Receita para o Amor

49 Jacob- Despedida de solteiro


Os dias passaram como um borrão, e antes que eu pudesse realmente absorver tudo, o grande dia estava à porta. As preparações haviam sido exaustivas, mas agora, ao me despedir de Nessie na porta da casa de Renée, o cansaço não tinha mais importância. Rachel havia insistido que eu não dormisse aqui esta noite. Ela fez Renée prometer que não me deixaria cruzar aquela porta, porque, segundo minha irmã, “dormir” era algo que eu e Nessie não vínhamos fazendo muito nas últimas semanas, e a noiva precisava estar impecável no dia seguinte.

Sorri ao me lembrar das palavras de Rachel, enquanto segurava as mãos de Nessie, que sorria para mim de volta, com aquele brilho nos olhos que me fazia sentir que tudo estava certo no mundo.

— Os rapazes insistiram para uma despedida de solteiro — falei, tentando soar casual, mas o sorriso que ela me deu indicava que não estava convencida.

— Imagino que insistiram bastante — respondeu ela, rindo baixinho. Nessie olhou para a rua, onde Sam, Quill, Paul, e Embry estavam em seus carros, todos esperando, mas não sem deixar de fazer piada com a situação.

Sam, sempre o mais animado, gritou do carro com uma voz brincalhona:

— Deixem para a lua de mel!

Nessie corou instantaneamente, seu rosto adquirindo um tom de vermelho que eu adorava. Aproveitei a oportunidade para puxá-la para mais perto e beijá-la, sentindo sua resposta apaixonada em cada movimento.

Quando nos separamos, encarei aqueles olhos que agora eram minha casa.

— Eu te espero no altar — murmurei, minha voz baixa e carregada de emoção.

Nessie sorriu com aquele jeito doce que só ela tinha, e respondeu com uma pitada de humor:

— Espero que sim, porque eu planejo fugir se você não estiver lá.

Rimos juntos, mas havia uma profundidade naquele riso, um entendimento mútuo de que estávamos exatamente onde deveríamos estar. Foi difícil me afastar, mas eu sabia que o momento de nos separarmos era inevitável. Larguei sua mão com relutância, caminhando em direção à caminhonete de Sam.

— Vamos para a noite em Seattle! — Sam disse animado, acenando para mim.

Virei-me uma última vez para olhar Nessie, e ela acenou de volta, seu sorriso cheio de confiança. Fiquei ali, por um segundo a mais, gravando aquela imagem na memória antes de finalmente entrar na caminhonete. A viagem para Seattle começou, mas meus pensamentos já estavam no que viria depois—o momento em que ela entraria naquela igreja, e eu estaria ali, esperando por ela, como prometido.

Seattle tem uma energia própria, especialmente à noite. As luzes brilhavam como joias refletidas nas ruas molhadas pela chuva recente, e o som da cidade era uma mistura de risadas, música, e o murmúrio constante de conversas. Os rapazes me arrastaram para um bar chamado “The Crocodile,” um lugar com uma história rica e uma atmosfera que mesclava o passado com o presente. Era um local famoso, onde bandas lendárias tocaram e onde a música continuava a pulsar nas paredes.

O ambiente estava lotado, mas acolhedor. Havia uma banda ao vivo tocando clássicos do rock, e as pessoas estavam espalhadas entre as mesas e o bar, conversando e aproveitando a noite. Paul, como sempre, já estava no centro das atenções, contando uma história exagerada para um grupo de ouvintes interessados. Sam e Quill estavam sentados perto da banda, bebendo cerveja e rindo alto, enquanto Embry e eu nos aproximávamos do bar para pegar mais algumas bebidas.

Eu ainda estava tentando me ajustar à ideia de que esta era minha última noite de liberdade, como Paul gostava de dizer de maneira sarcástica, quando senti um leve impacto no meu ombro. Ao me virar, vi um homem alto e loiro, com um olhar estranho e penetrante, como se estivesse tentando decifrar algo em mim.

— Desculpe por isso — disse o homem, sua voz baixa e um tanto áspera.

Eu assenti, dando de ombros.

— Está tudo bem.

Mas ele continuou a me encarar por um momento longo demais, e uma sensação incômoda passou por mim. Algo naquele cara parecia... fora do lugar. Antes que eu pudesse pensar em perguntar se havia algum problema, uma mulher apareceu ao lado dele, puxando-o pelo braço.

— Alec, vamos — disse ela, a voz tensa, como se quisesse sair dali o mais rápido possível.

