Nessie não me esperou para a carona naquela manhã. Assim que percebi que ela já tinha saído, um sentimento de frustração tomou conta de mim. Será que ela estava me evitando? Ou talvez fosse algo mais simples, como apenas querer um pouco de espaço. De qualquer forma, a ideia de que Elijah McCarty poderia estar tentando se aproximar dela me irritava profundamente.

Ao chegar no hospital, segui direto para a minha sala, determinado a me focar no trabalho. No entanto, ao passar pela sala de Renesmee, algo me fez parar. Pensei em perguntar por que ela não havia me esperado, mas assim que segurei a maçaneta, ouvi risos vindos de dentro. Reconheci a voz de Elijah e, por um momento, fiquei paralisado. Soltei a maçaneta e fiquei ali, ouvindo parte da conversa.

Aquilo foi como um soco no estômago. Eu já estava ciente do interesse de Elijah em Nessie, mas ouvir aquilo me deixou com uma mistura de raiva e... ciúmes. Antes que fizesse algo impulsivo, me afastei da porta e segui para minha sala, tentando manter a calma.

— Jane, peça à doutora Swan que venha até minha sala, por favor — disse à minha secretária assim que passei por sua mesa.

Ela assentiu, e eu entrei em minha sala, sentando-me à mesa. Liguei o notebook, tentando me concentrar em algo, qualquer coisa, que me distraísse da irritação crescente. Não demorou muito para que Renesmee entrasse na sala.

— Bom dia, doutor Black. Precisa de algo? — perguntou ela, com um tom que quase soava provocador.

Levantei os olhos para ela, percebendo o desafio sutil em sua voz. — Sim, precisamos colocar em dia alguns documentos importantes. Vamos ter trabalho dobrado hoje à noite — respondi, mantendo meus olhos no notebook, tentando disfarçar a satisfação em vê-la sem saída.

Percebi o silêncio dela, e um sentimento de vitória me dominou. Finalmente, olhei para ela e perguntei, com uma falsa inocência: — Tem algum problema?

— Não, nenhum problema. Vou ajudá-lo — respondeu Renesmee, visivelmente contrariada, mas sem espaço para recusar.

Assenti e voltei a me concentrar no notebook enquanto ela saía da sala. Assim que a porta se fechou, um sorriso vitorioso se espalhou pelo meu rosto. *McCarty, escolha outra, essa não,* pensei, satisfeito.

Decidi ocupar o dia dela o máximo possível, passando-lhe todos os pacientes possíveis. Eu não daria a Elijah tempo para se aproximar de Renesmee. Quando terminei o trabalho administrativo, saí da minha sala e perguntei a Jane onde Renesmee estava.

— Ela está na recepção da entrada, doutor — informou Jane.

Peguei o elevador e desci. Quando as portas se abriram, vi Renesmee conversando com Elijah. Pela expressão no rosto do rapaz, ela o havia dispensado, o que me fez sentir uma satisfação ainda maior. Me aproximei deles, interrompendo a conversa.

— Renesmee, já podemos ir — disse, olhando diretamente para Elijah, que me lançou um olhar de frustração evidente antes de se despedir dela.

— Vamos para casa — falei, ainda me sentindo vitorioso.

Ela apenas concordou com a cabeça, e seguimos para o carro. Enquanto caminhávamos, não pude evitar pensar que, por mais que eu tentasse mantê-la afastada de Elijah, o verdadeiro desafio seria manter meus próprios sentimentos sob controle.

O retorno para casa foi surpreendentemente tranquilo. Nessie e eu conversamos de forma espontânea, o que me ajudou a relaxar um pouco. Enquanto dirigia, ela me falou sobre sua preocupação com Charlie. Recebeu uma mensagem de Renée que a deixou apreensiva.

— Meu pai Charlie não esta muito bem— Nessie comentou, com um olhar de preocupação no rosto. — Sinto que deveria estar mais presente para ele

Achei lindo o amor dela pelos avós, e ao mesmo tempo, me senti ainda mais ansioso. A verdade sobre sua paternidade estava ali, pairando como uma sombra que, mais cedo ou mais tarde, se revelaria. Como ela reagiria? O que isso faria com seu carinho por Charlie, por Bella, por mim?

— Se quer ir vê-lo — respondi, tentando afastar os pensamentos sombrios. — Posso te liberar no final de semana, não há problema algum.

Ela sorriu, e por um momento, senti que tudo estava normal, que a vida poderia continuar assim, simples e feliz. Mas era uma ilusão, eu sabia disso.

Quando chegamos em casa, Bella estava nos esperando na sala, sua expressão séria. Assim que passamos pela porta, ela se levantou e pediu a Nessie que nos deixasse a sós.

— Tudo bem, vou para o meu quarto — Nessie respondeu, sem questionar, subindo as escadas.

Mal tive tempo de processar o que estava acontecendo quando Bella me soltou uma bomba.

— Eu quero o divórcio.

Fiquei em choque, imóvel. Não era que eu não esperasse por isso, mas o fato de ela ter jogado essa carta assim, de repente, me desarmou. Já havíamos conversado sobre isso, decidido que nos divorciaríamos em alguns meses, quando as coisas estivessem mais calmas. Mas agora, era como se Bella estivesse tentando fugir, mais uma vez evitando enfrentar a verdade.

