Receita para o Amor

77 Jacob- Café da manhã


Acordei antes do sol, algo que acontecia com frequência nos últimos tempos. Nessie ainda dormia profundamente ao meu lado, a respiração calma e ritmada. Me aproximei e beijei seu rosto suavemente, tomando cuidado para não acordá-la. Ela merecia descansar. Vesti uma calça de moletom e uma camiseta qualquer antes de sair do quarto.

Ao passar pelos quartos das crianças, não pude evitar dar uma olhada para garantir que tudo estava bem. Charlie estava espalhada na cama, como sempre, com o cobertor jogado para o lado, e Ben dormia sereno no berço, os pequenos braços levantados como se estivesse sonhando com alguma aventura. Sorri ao vê-los tão tranquilos.

Fui até a cozinha, onde o silêncio da casa me envolveu. Liguei a TV, ajustando o volume para baixo para não acordar ninguém, e comecei a preparar o café. Enquanto moía os grãos, o som suave da máquina preenchia o ambiente, e meus pensamentos vagavam entre o aroma do café e as notícias matinais que passavam na televisão.

Estava quase perdido no ritual de fazer o café, dividindo a atenção entre o noticiário e a cafeteira, quando uma manchete em letras garrafais apareceu na tela, me chamando a atenção.

"Fuga em massa na penitenciária de Seattle," dizia o apresentador. Franzi a testa e aumentei um pouco o volume, curioso.

— Durante a madrugada, houve uma fuga em massa na penitenciária de segurança máxima de Seattle. Pelo menos dez prisioneiros conseguiram escapar, e as autoridades locais estão em alerta máximo. Entre os fugitivos estão criminosos considerados extremamente perigosos, incluindo Alec Volturi, condenado pelo sequestro, agressão e cárcere privado de sua ex-namorada Renesmee Swan por quatro anos, o caso chocou o mundo pela forma que a jovem havia vivido e por ter dado a luz a uma criança ainda sobre o poder do sequestrador.

O nome "Alec Volturi" atingiu-me como um soco no estômago. Minha mão, que segurava um copo de café, tremeu por um instante, e antes que eu pudesse reagir, o copo escorregou dos meus dedos e caiu no chão, se espatifando em pedaços.

— Merda — murmurei, mais pelo susto do que pela sujeira no chão.

Alec estava foragido. Eu nunca imaginei que esse dia poderia chegar, sem aviso, no meio de uma manhã comum. Fiquei ali, congelado por um momento, o som do vidro quebrado ecoando na cozinha enquanto as palavras do repórter continuavam a girar em minha cabeça.

Eu precisava tomar uma atitude.

Troquei de canal rapidamente, colocando em um desenho qualquer, antes de abaixar para começar a juntar os cacos de vidro do chão. Minha cabeça ainda estava girando com a notícia. Alec foragido... Isso não podia ser bom. Mas não podia deixar isso transparecer agora, não queria que Nessie se preocupasse antes de saber exatamente o que estava acontecendo.

Ouvi passos suaves vindo do corredor, seguidos pela voz sonolenta de Nessie:

— Jake? O que aconteceu?

Ela apareceu na entrada da cozinha, esfregando os olhos. Olhei para ela e tentei disfarçar o aperto no peito, soltando uma risada nervosa enquanto ainda catava os cacos de vidro.

— Nada demais. Só o "chef" aqui tentando dar cabo da cozinha. Aparentemente, até os copos têm medo de mim e se jogam no chão — brinquei, balançando os ombros de um jeito exagerado, tentando amenizar a tensão.

Nessie riu, o que foi um alívio. Ela se aproximou e começou a me ajudar a recolher os pedaços de vidro espalhados pelo chão.

— Você e a cozinha... Um verdadeiro desastre esperando para acontecer — ela comentou, sorrindo.

— Ei, não sou tão ruim assim — retruquei, tentando manter a leveza.

