Receita Bombástica
1 Capítulo único - A Grande Missão
Cinquenta centavos, foi o que o Lula Molusco entregou de troco para quem era praticamente o último cliente do dia, já que faltavam apenas dois minutos para encerrar o expediente, e enquanto fechava a caixa registradora, o seu colega de trabalho já quase acabara de arrumar a cozinha, deixando todos os condimentos colocados no seus devidos lugares, para finalmente guardar sua ferramenta de estimação no seu lugar especial.
Depois de terem finalmente arrumado tudo, os dois funcionários já estavam quase fechando as portas do restaurante, quando se lembraram de que faltava alguma coisa.
— Espera aí, cadê Seu Siriguejo??? — perguntou Bob Esponja, atordoado.
O chefe ainda estava dentro do seu escritório, e o pequeno mestre-cuca preocupado entrou lá dentro para saber o que tinha acontecido, qual o motivo da demora para sair. Chegando lá, assim que abriu a porta da sala, Bob Esponja se deparou com seu chefe sentado na cadeira , olhando atentamente para uma das cartas que tinha recebido mais cedo naquele dia.
— Que bom que você chegou, rapaz — disse o chefe aliviado, quando viu seu funcionário na porta — Entre, quero mostrar uma coisa, desculpe por te deixar preocupado, me ocupei com essa correspondência o dia todo que não percebi o tempo passar...
— Está tudo bem, Seu Siriguejo, agora eu é que estou preocupado, a cara do senhor parece meio pálida, aconteceu alguma coisa? Tem a ver com meu emprego? — perguntou Bob Esponja, um pouco aflito
— Não, meu rapaz, pode ficar tranquilo, ninguém vai ser despedido daqui tão cedo, muito pelo contrário, a notícia que tenho aqui em minhas mãos pode mudar o rumo das coisas para melhor...
— Então me mostre, já que estou trabalhando aqui há muitos anos, qualquer coisa que influencie o futuro do Siri Cascudo, com certeza me interessa, afinal, se tudo isso aqui acabasse, qual seria a minha razão de viver se não for fazer aqueles deliciosos hambúrgueres? Me conte logo o que está escrito aí!
— Bem... na verdade essa carta era para ter sido lida pelo meu bisavô há mais de cem anos atrás, e é com muita emoção que estou segurando ela aqui na sua frente — disse ele, segurando bem firme com as garras aquele velho papel — Durante de muitos anos, o hambúrguer de siri sempre foi um sucesso, mas nunca pensei que a fórmula secreta ainda pudesse ser melhorada.
Bob Esponja foi ficando cada vez mais curioso à medida que seu chefe começava a contar a história- Os negócios envolvendo fast food do Siri Cascudo foram desenvolvidos por mim desde a minha infância, mas a ideias criativas com alimentos circularam pela minha família durante gerações. E pelo que me parece o meu bisavô tinha um amigo que juntos estavam desenvolvendo uma espécie de ingrediente secreto, usando o que havia disponível naquela época, dizia ele que deixava louco qualquer um que provasse, mas quando a receita estava quase pronta, ele acabou a perder de uma maneira trágica em um acidente de trem, e antes de morrer no local, escreveu essa carta contando os mínimos detalhes, para que quem a encontrasse entregasse às autoridades.
Os dois leram juntos a velha carta, além de olharem algumas fotografias contidas no envelope, e nela dizia o seguinte:
"Já fazem três dias que estou nesse trem com destino ao norte, tudo estava indo perfeitamente, sem praticamente nenhum problema, mas poucos minutos antes do meu descanso noturno, faltando apenas algumas dezenas de milhas, algo inevitável cruzou nosso caminho, fazendo a situação sair dos trilhos, e agora, diante de pessoas prestes a terminarem aqui comigo no fundo desse abismo, venho informar que o sonho de conquistar o mundo com nosso projeto que a dias venho trabalhando, corre o risco de acabar no meio do tempo, e em nome da nossa amizade eu o enterro aqui comigo, e caso alguém encontre este bilhete, deixarei protegido para que apenas você o descubra, com algumas pistas além das coordenadas deste lugar. Boa sorte
De seu amigo,Jake
Raihmer."
