Receita para o Amor
64 Jacob- Decisões
Caminhávamos lado a lado por La Push, com Charlie animada ao nosso lado, os olhos dela brilhando ao ver o mar pela primeira vez. O vento trazia o cheiro salgado das ondas, e eu não conseguia deixar de lembrar da última vez que estivemos aqui, Nessie e eu, fazendo planos para o futuro. Aquelas memórias pareciam de outra vida agora.
Nessie sorriu timidamente, como se soubesse o que eu estava pensando.
— Eu entendo você, Jacob — disse ela, a voz suave, quase como um sussurro levado pelo vento. — Eu fiquei quatro anos desaparecida, sem sinal de vida. Entendo que você tenha seguido em frente sem mim, e fico feliz que tenha feito isso.
Olhei para ela, tentando entender o que ela queria dizer com aquelas palavras.
— O que você quer dizer com isso, Nessie?
Ela suspirou, parando de andar por um momento. O olhar dela se fixou no horizonte, nas ondas que quebravam suavemente na areia.
— Eu preciso de tempo, Jake. Para recuperar minha vida, para me curar dos meus traumas. Eu te amo, mas não é justo eu simplesmente voltar e esperar que você mude todos os seus planos por mim.
Senti meu coração apertar ao ouvir aquilo. Eu a amava mais do que qualquer coisa, e a ideia de ficar longe dela era insuportável.
— Eu não quero ficar longe de você. Nem de Charlie.
Nessie olhou para mim, os olhos dela refletindo a dor e a determinação que eu sabia que ela estava tentando esconder.
— Você poderá ver Charlie sempre. — Ela fez uma pausa, respirando fundo antes de continuar. — Eu vou para Nova York semana que vem. Vou ficar com Bella e Edward na casa deles. Vai ser bom para mim... para nós duas.
A notícia me pegou de surpresa, mas ao mesmo tempo, havia uma estranha sensação de alívio em saber que Bella estaria ao lado dela, oferecendo o apoio que ela tanto precisava.
— Fico feliz em saber que você e Bella estão se dando bem. — Eu disse, tentando esconder a dor que ainda estava se formando em meu peito.
Nessie sorriu, um sorriso pequeno, mas sincero.
— Bella tem me dado muito apoio. Agora eu a entendo. Passei por tudo isso para entender muitas coisas. — Ela fez uma pausa, olhando para Charlie, que brincava com a areia, maravilhada com o mar. — Você sempre será o homem da minha vida, Jacob. Mas eu preciso de tempo.
— E você sempre será a mulher da minha vida, Nessie. — Eu disse, sabendo que as palavras eram verdadeiras, mesmo que a situação fosse complexa.
Ela sorriu, um sorriso que eu sabia ser cheio de tristeza, mas também de aceitação. Sabíamos que o caminho à frente seria difícil, mas também sabíamos que, de uma forma ou de outra, estaríamos sempre conectados.
Nos abraçamos, um abraço que transmitia todo o amor, o arrependimento e a esperança que ainda restava entre nós. Foi um abraço longo, cheio de significados, mas que também reconhecia a necessidade de espaço e tempo.
— Papai! Mamãe! — A voz de Charlie ecoou, chamando nossa atenção.
Nessie sorriu e se abaixou, pegando Charlie no colo, enquanto eu ficava ali, observando-as. Naquele momento, percebi que, mesmo que Nessie e eu não pudéssemos ficar juntos como um casal, sempre seríamos uma família.
E, de alguma forma, isso era suficiente para mim.
1 semana depois...
Assim que fechei a porta, senti o peso das últimas semanas se acumulando em meus ombros. O apartamento parecia mais vazio e silencioso do que nunca, e a ideia de estar de volta a Nova York, longe de Nessie e Charlie, era quase insuportável. Mas eu havia feito a escolha de respeitar o espaço e o tempo que Nessie precisava. Tudo o que eu mais desejava era vê-la voltar a ser a mulher cheia de sonhos e esperança que sempre foi, antes de todo aquele pesadelo começar.
Afundei no sofá, tentando processar tudo o que tinha acontecido, quando a campainha do apartamento tocou. Fiquei surpreso, sem esperar visitas tão cedo. Caminhei até a porta, abrindo-a para encontrar Bree ali, com um sorriso no rosto.
