Receita para o Amor
45 Jacob- O pedido
Após o café da manhã, decidi que talvez um pouco de ar fresco e a brisa do mar pudessem ajudar Nessie a clarear a mente. Ela estava tão sobrecarregada, tão machucada, que eu sabia que ficar naquela casa só aumentaria sua dor. Quando sugeri irmos para La Push, ela inicialmente recusou, dizendo que preferia ficar ali, quieta. Mas Renée, sempre gentil, me ajudou a convencê-la de que sair seria bom, que uma mudança de cenário poderia trazer algum alívio.
— Vai te fazer bem, Nessie — Renée disse, colocando uma mão no ombro dela. — La Push sempre foi um lugar especial para você.
Finalmente, Nessie cedeu, e minutos depois, estávamos no carro a caminho da praia.
O sol ainda estava baixo no céu quando chegamos. A manhã em La Push tinha uma tranquilidade que era quase sagrada. O som das ondas quebrando suavemente na areia, o cheiro salgado do mar misturado com o aroma das árvores ao redor, e a brisa fria que acariciava a pele — tudo isso contribuía para a sensação de paz que aquele lugar sempre me trouxe. A praia estava praticamente deserta, exceto por algumas gaivotas voando em círculos e um ou outro pescador ao longe.
Caminhávamos de mãos dadas pela areia úmida, o silêncio entre nós não era pesado ou desconfortável, mas sim reconfortante, como se apenas o fato de estarmos juntos fosse suficiente. As palavras eram desnecessárias; a presença um do outro era tudo de que precisávamos naquele momento.
Mas havia algo dentro de mim que não podia ignorar. Eu precisava entender o que realmente estava acontecendo com Nessie, o que a estava destruindo por dentro. Sabia que, para poder ajudá-la, precisava ouvir a verdade de seus próprios lábios.
— Nessie — comecei, a voz baixa, quase hesitante —, o que aconteceu entre você e Bella?
Ela fechou os olhos, e vi seu peito subir e descer com um suspiro profundo. Senti um aperto no coração por ter trazido esse assunto à tona, mas eu precisava saber.
— Se você não estiver pronta para falar sobre isso, eu vou entender — acrescentei rapidamente, sem querer pressioná-la.
Nessie parou de andar e virou-se para mim, os olhos encontrando os meus. Eles estavam cheios de lágrimas, mas também havia algo mais: uma tristeza profunda, uma mágoa que me doía ver.
— Eu descobri a verdade, Jake — ela começou, a voz trêmula. — Descobri por que Bella nunca me amou.
Meu coração apertou ainda mais ao ouvir isso. Estendi a mão e toquei sua bochecha, tentando confortá-la de alguma forma, mesmo que soubesse que palavras talvez não fossem suficientes.
— Ela me culpou pelo que sofreu — Nessie continuou, e suas lágrimas finalmente começaram a escorrer. — Pelo que aconteceu entre ela e o irmão do Edward.
Ela abaixou a cabeça, como se estivesse envergonhada, mas eu não podia permitir que ela carregasse essa culpa.
— Nessie, olhe para mim — pedi, levantando seu queixo suavemente. — Nada disso é sua culpa. Você era uma criança. Não tinha controle sobre o que acontecia com seus pais.
Ela se jogou nos meus braços, e eu a envolvi, sentindo seu corpo tremer de emoção. Acariciei seus cabelos, deixando meus lábios tocarem suavemente sua testa, desejando que isso pudesse levar embora um pouco de sua dor.
— Charlie não suportou saber a verdade — ela sussurrou contra meu peito, a voz quebrada pela tristeza.
Eu me afastei apenas o suficiente para olhar em seus olhos. O sofrimento nela era palpável, e eu só queria poder tirá-lo dela, carregá-lo para que ela não precisasse.
— Lamento que tenha descoberto dessa forma, Nessie — disse, tentando manter minha própria voz firme.
Ela me olhou com surpresa, percebendo algo que eu esperava que ela não notasse tão cedo.
— Você já sabia, não é? — ela perguntou, a dor em seus olhos agora misturada com uma faísca de irritação.
Eu assenti, sentindo o peso da verdade em meu coração.
— Sim, eu sabia.
— Por que você não me contou? — Sua voz subiu um tom, um misto de dor e raiva.
— Nessie, não era algo que eu pudesse simplesmente te contar assim... — tentei explicar. — Eu não podia chegar e dizer “Oi, Nessie, sua mãe foi...”
Ela me interrompeu, os olhos ainda brilhando de lágrimas, mas agora também de frustração.