Além da carta e das fotos, o envelope também continha uma etiqueta com as coordenadas, e uma pequena chave, para usar no momento certo.
— Então quer dizer que agora temos uma segunda fórmula secreta enterrada no fundo do mar? — perguntou Bob, ansioso e com os olhos brilhando de alegria — Significa uma caça ao tesouro, isso vai ser emocionante!
— Pera lá, ainda não tenho certeza se isso é real, além do mais, de acordo com essas pistas, é um local praticamente inacessível, que fica muito mais abaixo do que se pode imaginar, só quem tem bastante habilidade em navegação e conhecimento em ciências e física tem alguma chance de explorar o local — concluiu Siriguejo — Vá para casa descansar, meu rapaz, quem sabe uma outra hora a gente tenha alguma ideia de um plano para ir até lá.
E o jovem deixou o estabelecimento com o peito cheio de alegria e ansiedade, mas isso não impediu de dormir bem durante a noite. Na manhã seguinte, bem cedo, Bob Esponja já estava na casa de sua amiga, discutindo sobre sua descoberta do dia anterior.
— Está dizendo que tem um tesouro escondido em um dos três lugares mais fundos do mar, e quer que eu ajude no resgate? — perguntou Sandy, abismada e um pouquinho interessada, com curiosidade — O que eu não faço pela nossa amizade... por mais difícil que seja para acessar o local, nada é impossível para a guerreira aqui do Texas! Bolarei um plano, e assim que estiver pronto, hoje ainda estarei lá no Siri Cascudo, podem me esperar!
Passaram-se cerca de dez horas depois daquela conversa, o restante do dia correu normalmente no Siri Cascudo, exceto pelo alto nível de ansiedade do Bob Esponja, que mesmo fazendo os hambúrgueres perfeitos como sempre, não conseguiu deixar de chamar a atenção do chefe, já que Lula Molusco pouco se importava com o que estava acontecendo.
— Diga logo rapaz! — Siriguejo agarrou o mestre cuca pela camisa, não aguentando de tanta curiosidade — Qual a surpresa que você está tramando???
Naquele momento, mais uma pessoa entrava na loja empurrando a porta de vidro com um clima de suspense.
— Pessoal! Consegui! — entrou a Sandy, dizendo aquelas palavras com convicção, ao mostrar o rolo de cartolina em que segurava nas mãos, enquanto que os dois congelaram na hora e olharam fixamente para ela. Os clientes não quiseram saber o que estava acontecendo e continuaram a comer seus lanches.
Mas mal conseguiram engolir o lanche direito e foram obrigados a se retirar às pressas do estabelecimento por ordens do Siriguejo, aquele momento era bastante importante e confidencial. Sandy pôs a cartolina em cima de uma das mesas, desenrolando-a.
— Então, gente, pelo o que eu andei analisando, descer naquele lugar realmente não é uma tarefa fácil, mas de acordo com os meus cálculos, usando um veículo bastante resistente, é possível resgatar a outra fórmula secreta pelos destroços sem correr riscos de sofrer danos, por isso projetei um que realmente suportasse o suficiente a tempo de cumprir a missão, mas esse tempo não pode exceder 50 minutos, senão seria uma passagem sem volta, e para garantir que seja construído com sucesso, decidi que formemos uma equipe, já dividindo o que cada um vai fazer.
— Oba, vai ser que nem muma missão do Homem Sereia!! — disse Bob Esponja, não conseguindo conter seu entusiasmo.
— Mais ou menos isso — retrucou Sandy — então vamos lá: Seu Siriguejo ficará por conta de adquirir os materiais lá no ferro velho, Lula Molusco terá que receber o caminhão com o carregamento dos materiais que Siriguejo encomendar, enquanto que Bob Esponja, Patrick e eu construiremos o veículo com as nossas próprias mãos.
— Maravilhaaaa! — concluiu o Calça Quadrada.
— E aqui está a lista do que você precisa comprar — entregou na mão do Siriguejo o papel com anotações dos itens
— Isso vai ser moleza, assim logo vou ter meu hambúrguer de siri especial no cardápio pendurado lá atrás, já estou pensando até no nome...