O tal Alec finalmente desviou o olhar, permitindo que a mulher o levasse. Fiquei parado por um momento, tentando entender o que acabara de acontecer.

— Tudo bem por aqui? — Embry apareceu do meu lado, notando minha expressão.

— Acho que sim. — Eu olhei na direção para onde Alec havia sido puxado, mas ele já havia desaparecido entre os clientes. — Só achei aquele cara meio... estranho.

— Que cara? — Embry perguntou, olhando ao redor.

Apontei na direção onde Alec havia ido, mas não havia sinal dele.

— Ele já sumiu. Deixa para lá.

Embry me deu um tapinha no ombro, como se estivesse tentando tirar qualquer preocupação da minha mente.

— Vamos voltar para a mesa. Não é todo dia que podemos te tirar de casa.

Eu ri, permitindo que Embry me puxasse de volta para a mesa onde Sam, Quill, e Paul já estavam engrossando o coro da música que a banda tocava. Esforcei-me para deixar aquele encontro estranho de lado, me concentrando nos meus amigos e no que, no fundo, eu sabia ser uma despedida simbólica. Esta noite era apenas uma pausa antes da próxima etapa da minha vida—uma vida que, a partir de amanhã, incluiria Nessie de forma permanente.

Por algumas horas, nos permitimos apenas ser velhos amigos em um bar, bebendo, rindo, e falando bobagens. Tentei afastar qualquer pensamento sobre Alec e o que aquela troca de olhares poderia significar. Amanhã, eu me casaria com a mulher que amava, e era isso que importava. O resto... o resto poderia esperar.

A volta para casa foi uma mistura de risadas e piadas que iam e vinham, o tipo de conversa descontraída que só acontece entre amigos de longa data. Sam estava no volante, concentrado na estrada enquanto Quill e Paul ocupavam os assentos traseiros, cada um lançando comentários e lembranças da noite. Embry, ao meu lado, estava rindo tanto que mal conseguia respirar, sua voz quase sendo abafada pela música que tocava baixinho no rádio.

Eu, por outro lado, não conseguia me concentrar nas piadas ou nas histórias que eles contavam. Minha mente vagava, e meus olhos, sem querer, se voltavam para a janela do carro. Enquanto Sam fazia uma curva fechada, uma figura chamou minha atenção. Pisquei, tentando focar melhor, e, por um breve momento, jurei ter visto aquele mesmo homem loiro—Alec—encostado em um poste na esquina, observando o carro passar.

— Jake, você tá muito quieto aí, cara. — A voz de Embry me puxou de volta à realidade. — O que houve? Pensando na sua primeira dança amanhã?

— Ou tá com medo de trocar fraldas já na lua de mel? — Paul acrescentou, rindo.

Forçando um sorriso, balancei a cabeça.

— Não é nada, só estou... cansado, eu acho.

Mas enquanto eu dizia isso, não conseguia tirar aquela visão da cabeça. Alec estava lá, ou pelo menos eu achava que estava. O que ele estaria fazendo ali, naquela hora? E por que estava me seguindo, se é que estava?

Tentei afastar o pensamento, dizendo a mim mesmo que era apenas minha imaginação, que o álcool da noite estava fazendo sua parte e pregando peças em mim. Mas algo dentro de mim não conseguia se livrar daquela sensação estranha. Aquele cara me preocupava, e eu nem sabia o motivo.

Os minutos seguintes passaram num borrão, com Sam e os outros continuando suas piadas enquanto eu respondia mecanicamente, minhas respostas automáticas, sem a usual animação. Finalmente, quando chegamos em La Push, Sam parou o carro em frente à minha casa.

— Última noite de solteiro, Black — Sam disse, batendo de leve no meu ombro. — Aproveita o descanso. Amanhã você vai precisar de energia.

Assenti, forçando mais um sorriso.

— Valeu, pessoal. Até amanhã.

Saí do carro, acenando para eles enquanto o veículo se afastava pela estrada. Quando o carro virou a esquina e as luzes traseiras desapareceram, dei mais uma olhada ao redor, mas não vi sinal de Alec ou qualquer outra coisa estranha.

Com um suspiro, finalmente entrei em casa, tentando me convencer de que não havia nada com que se preocupar. Mas, mesmo enquanto subia as escadas para o meu quarto, a sensação persistente de que algo não estava certo continuava a me incomodar.

Eu só esperava que, quando o sol nascesse, todos esses pensamentos estranhos desaparecessem e eu pudesse me concentrar no que realmente importava—o dia em que finalmente me casaria com Renesmee.