— Oi — ela disse, o olhar dela fixo no meu. — Não vai me convidar para entrar?
Sorri, meio desconcertado, e dei um passo para o lado, deixando-a passar.
— Claro, entra.
Bree entrou no apartamento, observando o ambiente por um momento antes de se virar para mim. Eu estava prestes a dizer alguma coisa, tentar começar uma conversa, mas ela me interrompeu, colocando um dedo sobre meus lábios.
— Está tudo bem, Jake — disse ela, a voz suave e reconfortante. — Eu entendo o que você fez. E, por mim, nada mudou. Tudo continua igual.
Antes que eu pudesse responder, ela se aproximou e selou seus lábios nos meus, me beijando.
Por um momento, deixei-me levar pelo beijo, tentando encontrar alguma familiaridade e conforto naquilo. Bree sempre foi uma pessoa que trouxe estabilidade à minha vida, alguém com quem eu poderia contar. Mas, enquanto o beijo se aprofundava, um conflito interno começou a surgir. Meu coração estava dividido entre a segurança e o carinho que sentia por Bree e o amor inabalável e arrebatador que sentia por Nessie.
Afastei-me suavemente, rompendo o beijo, enquanto tentava reunir meus pensamentos. Bree me olhou com uma expressão interrogativa, mas também compreensiva.
— Bree, eu… — comecei, mas a voz falhou, as palavras parecendo insuficientes para expressar o turbilhão de emoções dentro de mim.
Ela tocou meu rosto, os olhos dela suaves, mas determinados.
— Jake, eu sei que você ama Renesmee. Sempre soube. Mas eu também sei que a vida pode ser complicada, que as coisas mudam. Eu estou aqui, disposta a ficar ao seu lado, não importa o que aconteça. Mas você precisa me dizer o que você quer.
As palavras dela caíram sobre mim como um peso. Eu sabia o quanto Bree se importava comigo, o quanto ela estava disposta a abrir mão para ficar ao meu lado. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que meus sentimentos por Nessie eram inegáveis, e que mesmo se a vida nos levasse por caminhos separados, ela sempre seria a mulher que eu amaria.
Olhei para Bree, sentindo o peso da decisão que precisava tomar.
— Eu te respeito muito, Bree. E eu não quero te magoar. Mas, depois de tudo o que aconteceu, eu percebi que não posso te dar o que você merece. Meu coração sempre pertenceu a Renesmee, e, mesmo que as coisas sejam complicadas agora, eu preciso ser honesto com você. Eu ainda a amo, e não acho justo continuar com você enquanto sinto isso.
Bree ficou em silêncio por alguns momentos, processando o que eu havia dito. Eu podia ver a dor se formando em seus olhos, mas ela manteve a compostura, respirando fundo antes de responder.
— Eu sabia que isso poderia acontecer. — A voz dela era firme, mas com um toque de tristeza. — Eu só precisava ouvir de você. Jake, eu só quero que você seja feliz, e se isso significa seguir em frente sem mim, eu aceito. Mas, por favor, não se esqueça de que sempre estarei aqui se você precisar de um amigo.
Eu não sabia como responder a isso. A dor de magoar Bree, alguém que foi uma parte importante da minha vida, era profunda, mas eu sabia que tomar essa decisão era o certo.
— Obrigado, Bree. — Minha voz estava carregada de emoção. — Eu nunca vou esquecer o que você significou para mim.
Ela sorriu, mas havia uma tristeza subjacente que não podia ser escondida. Bree deu um passo para trás, e eu percebi que aquele era um adeus, pelo menos do jeito que as coisas haviam sido entre nós.
Ela se virou para sair, mas antes de abrir a porta, olhou para mim uma última vez.
— Eu espero que você encontre a paz, Jake. — E com isso, Bree saiu, deixando-me sozinho com meus pensamentos e o vazio que preenchia o apartamento.
Fechei a porta e encostei-me contra ela, exalando um suspiro pesado. As escolhas que fizemos na vida sempre têm consequências, e eu sabia que essa decisão, embora dolorosa, era o que precisava ser feito para que tanto Bree quanto eu pudéssemos seguir em frente.
Eu só esperava que o tempo pudesse curar as feridas que todos estávamos carregando.
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