Enquanto isso, há mais ou menos uns 20 metros dali, um binóculo gigante os observava atentamente, e assim que a conversa terminou, Plankton tirou o olho do equipamento e passou a ficar intrigado com aquilo que viu e ouviu, começando a ter ideias e fazer planos.
— Depois de todos esses anos tentando pegar a fórmula secreta, nunca imaginei que nesse mundo poderia existir mais de uma... — comentou ele.
— De acordo com o que ele disse isso vai se praticamente mais uma opção no menu — respondeu a esposa Karen — A menos que seja melhor do que hambúrguer tradicional e acabe tornando o Siri Cascudo ainda mais famoso.
— Mas não se eu conseguir ela antes deles... — o pequeno copércude acaba de ter uma ideia em mente, dando risadas — Afinal o que o Eugene poderia fazer com duas fórmulas, se ele já é bem sucedido só com uma...?
Depois de fecharem o Siri Cascudo mais cedo, todos se recolheram para suas casas, exceto Siriguejo, que tinha que passar no ferro velho e conseguir as peças.
— POR NETUNO, ISSO CUSTA UM OLHO DA CARA! — disse ele, espantado com o orçamento da lista — E tudo isso só com esses negócios de segurança e blá blá blá... na minha época não tinha isso, e pra uma viagem de quase uma hora com minha experiência de navegação essas coisas não vão ser necessárias, tudo perda de tempo, sem falar que deixa mais pesado — e fazendo os seus cálculos pediu apenas o essencial para a missão, o que sabia que ia precisar, afim de economizar dinheiro.
E passaram-se as horas até a manhã do dia seguinte, todos se reuniram novamente no Siri Cascudo, já que resolveram não abri-lo naquele dia, pois não iriam dar conta de atender a clientela e por o projeto em prática ao mesmo tempo, além de não atrair curiosos.
— As peças já estão todas aqui, então mãos à obra! — declarou Sandy.
Enquanto isso, Plankton já estava saindo na porta do Balde de Lixo segurando um brinquedo, decidido o que iria fazer. A esposa ficou preocupada.
— Tem certeza de que isso vai dar certo? Que não vai demorar muito? Estou preocupado com essa expedição, se você for lá e nunca mais voltar, tenho medo de te perder...
— Não se preocupe querida, assim que eu for ali não vai levar nem dez minutos, e além do mais eu não vou descer até aquele lugar para buscar a fórmula, eles é que vão trazer de bandeja para mim, e daí com esse brinquedinho darei conta de cumprir o resto do plano, ha ha ha! — Esperou cerca de uma hora e meia até ver se o pessoal já havia feito alguma coisa — Tchauzinho querida!
E andou cerca de cinco metros, posicionou o aviãozinho de controle remoto no chão e começou a controlá-lo, voando em direção aos fundos do Siri Cascudo até deixar cair aleatoriamente por lá. Foi em direção à placa que dizia "Fechado hoje para manutenção" andando sorrateiramente, até abordar o Lula Molusco.
— Olá! Eu estava ali por perto brincando com meu aviãozinho quando sem querer o perdi, e eu acho que ele caiu aqui nessa área, será que por um acaso vocês não o viram por aí?
— Infelizmente não vimos nada, pois estamos ocupados num projeto desde manhã cedo, lhe informarei se a gente achar alguma coisa, mas se quiser pode entrar para procurar.
— Obrigado, prometo que não vou demorar nadinha!
Plankton entrou e viu tudo o que estava acontecendo, mas mesmo assim não se distraiu e foi direto aonde o brinquedo havia caído, pegou na mão e foi para o painel do veículo que estava mais da metade pronto. Entrou por debaixo do painel de instrumentos.
— Uau, isso vai ser molezinha — comentou ele, ao ver que tudo aquilo era bastante familiar, já que estava acostumado a mexer com bugingangas.
— Bob Esponja, pegue aquela barra de ferro lá pra mim — ordenou Sandy
— Aqui está — em menos de um minuto Bob já estava com o objeto na mão, meio desconfiado — Não sei não, mas tenho a impressão que vi alguma coisa estranha andando ali.
