fez um arrepio percorrer minha espinha.

A realidade de sua ameaça pairava no ar, e eu soube naquele momento que Alec não tinha vindo a Seattle por coincidência. Ele estava me vigiando, controlando, como se eu ainda fosse parte de sua vida. Eu precisava me livrar dele, mas a sensação de estar presa em sua teia me deixava aterrorizada.

O aperto no meu peito só aumentou quando Alec se aproximou mais de mim. Eu mantive minha postura rígida, tentando não ceder à onda de pânico que ameaçava me dominar. Antes que eu pudesse pensar em uma resposta, um segurança se aproximou de nós, a expressão dele séria e profissional.

— Está tudo bem com a senhora? — perguntou ele, sua voz firme, mas não agressiva, como se estivesse preparado para intervir caso fosse necessário.

Antes que eu pudesse responder, Alec, com seu jeito cínico de sempre, se antecipou.

— Está tudo bem, sim. — Ele sorriu, mas aquele sorriso estava longe de ser tranquilizador. — Só estou me despedindo.

O segurança olhou para mim, buscando confirmação, mas eu não consegui dizer nada. Apenas assenti brevemente, desejando desesperadamente que Alec fosse embora.

— Até mais, Nessie — disse Alec, como se nada tivesse acontecido, antes de se afastar, caminhando tranquilamente pela loja.

Fiquei imóvel por alguns segundos, tentando controlar a respiração. O pânico ainda estava ali, latente, e meu corpo tremia levemente. O segurança não se moveu, observando Alec se afastar antes de se virar para mim novamente.

— Nós lidamos com situações como essa diariamente — disse ele, a voz baixa, mas carregada de experiência. — Somos treinados para proteger mulheres de companheiros abusadores.

Engoli em seco, tentando acalmar meu coração que batia descontrolado.

— Ele é meu ex — confessei, quase num sussurro. Eu não sabia por que estava compartilhando isso com um estranho, mas naquele momento, qualquer palavra de conforto ou ajuda era bem-vinda.

O segurança assentiu, a expressão dele ficando ainda mais compreensiva.

— Você deveria denunciá-lo, senhora. Ele não tem o direito de te intimidar.

Eu respirei fundo, tentando absorver o conselho que ele me dava. Parte de mim sabia que ele estava certo, mas outra parte hesitava. Alec era perigoso, e enfrentá-lo diretamente me deixava assustada.

— Vou pensar nisso. Obrigada. — Consegui sorrir, mesmo que de forma fraca, antes de me afastar com o carrinho.

Levei as mercadorias até o caixa, tentando afastar o medo enquanto pagava. Meus pensamentos estavam tumultuados, e era difícil me concentrar em qualquer coisa que não fosse a recente ameaça de Alec. O encontro inesperado me deixou tensa, e o alívio só veio quando, finalmente, saí da loja e comecei a carregar as sacolas no porta-malas do carro.

Mas o alívio foi breve. A sensação de estar sendo observada se intensificou assim que fechei o porta-malas. Olhei ao redor, esperando ver Alec em algum lugar, mas não vi ninguém. Mesmo assim, o pânico se instalou novamente, e eu sabia que precisava sair dali o mais rápido possível.

Entrei no carro, liguei o motor e saí do estacionamento, meu coração ainda acelerado. Mesmo dirigindo, não conseguia me livrar da sensação de que Alec estava por perto, observando cada movimento meu. E pela primeira vez, realmente comecei a considerar o conselho do segurança. Eu precisava encontrar uma maneira de lidar com Alec antes que ele fizesse algo ainda pior.

Dirigi em silêncio até o banco onde havia combinado de encontrar Renée. Minha mente ainda estava agitada, e o encontro com Alec me deixou nervosa e desconcentrada. Quando parei o carro na frente do banco, vi Renée saindo. Ela sorriu para mim, mas havia uma tristeza em seus olhos que ela tentava esconder. Desde a morte de Charlie, ela estava visivelmente abalada, tentando manter a força, mas eu sabia que estava sendo difícil para ela.

Renée entrou no carro e, assim que nos afastamos do banco, senti seu olhar sobre mim.

— Aconteceu alguma coisa, Nessie? — perguntou ela, a voz preocupada. — Você está tão calada.

Eu forcei um sorriso, tentando afastar a inquietação que ainda pairava sobre mim.

— Está tudo bem, mãe — respondi, sem tirar os olhos da estrada. — Só estava pensando.

Ela não pareceu convencida, e eu sabia que estava sendo óbvia demais. Renée sempre foi muito perceptiva e, mesmo ainda se recuperando da perda de Charlie, ela continuava atenta a tudo ao seu redor.

— Tem certeza? — Ela perguntou novamente, sua voz suave, mas cheia de preocupação. — Se tem algo te incomodando, você sabe que pode falar comigo.

Pensei em contar sobre Alec, sobre o medo que ele ainda causava em mim, mas a última coisa que eu queria era adicionar mais preocupações à sua vida. Renée já tinha passado por tanta coisa, e eu não queria ser mais um fardo para ela.

— Estou só ansiosa com o casamento, acho — menti, tentando manter minha voz o mais natural possível.

Renée observou-me por um momento, como se tentasse decifrar o que eu estava realmente sentindo. Então, ela suspirou e sorriu, tentando me tranquilizar.

— É normal estar ansiosa, querida. — Ela estendeu a mão e tocou meu braço gentilmente. — Mas não se preocupe, tudo vai dar certo. Você e Jacob têm um ao outro, e isso é o mais importante.

O calor no olhar de Renée era reconfortante, e eu agradeci silenciosamente por ter uma mãe como ela. Assenti, tentando absorver o conforto que suas palavras traziam. O casamento com Jacob era um ponto de luz em meio à escuridão que se instalou após a morte de Charlie, e eu precisava me concentrar nisso.

— Eu sei, mãe. — Respondi, finalmente sorrindo de verdade. — Tudo vai dar certo.

Renée retribuiu o sorriso e se acomodou no assento ao meu lado, enquanto seguíamos para casa. O aperto no meu peito começou a diminuir, e eu decidi que, pelo menos por enquanto, focaria apenas no que realmente importava: o meu futuro com Jacob e o apoio da minha família.