— Como é que é? — perguntei, sentindo a raiva misturada à decepção. — Voce esta pedindo o divórcio?

— Aceitei uma oferta de trabalho na Holanda — ela respondeu, cruzando os braços em uma postura defensiva. — Acho que é o melhor para nós dois.

— Então tudo isso éuma fuga? — retruquei, minha voz mais áspera do que pretendia. — Então voce acha que pode simplesmente fugir dos seus problemas?Eles vão voltar cedo ou tarde.

Bella desviou o olhar, sua postura vacilando. Ela sabia que eu estava certo, mas não estava pronta para admitir.

— Isso é tudo que tenho a dizer, não precisa mais se preocupar com meus problemas.

— Tudo bem se é o que você quer, vou te dar o divórcio, saio dessa casa amanhã cedo.

Não é necessário, viajo amanha ee manhã — A amargura transparecia nas minhas palavras, e antes que a discussão se intensificasse, Bella se virou e foi para o quarto, encerrando a conversa abruptamente.

Fiquei ali, parado por alguns segundos, sentindo o peso de tudo o que estava desmoronando ao meu redor. Então, me dirigi à cozinha, decidido a afogar meus pensamentos em algo que me ajudasse a esquecer, nem que fosse só por uma noite. Peguei uma garrafa de bebida do armário, sentei-me à mesa e enchi o copo.

Enquanto bebia, a tensão e a raiva começaram a se dissipar, dando lugar a uma sensação de vazio. Por mais que eu tentasse, não conseguia ver uma saída fácil para todo aquele caos. Nessie, Charlie, Bella... tudo parecia um emaranhado de mentiras, mágoas e arrependimentos que eu não sabia como desfazer.

E então, por um breve momento, desejei que as coisas fossem diferentes, que eu pudesse simplesmente fechar os olhos e, ao abrir, encontrar um mundo onde nada disso existisse. Mas sabia que não era possível. A realidade estava ali, me encarando, e eu precisaria enfrentá-la, quer quisesse ou não.

A noite anterior foi um borrão. Iniciei a bebedeira na cozinha, mas, em algum momento, acabei na sala. Lembro de estar sentado na poltrona, a garrafa quase vazia ao meu lado, quando Nessie apareceu. Ela estava preocupada, suas palavras eram como um eco distante em minha mente. Depois disso, o cansaço e o álcool tomaram conta, e apaguei completamente.

Na manhã seguinte, acordei no quarto de Nessie. A luz do sol invadia o ambiente, me forçando a apertar os olhos enquanto tentava entender como fui parar ali. Uma onda de preocupação me atingiu. Eu não lembrava como tinha chegado até ali e, pior, não sabia o que havia acontecido depois que perdi a consciência.

Levantei da cama, a cabeça latejando, e me vesti rapidamente. Precisava encontrar Nessie e esclarecer o que aconteceu. Quando desci para a sala, ela estava lá, sentada no sofá, com um livro nas mãos, tranquila. Ao me ver, me ofereceu um café e me deu a notícia que Bella havia cumprido com o que havia prometido.

Sua voz era leve, sem sinal de desconforto ou tensão. Apesar do choque de Bella realmente ter nos abandonado.Respirei aliviado. Se algo tivesse acontecido, ela teria falado, teria mostrado alguma reação. Tudo parecia normal, o que me deu um pouco de paz.

Uma hora depois, saímos de casa e a levei para o hospital. O caminho foi tranquilo, com conversas leves. Ao chegarmos, cumprimentamos todos na recepção, e logo pegamos o elevador para nossos respectivos andares.

Mas assim que as portas se abriram e pisamos no corredor, meu corpo inteiro gelou. Ali, parado a alguns metros de nós, estava Chase Cullen. Seu olhar encontrou o meu, e senti uma onda de fúria subir por mim. Fechei os punhos, tentando manter o controle. Meu verdadeiro desejo era arrebentá-lo ali mesmo, mas sabia que isso não resolveria nada.

Chase se aproximou, um sorriso cínico nos lábios.

— Jacob — ele disse, com aquele tom arrogante que sempre me irritou.

— Chase — respondi, forçando um tom cordial. — Esta é Renesmee Swan, uma de nossas médicas mais promissoras.

Ao ouvir o nome de Nessie, a expressão de Chase mudou, tornando-se mais intensa. Ele a olhou com uma mistura de surpresa e interesse. Senti meu sangue ferver. Nessie estendeu a mão para cumprimentá-lo, educada como sempre.

— Prazer em conhecê-lo — disse ela, sem perceber a tensão no ar.

Chase apertou a mão dela, mas seu olhar permaneceu fixo em Nessie, o que só aumentou minha vontade de arrancá-lo dali. Mas mantive o controle, mesmo que por pouco.

— O prazer é meu, doutora Swan — respondeu Chase, com um tom que me deixou desconfiado.

Eu sabia que precisaria prestar contas com Chase em outro momento. Não ali, não agora.

— Bom, temos trabalho a fazer — cortei a interação, puxando Nessie suavemente pelo braço. — Até mais, Chase.

Ele assentiu, ainda com aquele olhar malicioso no rosto, enquanto eu e Nessie nos afastávamos.

Eu sabia que precisaria ser cuidadoso. Chase não era apenas um problema do passado; ele representava um perigo real para tudo o que eu estava tentando proteger, especialmente Renesmee.