— Absolutamente normal — disse Patrick — Já que coisas do ferro velho são sempre fuçadas, e coisas fuçadas sempre tem coisas estranhas...
Enquanto isso, Plankton já estava deixando o local com seu objeto na mão, dividido em duas partes.
— Olha aqui eu encontrei — disse ele, se despedindo do Lula Molusco — é uma pena ter se partido ao meio, mas for a isso está tudo bem, tchauzinho.
Depois de passarem praticamente o dia todo trabalhando naquilo, finalmente o dirigível de titanium ficou pronto, e todos ficaram reunidos para se preparar para o dia de domingo que estava por vir, da viagem que estava para acontecer.
— Que belo trabalho pessoal, mas tenho a impressão de que ainda está faltando alguma coisa... — disse Sandy, tentando se lembrar de algo.
— Com certeza ele está precisando de uma bela pintura — respondeu Patrick, todo alegre segurando um balde de tinta.
— Não é isso não, Patrick, a ideia é não chamar atenção, mas seja o que for, deixa pra lá, o importante é que está completamente funcional.
Assim que terminaram de planejar o que seria feito no dia seguinte, todos se despediram e foram para as suas casas, já que tinha anoitecido, e não era muito seguro ficar ali durante a noite, um pouco fria. Já era domingo, a manhã inteira correu normalmente, e por volta das onze horas todos já estavam reunidos novamente no Siri Cascudo, prontos para inaugurar o veículo e dar início a expedição.
— E não podemos esquecer dos nossos deliciosos hambúrgueres de siri — disse Bob Esponja, todo animado.
— Mas lembrem-se de que isso lhe custarão alguns dólares — respondeu Siriguejo, tentando tirar um trocadinho de todo mundo
Sandy terminou de colocar as duas caixas térmicas atrás das cadeiras, bem no fundo, sendo que uma caixa era de hambúrguer, e a outra era de refri.
— Estranho... o Lula Molusco disse não iria vir por que queria ficar em casa no domingo pra poder descansar, — Sandy começou a ficar desconfiada assim que conferiu a bagagem — Mas mesmo assim o Bob Esponja trouxe cinco copos de refri, eu até que poderia descartar, mas não vou fazer isso pra não deixar o Seu Siriguejo irritado.
Deixou quieto o copo extra na caixa da bagagem, e assim que Patrick, Bob Esponja, e Siriguejo sentaram nos seus lugares e apertaram seus cintos, Sandy pegou o mapa, assumiu a direção e iniciou a viagem. Demoraram cerca de uma hora e meia para chegar ao local onde de fato ocorreu o desastre descrito na velha carta. Enquanto sobrevoavam ao redor, Siriguejo ia contando os detalhes aos poucos. Era um trilho ferroviário que passava ao redor de uma colina, e que no dia do acidente uma avalanche de neve havia descido sobre a linha, bem no meio da curva, fazendo com o que o trem se descarrilhasse instantaneamente, arrastando por cerca de vinte metros até ficar pendurado no penhasco, onde ali foi caindo aos poucos. Atualmente o lugar ainda mal preservava as marcas, já que ficou irreconhecível pois a linha for a desativada há muito tempo.
— Bem pessoal, é agora que a parte boa começa... — disse Sandy, ligando os faróis e começando a descer aquela fenda escura cheia de surpresas
Os 100 primeiros metros não foram muito confortáveis, mas a vista passou a ficar cada vez mais linda só aos setecentos metros, e lá já era possível ver um belo ecossistema de vida marinha.
— Uaaaaauuuuuuu — Bob Esponja e Patrick se abraçaram surpresos, observando a paisagem com olhos brilhantes.
— A gente ainda nem chegou e minhas garras já estão coçando... — Siriguejo respondeu, ansioso
Meia hora depois, Siriguejo já estava quase sufocando os dois garotos, pois tanto estava ansioso quanto incomodado com a bagunça que eles estavam fazendo, mas estava prestes a acabar.