— Sim, realmente...
Antes que ela pudesse dizer mais, eu me inclinei e capturei seus lábios nos meus, suavemente, tentando transmitir todo o amor e proteção que sentia por ela. O beijo foi terno, sem pressa, um gesto de consolo mais do que qualquer outra coisa. Quando finalmente nos separamos, nossos rostos ainda estavam próximos, nossos olhos se encontrando em um silêncio cheio de promessas.
— Tudo vai ficar bem — sussurrei contra seus lábios, sentindo sua respiração quente se misturar com a minha.
Ela assentiu levemente, e eu soube que, mesmo que ainda houvesse muita dor e confusão, estávamos juntos nisso. Eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudá-la a curar essas feridas, uma de cada vez.
Caminhamos pela praia por horas, sem pressa, aproveitando o som das ondas e o cheiro salgado do mar. A conversa sobre Bella e Charlie ficou para trás, enterrada na areia que afundava sob nossos pés. Não queria mais ver aquele brilho de dor nos olhos de Nessie, e ela parecia disposta a seguir em frente, pelo menos por agora. Nosso silêncio, antes reconfortante, deu lugar a uma conversa leve, quase como se estivéssemos retomando os primeiros passos de nosso relacionamento.
— Jake, me conta mais sobre as suas viagens — Nessie disse, de repente, quebrando o silêncio. — Onde você esteve na Espanha?
Eu sorri, lembrando de todas as cidades que visitei.
— Passei por Madri, Barcelona, e fiz questão de ir até a Galícia. As catedrais lá são impressionantes. E a comida... você iria adorar.
— E o Japão? — ela perguntou, seus olhos brilhando de curiosidade. — Como foi?
— O Japão foi... diferente de tudo que já vi. A mistura do moderno com o tradicional é incrível. Fui a Tóquio, claro, e também a Kyoto, onde visitei templos antigos e vi as cerejeiras em flor. É um lugar que tem uma paz única.
— E Londres? — Ela continuou, animada com a conversa. — Sempre quis ir para lá.
— Londres foi como voltar para casa, de certa forma — respondi. — Os pubs, o sotaque, a arquitetura... tudo me lembrava dos tempos em que morei na Europa quando era mais jovem. Visitei o Palácio de Buckingham, andei de barco no Tâmisa, e até tomei um chá da tarde em um daqueles lugares chiques que você sempre vê nos filmes.
Ela riu, imaginando a cena. Então, uma expressão ligeiramente séria passou por seu rosto, e ela me olhou de lado.
— Você conheceu alguma mulher interessante durante essas viagens?
Eu ri da pergunta, não esperando esse tipo de curiosidade dela. Com um sorriso travesso, resolvi brincar um pouco.
— Bem, conheci uma loira gata em Barcelona.
Ela parou de andar e me deu um tapa no braço, o que só me fez rir mais.
— Jake! — Ela protestou, mas não pôde evitar um sorriso.
Eu a puxei pela cintura, aproximando-a de mim, e olhei em seus olhos, vendo o brilho divertido que amava.
— Só estou brincando, Nessie. — Eu disse, a voz mais suave agora. — A única mulher que ocupou minha mente durante todo esse tempo foi você. Não importa onde eu estivesse, era em você que eu pensava, era você que eu queria ao meu lado.
Ela me olhou, com aquela expressão que fazia meu coração disparar. Eu sabia que o momento talvez não fosse o ideal, considerando tudo o que havia acontecido, mas a verdade é que a vida nunca espera pelo momento perfeito. E eu não queria esperar mais.
— Nessie, pode parecer que esse não é o melhor momento para isso, mas eu não quero voltar a Nova York sem você... como minha esposa.
Os olhos dela se arregalaram, a surpresa evidente em seu rosto. Eu sorri, nervoso, mas determinado.
— Eu te amo, Nessie. E quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Casa comigo?
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, o que me pareceu uma eternidade. Podia ver o turbilhão de emoções passando por seus olhos, mas então, um sorriso suave curvou seus lábios, e ela assentiu lentamente.
— Sim, Jake. Eu quero ser sua esposa.
Eu a beijei, meu coração explodindo de alegria. Sentia como se o mundo tivesse finalmente se alinhado, como se tudo o que vivi até aquele momento tivesse me levado a ela, a esse exato instante.
Quando nos separamos, ainda segurando seu rosto entre minhas mãos, eu soube que tudo o que enfrentamos, tudo o que ainda enfrentaríamos, valeria a pena porque estávamos juntos. E nada seria mais forte do que isso.
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