Receita para o Amor
22 Jacob- Desejo
Saí da sala de Carlisle com o sangue fervendo. Como era fácil para eles tentarem se redimir agora, depois de tantos anos. Eu não sou um exemplo de moralidade, mas o que fizeram com Bella foi simplesmente inaceitável. Minha mente estava agitada com pensamentos sombrios enquanto caminhava pelo hospital, tentando acalmar a fúria que crescia dentro de mim.
Quando cheguei à lanchonete, vi Renesmee se despedindo de Elijah. Tentei disfarçar meu desconforto, mas não consegui ignorar o incômodo que sentia. Elijah estava claramente interessado em Nessie, e, por mais que eu soubesse que ela merecia encontrar alguém que a fizesse feliz, não podia evitar o ciúme que surgia toda vez que os via juntos.
Nós seguimos para casa, e o caminho foi tranquilo. Eu tentava afastar os pensamentos turbulentos sobre Edward e Carlisle, focando no que realmente importava: Renesmee. Como havíamos combinado, organizamos os relatórios do hospital juntos. A noite já estava avançada quando Nessie finalmente subiu as escadas para ir dormir. Quando nos despedimos, percebi algo no ar, algo que estava ali há algum tempo, mas que ambos parecíamos ter ignorado até agora. O clima entre nós havia mudado. Eu sabia, naquele momento, que não era o único a sentir o que sentia. Nessie também sentia.
Acordei no meio da madrugada, o sono me escapando como areia entre os dedos. Rolei na cama, inquieto, mas não consegui encontrar paz. Decidi me levantar, talvez um pouco de ar fresco me ajudasse a acalmar a mente. Saí do quarto e desci as escadas lentamente, os pensamentos ainda girando na minha cabeça.
Ao chegar na cozinha, fui surpreendido ao encontrar Renesmee lá, encostada no balcão com uma vasilha de uvas nas mãos. Meu coração acelerou e, como sempre, senti a excitação crescer ao vê-la usando aquele maldito babydoll. Tentei disfarçar, lançando uma brincadeira.
— Sem sono? — perguntei, tentando soar casual.
Ela sorriu, aquele sorriso que me desarmava completamente.
— Parece que não sou a única — respondeu, me encarando com aqueles olhos que pareciam ver através de mim.
Me aproximei dela, pegando uma uva da vasilha e a colocando na boca. Notei o nervosismo em seus olhos, a forma como seu corpo se enrijeceu com a minha proximidade.
— Por que está tão nervosa? — perguntei, sabendo muito bem a resposta, mas querendo ouvir dela.
Ela virou de costas para mim, tentando esconder o que estava tão evidente.
— Não estou nervosa — mentiu, mas sua voz a traiu.
Cheguei ainda mais perto, a tensão entre nós quase palpável.
— Será que é porque você sente o mesmo que eu desde a primeira vez em que a vi? — sussurrei, o queixo quase encostando em seu ombro.
Ela se virou lentamente, me olhando nos olhos, a respiração entrecortada.
— O que você sente, Jacob?
Aquela pergunta... ela sabia exatamente o que estava fazendo. E eu? Eu não me importava mais em jogar esse jogo de sedução. Se era um jogo, então eu estava pronto para jogar, desde que o prêmio fosse ela.
— O mesmo que você sentia quando me via comendo a Bella— confessei, sem me afastar, minha voz firme. Desde o primeiro momento em que a vi, senti que ela era diferente. Então eu não sabia quanto tempo mais conseguiria segurar isso.
Ela hesitou por um segundo surpresa com minha revelação — Você fez de propósito,deixou a porta aberta de propósito — ela começou, mas a voz falhou, e sua respiração se tornou ainda mais irregular.
A proximidade entre nós era quase insuportável. Eu sabia que, se não recuasse agora, não haveria volta. Mas também sabia que não queria recuar.
— Sim— Admiti— Queria te mostrar o que está perdendo.
Sem pensar duas vezes, deixei que meus instintos tomassem conta. Abaixei minha cabeça e, com uma delicadeza que nem sabia que possuía, capturei seus lábios com os meus. O contato foi elétrico, e toda a tensão acumulada explodiu em um momento de pura conexão.
O beijo foi intenso, carregado de toda a paixão e desejo que ambos tentávamos esconder. Senti o calor de seu corpo se espalhar pelo meu, seus seios rigidos em contato com meu peitoral e meu pau endureceu, desesperado para tê-la segurei sua cintura, e a levantei a sentando sobre o balcão da pia encaixando meu corpo entre suas pernas, apertei suas coxas e deslizei a mão na direção da virilha dela.
Os braços de Nessie se enroscaram ao redor do meu pescoço, e desci a mão a tocando por cima do minúsculo short que ela usava, podia sentir o quanto estava molhada, estava pronto para senti-la entre meus dedos quando ela me trouxe de volta à realidade. — Não! — disse Renesmee de repente, empurrando-me com força, seus olhos arregalados, cheios de pânico. — Isso está errado, não pode acontecer!
Fiquei ali, parado, confuso e com as palavras presas na garganta, tentando entender o que havia acabado de acontecer. Ainda sentia o calor de seu corpo contra o meu, o gosto dos seus lábios nos meus, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela virou-se e saiu correndo, deixando um vazio imenso no meu peito.
— Nessie, espera! — chamei, mas ela já estava longe, o som dos seus passos ecoando pela escada enquanto desaparecia no andar de cima.
Fiquei sozinho na cozinha, o silêncio esmagador, minha mente a mil. O que diabos acabara de acontecer? Estávamos tão próximos, tão conectados, e, de repente, tudo desmoronou. Eu sabia que ela estava certa. Sabia que havia tantas razões pelas quais aquilo não deveria ter acontecido. Mas mesmo assim, a frustração e o desejo reprimido queimavam dentro de mim.
Aquela corrida para longe... Será que era a culpa? O medo do que significava para nós dois? Eu queria correr atrás dela, explicar, dizer que tudo ficaria bem, que poderíamos resolver isso juntos. Mas ao mesmo tempo, sabia que não seria tão simples. Renesmee não era só qualquer garota. Ela era a filha de Bella e Edward, a mulher por quem eu estava marcado de maneira que ninguém jamais entenderia. E talvez, naquele momento, a única pessoa que realmente importava para mim.
O silêncio continuou a pairar sobre a cozinha, enquanto eu tentava juntar os cacos do que acabara de acontecer. Mas, no fundo, sabia que nada seria como antes.
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