— Pessoal, já podem se acalmar — Sandy tentou tranquilizá-los, depois da longa descida — Acho que o que vocês estão procurando está logo ali...
Todos ficaram paralisados logo de cara com aquilo que viram, o que era para ser uma coisa surpreendente como no começo, na verdade não passava de um cenário escuro e horripilante, parecia mais um cemitério sombrio e abandonado, a ferrugem dos destroços daquele trem davam ainda mais certeza.
— Por Netuno, nunca vi uma coisa tão horrorizante como essa em toda a minha vida — o velho ficou espantado — Vai levar anos para esquecer tudo isso... Mas voltando ao que interessa, o que estamos procurando está em uma caixa de madeira lacrada.
— Vai ser difícil encontrá-la no meio de toda essa bagunça — disse Bob.
— Mas como é possível levar uma caixa como essa em um trem sem chamar atenção de alguém? — perguntou Patrick, pensativo.
— Em um vagão próprio de cargas, isso! — o Calça Quadrada teve a ideia genial.
Depois de cinco minutos de buscas, finalmente encontraram o vagão que estavam procurando, e apesar do teto estar bastante destruído a maioria das encomendas da carga estavam intactas. Todos estavam com sorte
— Achamos! É a mesma caixa da foto, inclusive tem as letras "J" e "R", igualzinho! — gritou Bob Esponja, ficando todo animado.
— Isso mesmo pessoal, as informações conferem certinho — concordou Siriguejo — Mas algo não está me cheirando bem...
— Tem certeza de que é essa mesma? — perguntou Sandy, preocupada — Vamos logo que só nos restam 15 minutos para chegar lá em cima com segurança.
E assim que foi confirmado, Sandy desceu uma garra robótica e agarrou a caixa cuidadosamente, subiram de volta para cima com toda a velocidade, gastando cerca de metade do tempo da descida, e pousaram com a caixa sobre o velho trilho abandonado.
— Está na hora de abrir nosso tesouro — disse o esponjoso, com entusiasmo — Esperei três dias por esse momento especial...
— Pera lá, meu rapaz, vamos com calma — o velho tentou segurá-lo — Não temos certeza do que podemos encontrar aí.
— Tem razão, não podemos abrir a caixa sem antes... COMER UM DELICIOSO HAMBÚRGUER DE SIRIII!!
Pegou as caixas com os lanches e abriu-as, cada membro pegou um hambúrguer e um refri, afinal ninguém queria terminar aquela viagem de barriga vazia. Sandy pegou o último copo e ficou intrigada.
— Bob Esponja o que você fez com... Quer saber deixa pra lá! — preferiu esquecer daquilo, afinal o seu amigo sempre sabe o que faz.
Terminando de dar a última mordida, Siriguejo pegou um pé de cabra e começou a abrir a caixa, e depois de retirar completamente a tampa, os outros lados da mesma se desmontaram automaticamente. O bolo de partículas de isopor se espalhou, e uma pequena cápsula de metal foi revelada, além de um pacote estranho com ervas e alguns objetos de porcelana, e na cápsula tinha um pequeno orifício, parecido com uma fechadura, onde obviamente deveria ser usada a chave.
— Uuuuuhhhhhh, impressionante o jeito dele de guardar uma receita secreta — Bob ficou espantado de curiosidade — Com certeza deve ser muito melhor do que uma garrafa de vidro.
— Tem alguma coisa estranha... — comentou Siriguejo — Eu acho melhor deixar para abrir isso quando estivermos lá no Siri Cascudo, então guarde isso com cuidado lá no dirigível, enquanto tiramos algumas fotografias para guardar de recordação.
O objeto fora guardado dentro da máquina, enquanto isso, Bob Esponja chama seu chefe para pedir ajuda.
— Seu Siriguejo, não estou achando a câmera!
— Ah é! esqueci que deixei lá na minha bolsa, vou lá buscar, até porque só eu posso mexer nela.
E foi lá pegar o equipamento, quando de repente a porta da máquina fecha inesperadamente bem na cara dele.
— Mexilhões! Está emperrada! Sandy que como que abre isso aqui???