Ela levantou o olhar e me encarou, aquele jeito dela de sempre saber quando algo não estava completamente certo.

— Jake, está tudo bem mesmo? — perguntou com um tom mais sério, os olhos dela buscando alguma verdade no meu semblante.

Eu forcei um sorriso, não queria deixá-la preocupada. Não agora. Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, a puxei para perto e a beijei suavemente, sentindo o calor dela contra mim.

— Eu só estava pensando — sussurrei quando nossos lábios se separaram — que a casa está tranquila, as crianças ainda estão dormindo... e que nós temos um tempo só para nós.

Ela sorriu contra o meu peito, os olhos brilhando com aquela familiar mistura de carinho e desejo.

— E o que exatamente você tinha em mente? — ela perguntou, a voz mais leve agora.

— Bem... coisas interessantes — brinquei, deixando minha voz um pouco sugestiva.

Nessie deu uma risada, e por um momento, o peso daquela notícia desapareceu. Estava determinado a aproveitar esse pequeno momento com ela antes que o mundo lá fora voltasse a nos chamar. A coloquei sentada sobre o balcão da cozinha e me coloquei no meio das pernas dela a beijando, Nessie sussurrou quando eu deslizei a mão por debaixo da sua camisola e percebi que ela estava sem calcinha.

— Nossa Senhora Black, é sério que veio assim.

Nessie sorriu maliciosa— Lembra-se daquela vez na cozinha, na outra casa.

— Como poderia esquecer, eu estava louco para te comer e você me deixou na vontade. Ele respondeu.

— Então podemos continuar agora — Ela mordeu o lóbulo da minha orelha.

Eu sorri malicioso, podia sentir o pulsar em meu pau por debaixo da calça, baixei a calça com pressa e abri mais as pernas dela a penetrando. Nessie gemeu e eu apoiei as mãos no balcão a fodendo ali mesmo.

Enquanto Nessie foi para o quarto tomar banho, terminei de arrumar a mesa para o café, tentando não pensar na inquietação que crescia dentro de mim. As notícias de Alec Volturi ainda ecoavam na minha cabeça, mas eu sabia que não podia demonstrar isso. Pelo menos, não agora. Nessie merecia um momento de paz antes de eu contar o que estava acontecendo.

Quando terminei de organizar a mesa, aproveitei o momento de silêncio e caminhei rapidamente até o escritório. Fechei a porta com cuidado, certificando-me de que não faria barulho. Fui até o cofre, abrindo-o com mãos firmes, e retirei uma caixa marrom que mantinha guardada para emergências. Abri a caixa e lá estava ela, a arma que não usava há anos. O peso frio do metal em minhas mãos me trouxe de volta à realidade de que agora eu precisava estar preparado para qualquer coisa.

Olhei para o objeto por alguns segundos, minha mente já longe, pensando no que poderia acontecer. Dessa vez, Alec não chegaria perto de Nessie. Não enquanto eu estivesse por perto. Ele não tocaria nela, nem em Charlie, nem em Ben. Eu protegeria minha família a qualquer custo. Eu sabia que essa arma poderia ser minha última linha de defesa, mas estava disposto a ir até o fim para garantir a segurança dos meus.

Guardei a arma de volta na caixa e coloquei tudo no cofre novamente. Tranquei-o, respirando fundo. A tensão ainda estava lá, mas ao menos agora eu me sentia mais preparado. Alec não sabia com quem estava lidando. Ele havia subestimado tudo antes, mas não dessa vez.

Saí do escritório, com uma nova determinação. Nessie e as crianças eram tudo para mim, e eu não deixaria que nada ou ninguém colocasse isso em risco. Faria o que fosse preciso. Estava disposto a lidar com as consequências depois, mas protegeria Nessie. Sempre.

Assim que saí do escritório, ouvi o som da água do chuveiro sendo desligado no quarto. O que quer que estivesse por vir, eu enfrentaria de cabeça erguida.