— Não tem como emperrar, eu lubrifiquei hoje de manhã — explicou ela — A menos que esteja trancada do lado de dentro.
— BOB ESPONJA, ISSO NÃO TEM GRAÇA! Abre logo isso aqui, senão eu vou descontar metade do seu salário!!!
— SURPRESAAAAA!!! — um rosto verde acaba de brotar na escotilha de vidro
— Plankton??? O que está fazendo aqui? Eu não te convidei!
— Digamos que eu estava na minha caminhada matinal e acidentalmente vim parar nessa lata de sardinha alienígena... Ou você achou que eu ia perder esse momento tão glorioso? E além do mais obrigado pelo refrigerante grátis!
— CARAMBOLAS! Eu sabia que tinha alguma coisa errada! — exclamou Sandy.
— E o pior é que a chave com o resto do envelope da carta está lá dentro, e além disso como vamos voltar pra casa? — Siriguejo começou a ficar desesperado — Por favor Plankton, não vá cometer nenhuma besteira!
— Relaxa! Ele não vai a lugar algum sem a alavanca de controle, que está bem aqui na minha mão! — disse Sandy.
— Aí é que você se engana! Como eu vi que o Siri Cascudo estava em manutenção, resolvi fazer uma surpresinha para vocês, então eu também acabei dando a minha pequena contribuição na construção deste aparato tecnológico — o pequeno copércude pegou o controle que era do seu aviãozinho e começou a clicar uns botões, fazendo a máquina ligar e começar a decolar — Apenas um retoquezinho no seu sistema elétrônico, permitindo que eu tenha o controle deste veículo na palma da minha mão! Apenas um cliquezinho aqui, dois cliquezinhos ali, pronto! Vejo vocês na reinauguração do Balde de Lixo depois que ele estiver bombando. Até mais!
E voou para cima, deixando a rapaziada em meio a ferrovia para trás. Ao terminar de ouvir todas aquelas palavras, o velho Siriguejo olhou para o chão, e quando viu aquele pacote de ervas na palma das suas garras, sacou na hora o que estava acontecendo, enquanto que Bob Esponja veio correndo tentar ajudá-lo.
— Seu Siriguejo, eu vi tudo o que aconteceu! O senhor está bem? Quer que eu faça alguma coisa?
— Está tudo sob controle, meu jovem! — respondeu, com um leve sorriso — Na verdade aquele larápio não levou ingrediente secreto nenhum, mas a má notícia é que não vai ter hambúrguer de siri especial no meu restaurante.
— É verdade! De acordo com meus conhecimentos essas ervas aí causam efeito colateral nas pessoas, por isso são consideradas proibidas — Sandy concordou explicando.
— Exatamente! por isso vou devolvê-las aonde nós encontramos, para não causar problemas — e arremessou o pacote bem longe, direto no precipício escuro — Caso encerrado!
— Mas então o que foi que ele levou? — perguntou Bob esponja.
Enquanto o velho se preparava para dar a resposta, Plankton, durante a fuga, começava a fuçar as coisas.
— Enquanto eu curto esta agradável viagem de volta para casa, vamos desembrulhar o grande troféu — pegou a chave no envelope, inseriu-a na cápsula, e girou para tentar abrir, mas algo diferente aconteceu, o objeto começou a emitir ruídos de tic toc similares a de um timer de torradeira, e atrás do visor de vidro apareceu um papel escrito "30 segundos...".
— Pera aí, O QUÊ? — Plankton demorou para perceber que aquilo era uma cilada, e ele até que tentou escapar, mas não encontrou nenhuma saída de emergência, até que escutou o estalo forte do sininho — Ai não...
E explodiu, tanto o estrondo quanto o clarão de luz puderam ser vistos a centenas de metros de distância, partes do veículo voaram para todos os cantos, já o show pirotécnico foi tão grande quanto o do dia em que um dirigível explodiu ao ser atingido por dois porta-bandeiras da banda do Lula Molusco que ensaiavam na Fenda do Biquíni.
Depois de todos presenciarem aquilo, Seu Siriguejo finalmente respondeu:
— Eu já contei a vocês que o amigo do meu bisavô também mexia com explosivos?
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